Discurso durante a 10ª Sessão Solene, no Congresso Nacional

Sessão solene destinada a comemorar o Dia do Contabilista e a homenagear os 80 anos de instituição do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e da regulamentação da profissão contábil no Brasil.

Autor
Laércio Oliveira (PP - Progressistas/SE)
Nome completo: Laércio José de Oliveira
Casa
Congresso Nacional
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Administração Pública Indireta, Ciência, Tecnologia e Informática, Homenagem, Regulamentação Profissional, Trabalho e Emprego:
  • Sessão solene destinada a comemorar o Dia do Contabilista e a homenagear os 80 anos de instituição do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e da regulamentação da profissão contábil no Brasil.
Publicação
Publicação no DCN de 12/05/2026 - Página 11
Assuntos
Administração Pública > Organização Administrativa > Administração Pública Indireta
Economia e Desenvolvimento > Ciência, Tecnologia e Informática
Honorífico > Homenagem
Política Social > Trabalho e Emprego > Regulamentação Profissional
Política Social > Trabalho e Emprego
Matérias referenciadas
Indexação
  • SESSÃO SOLENE, DIA NACIONAL, CONTABILISTA, HOMENAGEM, ANIVERSARIO DE FUNDAÇÃO, CONSELHO FEDERAL, CONTABILIDADE, REGULAMENTAÇÃO, PROFISSÃO, COMENTARIO, EVOLUÇÃO, ATIVIDADE PROFISSIONAL, PARTICIPAÇÃO, ELABORAÇÃO, POLITICAS PUBLICAS, REGISTRO, INCORPORAÇÃO, TECNOLOGIA.

     O SR. LAÉRCIO OLIVEIRA (PP - SE. Para discursar. Sem revisão do orador.) - Bom dia, minhas senhoras e meus senhores.

     Hoje é um dia muito especial, porque os contadores e as contadoras estão no Plenário do Senado Federal.

     Quando eu cheguei aqui e encontrei tanta gente boa, eu pensei: “Se o Brasil dependesse da cabeça dessas pessoas maravilhosas, o nosso País seria melhor!” (Palmas.)

     A categoria aqui homenageada tem muita ciência, mas também tem muita responsabilidade. Não que as outras categorias não as tenham — não é isso o que eu quero dizer —, mas eu preciso celebrar aquilo que eu gosto, aquilo que eu admiro e aquilo de que sou parte. Então, estar aqui na tribuna ou estar sentado ali, para mim, o sentimento é o mesmo: de alegria, de regozijo e de privilégio — acima de tudo, de privilégio!

     Eu quero começar a minha fala cumprimentando o Senador Izalci Lucas, Presidente desta sessão, meu particular amigo. Fomos Deputados Federais juntos. Ele chegou aqui primeiro, para pavimentar o caminho para que eu chegasse depois. A contabilidade também está fortemente presente no Senado Federal, na representação do Senador Izalci. Quero cumprimentar o Presidente do Conselho Federal de Contabilidade, meu querido amigo Joaquim Bezerra, e dizer que é um prazer muito grande participar desta solenidade. Agradeço pelo convite.

     Ao falar de Joaquim, não dá para esquecer Aécio Prado Júnior, meu particular amigo, que foi Presidente do CFC. Cumprimentando-o, quero estender os agradecimentos e celebrar a presença e o reencontro com o também ex-Presidente Martonio Coelho, que está aqui presente conosco, participando deste momento.

     Quero cumprimentar também, porque não posso deixar de fazê-lo, uma mulher forte, firme, que sempre está ao meu lado, quando chego à minha terrinha, em Sergipe, especialmente quando é o momento de fazer política. Ela comanda as minhas campanhas como se fossem dela e está aqui hoje. Eu me refiro a Ângela Dantas. Na pessoa dela, quero cumprimentar todas as mulheres aqui presentes. (Palmas.)

     Não é possível tocar a vida e as atividades do dia a dia sem um contador. O contador é aquela pessoa que inspira confiança. E, na verdade, para ter as contas arrumadas, não dá para dispensá-lo. Assim, quero prestar uma homenagem ao meu contador, a pessoa que cuida da minha vida há mais de 30 anos. Ele é contador em Sergipe. Enquanto estava sentado ali, eu me lembrei dele. Quero, então, registrar aqui o nome do contador Aristarco Teles Quintiliano dos Santos, celebrando sua carreira e seu trabalho e agradecendo a ele por tudo o que tem feito por mim.

     Quero cumprimentar também Daniel Mesquita Coêlho, Sebastian Soares e Maria Clara Cavalcante, que compõem a Mesa aqui conosco, além de toda a equipe do Senado Federal que está nos ajudando na manhã de hoje.

     Minhas senhoras e meus senhores, escrevi um texto e, no momento em que o escrevia, eu refletia sobre como a contabilidade se projetou e ocupou o espaço que lhe é devido no mundo atual.

     Com o surgimento das inovações e das tecnologias, a capacidade e a competência de cada profissional — não apenas daqueles que integram o Conselho Federal de Contabilidade, mas também de todos os que gravitam em torno dele — transformaram a imagem do contador.

     Hoje, não somos apenas eu e o Senador Izalci que representamos a contabilidade aqui dentro do Congresso Nacional. E, certamente, também nas Assembleias Legislativas há essa representação.

     O CFC trabalhou e se organizou com tanta competência que hoje não dá para discutir determinados temas sem ouvi-lo. Eu inclusive já disse isso aqui uma vez aos senhores. A presença de vocês não está retratada só na minha pessoa, na pessoa do Senador Izalci e na pessoa dos profissionais da contabilidade que certamente estão aqui ao lado, na Casa coirmã, a Câmara dos Deputados.

     Ao fazer esta reflexão, eu fiquei pensando na minha história — e não era para menos. Fiquei pensando na maneira como cheguei até aqui, nos caminhos muito estreitos que tive que trilhar para poder chegar até aqui.

     Eu me lembro de um grande passo que transformou a minha vida. E Deus foi extremamente generoso comigo, porque, antes disso, a minha vida era muito difícil. Eu sou da base da pirâmide social. Vim de uma família com sete irmãos. Meu pai era um simples operário; minha mãe, uma dona de casa. Eu experimentei ganhar salário mínimo, andar de ônibus e comer marmita. Isso me fez uma pessoa melhor. Isso me tornou a pessoa que sou hoje. Sou muito grato a Deus por ter chegado até aqui, por ter trilhado todo esse caminho e por ter vivido essa experiência naquele que chamo de caminho estreito.

     Eu me lembro de pensar que a única forma de eu ter alguma chance era tendo conhecimento. E eu precisava buscar conhecimento onde quer que ele estivesse.

     Eu me lembro de que, ao me formar técnico em contabilidade, com 18 anos de idade, e ao me mudar para Aracaju, comecei a frequentar os espaços do ensino profissionalizante, porque eu precisava agregar conhecimento ao curso que eu tinha acabado de concluir. Juro a vocês que isso é verdade. Fui estudar contabilidade não por alguma admiração pela área, mas porque era o caminho mais fácil para eu arranjar um emprego. E arranjei um emprego.

     Fiz curso de qualificação no Senac, instituição de que depois fui o Presidente. Pelos mesmos degraus que eu passava como Presidente, tinha passado muitos anos antes como aluno, em busca de construir o meu futuro. Minha esperança era subir degrau por degrau para chegar aonde queria chegar.

     Eu fiz um curso no Senac que talvez só aqueles que fazem parte da minha geração conheçam o equipamento que esse curso ensinava a operar. O Senac, naquela época, ofereceu um curso para técnico de contabilidade ou contador que quisesse ter a experiência de usar uma máquina Audit 1513. Essa máquina era um sucesso na contabilidade; fez uma revolução. Para aquilo que antes se fazia manualmente, agora havia uma máquina que, ao puxar uma alavanca, a ficha já caía no lugar certinho para fazer os lançamentos. Eu fiquei encantado com aquela máquina.

     Vou até deixar o discurso para lá. Essa historinha é melhor. Muita gente aqui vai falar em inovação, tecnologia, desenvolvimento, segurança, etc. Vamos ouvir sobre isso aqui hoje muitas vezes. Então, prefiro resumir o meu discurso nessa história, porque essa história transforma. Se transformou a minha vida, pode transformar a vida de muita gente também.

     No meio do curso, o professor chegou para os alunos e disse: “Eu recebi hoje a informação de que uma empresa em Aracaju adquiriu essa máquina, mas não tem profissional para operá-la. Essa empresa vai fazer um concurso, e o concurso vai ser dirigido por mim. Então, eu quero dizer que o melhor aluno aqui dentro vai ser o funcionário indicado para trabalhar nessa empresa”.

     Trata-se da empresa pública Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba — Codevasf. Eu disse: “Esta é a minha chance”. Afinal, eu não havia subido aqueles degraus à toa! Eu fui o melhor aluno do curso e, por isso, indicado para trabalhar na Codevasf como técnico em contabilidade para operar uma máquina Audit 1513. O melhor de tudo: primeiro, eu ganhava, em números atuais, cerca de 2 mil reais e passei a ganhar 6.427 reais. Eu me lembro dos números finais até hoje. Aquilo foi uma revolução na minha vida. Estes 6.427 reais significavam muito — não sei quantos salários mínimos. Eu ganhava um e tinha passado a ganhar mais de 6 mil reais, por causa da contabilidade e de uma máquina maravilhosa chamada Audit 1513. Este é o primeiro ponto que quero destacar.

     Vamos ao segundo: a certeza de que nós precisamos ter todos os dias de que nós é que construímos nosso futuro e nosso destino. Esteja você onde estiver, fazendo o que quiser, se aquilo lhe traz satisfação, prazer e orgulho, você está no caminho certo.

     Eu subi aqueles degraus na esperança de que ali estivessem dias melhores. Hoje estou aqui. Estou aqui por trilhar caminhos que passam pela contabilidade.

     Por isso, Presidente Joaquim, todas as vezes que eu sou convocado por V.Exa., por Martonio, por Aécio, por Clara, por todos os que aqui estão, que não são citados, mas não são menores, eu tenho, acima de tudo, um orgulho danado de me fazer presente, porque estou contribuindo para aquela categoria que um dia me ajudou a ser uma pessoa melhor e a chegar até aqui.

     Talvez este testemunho represente tudo o que está escrito neste discurso. Tenho certeza de que, ao redigir estas linhas, como eu disse no início, nós encontramos, sim, um crescimento extraordinário, que todos vocês que participam e dirigiram o Conselho Federal de Contabilidade — CFC até aqui imprimiram.

     O que mais me admira no CFC é que não existem pessoas que se perpetuam nos cargos, diferentemente do ocorre nas entidades sindicais do nosso País, em que pessoas se perpetuam nos cargos por acharem que o continuísmo precisa seguir. Isso não é certo, porque enfraquece a instituição.

     Qual é a qualidade que têm os ex-presidentes do CFC? Têm a mesma qualidade dos que se sentam na cadeira, de quem está sentado na cadeira de presidente do conselho neste exato momento. Mas esta é a certeza de uma reoxigenação, a certeza de que é uma nova mente, uma nova ideia, uma nova construção, o que, no fundo, no fundo, não apenas fortalece a instituição, como também dá a certeza de que estar sentado à Presidência, Secretaria-Geral, Diretoria ou Conselho Regional de Contabilidade de onde quer que seja pode levá-lo, um dia, a ocupar a cadeira principal da instituição. Meu desejo é que continuemos assim. Eu falo “nós” de propósito, como parte que sou do Conselho Federal de Contabilidade.

     Muito obrigado. (Palmas.)


Este texto não substitui o publicado no DCN de 12/05/2026 - Página 11