Discurso durante a 83ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Críticas ao Governo Federal pela falta de investimentos em infraestrutura, que limita o potencial de crescimento do setor produtivo brasileiro, com destaque para os problemas das rodovias, especialmente, no Estado de Santa Catarina.

Autor
Hermes Klann (PL - Partido Liberal/SC)
Nome completo: Hermes Artur Klann
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Concessão e Permissão de Serviços Públicos { Outorga , Autorização }, Desenvolvimento Regional, Governo Federal, Infraestrutura:
  • Críticas ao Governo Federal pela falta de investimentos em infraestrutura, que limita o potencial de crescimento do setor produtivo brasileiro, com destaque para os problemas das rodovias, especialmente, no Estado de Santa Catarina.
Publicação
Publicação no DSF de 17/06/2026 - Página 42
Assuntos
Administração Pública > Serviços Públicos > Concessão e Permissão de Serviços Públicos { Outorga , Autorização }
Economia e Desenvolvimento > Desenvolvimento Regional
Outros > Atuação do Estado > Governo Federal
Infraestrutura
Indexação
  • DEFESA, INVESTIMENTO, GOVERNO FEDERAL, INFRAESTRUTURA, CRITICA, PROJETO, CONCESSÃO, RODOVIA, AGENCIA NACIONAL DE TRANSPORTES TERRESTRES (ANTT), APOIO, DUPLICAÇÃO, ESTRADA, TOUROS (RN), SÃO JOSE DO NORTE (RS), NAVEGANTES (SC), CAMAQUÃ (RS).

    O SR. HERMES KLANN (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC. Para discursar.) – Senador Esperidião Amin, sempre muito querido com as palavras, só tenho a agradecer a esse grande catarinense brasileiro que nos orgulha muito.

    Exmo. Sr. Presidente Esperidião Amin, Sras. Senadoras e Srs. Senadores, população catarinense, subo hoje a esta tribuna para tratar de um tema que diz respeito ao futuro de Santa Catarina, mas que também revela um dos maiores desafios para o crescimento do Brasil: a incapacidade do Governo Federal de acompanhar, por meio de investimentos em infraestrutura, a força e o dinamismo do setor produtivo brasileiro.

    O Brasil vive uma situação paradoxal. Temos empresários dispostos a investir, trabalhadores qualificados, capacidade produtiva instalada, um agronegócio competitivo, uma indústria resiliente e um mercado consumidor robusto. Ainda assim, crescemos abaixo do nosso potencial, e uma das razões para isso está nos gargalos logísticos que há décadas comprometem a produtividade nacional. Enquanto os países que lideram a economia mundial investem pesadamente em infraestrutura para reduzir custos, aumentar eficiência e atrair investimentos, o Brasil continua convivendo com rodovias saturadas, obras inacabadas e projetos que não acompanham a realidade econômica do país.

    Santa Catarina talvez seja o exemplo mais emblemático dessa contradição. Nosso estado responde por uma parcela significativa das exportações brasileiras, possui alguns dos portos mais eficientes do país, abriga uma das indústrias mais diversificadas da Federação e apresenta indicadores econômicos que frequentemente servem de referência nacional. Somos líderes em diversos segmentos industriais: no agronegócio, na logística portuária e na geração de empregos. Mas existe uma pergunta que precisa ser feita: como um dos estados que mais produzem e exportam no Brasil continua dependendo de uma infraestrutura rodoviária concebida para a realidade econômica de mais de meio século atrás? O principal gargalo da economia catarinense não é a falta de empresários, não é a falta de trabalhadores, não é a falta de investimentos privados. O principal gargalo da economia catarinense é a falta de infraestrutura e a ausência de prioridade do Governo Federal para enfrentar esse problema.

    Participei, nesta manhã, de uma audiência pública promovida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres para discutir os projetos de concessão rodoviária em Santa Catarina. O que vimos ali foi mais uma demonstração de distância entre Brasília e a realidade de quem produz. As propostas apresentadas estão muito aquém das necessidades do estado. Não refletem a importância econômica de Santa Catarina, não enfrentam adequadamente os gargalos existentes e não oferecem respostas compatíveis com o crescimento projetado para as próximas décadas. A impressão que fica é que o Governo Federal continua planejando a infraestrutura de Santa Catarina olhando para o passado, enquanto os catarinenses trabalham e investem pensando no futuro.

    As consequências dessa omissão são extremamente concretas. Quando uma carga fica parada em congestionamentos na BR-101, na BR-470 ou em outros corredores logísticos e estratégicos, não estamos diante apenas de um problema de trânsito. Estamos diante de um problema econômico: o frete fica mais caro, o custo da produção aumenta, a competitividade diminui, os investimentos se tornam menos atrativos e o consumidor paga mais caro pelo produto que chega à sua casa.

    É assim que nasce o chamado custo Brasil: não apenas nos gabinetes ou nas planilhas, mas na incapacidade do Estado de fornecer a infraestrutura necessária para que a economia funcione de maneira eficiente. Por isso, causa preocupação observar que o Governo Federal demonstra enorme disposição para discutir aumento de arrecadação, criação de novas obrigações e ampliação da burocracia, mas encontra dificuldade quando o assunto é investir em obras estruturantes.

    Parece haver uma inversão completa de prioridades. O Estado brasileiro cobra cada vez mais, mas entrega cada vez menos. O setor produtivo continua fazendo a sua parte – investe, empreende, gera empregos, exporta, inova, corre riscos –, mas não pode continuar carregando nas costas os problemas que o Governo não resolve.

    A infraestrutura é uma das poucas áreas em que o Estado possui responsabilidade insubstituível. Uma empresa pode investir em tecnologia, pode qualificar seus trabalhadores, pode ampliar sua produtividade, mas nenhuma empresa constrói sozinha uma malha rodoviária federal capaz de atender às necessidades do país. Essa é uma obrigação do Governo. E é justamente nessa obrigação que o Governo Federal vem falhando.

    Quando defendemos a duplicação das rodovias federais em Santa Catarina, não estamos defendendo uma pauta regional – estamos defendendo uma agenda nacional de competitividade; estamos defendendo a redução do custo de vida; estamos defendendo mais empregos; estamos defendendo mais investimentos; estamos defendendo uma economia mais eficiente. Porque, toda vez que uma obra estratégica é adiada, o Brasil perde competitividade.

    Santa Catarina continuará fazendo a sua parte – continuará produzindo, empreendendo, exportando e contribuindo para o desenvolvimento nacional –, mas chegou a hora de o Governo Federal fazer a sua.

    Muito obrigado, Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 17/06/2026 - Página 42