Discurso durante a 98ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Críticas à perda do poder de compra dos trabalhadores e aos altos custos de vida, em contraste com os privilégios e supersalários de agentes públicos, dos quais S. Exa. defende a redução.

Relato de suposta tentativa de dissuadir eventual candidatura de S. Exa. ao Governo de Minas Gerais e críticas às empresas mineradoras e ao sistema político.

Autor
Cleitinho (REPUBLICANOS - REPUBLICANOS/MG)
Nome completo: Cleiton Gontijo de Azevedo
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Atuação do Congresso Nacional, Atuação do Judiciário, Remuneração:
  • Críticas à perda do poder de compra dos trabalhadores e aos altos custos de vida, em contraste com os privilégios e supersalários de agentes públicos, dos quais S. Exa. defende a redução.
Eleições e Partidos Políticos:
  • Relato de suposta tentativa de dissuadir eventual candidatura de S. Exa. ao Governo de Minas Gerais e críticas às empresas mineradoras e ao sistema político.
Publicação
Publicação no DSF de 08/07/2026 - Página 65
Assuntos
Outros > Atuação do Estado > Atuação do Congresso Nacional
Outros > Atuação do Estado > Atuação do Judiciário
Política Social > Trabalho e Emprego > Remuneração
Outros > Eleições e Partidos Políticos
Indexação
  • PREOCUPAÇÃO, PODER AQUISITIVO, POPULAÇÃO, SALARIO MINIMO, CRITICA, REMUNERAÇÃO, DESRESPEITO, TETO REMUNERATORIO, JUDICIARIO, MAGISTRADO, JUIZ.
  • CRITICA, GASTOS PUBLICOS, Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), PRIVILEGIO, PARLAMENTAR.
  • COMENTARIO, CANDIDATURA, GOVERNO ESTADUAL, ESTADO DE MINAS GERAIS (MG), ELEIÇÕES.

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG. Para discursar.) – Sr. Presidente, eu acho que essa pauta que eu vou trazer aqui é a pauta mais importante do Brasil.

    Eu trouxe alguns itens aqui para mostrar para a população brasileira como é que está a situação do povo brasileiro. Enquanto tem juízes aí recebendo penduricalho de meio milhão de reais, recebendo auxílio-creche de R$1,3 mil, o dia do trabalhador, gente... É este aqui o dia do trabalhador. Você rala para trabalhar e você ganha R$54. Está aqui, R$54.

    Cinquenta e quatro reais não dão para cortar um cabelo hoje. Está aqui a maquininha; você vai ter que comprar uma maquininha e cortar. Hoje, com R$54, você não compra uma pizza. Inclusive, esta aqui, Sr. Presidente, está vazia – não deu para comprar uma pizza, não, com R$54 –, é só a caixa. Um quilo de carne – está até empedrada aqui – não dá para comprar com R$54.

    Mas aí que está a moral da história. Enquanto isso, estão discutindo, alguns Tribunais de Justiça do Brasil inteiro, pagando penduricalho de R$0,5 milhão – meio milhão de reais para um juiz! Então onde a gente vai parar? E fazendo isso agora em Copa do Mundo, porque eu deixei bem claro para vocês, gente: na época da Copa do Mundo, para tudo. O povo se preocupa com o Brasil, e aí, sabe o que eles fazem? Pagam penduricalho de R$0,5 milhão para juízes, dando auxílio-creche de R$1,3 mil. Enquanto a gente está falando aqui que a previsão do salário mínimo para o ano que vem é de R$1.717, não vai ter um aumento nem de R$100, eles vão pagar para juízes auxílio-creche de R$1,3 mil.

    Eu queria aqui... Que mundo, que país que é este? Que Brasil que é este? A maior pauta que a gente tem de discutir hoje no Brasil aqui, gente, é a questão do poder de compra do povo brasileiro, que literalmente acabou. O poder de compra do brasileiro acabou. Aqui, olha, você não compra uma pizza com R$54; você não corta cabelo com R$54; você não compra 1kg de carne com R$54. Não compra.

    E aí tem juiz recebendo R$0,5 milhão. E se eu estiver errado aqui, qualquer Senador que estiver aqui pode pedir o debate aqui e vir debater comigo, porque isso aqui tem que ser pautado todo dia, isso aqui tem que ser mostrado todo dia.

    Inclusive agora, a partir de agosto, a gente vai entrar na festa da democracia. Agora é a Copa do Mundo, gente, até final de julho agora. Depois entra a festa da democracia. A festa da democracia vai gastar R$5 bilhões para colocar no rabo de político, e muitos desses políticos vão roubar dinheiro, e muitos desses políticos, junto com o partido, fazer coisa errada. E depois vem aqui projeto para poder anistiar, dar perdão para coisa errada de partido. É assim que funciona o país.

    Enquanto isso, você, trabalhador, pode ter um aumento, no ano que vem, de nem R$100. O seu salário vai chegar a R$1.717, mas enquanto isso, lá no Supremo, lá no Supremo, estão discutindo pagar R$1,3 mil para auxílio-creche para juiz.

    Será que V. Exas., com todo o respeito que eu tenho por todas V. Exas., vocês ganham R$40 mil, igual a gente ganha aqui, vocês não conseguem pagar isso do bolso de vocês não? O povo ainda tem que pagar auxílio-creche para juiz? Toma vergonha na cara! Vocês deveriam ter consciência. Vai andar na rua, vai pegar um ônibus lotado, vai ao supermercado igual a uma família. Eu estava vendo uma família fazer uma compra para quatro pessoas e deu R$800 reais só um supermercado, uma família que ganha R$1.620. Tomem vergonha na cara!

    Vocês aí, dos tribunais, que fizeram isso essa semana, aproveitando a Copa do Mundo, pagando R$0,5 milhão para juiz, caladinho, tomem vergonha na cara! Por que é que vocês não vão para a iniciativa privada? Por que é que vocês não vão virar CLT? Trabalhar nessa escala 6x1, ganhar R$1,6 mil. Vai, para ver como é que funciona. Se o trabalhador que paga, que tem que ralar, acordar cedo para trabalhar, pegar ônibus lotado, para sustentar essa máquina inchada, vai fazer o que o trabalhador faz, se vocês ficam uma semana. Bando de canalhas! Tomem vergonha na cara!

    E eu não tenho medo de vocês, nenhum medo. É um dos motivos por que eu quero vir candidato a Governador. É para acabar com essa patifaria lá em Minas Gerais. Lá em Minas Gerais, IPVA chega à alíquota de quase 5%. Pois eu já faço um compromisso aqui: se eu virar Governador, sabe como eu vou fazer? Eu vou diminuir a alíquota. "Ô, mas você vai perder, Cleitinho, a receita." Não, eu vou fazer uma compensação, sabe onde? Nas mineradoras, que estão doidas, que estão todas loucas para ver se eu vou vir candidato ou não, procurando político para me perguntar se eu vou vir candidato ou não. Eu vou tirar de vocês, mineradoras.

    Vocês gostam de pagar propina para político, para a turma que está lá. Em vez de vocês pagarem propina para político, sabe o que vocês vão fazer? Vocês vão pagar é mais, para poder ajudar o povo, quem precisa. Vocês já ganharam demais, vocês já exploraram demais Minas Gerais. E sabem o que é o mais gostoso? As mineradoras não têm jeito de sair de lá não, porque elas têm que explorar minas, ou elas vão explorar outros estados aí que não têm? Hein, mineradoras, vocês me aguardem.

    E não adianta mandar recado não, viu? Semana passada, e está bem gravadinho, bem guardado, eu gosto de falar isto, teve um político da minha cidade que me procurou, desesperado: "Cleitinho, eu preciso falar com você".

    "Fala". Isso foi na quinta-feira passada.

    "Não, eu preciso falar pessoalmente". "Fala". "Tem que ser pessoalmente, Cleitinho".

    Aí eu cheguei lá em Divinópolis, liguei para ele: "O que você quer falar comigo, fulano?" – não vou falar o nome dele aqui não, porque ele vai cagar de medo. "Não, eu preciso falar com você pessoalmente, deixe-me falar com você pessoalmente".

    Peguei, Presidente, e fui encontrar com ele pessoalmente. Eu estava tomando um caldo feijão ali no São José. Ele chegou lá, buzinou para mim: "Entra aqui no carro". Ligou o som numa altura danada, e estava assim para mim: "Cleitinho, um pessoal aí mandou te dar um recado". Eu falei: "Que recado?". "Pelo amor de Deus, Cleitinho...". "Por que esse som está alto desse jeito?". "Não, eu estou com medo de te contar uma coisa". "O que é?". "Não, eles estão te oferecendo dinheiro para ver se você desiste". "Você manda um recado: eu não vou desistir".

    Então, o recado está dado, eu quero deixar isso bem claro. E o jogo só está começando, viu, gente? E olhem o medo que eu estou de vocês aqui. Olhem o medinho que eu estou de vocês. Olhem o medo que eu estou: é zero! A minha política foi feita de propósitos. Se eu cheguei até aqui agora, foi Deus que me colocou aqui. Não foi grupo político, não foi partido, não foi dinheiro, não foi empresário, foi o povo que me colocou aqui. E, se o povo... Até chegar agosto, se eu estiver liderando pesquisas em Minas Gerais, quem vai decidir essa bagaça vai ser o povo, quem vai decidir o futuro de Minas Gerais vai ser o povo e Deus.

    Então, não adianta vir com conversa, vir com ladainha para cima de mim, vir com ameaça e vir achar que eu estou à venda, porque eu nunca estive à venda. Pelo contrário. Eu nunca estive à venda, a minha política foi feita de propósitos, a minha política foi feita para poder realmente mudar a vida das pessoas, e não vai ser ninguém lá em Minas Gerais, a não ser Deus...

    Se Deus descer para mim... Quem dera se eu tivesse o privilégio de ver Deus amanhã, ele olhar para mim, como já conversou com Moisés, e falar assim: "Sai fora, não mexe com isso não, porque só tem bandido e vagabundo. Não suja suas mãos com isso não". Agora, se Deus não descer e não falar nada, e o Espírito Santo tocar meu coração e me mandar vir, é o Espírito Santo e Deus que estão me mandando vir.

    Vocês não vão me parar, vocês podem ter certeza disso. Eu não tenho medo de vocês! Mandem mais recado, mandem mais ameaças, mandem o que vocês quiserem, façam o que vocês quiserem. Eu vou falar novamente. "Ah, Cleitinho, mas por que você já não anuncia agora?". Por que não. Por que é que eu vou anunciar agora? Quem está com 2%, 3%, 4% que lute. Olhem a pesquisa como está aí. Por que eu tenho que decidir agora, se o povo não quer saber nada de política agora? Apesar de o povo estar triste pela questão do Brasil, a Copa do Mundo ainda continua. Deixem para... Não tem as convenções que vão vir?

    Eu estou pensando aqui em deixar esse povo mais doido lá em Minas Gerais. Se o último dia da convenção for 5 de agosto, eu vou falar "Gente, em 5 de agosto eu decido", para deixar esse povo mais louco, porque eu sei que vocês não estão loucos para defender o povo não, bando de canalhas. Eu sei que vocês estão loucos é para botar a mão no bolso, para encher o bolso de dinheiro, bando de vagabundos.

    Vocês estão achando que eu tenho medo de vocês? Vocês estão achando que, se eu entrar lá dentro, eu vou baixar a cabeça para mineradoras, para fulano e para beltrano? Pois vocês me aguardem. Não adianta achar que vocês mandam lá em Minas Gerais, porque eu não tenho medo de coronel não. Não mandem mais recado para mim não, bando de vagabundos, bando de canalhas. Vocês têm mania de ir para a televisão, para dar entrevista e falar assim: "O Cleitinho não tem perfil de Executivo". Eu não tenho perfil igual a vocês, que querem comprar os outros, bando de vagabundos.

    E falo novamente: vocês dão sorte ainda, porque eu sei jogar o jogo. Eu não vou citar nomes aqui, mas, se precisar, na hora certa, nós citamos nomes também, viu? Porque aqui não é bobo não, aqui é mineiro, uai. Aqui aprendeu a jogar o jogo. Então, eu não estou com medo de vocês, não tenho medo de vocês e, se Deus quiser que eu venha candidato e o povo continuar me mandando vir candidato, quem manda em mim é o povo, é 100% o povo.

    Eu queria finalizar dizendo isto: quero deixar bem claro que a maior pauta que a gente devia estar discutindo aqui – tanto quem é de esquerda, quem é de direita ou quem não é nada – é o poder de compra do povo brasileiro, porque, hoje, com R$54... Aqui: a pizza está vazia, o trabalhador não consegue, mas nós aqui, V. Exas., conseguimos. Inclusive, ir a uma pizzaria chique, mandar chamar Vereador, político, Prefeito, fazer uma reunião e o Senado indenizar, nós conseguimos.

    Um quilo de carne? Nós conseguimos mil quilos de picanha com o salário que a gente ganha, com os privilégios que a gente ganha. Agora, o povo, com R$54 não consegue não. Cortar o cabelo também não consegue.

(Soa a campainha.)

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – Então, está desse jeito.

    Eu acho que nós aqui deveríamos tomar vergonha na cara, já que está vindo a eleição e que vamos gastar R$5 bilhões de fundo eleitoral... Eu não gasto, nunca gastei.

    Quero deixar bem claro que a maior pauta do povo brasileiro aqui é melhorar a qualidade de vida, é melhorar essa questão do custo de vida, que está lá em cima e o poder de compra com esse salário que está aí e que não vai chegar a ter nem R$100 de aumento, são R$1.717. E ainda têm que fazer uma escala 6x1!

    Lembro, para finalizar, que a partir de semana que vem nós estaremos de recesso. Então, é um privilégio estar aqui, isso aqui é maravilhoso. Quem não quer ser Senador da República, meu Deus do céu? Quem não quer ser Deputado? Quem não quer ser juiz, ganhar R$40 mil, ter férias em janeiro, ter recesso em julho, ter auxílio-moradia, auxílio não sei de que, apartamento funcional, carro oficial, o que é maravilhoso, se deixarem é até blindado. É motorista, isso e aquilo. E o povo brasileiro? O salário, ó...

    Mas eu estou aqui – ouviu, povo brasileiro – para defender vocês. E vou continuar tocando o dedo da ferida. Posso até não mudar o sistema...

(Soa a campainha.)

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – ... mas eu quero dar um recado para ao sistema: o sistema também nunca vai me mudar.

    Muito obrigado.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 08/07/2026 - Página 65