Pronunciamento de Izalci Lucas em 12/06/2026
Discurso proferido da Presidência durante a 79ª Sessão Especial, no Senado Federal
Sessão Especial destinada a celebrar o Dia do Quadrilheiro Junino. Defesa da centralidade de políticas públicas contínuas de fomento e investimento estatal, como o apoio ao projeto "Giro Cultural", indispensáveis para a sustentabilidade dos mais de 70 grupos de quadrilheiros ativos no DF e para a salvaguarda desse patrimônio imaterial para as futuras gerações.
- Autor
- Izalci Lucas (PL - Partido Liberal/DF)
- Nome completo: Izalci Lucas Ferreira
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso proferido da Presidência
- Resumo por assunto
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Cultura,
Homenagem:
- Sessão Especial destinada a celebrar o Dia do Quadrilheiro Junino. Defesa da centralidade de políticas públicas contínuas de fomento e investimento estatal, como o apoio ao projeto "Giro Cultural", indispensáveis para a sustentabilidade dos mais de 70 grupos de quadrilheiros ativos no DF e para a salvaguarda desse patrimônio imaterial para as futuras gerações.
- Publicação
- Publicação no DSF de 13/06/2026 - Página 21
- Assuntos
- Política Social > Cultura
- Honorífico > Homenagem
- Matérias referenciadas
- Indexação
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- REALIZAÇÃO, SESSÃO ESPECIAL, CELEBRAÇÃO, DIA NACIONAL, ATIVIDADE PROFISSIONAL, Festas Juninas e Quadrilhas Juninas, MES, JUNHO.
- DEFESA, IMPORTANCIA, POLITICAS PUBLICAS, POLITICA PUBLICA, FOMENTO, INCENTIVO, INVESTIMENTO, ESTADO, APOIO, PROJETO, CULTURA, SUSTENTABILIDADE, GRUPO, DISTRITO FEDERAL (DF), SALVAGUARDA, PRESERVAÇÃO, PATRIMONIO.
O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF. Para discursar - Presidente.) – Quero aqui cumprimentar o nosso Presidente da Federação de Quadrilhas Juninas do Distrito Federal e Entorno, Robson Vilela Eiras, o querido Fusca; o Presidente também da União Junina brasiliense, Hamilton Tatu; o Presidente do Projeto Giro Cultural, aqui do Distrito Federal, Patrese Ricardo da Silva Mendes; o Vice-Presidente da Liga Independente de Quadrilhas Juninas do DF e Entorno, Tiago Viana; e cumprimentar todos os nossos quadrilheiros juninos, servidores.
O marcador falou, a fila formou, o arraial começou. Tem comida típica, tem jogos, tem fogueira, mas é no passo e no compasso onde vive o espírito da festa junina. Basta ouvir o caminho da roça que o coração acelera. É no balancê que a perna não para. E no "anarriê" vemos uma das maiores expressões artísticas do Brasil.
Esta sessão solene é uma homenagem aos quadrilheiros juninos do Distrito Federal e de todo o Brasil, mas, acima de tudo, uma homenagem à nossa cultura, à nossa história, às nossas raízes.
Quadrilheiros são famílias inteiras que organizam toda a sua rotina em torno de um projeto, são jovens que encontram na arte o seu lugar no mundo, são mestres que levam o nosso passado para as futuras gerações. Todos juntos recebendo de volta, após cada apresentação, a certeza de que valeu a pena todo o esforço.
É mais que uma dança, e muito mais que uma festa! As quadrilhas juninas são meses de ensaios para minutos de emoção: é suor, força e dedicação. É de domingo a domingo, noite após noite, repetindo, repetindo, repetindo passos até que cada movimento aconteça, parecendo que é por puro instinto. É neste momento, em que os passos se tornam espontâneos, fluidos, tão naturais quanto respirar, que quem assiste vê algo mágico, vê a beleza do nosso passado guardado e contado em trajes, cores e gestos. Cada traje conta uma história: o bordado feito à mão pela avó, que não pode mais estar aqui, mas está presente em cada ponto, em cada flor costurada com agulha e devoção; a bandeirinha que alguém pintou na madrugada para estar pronta a tempo; o chapéu de palha que passou por três gerações da mesma família e ainda vai passar por mais outras.
Cada passo carrega um significado: a marcação, o balancê, o grande passeio. Movimentos que vêm de longe, atravessam séculos, misturaram raízes indígenas, africanas e europeias e produziram algo que é puramente e inegavelmente brasileiro. Cada grito do marcador é uma convocação, um chamado para não esquecer, para não deixar morrer, para manter vivo o que nos faz ser quem somos hoje. E foi assim que algo que nasceu nos salões da Europa encontrou coração no povo brasileiro e se transformou numa das mais belas expressões da nossa cultura popular.
Aqui no Distrito Federal temos o privilégio de ter quadrilheiros que elevaram essa arte a um patamar de excelência, que nos enchem de orgulho. São mais de 70 grupos que se apresentam no DF, viajam o país, que representam nossa capital nas mais importantes competições nacionais, que trazem para Brasília troféus, reconhecimento e, acima de tudo, a prova de que a tradição e a contemporaneidade podem caminhar juntas, de mãos dadas, no mesmo compasso, sob o mesmo forró.
Apoiar iniciativas como o Giro Cultural e tradições juninas é fundamental para preservar este legado, porque sabemos que cultura não sobrevive sem política pública, tradição não se mantém viva sem investimento, a arte não floresce do abandono. Quando o poder público reconhece o valor dos quadrilheiros, não está fazendo um favor, está cumprindo uma obrigação com a memória do seu povo. O resultado deste investimento em cultura e no esforço dos quadrilheiros não aparece em relatórios, aparece quando a música começa.
Imagine uma criança de seis, sete anos, assistindo pela primeira vez a uma quadrilha. Os olhos arregalados, a boca entreaberta, os pezinhos que começam a mexer sozinhos no ritmo da sanfona, sem que ninguém mande, sem que ninguém ensine, porque tem coisa que não precisa ser ensinada, basta ser mostrada; precisa apenas ser preservada, para que a próxima geração possa encontrá-la.
Isso é o que os quadrilheiros fazem; isso é o que os mestres, os coreógrafos, os casais de noivos, os marcadores, os músicos, os costureiros, os figurinistas, os diretores artísticos fazem, cada um à sua maneira, todos pelo mesmo amor. Eles são guardiões, são faróis, são os responsáveis por garantir que nenhuma criança cresça num mundo em que a sanfona é silêncio e o arraial é só saudade.
Esta sessão solene é mais que um reconhecimento institucional do Congresso e também do Senado Federal, esta sessão é gratidão pessoal de quem acredita que um povo que dança junto, permanece unido; que uma nação que preserva suas raízes, tem chão firme para crescer; que uma cultura que se renova a cada junho, a cada forró, a cada passeio e a cada volta é uma cultura que não tem medo do futuro. Às quadrilhas juninas do Distrito Federal e do Brasil: que a sanfona nunca pare de tocar, que as bandeirinhas nunca parem de balançar e que o arraial nunca perca sua luz. E que esta nação nunca, jamais, se esqueça de dançar.
Parabéns aos quadrilheiros juninos. (Palmas.)
Eu solicito à Secretaria-Geral da Mesa a exibição de um vídeo institucional.