Pronunciamento de Ivete da Silveira em 16/06/2026
Discurso durante a 83ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Reflexão sobre a importância do diálogo e da construção de consensos para o fortalecimento da democracia, em contraposição à polarização política, e para a promoção de uma agenda voltada ao desenvolvimento nacional.
- Autor
- Ivete da Silveira (MDB - Movimento Democrático Brasileiro/SC)
- Nome completo: Ivete Marli Appel da Silveira
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
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Defesa do Estado e das Instituições Democráticas,
Economia e Desenvolvimento,
Educação:
- Reflexão sobre a importância do diálogo e da construção de consensos para o fortalecimento da democracia, em contraposição à polarização política, e para a promoção de uma agenda voltada ao desenvolvimento nacional.
- Publicação
- Publicação no DSF de 17/06/2026 - Página 59
- Assuntos
- Soberania, Defesa Nacional e Ordem Pública > Defesa do Estado e das Instituições Democráticas
- Economia e Desenvolvimento
- Política Social > Educação
- Indexação
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- DEFESA, DIALOGO, ACORDO, POLITICA, PREOCUPAÇÃO, POLARIZAÇÃO POLITICA, APOIO, PRIORIDADE, EDUCAÇÃO, INOVAÇÃO, DESENVOLVIMENTO ECONOMICO, INTELIGENCIA ARTIFICIAL, AUMENTO, COMPETITIVIDADE, MELHORIA, SERVIÇO PUBLICO, COMENTARIO, CRESCIMENTO ECONOMICO, ORIENTAÇÃO, DEBATE, DEMOCRACIA, PROJETO, QUALIDADE DE VIDA, POPULAÇÃO.
A SRA. IVETE DA SILVEIRA (Bloco Parlamentar Democracia/MDB - SC. Para discursar.) – Obrigada. (Fora do microfone.)
Sr. Presidente, Sras. Senadoras, Srs. Senadores, povo brasileiro que nos acompanha pela Rádio e TV Senado, como vocês sabem, eu dediquei a maior parte da minha vida à minha família, ao lado do meu marido, Luiz Henrique da Silveira.
Em meu gabinete, há uma foto que chama atenção das pessoas que recebo. É uma fotografia do Luiz Henrique em um de seus discursos – exatamente aqui –, em que ele está com os braços abertos nesta tribuna. Com frequência, ao verem esse porta-retratos, essas pessoas fazem uma observação, que sempre me chama atenção. Elas dizem, com sinceridade: "Se Luiz Henrique estivesse vivo, a política não estaria como está". Eu escuto isso com respeito, mas também com responsabilidade, porque mais importante do que imaginar como seria o presente é entender o que essa frase revela.
Ela revela uma saudade de um tempo em que o diálogo era mais presente, em que a divergência não era sinônimo de ruptura e em que a política era exercida com mais escuta e menos confronto. É isso que nos leva a uma reflexão necessária.
O Brasil não chegou até aqui pelo caminho do conflito permanente; chegou até aqui quando foi capaz de construir consensos, mesmo em meio às diferenças políticas. Foi assim na redemocratização, foi assim na construção da estabilidade econômica, foi assim nos momentos em que o país precisou tomar decisões importantes.
Mas hoje vivemos um ambiente diferente, um ambiente em que o debate público, muitas vezes, se afasta das soluções e se aproxima das disputas; em que a polarização ocupa o espaço que deveria ser do entendimento; em que se busca o poder pelo poder, sem olhar o que será preciso fazer para tê-lo, mesmo que esse caminho seja a corrupção. E isso tem um custo, um custo para a política e, principalmente, um custo para o país, porque, enquanto discutimos posições, deixamos de avançar em pautas que são urgentes.
O Brasil precisa discutir produtividade, precisa discutir educação, precisa discutir inovação, precisa discutir desenvolvimento e precisa, com urgência, compreender o papel que novas tecnologias terão nesse processo. A inteligência artificial já está transformando economias no mundo inteiro; está aumentando a produtividade, qualificando serviços, impulsionando a indústria e criando novas oportunidades. O Brasil tem todas as condições de participar desse movimento e fazer com que ele seja uma virada de chave.
Na indústria, podemos avançar em competitividade; no agronegócio, em eficiência; na saúde, em qualidade de atendimento e exames eficazes; e na gestão pública, em resultados concretos para o cidadão. Mas nada disso acontece em um ambiente de instabilidade. Essas agendas exigem previsibilidade, exigem responsabilidade e exigem, sobretudo, capacidade de convergir. E aqui voltamos àquela frase que tantas vezes eu escuto: talvez o que as pessoas queiram dizer não seja exatamente sobre uma pessoa; talvez seja sobre um método, um método que valoriza o diálogo, que respeita as diferenças e que busca soluções possíveis, e não apenas posições absolutas; e é esse método que precisamos resgatar.
O Brasil precisa avançar também na maturidade do seu debate democrático. O voto não pode ser apenas uma escolha baseada em ideologia; ele precisa ser, cada vez mais, uma escolha baseada em projetos de governo consistentes, comprometidos com o crescimento, com a estabilidade e com o futuro do nosso país; projetos que apresentem caminhos, que enfrentem problemas reais e que tenham capacidade de unir, e não de divergir, porque o desenvolvimento não nasce do confronto; nasce da responsabilidade.
Não há crescimento sem estabilidade, não há estabilidade sem diálogo e não há diálogo sem respeito.
Por isso, faço aqui uma reflexão serena, mas firme: mais do que olhar para trás, precisamos recuperar aquilo que sempre funcionou: a capacidade de construir, a disposição de ouvir e o compromisso de fazer a política cumprir o seu verdadeiro papel, que é melhorar a vida das pessoas.