Pronunciamento de Cleitinho em 16/06/2026
Discurso durante a 83ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Defesa do fim da escala 6x1 de trabalho, sem redução salarial.
Exposição de gastos considerados excessivos nos Poderes Legislativo e Judiciário.
Repúdio ao uso político da morte de uma jovem em acidente ocorrido na Ponte do Esqueleto,entre Limeira e Cordeirópolis-SP.
Crítica à concessão de aposentadoria compulsória como sanção a magistrados.
- Autor
- Cleitinho (REPUBLICANOS - REPUBLICANOS/MG)
- Nome completo: Cleiton Gontijo de Azevedo
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
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Trabalho e Emprego:
- Defesa do fim da escala 6x1 de trabalho, sem redução salarial.
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Finanças Públicas:
- Exposição de gastos considerados excessivos nos Poderes Legislativo e Judiciário.
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Atividade Política:
- Repúdio ao uso político da morte de uma jovem em acidente ocorrido na Ponte do Esqueleto,entre Limeira e Cordeirópolis-SP.
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Atuação do Judiciário:
- Crítica à concessão de aposentadoria compulsória como sanção a magistrados.
- Publicação
- Publicação no DSF de 17/06/2026 - Página 55
- Assuntos
- Política Social > Trabalho e Emprego
- Economia e Desenvolvimento > Finanças Públicas
- Outros > Atividade Política
- Outros > Atuação do Estado > Atuação do Judiciário
O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG. Para discursar.) – Sr. Presidente, uma boa tarde aos Senadores, às Senadoras, à população que acompanha a gente pela TV Senado e aos servidores desta Casa.
Eu vou sempre bater nessa tecla, porque, enquanto a gente não votar o fim da escala 6x1, eu vou fazer algumas comparações, doa a quem doer. Não adianta ficar olhando com cara ruim para mim, porque eu acho que eu tenho que mostrar aqui a verdade para a população e por que a gente tem que votar o fim da escala 6x1.
Eu vejo isto na Câmara dos Deputados e me chama a atenção: enquanto você está ralando aí, sabe, pegando ônibus lotado, fazendo essa escala 6x1, ganhando R$1,6 mil, você está mantendo isto aqui ó...
Se o cameraman puder dar um zoom, para mim...
Eu faço questão de ler para a população brasileira. Sabem o que que é? As 198 filhas solteiras da Câmara dos Deputados custam R$53 milhões por ano, 29 delas recebem R$41 mil por mês, e o valor médio das pensões é de R$23 mil – está aqui, ó. É mais de R$50 milhões, e você que está aí agora, trabalhando nessa escala, ganhando R$1,6 mil, está mantendo isto aqui. É por isso que eu vou sempre defender o fim da escala 6x1, por situações como essa.
Filhas solteiras de militares também: em 2025, custaram R$15 bilhões – está aqui, ó. Quem está mantendo isso aí, gente, são vocês, enquanto esta turma aqui nunca trabalhou na vida. Não trabalha, viu?
Aqui também, no Senado – pau que dá em Chico tem que dar em Francisco –: plano de saúde vitalício de ex-Senadores, R$25 milhões. Eu abri mão, porque eu acho que, se eu não for mais Senador, eu pago do meu salário um plano de saúde particular.
Aqui, também, nós temos aluguel de carros oficiais, que custa quase R$10 milhões. Você acha que qualquer trabalhador aqui... Pergunte, na hora em que você for contratado na sua empresa, se o patrão chega para você e fala assim: "Eu vou te dar um carro oficial". Não, você tem que pegar um ônibus lotado, ou você tem que vir de uber, a pé, de bicicleta, de táxi, do jeito que você quiser.
Mas aqui é assim, e é isto que eu estou mostrando para vocês: o problema não é o fim da escala 6x1. A verdade é que o problema está nos três Poderes. Está aqui, e aqui a gente tem que cortar da própria carne, para a gente poder dar dignidade para o trabalhador. É por isso que eu vou sempre lutar pelo fim da escala 6x1.
Eu peço a você que está vendo este vídeo aqui, vendo esta fala minha: viralize para todo o Brasil, para a gente mostrar onde está o problema, porque fonte de riqueza é você, trabalhador e empresário, e fonte de despesa está aqui.
Eu queria também mostrar que, no final de semana, chocou o Brasil a questão da morte daquela jovem que estava na ponte... Isso para mim não é esporte, nunca foi esporte. Agora, até o rapaz está falando – eu acho que falou hoje – que foi uma fatalidade. Não foi uma fatalidade, meu amigo, foi uma negligência de vocês, uma falta de fiscalização, porque é a mesma coisa de ter um futebol agora à noite e o pessoal não levar a bola. É a mesma coisa de o nadador ir nadar, não ter água para nadar, e ele cair na piscina sem água. A verdade é essa. O mais importante, que vocês deveriam ter fiscalizado, era a corda – era a corda!
Agora, o que mais me chama atenção – e eu queria mostrar aqui para toda a população brasileira – é alguns políticos do Brasil, algumas pessoas nas redes sociais, fazerem isto: usar a morte dessa jovem para fazer política, fazer uma piada de mau gosto deste jeito aqui, ó, colocando o Lula, que é o Presidente da República, nessa situação aqui. "Ô Cleitinho, mas por que você está..." Eu não sou aliado ao Lula, não serei aliado ao Lula, mas, se fosse o Bolsonaro, também eu estaria criticando situações como essa.
Isso precisa acabar no país, gente, esse tipo de polarização, esse tipo de brincadeira de mau gosto, de piada de mau gosto. Inclusive, vocês estão desrespeitando não só o Presidente e a família do Presidente, vocês estão desrespeitando, de verdade, a família da jovem. Vocês estão usando política em cima da dor de uma jovem.
Até quando a gente vai fazer esse tipo de política baixa aqui no país? Isso é política baixa, nojenta – nojenta! Eu repudio isto aqui. "Ah, mas, Cleitinho, veio de um político de direita". Que se exploda! Que direita é essa? – com todo o respeito, porque eu sou de direita, sou cristão e, como cristão, eu tenho que praticar. Eu não posso ser um fariseu da época de Jesus Cristo, que gostava de subir, lá no templo, e falar: "Eu sou bem, eu sou certo", mas é um bando de hipócritas. O que parece uma pessoa que faz uma coisa dessas aqui? Não é de direita e muito menos cristão. Você é um fariseu, um hipócrita de fazer uma situação dessa aqui.
Mas eu tenho certeza de que, se estivesse fazendo... Como fez, e eu repudiei na época do Bolsonaro, chutando a cabeça do Bolsonaro, eu repudiei. Isso aqui não se faz, meu amigo, isso aqui não é política, isso aqui nunca foi política, isso aqui é baixaria, nível baixo, e vocês estão desrespeitando de verdade não é nem o Presidente da República, é a família dessa jovem que teve essa morte agora, teve a vida interrompida, com a situação como foi esse final de semana aqui, que chocou o Brasil, e vocês fazendo um tipo de brincadeira de mau gosto, desse jeito aqui... Até quando a política do Brasil vai desse jeito aqui, gente? Até quando isso aqui vai acontecer no Brasil?
Por isso que eu, como representante público aqui, como republicano, tenho que subir aqui e repudiar isso. A gente precisa acabar com essa polarização aqui. Um país, para prosperar, não pode estar dividido da maneira... Já está chegando a eleição.
Vote em quem você quiser para Presidente, vote em quem você quiser; agora, situações como esta aqui, isto aqui precisa acabar no país.
E pode ser qualquer outro. Se fosse o Bolsonaro, se fosse o Ciro Gomes que tivesse ganhado a eleição, se fosse a Simone Tebet... Isso aqui eu não vou aceitar mais. Eu, Cleitinho, como um político, como um representante que está aqui para representar a população brasileira, não posso ver uma situação dessa aqui e achar isso aqui bacana, e bater palmas para isso aqui, não. Essas pessoas aqui, que fizeram isto, tomem vergonha na cara de vocês! Respeitem a dor da família! Tomem vergonha na cara de vocês!
Eu queria finalizar aqui também, Presidente, que esse final de semana também, num restaurante lá da minha cidade – um restaurante muito chique, por sinal – eu estava lá no Dia dos Namorados, aí chegou uma "vossa excelência"... Até não é mais "vossa excelência", né? Ele é ex agora, "ex-vossa excelência", ex-juiz. E aí, gente, eu não vou aqui entrar na questão de por que ele é ex-juiz, não, porque ele foi condenado por situações irregulares.
Ele estava lá, ao bel-prazer – como ele vai sempre lá, que eu fiquei sabendo. Na hora que eu fiquei sabendo que ele ia para lá, eu falei assim: "Agora eu vou para lá, eu vou acabar com o Dia dos Namorados dele". Aí ele chegou lá, como quem não quer nada, como sempre vai, e aí o que aconteceu? Eu o questionei, porque hoje o que acontece com essa "vossa excelência" – "ex-vossa excelência"? Ele recebe salário sem trabalhar. E por que ele recebe salário sem trabalhar? Porque ele tem aposentadoria compulsória.
E por que eu apoio essa decisão do Flávio Dino? Porque isso é um escárnio. Poderia ter vindo de qualquer ministro, do André Mendonça – de qualquer outro ministro. Essa situação de aposentadoria compulsória precisa acabar, urgente. Vocês não dão uma punição, vocês dão uma premiação. Isso é uma afronta à população brasileira. Qualquer um, funcionário de alguma empresa de iniciativa privada, se comete crime, ele é exonerado, ele não tem como premiação continuar recebendo o seu gordo salário, não. Isso é uma afronta!
Eu não o desrespeitei. Pelo contrário, ele falou: "Você tem que ter medo de mim", eu falei: eu não tenho medo de V. Exa., nunca tive medo de V. Exa. O que ele fez lá em Divinópolis? Ele humilhou milhares de pessoas lá dentro da minha cidade, eu não ia ficar de cabeça baixa para ele.
E só lembrar, viu, "vossa excelência"? Só para lembrar: quem bate esquece, mas quem apanha não esquece, não, viu, "vossa excelência"?
E aí eu questionei essa "vossa excelência": o que você acha de acabar com a escala 6x1? Ele começou a gaguejar, porque o meu questionamento com ele era muito simples: sabe por que eu estou te perguntando isso? Porque aquele que está trabalhando agora, inclusive aqui para te servir, no Dia dos Namorados, que está aqui trabalhando nessa escala maldita, o que acontece com ele? Ele ganha R$1,6 mil reais, trabalha nessa escala para poder mantê-lo, o seu gordo salário que agora você recebe sem trabalhar.
Agora, pensem comigo: um juiz... uma pessoa que quer ser juiz passa num concurso, começa a trabalhar – não sei se são 25 anos, 30 anos, quanto é o tempo de juiz –, está com seus dez anos lá e pensa o seguinte: "Ah, já estou cansado de estar aqui, de julgar, de condenar. Sabe uma coisa? Eu vou cometer um crime, porque é melhor para mim. Deixe-me fazer uma coisa irregular aqui, porque aí o conselho lá vai pegar, vai me julgar e vai me dar uma aposentadoria compulsória. Eu adianto a minha aposentadoria – é muito mais simples". Foi o que aconteceu com essa S. Exa.
Então, eu não o desrespeitei; pelo contrário. Eu não quero aqui nunca generalizar – eu tenho muito respeito por vários juízes deste Brasil aqui, por vários promotores, procuradores, pelo Judiciário, pela Justiça do Brasil. Eu ainda quero acreditar demais na Justiça do Brasil, mas que isso é um escárnio é.
Nenhum juiz – eu tenho certeza de que são pessoas sérias – ficou desrespeitado com o meu vídeo, com a minha abordagem a essa S. Exa., não. É simples, é só pegar a capivara dele – pega a capivara dele para ver se alguém vai defendê-lo.
Então, assim, fica aqui o meu respeito a todo o Judiciário do Brasil, por que eu tenho muito carinho, muito respeito. Agora, essa situação da aposentadoria compulsória, isso precisa acabar urgentemente – mas é para hoje que precisa acabar isso. Não existe você ver qualquer pessoa cometer um crime e, em vez de você dar uma punição para ela, você dar uma premiação. Isso é uma afronta à população brasileira, que está agora trabalhando – pessoas trabalhando nessa escala, recebendo R$1,6 mil; tudo o que consomem, 50% são de imposto –, para um cidadão desse ficar a bel-prazer lá na minha cidade...
(Soa a campainha.)
O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – ... simplesmente recebendo salário, sem trabalhar, como se nada estivesse acontecendo.
Então, que fique claro aqui: em nenhum momento eu faltei com respeito com ele. A única coisa que eu fiz com essa S. Exa. foi questioná-lo, perguntar se ele é a favor do fim da escala 6x1, até porque hoje ele não faz escala nenhuma – ele fica 365 dias sem fazer literalmente nada e recebendo o seu gordo salário. E é isso que precisa acabar.
E, por mais que tenha vindo do Flávio Dino – o Ministro em que eu não votei aqui; pelo contrário, eu até fiz campanha contra –, isso eu vou apoiar. Tudo que for para poder moralizar este país aqui, passar este país a limpo aqui e for a favor do povo – seja de quem for – eu vou sempre apoiar, porque é minha obrigação, como Parlamentar, como representante público, apoiar o que é a favor da população, o que traz transparência e o que é política pública. Então, seja quem for, seja de qual partido for, se for a favor do povo, pode sempre contar comigo. E vamos, de uma vez por todas, Presidente...
(Soa a campainha.)
O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – ... acabar com essa aposentadoria compulsória, porque isso é um escárnio, um tapa na cara da população brasileira.
Muito obrigado.