Discurso durante a 83ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Cobrança de celeridade na tramitação da PEC nº 1/2025, da qual S. Exa. é o primeiro signatário, que altera dispositivo constitucional a fim de ampliar a autonomia administrativa do Governo do Distrito Federal para gerir os recursos de segurança pública, saúde e educação provenientes do Fundo Constitucional.

Autor
Izalci Lucas (PL - Partido Liberal/DF)
Nome completo: Izalci Lucas Ferreira
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Finanças Públicas, Fundos Públicos, Organização Federativa { Federação Brasileira , Pacto Federativo }:
  • Cobrança de celeridade na tramitação da PEC nº 1/2025, da qual S. Exa. é o primeiro signatário, que altera dispositivo constitucional a fim de ampliar a autonomia administrativa do Governo do Distrito Federal para gerir os recursos de segurança pública, saúde e educação provenientes do Fundo Constitucional.
Publicação
Publicação no DSF de 17/06/2026 - Página 50
Assuntos
Economia e Desenvolvimento > Finanças Públicas
Economia e Desenvolvimento > Finanças Públicas > Fundos Públicos
Organização do Estado > Organização Federativa { Federação Brasileira , Pacto Federativo }
Matérias referenciadas
Indexação
  • DISCURSO, COBRANÇA, CELERIDADE, TRAMITAÇÃO, PROPOSTA DE EMENDA A CONSTITUIÇÃO (PEC), ALTERAÇÃO, CONSTITUIÇÃO FEDERAL, GARANTIA, CORREÇÃO, RECURSOS FINANCEIROS, UNIÃO FEDERAL, DESTINAÇÃO, FUNDO CONSTITUCIONAL DO DISTRITO FEDERAL (FCDF), VARIAÇÃO, RECEITA CORRENTE, RECEITA LIQUIDA, COMENTARIO, GESTÃO, SEGURANÇA PUBLICA, DISTRITO FEDERAL (DF), AMPLIAÇÃO, AUTONOMIA, GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL (GDF).

    O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF. Para discursar.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Senadores e Senadoras, eu volto aqui para falar sobre a questão da PEC 01, de 2025.

    Lá em janeiro de 2025 eu apresentei uma PEC. Conversei com o Presidente Davi, mostrei para ele o objetivo da PEC, que era corrigir uma distorção que existe na Constituição. Ele entendeu perfeitamente, tivemos algumas reuniões sobre isso. Eu tive o cuidado de procurar o próprio Senador Rogério Carvalho para que ele pudesse relatar, porque ele também entendeu o problema. Mas nós já estamos em junho de 2026, ou seja, isso foi há um ano e meio.

    Eu estive já no Ministério da Gestão negociando isso, e também no Ministério da Justiça. Todos entenderam e concordaram. Faltou o Ministro da Fazenda. Estive com o Ministro da Fazenda. Ele me pediu que tirasse a questão da correção do texto. Eu disse que não teria problema, mas, até agora, infelizmente, não houve ainda o relatório, não apresentaram o relatório na CCJ. Eu sinto que a coisa está se prolongando demais e é uma questão importante aqui para o Distrito Federal.

    V. Exa. lembra, Presidente, que a capital do Brasil inicialmente foi Salvador, depois foi para o Rio de Janeiro e depois veio para Brasília na inauguração e, durante todo esse período, quem sempre bancou as despesas e os investimentos da capital foi a União. Então, todas as despesas de educação, saúde, segurança e investimento geral sempre foram bancados pela União.

    A Constituição de 1988 diz no art. 21 que compete à União manter e organizar a polícia civil, a polícia militar, o corpo de bombeiros e auxiliar no funcionamento da educação e da saúde.

    Acontece que, em 1988 – V. Exa., possivelmente, em 1988, já era Constituinte ou já estava na política como Governador –, quem indicava o governador do DF era a União. Nós não tínhamos eleição em Brasília. A eleição para governador só aconteceu em 1990, ou seja, depois da Constituição. Então, ficou esta distorção: em todos os estados, quem faz a gestão da segurança pública é o Governador; aqui, em Brasília, em função da distorção da redação do art. 21 da Constituição de 1988, ficou essa distorção que nós temos que corrigir.

    Hoje, o que acontece? O Governador, para fazer um concurso, tem que mandar para o Palácio do Planalto, e o Palácio do Planalto encaminhar para o Congresso. Acontece que, no período de 1990 até 2002 – a gente viu isto no depoimento do Secretário de Fazenda desse período –, o Governador de plantão, que foi eleito, e também o Secretário de Fazenda tinham que vir, todo mês, à Esplanada, ao Ministério da Fazenda ou ao próprio Palácio do Planalto para pagar as contas, tinham que pagar a conta de luz, a conta de telefone, o aluguel não sei das contas. Então, chegavam com o pires na mão. E aí o que acontecia? Quando tinha um governador de oposição ao presidente, aí que a coisa enrolava e prejudicava a gestão do governo. A saúde tinha problemas, sérios problemas.

    Em 2002, esta Casa, o Congresso Nacional, aprovou o Fundo Constitucional, para não ficar uma coisa sem limite, como era antigamente. Em 2002, qual era o valor que se investia e gastava em despesa e investimento, na época, em saúde, educação e segurança? A partir de 2002, então, ficou estabelecido um valor: R$2,9 bilhões, que era o valor exatamente das despesas de educação, saúde e segurança de 2002. A partir daí, a lei, então, previa a correção desse valor pela receita corrente líquida. Está na lei isso.

    Então, o dinheiro já está no orçamento, o recurso já está no GDF. Não há impacto nenhum – não há impacto. E aí a coisa não acontece.

    Eu já conversei com o Presidente Otto Alencar, na CCJ, porque, em princípio, o próprio Davi queria já colocar no Plenário. A gente, então, foi para a CCJ, e está lá na gaveta, esperando o relatório do Relator Senador Rogério Carvalho, a quem eu faço um apelo aqui, público, com relação a essa questão. É inadmissível. Um ano e meio. Se não quer fazer, passe para outro.

    Agora, o próprio Ministro da Fazenda já concordou e me pediu: "Olhe, Izalci, vamos tirar essa correção da PEC". Tudo bem, não tem problema nenhum, mas tem que corrigir, porque agora nós temos governadores eleitos. Não tem sentido ter que mandar a coisa para o Palácio do Planalto, se o dinheiro já está no orçamento, e depois ainda vir ao Congresso Nacional.

    Por isso, nós temos hoje o menor contingente da história, temos a metade do contingente que deveríamos ter em 2009. Por quê? Por causa dessa burocracia, porque, quando chega ao Palácio do Planalto, tem problema; chega ao Congresso, tem problema. Então, a gente precisa resolver essa distorção. É distorção, é correção do que está acontecendo hoje.

    A Constituição fala uma coisa que não é mais realidade. Hoje nós temos Governadores eleitos, e quem faz a gestão da segurança pública são os Governos estaduais. E, aqui o DF, para quem não sabe, o DF é Estado e Município. Aqui nós temos a função de município e de estado. O Governador é Governador e Prefeito. Então, a gestão só funciona se ele tiver autonomia para fazer o concurso, para fazer os reajustes. Houve agora uma recuperação. Depois de oito anos sem reajuste, exatamente por causa dessa burocracia, houve um reajuste no final do ano passado, em duas parcelas. E quem está perdendo com isso é o próprio Governo Federal, porque o Governador anuncia o aumento: "Ó, vou dar o aumento", aí manda para o Palácio do Planalto e fica aqui um ano, discutindo uma coisa sem lógica, porque o recurso já está lá, não tem impacto nenhum, zero de impacto.

    Então, faço um apelo aqui aos Parlamentares, ao Senador Rogério Carvalho, ao Senador Otto Alencar, que é o Presidente da CCJ, e ao Senador Davi Alcolumbre, que já entendeu isso. Já deveria estar na pauta aqui do Plenário, mas, infelizmente, ainda não conseguimos que este relatório... Eu até vou sugerir – é evidente que, porque é PEC, não dá para fazer virtual – e gostaria muito que, na próxima reunião da CCJ, presencial, a gente colocasse esse assunto na pauta. É uma coisa tão óbvia. Eu aprendi aqui que sabedoria é reconhecer o óbvio. Como é que nós vamos deixar uma distorção como essa prejudicando a gestão da segurança pública, da educação, e da saúde aqui do Distrito Federal?

    Então, eu quero aqui pedir o apoio dos colegas para entender isso. Ninguém está criando nada novo. Nós estamos corrigindo um texto em que há distorção. Para o evento da eleição, até 86, Cleitinho, aqui a gente não votava para Deputado Distrital nem Federal, a gente votava só para Presidente da República. Aí, a partir de 1986, nós elegemos os Deputados Distritais, que foram os Constituintes da Lei Orgânica, e deram o prazo para a eleição de Governador, em 1990. Então, em 1990 foi feita a eleição, só que o Governador não tem mais autonomia como os demais Governadores têm. Aqui fica dependendo de pedido para fazer um concurso público.

    Então...

(Soa a campainha.)

    O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – ... vou pedir o apoio de todos para que a gente possa realmente tratar dessa matéria com muita urgência e responsabilidade, para que a gente possa realmente ter uma gestão eficiente, sem a dependência de pedidos totalmente distorcidos da Constituição.

    Muito obrigado, Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 17/06/2026 - Página 50