Pronunciamento de Nelsinho Trad em 16/06/2026
Discurso durante a 82ª Sessão de Premiações e Condecorações, no Senado Federal
Sessão de premiações e condecorações destinada à entrega da Comenda Santa Dulce dos Pobres, destacando a importância de pessoas e instituições que desenvolvem ações de assistência social e solidariedade. Elogio à atuação dos Senadores Eduardo Girão e Damares Alves na criação da honraria. Destaque para o papel da sociedade civil no atendimento a populações vulneráveis. Considerações sobre a trajetória da Irmã Nilda Cavalcante, enfatizando sua atuação na educação e na gestão hospitalar, além de compartilhar um testemunho pessoal de fé relacionado à Beata Laura Vicuña e sua participação na publicação de um livro sobre a religiosa.
- Autor
- Nelsinho Trad (PSD - Partido Social Democrático/MS)
- Nome completo: Nelson Trad Filho
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Assistência Social,
Educação,
Homenagem,
Religião:
- Sessão de premiações e condecorações destinada à entrega da Comenda Santa Dulce dos Pobres, destacando a importância de pessoas e instituições que desenvolvem ações de assistência social e solidariedade. Elogio à atuação dos Senadores Eduardo Girão e Damares Alves na criação da honraria. Destaque para o papel da sociedade civil no atendimento a populações vulneráveis. Considerações sobre a trajetória da Irmã Nilda Cavalcante, enfatizando sua atuação na educação e na gestão hospitalar, além de compartilhar um testemunho pessoal de fé relacionado à Beata Laura Vicuña e sua participação na publicação de um livro sobre a religiosa.
- Publicação
- Publicação no DSF de 17/06/2026 - Página 11
- Assuntos
- Política Social > Proteção Social > Assistência Social
- Política Social > Educação
- Honorífico > Homenagem
- Outros > Religião
- Indexação
-
- SESSÃO DE PREMIAÇÕES E CONDECORAÇÕES, COMENDA, IRMÃ DULCE, ASSISTENCIA SOCIAL, IMPORTANCIA, SOLIDARIEDADE, ELOGIO, SENADOR, EDUARDO GIRÃO, DAMARES ALVES, CRIAÇÃO, CONDECORAÇÃO, COMENTARIO, REGISTRO HISTORICO, IRMÃ, CAMPO GRANDE (AL), ATUAÇÃO, EDUCAÇÃO, GESTÃO, SERVIÇO HOSPITALAR.
O SR. NELSINHO TRAD (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - MS. Para discursar.) – Presidente Senador Eduardo Girão, é um prazer estar aqui ao seu lado, ao lado da Senadora Damares.
Quero dizer aos agraciados Irmã Nilda, Jorge Eduardo, Joana Mota, representando o Instituto da Primeira Infância, e a todos vocês que, aqui nesta Casa, nós temos 81 pessoas que representam o Brasil, cada uma representando o seu estado, e a gente convive no dia a dia, convive nos embates, nas divergências, nas convergências. São oito anos de convivência. Quando você convive com uma pessoa por muito tempo, mesmo que você não queira, você acaba conhecendo de perto essa pessoa. Eu quero aqui dar um testemunho desses dois Senadores, tanto da Senadora Damares quanto do Senador Girão: pessoas altamente combativas, éticas, responsáveis, e com certeza quem passar por eles vai levar muita coisa boa deles para dentro de você para o resto da vida. Então, a vocês dois começo a minha saudação, dando a primeira palma dessa coroa que nós vamos entregar para Irmã Nilda Cavalcante Rangel, Jorge Eduardo Deister e Joana Mota, do Instituto da Primeira Infância.
Eu já fui Prefeito de uma cidade de 1 milhão de habitantes durante oito anos. Na condição de responsável pelas ações da cidade, algo que sempre me despertou a atenção foi o envolvimento de pessoas comuns, de cidadãos de bem, para poder, muitas vezes, fazer aquilo que o poder público não estava dando conta de fazer, atender, acolher, amparar e fazer as vezes do que deveria ser do poder público. São pessoas extremamente energizadas e inspiradas por Deus.
Eu, que sou cristão, posso dar esse testemunho porque já vivi o auxílio dessas pessoas do outro lado da margem do rio. E como isso é importante!
Então, a vocês que sempre atuaram para poder atender e auxiliar o próximo, a mais merecida homenagem de Santa Dulce dos Pobres, uma comenda. Como disse o Girão, a vida passa, o tempo passa, nós passamos, mas essa comenda vai ficar aqui, por muitos e muitos anos, por aqueles que poderão por aqui passar. E sempre vão lembrar de pessoas especiais como nós nos lembramos de vocês.
Ao falar um pouco do nome dessa comenda, eu tenho que dar um testemunho aqui para os colegas Damares e Girão.
Certa feita, logo antes, no processo de beatificação da então Irmã Dulce, logo que o Papa a fez santa, eu estava conversando com um Senador já de idade, com todo o respeito que tenho por ele, um Senador que muitos de nós admiramos, que é o médico ortopedista Otto Alencar. E qual foi a minha surpresa, ao vir o assunto da Irmã Dulce, o Otto começou a falar dela e começou a chorar, tamanha a emoção que ele sentia, do nada, ao se lembrar – e ao se referir a isso – das passagens que ele teve com a Irmã Dulce. Para nós, foi motivo de muita alegria o momento em que o Papa a reconheceu como santa.
Eu quero dizer para vocês que a minha história com a pessoa que eu propus homenagear tem algo realmente muito particular e peculiar. Afora o trabalho que a Irmã Nilda, por quase sete décadas, prestou na sua atividade salesiana, tanto em Campo Grande quanto em Três Lagoas, atendendo não só a educação na formação do caráter de vários alunos e alunas que passaram pelas suas mãos, como também de pacientes, sendo ela Diretora Administrativa do Hospital Auxiliadora, de Três Lagoas – imaginem vocês gerir um hospital complexo, que tem atendimento de alta complexidade, de uma das três maiores cidades do Mato Grosso do Sul –, fazia isso com excelência. Mas a minha história com a Irmã Nilda começa quando eu tinha 11 anos de idade. A minha irmã, de 10 anos, ela é um ano mais nova que eu, estudava no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora. Naquela ocasião, as irmãs iam às casas das famílias apresentar a Beata Laura Vicuña. Quem foi Laura Vicuña? Laura Vicuña, beata, extremamente fervorosa a Deus, faleceu aos 14 anos e tem uma história muito parecida com a sua, Damares.
Certa feita, indo fazer uma luta de judô num campeonato, o adversário mais forte que eu me empurrou, eu caí com o cotovelo no tatame lá e houve uma fratura com luxação. Meu pai estava assistindo à luta, eu saí segurando meu braço, chorando. Ele olhou porque o cotovelo veio parar aqui no antebraço e falou: "Vamos direto para o hospital". E me levou naquele momento para o hospital onde tinha um ortopedista, pai do então Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, Hélio Mandetta, irmão da minha mãe. Ele me examinou, bateu a chapa, o raio-X e perguntou para mim: "Você comeu alguma coisa? Porque vai ter que operar". Eu falei: "Comi. Antes da competição, eu comi um pedaço de pão que a minha mãe me deu e tomei um copo de leite". "Então, você não vai poder operar agora, porque você vai ter que ser anestesiado e tem que estar em jejum. Eu vou te mandar para casa, vou fazer um bloqueio para você não sentir dor e, amanhã às 6h, você entra no hospital porque nós vamos ter que te operar, vamos ter que alinhar o osso que quebrou e colocar um pino". "Está ótimo." Imobilizou, fez o bloqueio e me mandou para casa. Quando eu cheguei em casa para deitar, eu vi a imagem da Laura Vicuña que as irmãs tinham deixado na minha casa. Eu peguei aquela imagem, fiz uma oração e coloquei no meu braço. No outro dia, quando eu fui dar entrada no hospital, ele desimobilizou, olhou e falou: "Vou ter que bater outro raio-X porque tem alguma coisa aqui que aconteceu". Ele bateu outro raio-X, a luxação tinha se desfeito e a fratura estava alinhada. Não precisou mais operar.
Todo esse dado que eu falei aqui para vocês foi enviado para o Vaticano para servir de condição de milagre que Santa Laura Vicuña – eu já a chamo assim porque eu tenho certeza de que um dia ela vai ser santa – fez na minha vida. E eu dividi muito com a Irmã Nilda todo esse processo. Depois que eu virei homem, virei adulto, casei, virei Prefeito, nunca deixei de visitar a igreja do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora para fazer minhas orações como eu sempre faço. Um dia, ela me ligou e falou: "Cheguei de Três Lagoas, estou aqui morando no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, venha me visitar. Eu vou fazer um bolo que eu sei que você gosta". Eu fui, e é bom o bolo dela, viu, gente? Comi quase meio bolo. Mas ela olhou para mim e falou: "Você está vendo essa prateleira aqui?". Eu falei: "Estou". "Eu fiz uma pesquisa sobre Laura Vicuña e eu achei tudo o que eu tinha que achar sobre a vida dela." Eu falei: "Mas isso vai ficar assim? Não pode ficar assim. A senhora tem que escrever um livro sobre isso". "Mas eu não tenho condições, meu filho." Eu falei: "Mas eu não perguntei se a senhora tem condições. Eu vou arcar com as despesas do livro que a senhora vai escrever". E ela escreveu o livro. Eu vou dar de presente um para Damares, outro para o Girão e outro para os dois agraciados, para vocês saberem um pouco dessa história.
E, do meio para o fim desse livro, ela saiu pegando os testemunhos de vários milagres que Laura Vicuña fez pelo Mato Grosso do Sul. Eu cheguei a ir a Bahia Blanca, que fica no sul da Argentina – para vocês terem uma ideia, de Buenos Aires a Bahia Blanca é uma hora de voo, em Boeing –, para visitar os restos mortais de Laura Vicuña, que ficam numa igreja do colégio María Auxiliadora.
Então, gente, desculpa o adiantado, mas esse é o testemunho que eu queria dar.
Quero dizer que estou muito emocionado de ter proporcionado isso para a Irmã Nilda e mais ainda de fazer valer um pouco do conhecimento que vocês precisam ter de Laura Vicuña.
Muito obrigado e parabéns a todos.