Pronunciamento de Leila Barros em 17/06/2026
Discurso durante a 16ª Sessão Solene, no Congresso Nacional
Sessão solene destinada a celebrar os 118 anos de Imigração Japonesa no Brasil, destacando a contribuição da comunidade nikkei para a formação do Brasil e, especialmente, para o desenvolvimento agrícola, econômico e cultural do Distrito Federal. Também ressalta a preservação das tradições japonesas e a importância da amizade e da cooperação entre Brasil e Japão.
- Autor
- Leila Barros (PDT - Partido Democrático Trabalhista/DF)
- Nome completo: Leila Gomes de Barros Rêgo
- Casa
- Congresso Nacional
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Agropecuária e Abastecimento { Agricultura , Pecuária , Aquicultura , Pesca },
Cultura,
Economia e Desenvolvimento,
Homenagem,
Relações Internacionais:
- Sessão solene destinada a celebrar os 118 anos de Imigração Japonesa no Brasil, destacando a contribuição da comunidade nikkei para a formação do Brasil e, especialmente, para o desenvolvimento agrícola, econômico e cultural do Distrito Federal. Também ressalta a preservação das tradições japonesas e a importância da amizade e da cooperação entre Brasil e Japão.
- Publicação
- Publicação no DCN de 18/06/2026 - Página 26
- Assuntos
- Economia e Desenvolvimento > Agropecuária e Abastecimento { Agricultura , Pecuária , Aquicultura , Pesca }
- Política Social > Cultura
- Economia e Desenvolvimento
- Honorífico > Homenagem
- Soberania, Defesa Nacional e Ordem Pública > Relações Internacionais
- Matérias referenciadas
- Indexação
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- SESSÃO SOLENE, CELEBRAÇÃO, ANIVERSARIO, IMIGRAÇÃO, PAIS ESTRANGEIRO, JAPÃO, BRASIL, COMENTARIO, CONTRIBUIÇÃO, FORMAÇÃO, ENFASE, DESENVOLVIMENTO, ATIVIDADE AGRICOLA, DESENVOLVIMENTO ECONOMICO, DESENVOLVIMENTO CULTURAL, DISTRITO FEDERAL (DF), DEFESA, PRESERVAÇÃO, TRADIÇÃO, IMPORTANCIA, AMIZADE, COOPERAÇÃO.
A SRA. LEILA BARROS (PDT - DF. Para discursar. Sem revisão da oradora.) - Bom dia a todas e a todos.
Eu cumprimento o Sr. Presidente desta sessão e do Grupo Parlamentar Brasil-Japão da Câmara dos Deputados, o requerente desta sessão, o Sr. Deputado Federal Luiz Nishimori; a Sra. Senadora Damares Alves, minha colega de bancada aqui do Distrito Federal; o Sr. Ishigaki Tomoaki, Chefe de Missão Adjunto da Embaixada do Japão no Brasil; o Sr. Roberto Nishio, Presidente da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social; o Sr. Embaixador Paulo Elias Martins de Moraes, Diretor do Departamento de Japão, Península Coreana e Pacífico, do Ministério das Relações Exteriores; enfim, cumprimento a todas e a todos os presentes e os que compõem essa Mesa.
Sr. Presidente, queridas Deputadas e Deputados, Senadoras e Senadores, aqui representados pela Senadora Damares, ilustres membros do Grupo Parlamentar Brasil-Japão, S.Exa. o Embaixador do Japão no Brasil, representantes e pioneiros, líderes da Comunidade Nikkei aqui presentes, minhas senhoras e meus senhores, é uma emoção muito grande.
Antes de eu começar a minha fala, agora é a atleta Leila quem fala.
A Senadora Damares disse que teve uma experiência no Japão, e as melhores lembranças que eu tenho da Seleção Brasileira, nos mais de 20 anos em que servi à seleção do meu País no voleibol, desde a base até as Olimpíadas mundiais que disputei, são as viagens pela Ásia, em especial, é claro, pelo Japão, conhecer Tóquio, Osaka, Hamamatsu... Ah, enfim, Kyoto... São tantas cidades, tantas emoções, e o povo japonês é um povo muito querido, é um povo dócil, um povo resiliente. V.Exa. falou tudo, Senadora Damares: temos tanto a aprender com esse povo. E eu falo também, de coração, da minha gratidão pelos anos que eu vivi, pelos anos em que eu representei o Brasil e vi a comunidade brasileira ali, mas, mais do que isso, o carinho dos japoneses com a Seleção Brasileira perdura até hoje. Eu sou da geração dos anos 1990, segui ali pelos anos 2000, mas ainda vejo o quanto que o Japão ama o voleibol, o quanto que o Japão ama esporte e o quanto que essa relação Brasil e Japão é consolidada, é forte. Temos uma irmandade muito bacana. Então, de forma muito especial, eu quero cumprimentar a iniciativa de realizarmos hoje aqui esta sessão em comemoração aos 118 anos da imigração japonesa no nosso País.
É com profunda honra e senso de dever histórico que eu ocupo a tribuna no dia de hoje. Celebramos uma epopeia de resiliência, de trabalho e profunda comunhão espiritual entre duas nações geograficamente distantes, mas unidas por laços indissolúveis de amizade e de respeito mútuo.
Celebrar os 118 anos da imigração japonesa no Brasil é, antes de tudo, celebrar a própria formação da identidade nacional brasileira que se fez mais rica, mais forte e mais plural com a chegada dos primeiros imigrantes em 1908 aqui no nosso País. Olhamos para o passado e enxergamos a coragem daqueles que cruzaram oceanos a bordo do Kasato Maru, trazendo na bagagem pouco mais do que a esperança e os valores ancestrais do gaman — paciência e dignidade — e do ganbatte — esforço e persistência.
Esses homens e mulheres fincaram suas raízes, Senadora Damares, no solo brasileiro. Enfrentaram o desconhecido, a barreira do idioma, o clima adverso e, com o suor dos seus rostos, transformaram a agricultura, enriqueceram nossa cultura, revolucionaram a medicina e as ciências e integraram-se de forma exemplar à nossa sociedade.
Contudo, nesta sessão solene, realizada no coração político do nosso País, eu desejo dirigir meu olhar de forma muito especial para uma história igualmente grandiosa, mas que pulsa bem ao nosso redor, a belíssima trajetória da comunidade japonesa aqui no Distrito Federal.
Senhoras e senhores, quando o Presidente Juscelino Kubitschek idealizou a construção desta nova capital no final da década de 1950, um desafio colossal se impôs sobre os planejadores da Novacap. Como alimentar uma cidade inteira que surgia isolada no coração do Planalto Central? O Cerrado que nos cerca era visto, à época, como um solo indomável, ácido, infértil e incapaz de sustentar uma produção agrícola de larga escala. Candangos vindos de todos os cantos erguiam os monumentos de concreto de Niemeyer, mas faltava o sustento que garantiria a sobrevivência da nova metrópole. Foi então que a visão estratégica de Israel Pinheiro e de Bernardo Sayão buscou o socorro e a parceria da comunidade japonesa. Eles sabiam que onde houvesse um agricultor japonês haveria fartura, técnica e muita perseverança.
Em 1957, aceitando um convite audacioso do Governo Federal, as primeiras cinco famílias pioneiras, vindas de colônias de Goiás e de São Paulo, chegaram a este solo vermelho. Elas não vieram para erguer paredes de concreto, mas para realizar o milagre verde que alimentaria a nossa capital. Dessa audácia, nasceram os nossos primeiros núcleos rurais, como o Riacho Fundo e a histórica Vargem Bonita.
Meus amigos, o que os pioneiros nikkeis fizeram no Distrito Federal foi uma verdadeira revolução biológica e, principalmente, humana. Com técnicas pioneiras de calagem para corrigir o solo e sistemas inovadores de irrigação, eles provaram ao Brasil e ao mundo que o Cerrado era, sim, generoso e fértil.
O simbolismo dessa união ficou marcado para sempre na história quando o primeiro bebê descendente de japoneses nascido no DF, o Heitor Kanegae, teve como padrinho de batismo ninguém menos do que o nosso próprio Presidente da República, o Juscelino Kubitschek.
Hoje, quando olhamos para a nossa mesa e vemos hortaliças frescas, devemos lembrar que cerca de 40% das alfaces e grande parte das verduras consumidas na nossa capital ainda brotam do suor e da dedicação das famílias que preservam o cinturão verde de Vargem Bonita.
Da mesma forma, não podemos falar do Distrito Federal sem exaltar Brazlândia, nossa maior produtora agrícola, mundialmente reconhecida pela magnífica Festa do Morango, um evento que transcendeu os limites da colônia e hoje faz parte do calendário oficial de turismo e cultura e do orgulho de toda a população brasiliense. Estendemos esse reconhecimento também a Vicente Pires, ao Recanto das Emas e a tantas outras regiões administrativas que cresceram sob a égide desse trabalho profissional das comunidades japonesas aqui do Distrito Federal.
Ao longo das décadas, a comunidade de origem japonesa no DF, que hoje soma cerca de 50 mil pessoas, fez a transição natural e harmoniosa da terra para o asfalto. Os filhos e netos dos agricultores pioneiros, Senadora Damares, ocuparam as salas da Universidade de Brasília, os quadros do serviço público federal e distrital, o comércio, a magistratura e a política, e impulsionaram o nosso País. Tornaram-se doutores, professores, cientistas e líderes, levando consigo o mesmo rigor ético, a disciplina, como a Senadora Damares falou, e a integridade que seus avós usavam para cultivar a nossa terra aqui no DF e no nosso País.
O coração cultural dessa comunidade bate forte no Clube Nipo-Brasileiro, no Setor de Clubes — inclusive, eu sou parceira de um projeto social lá, o da vela adaptada. O Nipo é um grande parceiro do esporte e do paraesporte no nosso País, aqui no Distrito Federal. É ali que tradições milenares são mantidas vivas e compartilhadas generosamente com o povo do DF.
Eventos como o bon odori e o tradicional ritual motitsuki não pertencem mais apenas aos nikkeis; eles foram abraçados de corpo e alma por todos nós brasilienses que aprendemos a admirar o respeito aos idosos, a gratidão aos antepassados e o espírito de coletividade que a cultura japonesa nos ensina.
Há uma feliz coincidência poética na nossa capital com a cultura japonesa. Todos os anos, no inverno seco e rigoroso do Planalto Central, a nossa paisagem é tomada pela floração dos ipês — que foi interrompida agora por causa de uma chuvinha, mas estamos esperando essa florada do ipê roxo. Essa explosão de cores, que nos devolve a beleza no período mais difícil do ano, dialoga perfeitamente com as cerejeiras, as sakuras, do Japão, que florescem para anunciar a resiliência após o inverno. O povo japonês se adaptou a Brasília, ao nosso País, como o ipê se adapta ao Cerrado, florescendo com esplendor onde outros viam apenas aridez.
Sr. Presidente, querida Sra. Senadora Damares Alves, Excelências, ao celebrarmos esses 118 anos, eu quero deixar registrado o meu mais profundo arigatou gozaimasu e o meu muito obrigada a cada família nikkei que fez e faz do Distrito Federal o seu lar, ajudando-nos a progredir.
Brasília não seria a capital que conhecemos sem a dedicação e o amor dessa comunidade — nem Brasília nem o nosso País, como a Senadora Damares Alves falou, e aqui eu falo de forma muito especial por ser de Brasília, por ter nascido aqui, meus pais são do Nordeste, mas a gente sabe da força pujante da comunidade japonesa e do quanto ela contribuiu, e contribui até hoje, para a economia do nosso DF e do nosso País. Eu quis me referir, de uma forma muito especial, a essa relação da comunidade com o DF.
Brasília não seria a capital que conhecemos sem a dedicação e o amor dessa comunidade. Vocês alimentaram a nossa infância, estruturaram a nossa economia, não só do DF, mas do nosso País, embelezaram a nossa cultura e nos ensinaram que o trabalho árduo, feito com honra e espírito público, é capaz, sim, de transformar qualquer deserto em um jardim exuberante.
Viva a imigração japonesa no Brasil!
Viva a comunidade nipo-brasileira aqui do Distrito Federal!
Muito obrigada!
Parabéns! (Palmas.)