Discurso durante a 81ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal

Registro de CPIs e CPMIs das quais S. Exa. participou ao longo de sua trajetória parlamentar.

Preocupação com o endividamento crescente das famílias brasileiras e crítica aos juros excessivos, especialmente no crédito rotativo, apontados como principal fator estrutural do problema.

Autor
Izalci Lucas (PL - Partido Liberal/DF)
Nome completo: Izalci Lucas Ferreira
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Atividade Política, Fiscalização e Controle:
  • Registro de CPIs e CPMIs das quais S. Exa. participou ao longo de sua trajetória parlamentar.
Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Direito do Consumidor, Economia e Desenvolvimento, Sistema Financeiro Nacional, Trabalho e Emprego:
  • Preocupação com o endividamento crescente das famílias brasileiras e crítica aos juros excessivos, especialmente no crédito rotativo, apontados como principal fator estrutural do problema.
Publicação
Publicação no DSF de 16/06/2026 - Página 47
Assuntos
Outros > Atividade Política
Organização do Estado > Fiscalização e Controle
Política Social > Proteção Social > Desenvolvimento Social e Combate à Fome
Jurídico > Direito do Consumidor
Economia e Desenvolvimento
Economia e Desenvolvimento > Sistema Financeiro Nacional
Política Social > Trabalho e Emprego
Indexação
  • REGISTRO, PARTICIPAÇÃO, ORADOR, COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUERITO (CPI), COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUERITO (CPMI), MENSALAO, PETROLEO BRASILEIRO S/A (PETROBRAS), FUNDO FINANCEIRO, PENSÃO PREVIDENCIARIA, LEI FEDERAL, PROGRAMA NACIONAL DE APOIO A CULTURA (PRONAC), CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF), CASA DE APOSTA ESPORTIVA, INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS).
  • PREOCUPAÇÃO, ENDIVIDAMENTO, FAMILIA, COMPROMETIMENTO, RENDA FAMILIAR, DIFICULDADE, PLANEJAMENTO ECONOMICO, COMENTARIO, AUMENTO, INADIMPLENCIA, REGISTRO, JUROS, CREDITO ROTATIVO, CARTÃO DE CREDITO, EXPOSIÇÃO, CRISE, ECONOMIA, QUESTIONAMENTO, DADOS, GOVERNO FEDERAL, BENEFICIO, NATUREZA SOCIAL, EMPREGO, DEPENDENCIA, ASSISTENCIA SOCIAL.

    O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF. Para discursar.) – Sr. Presidente, eu poderia repetir aqui o discurso de V. Exa., até porque participei de várias CPIs como Deputado e como Senador, e lembrando que, a cada escândalo, sempre aparece um outro mais grave. Ninguém fala mais no INSS, não é?

    O SR. PRESIDENTE (Eduardo Girão. Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Fora do microfone.) – É.

    O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – Parece que morreu o assunto. Mas me lembro aqui de ter participado, como Deputado, do mensalão – que foi o primeiro de que participei –, em que o Governo pagava pelo voto aqui no Congresso Nacional.

    Depois participei da CPI da Petrobras. Nunca se viu tanto desvio de recursos como na Petrobras. Daí a gente não tem hoje nem distribuidor; não temos nem a refinaria mais, porque foram várias refinarias nas quais investimos bilhões e bilhões e nunca foram concluídas, como a Refinaria Abreu e Lima, que era, inclusive, uma parceria com a Venezuela, que até hoje não pagou sua dívida.

    Depois veio a CPI dos Fundos de Pensão, com vários fundos de pensão – do Banco do Brasil, Caixa Econômica, Correios, vários –, e em todos foram desviados bilhões e bilhões; inclusive, os servidores e os funcionários estão pagando até hoje. Tivemos que aprovar, aqui, uma lei, inclusive, para pelo menos dispensar do Imposto de Renda as contribuições que eles fizeram e que eles fazem ainda, basta ver agora de novo como é que estão os fundos aí.

    Depois veio a CPI da Lei Rouanet, com bilhões e bilhões sem prestação de conta nenhuma. Tinha milhões de contas de que não foram prestadas contas – desvios de recursos da Lei Rouanet.

    Depois veio a do Carf, que é exatamente o recurso administrativo da Receita Federal, uma maracutaia completa.

    Nós tivemos aqui a CPMI do Cachoeira – foi aqui no Senado –, uma CPMI mista da qual eu participei como Deputado, das roletas aí fora. E aí eu me lembro de que ele disse uma vez que ele não investiria mais. Ele investia sempre em candidatos a Deputado; ele botava grana nas campanhas. E na CPMI ele disse que não ia fazer mais isso, porque era mais fácil investir lá no ministério, através dos ministros, etc. E é exatamente o que aconteceu com relação ao Carf, por exemplo, em que os incentivos fiscais eram conseguidos através de propina diretamente no ministério.

    Depois vieram outras. E depois, aqui, a gente participou da CPI da Chapecoense, que, diferentemente, não foi corrupção, mas até hoje também as vítimas não receberam o seguro.

    Depois tivemos, aqui, a CPI das Bets. V. Exa. lembra exatamente o que aconteceu, né? A gente não conseguiu nem aprovar o relatório. Gente que nunca participou de nenhuma sessão apareceu lá para votar contra. E você vê o estrago que está acontecendo no Brasil com relação às bets. Inclusive, hoje eu vi nos jornais aí todos que a Receita Federal recebe das bets, hoje, mais do que a própria Petrobras, para você ver como é que está a situação do jogo e das bets.

    Depois veio a do INSS, da qual V. Exa. falou muito bem aqui. O filho do Lula sumiu; aliás, o Lulinha está na Europa curtindo lá. A gente não conseguiu sequer aprovar a quebra de sigilo dele.

    Então, realmente, o que vai acontecer e o que eles devem estar apostando aí é que, daqui a algum tempo, daqui a alguns meses, deve aparecer um outro escândalo, e um vai sobrepondo o outro.

    Mas, Presidente, eu subo a esta tribuna hoje, aqui, para tratar de um tema que, embora não ocupe as principais manchetes dos jornais todos os dias, está presente dentro de milhões de lares brasileiros e, silenciosamente, tem se tornado uma das maiores preocupações das famílias do nosso país: falo do crescente endividamento dos brasileiros.

    Por trás dos números, das estatísticas e dos relatórios econômicos, existem pais e mães de família que acordam cedo, trabalham, lutam, fazem sacrifício e, ainda assim, chegam ao final do mês sem conseguir fechar as contas.

    Existem aposentados que precisam recorrer ao empréstimo para comprar remédios. Existem trabalhadores que se utilizam do cartão de crédito para colocar comida na mesa. Existem milhares de brasileiros que contraem uma dívida para pagar outra dívida e, sem perceber, acabam presos a um ciclo que parece não ter fim. E o que mais me preocupa, Sr. Presidente, é que essa realidade deixou de ser um problema pontual e passou a ser um problema estrutural.

    Os dados mais recentes revelam que o Brasil chegou ao maior nível de endividamento de toda a série histórica: mais de 81% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida. Nunca tivemos um percentual tão elevado; e, quando olhamos para a inadimplência, o cenário é ainda mais preocupante: mais de 83 milhões de brasileiros estão negativados. São milhões de pessoas que vivem sob a pressão das cobranças, da incerteza e também da angústia de não saber se conseguirão honrar os seus compromissos. O mais grave é que esse problema atinge principalmente aqueles que menos têm. Nas famílias com renda de até três salários mínimos, o endividamento já alcança quase 85%, e a inadimplência se aproxima de 40%. Isso demonstra que o endividamento do Brasil tem rosto, tem nome e tem classe social. São justamente os brasileiros mais humildes, aqueles que trabalham honestamente e que lutam diariamente para sustentar suas famílias, os que mais sofrem com o peso dessa realidade.

    E há um aspecto que merece uma reflexão mais profunda. Ao contrário do que muitos imaginam, o problema não está apenas na falta de emprego ou na ausência de renda. O Governo Federal, Senador Wellington, usa números fantasiosos falando que o Brasil diminuiu o desemprego. Na realidade, eles colocam pessoas que recebem os auxílios como se estivessem empregadas – lembrando que esse valor irrisório e a dependência da população ao Governo não os tiram da pobreza.

    Isso nos leva a uma conclusão inevitável: o grande problema do Brasil não é o tamanho da dívida; o grande problema do Brasil é o custo da dívida, é o preço do dinheiro, é o crédito caro, é o juro excessivo. É a realidade de um país em que o cartão de crédito, que deveria ser um instrumento de facilitação, transformou-se em uma verdadeira armadilha para milhões de famílias. E é inaceitável que, em pleno século XXI, o brasileiro continue convivendo com juros que chegam a ultrapassar 400% ao ano no crédito rotativo. Nenhuma família consegue prosperar dessa forma. Nenhum trabalhador consegue construir um futuro quando uma parcela cada vez maior da sua renda é consumida pelos juros. Nenhum país consegue crescer de forma sustentável quando as suas famílias estão sufocadas pelas dívidas.

    É por isso que esse tema precisa ser enfrentado com seriedade, porque, no final das contas, quando uma família perde a tranquilidade financeira, não é apenas o orçamento que é afetado, é a paz dentro de casa, é a saúde mental, é o sonho de empreender, é a esperança de construir um futuro melhor. E um país que permite que milhões de cidadãos vivam sob o peso permanente das dívidas é um país que precisa rever as suas prioridades.

    Muito obrigado, Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 16/06/2026 - Página 47