Discurso durante a 75ª Sessão Especial, no Senado Federal

Sessão Especial destinada a homenagear as instituições Pró-vida e celebrar a realização da 19ª Marcha pela Vida. Relato sobre a articulação frustrada da PEC da Vida no Senado, decorrente de recuos parlamentares diante de pressões midiáticas e de redes sociais.

Autor
LUIZ CARLOS BASSUMA
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Direitos Individuais e Coletivos, Movimento Social, Religião:
  • Sessão Especial destinada a homenagear as instituições Pró-vida e celebrar a realização da 19ª Marcha pela Vida. Relato sobre a articulação frustrada da PEC da Vida no Senado, decorrente de recuos parlamentares diante de pressões midiáticas e de redes sociais.
Publicação
Publicação no DSF de 10/06/2026 - Página 33
Assuntos
Jurídico > Direitos e Garantias > Direitos Individuais e Coletivos
Outros > Movimento Social
Outros > Religião
Matérias referenciadas
Indexação
  • SESSÃO ESPECIAL, HOMENAGEM, INSTITUIÇÕES, SOCIEDADE CIVIL, INTEGRAÇÃO, MOVIMENTO SOCIAL, VIDA, COMBATE, ABORTO, ASSISTENCIA SOCIAL, ACOLHIMENTO, GESTANTE, VULNERAVEL, ORIENTAÇÃO, FAMILIA, PROMOÇÃO, INICIATIVA, AREA, EDUCAÇÃO, PREVENÇÃO, PROTEÇÃO, DIGNIDADE, COMPLEMENTAÇÃO, POLITICAS PUBLICAS, MES, JUNHO.
  • CRITICA, INTERPRETAÇÃO, AUSENCIA, INICIO, CONCEPÇÃO, CONSTITUIÇÃO FEDERAL, ARTICULAÇÃO, TRAMITAÇÃO, VIDA, SENADO, PARLAMENTAR, MIDIA SOCIAL.

    O SR. LUIZ CARLOS BASSUMA (Para discursar.) – Muito bem! Muito boa tarde, bom dia – boa tarde, estamos em transição – a todas as pessoas que estão, neste momento, participando de alguma forma. Tantas autoridades aqui, tanta gente relevante no Plenário, mas esta sessão se espraia para fora. A televisão tem esse aspecto.

    Vou quebrar o protocolo na saudação à mesa – você me perdoa, Eduardo. Eu vou saudar toda essa mesa de autoridades, porque nós somos aqui uma grande mesa, como já foi falado aqui tantas vezes. Em nome de Paulo Fernando, mais uma vez, eu queria estar... porque ele está presente – ele está presente. Paulo Fernando não só está presente; não pode estar presente fisicamente, mas ele está espiritualmente, porque dedicava a vida dele totalmente a isso – totalmente.

    Mas eu queria aproveitar isso, eu vou ser bem breve, bem sucinto. É uma sessão importantíssima. Vou terminar com ela contando uma experiência pessoal minha, que alguns já conhecem, mas que marcou muito a minha vida.

    Eu quero iniciar, primeiro, com uma das pessoas que eu conheci nesse processo de 2005, neste ano fantástico que foi 2005, que foi o próprio Luiz Eduardo Girão. Nós nos tornamos amigos a partir daí, mas quando ele foi... Eu quero citar o caso dele, porque eu não vou citar nenhum caso meu, das minhas eleições – eu fui eleito Vereador, Deputado Estadual e Deputado Federal –, porque foram verdadeiras, na linguagem do futebol, zebras – zebras assim, estratosféricas. A lógica da política era para que eu não me elegesse para nenhum desses cargos, nem Vereador. Foi um atrás do outro, Deputado Estadual e depois federal, mas aconteceu, e eu ficava impressionado. Eu disse isso para o Eduardo quando o conheci: "Alguma coisa tem atrás disso". Alguma coisa tinha por trás, e eu não sabia o que era. Para que aquilo? Para que a vida me arrastou para a política?

    Mas eu quero iniciar com a experiência do Eduardo porque, anos depois, ele viveu também. Ele nunca quis, ele sempre foi militante. Quantas vezes ele veio para o Congresso como militante – como tantas pessoas que estão presentes – segurar cartaz, segurar faixa? Muitas vezes. E nunca quis, nunca se interessou em exercer o mandato. Negou todos os convites que chegaram até ele.

    Até que chegou um dia que, no Ceará, em 2018, havia uma eleição quase que de w.o. Era o Senador mais favorito do Brasil para ganhar uma eleição, porque ele era simplesmente o Presidente do Senado. Era amigo do atual Presidente da República do Brasil, que era Michel Temer na época, do partido dele, e conseguiu, com a sua influência, como Presidente do Senado, levar um monte de benefícios para o seu estado, que é o Ceará. Ajudou todo o estado. Ele desejava ardentemente a eleição, principalmente por uma coisa que Eduardo é contra, ele tenta derrubar, que é o tal do foro privilegiado. Isso motivava Eunício Oliveira a ser Senador de novo – e era favoritíssimo. Na véspera das eleições, as pesquisas, todos os institutos, independentemente de credibilidade, apontavam Eduardo Girão lá embaixo, Eunício Oliveira favorito, favorito, eleito, eleito, eleito – todas as pesquisas. Pois ele venceu a eleição, o Eduardo Girão. Foi a primeira vez em que ele se candidatou a alguma coisa, justamente para não ter w.o., porque não tinha ninguém para enfrentá-lo: "Então, vou eu. Vou para o sacrifício". Foi por 0,17% dos votos para o Senado. Nós estamos falando de uma votação de mais de 1 milhão de votos – ele teve 1.385 milhão –, mas a diferença dele para o favorito, que vinha em toda pesquisa, foi de 0,17%. Isso não é resultado político, isso não é resultado eleitoral, isso é resultado espiritual.

    Ele, convencido dessa responsabilidade, a primeira coisa que tentou fazer aqui no Senado... Eu participei, ajudei, tentei ajudar, Allan também e outras pessoas também. Todo o Movimento Pró Vida ajudou, todo mundo, porque era o nosso sonho. Qual era o nosso sonho do Movimento Pró Vida? Já que nós não temos ameaça para legalizar o aborto no Brasil, aqui na Casa Legislativa – Luiz Ovando já falou e foi muito feliz –, não existe hoje ameaça... A mobilização que aconteceu até agora já deixou o Congresso Nacional quase que vacinado. Aqui não se legaliza mais o aborto, mas onde está a enorme ameaça, que é cada vez maior? No STF, aqui do lado, no Supremo Tribunal Federal. São pessoas que não estão submetidas a pressão política nenhuma, porque não são eleitas, são cargos vitalícios – para sempre. Então, qual era o sonho do movimento? Rapaz, esse STF está se aproveitando de uma falácia – como disse o Ovando, de uma falácia grande – que é dizer que "o direito à vida não está garantido", que é o direito da cláusula pétrea da Constituição, art. 5º, em que o direito à vida é inviolável. Só que os Constituintes, em 1988, não julgaram necessário botar essa palavrinha, só botar essa palavrinha: "Está garantido o direito à vida desde a concepção", então daí vem as várias teorias. E o Eduardo já até mostrou o nosso protótipo, que são esses bonequinhos, que já foram – acho que mais de 1 milhão – distribuídos aqui no Brasil. E aí: "Não, é com um mês, dois meses, três meses, quatro meses, cinco meses...". Até que, radicalmente, agora mesmo, há hipótese da assistolia, que já foi falada, para crianças até de nove meses. Não tem mais... não tem limite.

    Aí era a PEC da vida. Então, ele deu início, o Eduardo, aqui: "Mas como é?". Fazer uma PEC é mudar a Constituição e colocar na Constituição aquilo que é o nosso sonho. Bota lá então, coloca agora, faz a mudança da Constituição: "A vida começa na concepção". É só isso, só isso. Ele não entrou só com a PEC, ele fez aquilo que um Parlamentar dedicado a uma causa precisa fazer: articulou-se com os seus pares. Foi muito trabalho, foram meses com muita conversa pessoal, com muita conscientização. Esse bonequinho, ele o levou para todo mundo e para todo mundo mostrava. Alguns o tomaram como surpresa: "Nossa, nunca imaginava que era isso!". São pessoas que... a gente pensa que todo mundo conhece, mas não é verdade. Estava tudo certo para este Senado dar esse exemplo, seria uma vitória extraordinária. O STF nunca mais ia poder fazer mais nada, porque daí está na Constituição explicitamente, acabou – acabou – qualquer ação contra o aborto, aliás, contra a vida, aprovou qualquer chance de avançar o aborto. Só que, quando chegou na hora de a coisa ser votada, as pressões via rede social – e por causa do Código Penal, como disse a Chris Tonietto, porque toca na questão do estupro – pressionaram esses Parlamentares, que não tiveram a coragem de cumprir a sua obrigação perante Deus e recuaram, e não foi possível.

    E o Eduardo ficou muito triste – eu me lembro desse dia, nunca esqueço –, ficou muito triste: "Poxa, não adiantou nada! A gente fez tanta coisa, a gente se esforçou. Tinha o compromisso assumido, um por um, no corpo a corpo, e agora se recuou assim por causa de uma pressão na mídia, na rede social?". Ele ficou triste, como se fosse uma derrota.

    Não pense assim, meu irmão. Nós, aqui nesta Terra, só temos o poder – o poder mesmo – de plantar. A plantação depende de nós. A gente decide o que a gente quer plantar. Agora, a colheita, meu irmão, não depende de nós, depende do Pai. Então, você plantou. O que você fez aqui plantou sementes que vão germinar em algum momento. Esses que recuaram não estão prontos, não são a terra boa ainda, mas um dia a semente vai germinar. Então, nada é perdido – nada é perdido.

    Então, eu não quero me estender mais. Eu vou dar um pulo já aqui, porque nós estamos diante de verdadeiros doutores. Aqui neste Plenário, todos – os que falaram e os que não falaram; não importa – são doutores nesse assunto, são especialistas, são pessoas que propagam essa ideia, que é a defesa da vida. Nós todos não precisamos que eu reforce nada. Eu já estou muito satisfeito com o que ouvi, mas quero só dar meu depoimento pessoal, para encerrar – meu depoimento pessoal –, de como isso foi importante na minha vida.

    O pessoal falou de mim aqui – o Eduardo, que é meu amigo, o próprio Jaime, que se emocionou, o Ovando também e várias pessoas, a Chris Tonietto –, algumas pessoas falaram, e é um pouquinho exagerado, viu, gente? Foi um pouquinho exagerado. Eu fico muito grato, é claro, honrado com isso, mas longe de que eu vá ter qualquer tipo de vaidade pessoal, porque, se eu fiz alguma coisa, como disse o Jaime, e o próprio Eduardo reconhece, se alguma coisa foi feita, foi por causa da base. A base é forte. É um trabalho silencioso, mas que é feito diariamente com amor; com muito amor e com muita fé.

    Então, eu vou contar meu exemplo pessoal. Eu, todo mundo sabe, fui eleito, pelo PT, Vereador em Salvador, Deputado Estadual, e Deputado Federal em 2002, quando o Lula foi eleito pela primeira vez. Em 2002, eu fui eleito Deputado Federal. Então, eu disse que pulei, porque eu ia contar uns casos meus eleitorais, e não vou contar história nenhuma, mas histórias exuberantes, mostrando intervenção espiritual, porque, politicamente, materialmente, minha chance de eleição era quase nenhuma. Foi por isso que eu contei só a história do Eduardo, para substituir a minha, mas vamos ao que importa.

    Quando chegou o ano de 2005... Eu fui atraído para o PT por quê? – eu e milhões de brasileiros. O velho PT, e eu estou falando do PT de 1990, antes de chegar ao poder presidencial, era o partido da ética. A bandeira mais defendida pelo PT era a ética. O princípio da vida era presente, latente em todos os discursos, em todas as ações; a democracia. Só que, quando chegou em 2005, aconteceu o primeiro grande escândalo do PT, que foi em agosto de 2005, o escândalo do mensalão. Eu era Deputado Federal do PT. Eu fui para a tribuna, logo em seguida, e disse: "Eu não estou fazendo aqui julgamento de ninguém, não quero, agora, se o meu partido não tomar posição firmíssima contra isso, eu não posso continuar num partido que tolere e aceite a corrupção como algo natural".

    Eu fui para a Bahia e disse tudo. Aí, como eu era Deputado na época, deu notícia no jornal A Tarde, que é o principal jornal – botou até na primeira página –: "Bassuma vai fazer uma plenária para sair do PT". E é verdade; o que eu queria era... Mas, como ninguém faz nada sozinho na vida, nós só chegamos a alguma coisa porque muitas pessoas ajudam, eu disse: "Essa decisão não pode ser minha. Eu quero. Quero sair do PT agora. Desfilio-me hoje", mas eu tinha que reunir todo mundo que quisesse participar dessa decisão e delegar a decisão para essas pessoas; não ser só minha a decisão.

    Então, fizemos aquilo que se chama plenária – igual à do Brasil sem Aborto – lá na Bahia, e participaram mais de 300 lideranças. Eu tomei um susto, no lugar que a gente reservou até nem coube, ficaram pessoas sentadas pelo chão, muita gente que me acompanhava esses anos todos, e todo mundo do PT.

    Aí levou cinco horas aquela plenária. Eu só faltei me ajoelhar e chorar, porque o resto eu fiz tudo. Fiz o discurso talvez mais inflamado da minha vida, explicando as razões do pedido: "Deixem-me sair do PT".

    Nessa plenária, uma das pessoas importantes, que até hoje me acompanha na vida, é uma amiga pessoal do meio espírita, que é a Zilda, D. Zilda. Ela tem até um problema na perna, uma dificuldade muito grande. Por ela ter esse problema na perna, ela me telefona na época: "Bassuma, eu quero ir para a sua plenária, mas eu estou com um problema para andar". "Não, eu te pego". Ela veio de carona comigo, e como ela veio de carona comigo para a plenária, só a Zilda, a gente conversou muito mais no carro. Então, ela disse: "Você está certíssimo. Estou com você, pode ter certeza".

    E ela se sentou já assim na frente, na primeira poltrona. Ela chegou primeiro, comigo. Aí houve tanta polêmica naquela plenária – levou cinco horas – que a gente viu que estava dividido, porque vinha um falar para sair; aí, em seguida, vinha outro dizendo que não tinha que sair, e todo mundo com argumentos, argumentos fortes, emocionais, psicológicos; não eram só políticos. E aí decidimos: "Então, para não ter dúvida, vamos votar pessoalmente. Não vamos só levantar o braço, não. Vamos votar. Cada um vai declarar o seu voto, porque vai dizer em um minuto – em um minuto –, para a gente encerrar a plenária, para terminar", porque já eram cinco horas.

    E Zilda era a última, porque ela sentou pertinho de mim. Eu estava aqui na mesa, e ela estava... Zilda era a última a votar. E aí foi uma pessoa marcando no quadro – era um lugar que tinha um quadro de giz –, botando os pauzinhos, assim e tal, riscando. Quando chegou quase no fim, estava literalmente dividido. A plenária estava 150 de um lado e 150... Assim, por um voto.

    Aí chegou a hora de a Zilda votar. Eu falei: Bom, agora eu vou ganhar, por um voto. Eu vou ganhar, o voto da Zilda... Aí Zilda declara o voto e diz: "Bassuma tem que permanecer no PT" – não esqueça que ela ia voltar de carona comigo para casa, não é? Íamos voltar só eu e ela.

    Eu tomei um susto. Fiquei arrasado, porque eu perdi a plenária. A imprensa até me criticou, dizendo: "Oportunista, fez uma palhaçada, um teatro. Olha, não tem coragem de sair do PT!" Porque a plenária – eles não entendem isso – tinha esse poder. Mas daí me criticaram – não tem problema.

    Eu fiquei triste. Aí no caminho, na volta para casa, eu levando Zilda comigo de volta, estava arrasado, triste, porque eu tinha que continuar sem querer. Ficamos mudos eu e ela. Nem ela abria a boca nem eu, para tocar no assunto. Até que chegou uma hora que eu não aguentei. Fiz como lá no Império Romano: "Até tu, Zilda? Até tu? Poxa vida!".

    "Bassuma, eu estou até agora perplexa. Não me peça para explicar, mas eu tive que seguir as minhas convicções. Eu passei a plenária toda, com os discursos todos não mudei nada; estava pensando igual a você até o fim. Mas quando chegou na hora de eu votar, faltava um minuto para eu votar, e era o último voto, uma voz... eu ouvi uma voz forte, chegou aos meus ouvidos uma voz, que sussurrou e disse: 'Bassuma, não pode sair do PT agora'. Isso me chamou a atenção e eu não pude recuar. Essa voz foi muito intensa, muito forte energeticamente, e eu decidi mudar meu voto para você permanecer".

    Isso foi, então, em agosto de 2005. O que aconteceu em setembro de 2005 – setembro –, que foi tão falado aqui? Justamente o PL 1.135/1991. Desde 1991, assinado por dez Deputados do PT – os mais famosos deles eram José Genoíno e Marta Suplicy –, todos do PT. Desde 1991, tramitava no Senado, nunca tinha entrado em pauta, porque é um projeto polêmico, legalizar o aborto no Brasil, mas entrou em setembro na Comissão de Seguridade Social e Família. Bom, aí a história toda eu não vou falar, porque todos já conhecem o que aconteceu.

    Então qual é a lógica disso? Nós, humanos, quando seguimos a vontade do Pai, em vez de seguir a nossa, seguimos a vontade do Pai, o melhor sempre acontece.

    Se eu não tivesse... Se eu tivesse saído do PT um mês antes, porque eu ia sair por razões corretas, porque eu era contra a corrupção, eu não teria tido nenhum poder de fazer o que eu consegui fazer, porque eu consegui mudar o voto de gente do PT. E por que eu consegui? Porque eu tinha autoridade, eu era do PT. Então, como é que o pessoal do PT ia se explicar, os da Bahia principalmente, do meu estado? Como é que você vai se explicar para...

    Lá tinha um Deputado que era médico e católico, Ovando, Guilherme de Menezes. Até hoje eu acho, eu nunca mais o vi, ele deixou de me cumprimentar. Eu o cumprimento, mas ele não me cumprimenta. Eu fui para a cidade dele e disse na rádio: "Olha, o Guilherme é um dos que vai votar lá a favor do aborto". Aquilo repercutiu, claro, eu era Deputado Federal.

    Ele fez o que no dia? Essa história que o Eduardo contou. Em 2005, 7 de dezembro de 2005, a primeira votação, que ali era o primeiro, principalmente... Todos os abortistas tinham certeza de que passava. O Governo era a favor, o Lula era a favor, o Ministro da Saúde, Temporão, era a favor, o Presidente da Câmara era a favor. Todas as condições estavam dadas para passar ali, o Brasil ia legalizar aborto em meses, dois, três meses. Quando o Governo quer, quando tem maioria no Congresso, quando tem apoio político... O povo ia acordar tarde.

    Aquele dia foi magnífico, naquele dia que eu entendi tudo, foi naquele dia que caiu minha ficha, 7 de dezembro de 2005, ali faltou um voto, faltou um voto para o assunto ser votado, não foi votado, foi retirado de pauta, aquilo foi uma vitória extraordinária para nós.

    E de quem é esse voto? Faltaram alguns, mas um deles, de quem é esse voto que faltou? Justamente esse a que eu me referi, esse Deputado do PT da Bahia, que era um Deputado atuante, médico, ele era superatuante na Comissão, nunca faltava. Ele se ausentou no dia, porque preferiu, para não ir contra o partido, e para não ferir sua base eleitoral, que é a católica, ele preferiu, então, sumir. Ninguém o localizou naquele dia, ele sumiu, apareceu no dia seguinte.

    Então, eu quero aqui dizer que isso impactou minha vida. Até hoje eu tenho um fruto disso, do trabalho que vocês fazem, todos fazem, protegendo a vida, que é a Maria Valentina. A mãe ia abortar, e nós conseguimos convencê-la de que não, ela disse: "Mas eu não posso ficar com essa criança de jeito nenhum...". "Tá bom, eu fico com ela". Ela foi adotada por mim, ela vai completar 14 anos este ano. Eu quero também homenageá-la aqui no encerramento, a minha querida Maria Valentina.

    Então, eu quero agradecer, mais uma vez, a paciência que todos tiveram em me ouvir, agradecer por esta sessão, e agradecer a todos os presentes, os que estão aqui, e os que estão à distância, participando da televisão, pelo trabalho belo que é defender a vida. Estamos fazendo a nossa obrigação, mas estamos com Deus, estamos certos disso.

    Muito obrigado a todos.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 10/06/2026 - Página 33