Pela Liderança durante a 98ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Denúncia sobre o suposto apoio do ex-Deputado Federal Eduardo Bolsonaro ao novo tarifaço dos Estados Unidos sobre o Brasil, com destaque a várias possíveis consequências negativas dessa política. Repúdio ao Presidente Donald Trump por pedir a anulação do cartão vermelho do jogador americano na Copa do Mundo da FIFA 2026.

Autor
Teresa Leitão (PT - Partido dos Trabalhadores/PE)
Nome completo: Maria Teresa Leitão de Melo
Casa
Senado Federal
Tipo
Pela Liderança
Resumo por assunto
Desporto e Lazer, Relações Internacionais:
  • Denúncia sobre o suposto apoio do ex-Deputado Federal Eduardo Bolsonaro ao novo tarifaço dos Estados Unidos sobre o Brasil, com destaque a várias possíveis consequências negativas dessa política. Repúdio ao Presidente Donald Trump por pedir a anulação do cartão vermelho do jogador americano na Copa do Mundo da FIFA 2026.
Publicação
Publicação no DSF de 08/07/2026 - Página 68
Assuntos
Política Social > Desporto e Lazer
Soberania, Defesa Nacional e Ordem Pública > Relações Internacionais
Indexação
  • CRITICA, ATUAÇÃO, EX-DEPUTADO, EDUARDO BOLSONARO, APOIO, TARIFA, ESTADOS UNIDOS DA AMERICA (EUA), EXPORTAÇÃO, BRASIL, PREJUIZO, ECONOMIA.
  • CRITICA, INTERFERENCIA, PRESIDENTE, ESTADOS UNIDOS DA AMERICA (EUA), DONALD TRUMP, CAMPEONATO MUNDIAL, FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE FUTEBOL ASSOCIATION (FIFA), ANULAÇÃO, EXPULSÃO, ATLETA PROFISSIONAL.

    A SRA. TERESA LEITÃO (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - PE. Pela Liderança.) – Sr. Presidente, Sra. Senadora e Srs. Senadores presentes ao Plenário e que nos acompanham de maneira semipresencial, todos aqueles que nos escutam e que nos acompanham pelas redes do Senado, eu subo a esta tribuna com a tarefa de recompor a verdade dos fatos. Não é tarefa fácil quando a gente dialoga com alguém que não é amigo da verdade, mas o nosso Brasil precisa ser defendido por quem nele acredita e por quem por ele luta.

    Eu me refiro à audiência pública, ocorrida em Washington, que se prolonga por todo o dia de hoje e que se debruça sobre a proposta dos Estados Unidos de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros.

    Todos sabem da posição destemida, corajosa, do Governo do Presidente Lula, exposta pela fala do próprio Presidente quando esse tarifaço surgiu da primeira vez, Senador Paim. Nós sempre defendemos – o Governo Lula sempre defendeu – que essas tarifas são injustas, são injustas para as empresas brasileiras e estrangeiras e, sobretudo, para os cidadãos brasileiros e norte-americanos. Não se trata de territorialismo, não se trata simplesmente de bairrismo brasileiro; muito pelo contrário, trata-se do estabelecimento e da manutenção de uma relação comercial secular que sempre foi, antes desse Trump, mantida nos marcos da civilização, de uma relação civilizatória, e nos marcos de interesse das duas nações, sem prejudicar as relações internacionais, sem se meter em nenhum país e muito menos desrespeitar a soberania de quem quer que seja.

    É pública e notória, além disso, a campanha por intervenção externa em assuntos domésticos do nosso país. Quem faz essa campanha? Essa campanha está sendo produzida nos Estados Unidos pelo ex-Deputado Eduardo Bolsonaro, por um senhor chamado Paulo Figueiredo, aquele, Senadora Zenaide, que desrespeita as mulheres, aquele que disse que mulher não sabe votar, aquele que veio de um triste momento da nossa história.

    Então, Senador Paim, eles estão lá nos Estados Unidos, conduzindo essa política junto ao Governo Trump, de janeiro a julho, para que o tarifaço viesse, porque o tarifaço era bom, porque o tarifaço ia botar o Brasil no rumo certo, porque era muito bom para os Estados Unidos que tivesse esse tarifaço. A origem do tarifaço está aí, nessa relação política, que veio acompanhada de sanções que também seriam aplicadas ao Brasil.

    A estratégia de colocar os Estados Unidos contra o Brasil foi desmascarada, porque nós fomos altivos e soberanos. Foi desmascarada e, ao mesmo tempo, a negociação que ocorreu com o Presidente Trump colocou o Brasil em outro patamar e em outra rota. Nós fizemos aquilo que é importante fazer em momentos de polêmicas e de desafio: nós expusemos, com a santa ira, o que é necessário fazer neste momento, mas não abdicamos da negociação, negociação soberana, negociação altiva. E conseguimos. E o povo brasileiro sabe o que foi que nós conseguimos em relação a essas questões do primeiro tarifaço que aqui chegou, imposto pelos Estados Unidos.

    Agora que isso foi desmascarado, o candidato, o pré-candidato da oposição pede que os Estados Unidos adiem toda essa negociação, a aplicação de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros para depois das eleições presidenciais. O interesse é republicano, o interesse é pelo Brasil ou o interesse é pelo calendário eleitoral? Afasta de mim isso que prejudica a minha eleição! Afasta de mim, tira do meu colo isso que o povo brasileiro não aceita, porque aí eu também não vou aceitar!

    Então, Senador Paim, não dá para a gente ver o nosso país exposto dessa maneira durante uma audiência, Senadora Zenaide. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o seu próprio país!? Quem é patriota nesse momento? É quem defende a pátria. Quem não o é trai a pátria.

    Fazer oposição ao Governo é correto, é democrático. São os votos das urnas que nos colocam em uma ou em outra posição. E sejamos fiéis aos votos das urnas. Não tenho nenhum problema de dialogar com quem faz oposição ao Governo. Ao país é diferente. Quem faz oposição ao país e se arvora de fazer isso em audiência com gente de todos os outros países a gente precisa, realmente, denunciar, porque tais posições subordinam os interesses nacionais a objetivos eleitorais e à agenda que não é do nosso país. A agenda que a gente deseja é do equilíbrio nas balanças comerciais e da relação de respeito soberano.

    E, por conveniência política e, talvez, medo do Presidente Lula, daquilo que o Presidente tem construído neste seu Governo e no respeito internacional que o Presidente Lula tem angariado... Quem acompanha Lula em agendas internacionais vê isso: Lula não é mais apenas o Presidente do Brasil, Lula não é mais apenas o grande líder da América Latina; Lula é uma grande liderança internacional, respeitada, ouvida, e aquilo que tem colocado nesses fóruns internacionais é muito bem aceito.

    Então, a gente ouvir pedido de que os Estados Unidos suspendam ou adiem a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros, defendendo o Pix como uma inovação nacional, mas, ao mesmo tempo, colocando a política e a ideologia também nessas relações comerciais, Senador Paim, a gente não pode permitir nem deixar passar sem que a denúncia, sem que a contestação, sem que a indignação seja feita.

    Vejam o que foi dito... Tem poucos dias, inclusive, que o Secretário de Estado dos Estados Unidos, o tal do Rubio, agradeceu ao pré-candidato – vergonhosamente, eu acho; para nós é aquilo que a gente chama de vergonha alheia – porque ele estava colocando a sua possível equipe, a sua pretensa equipe de transição, caso ele fosse eleito, à disposição dos Estados Unidos. Eu nunca vi fazer transição com outro país. Transição, até pela regra legal, se faz entre uma equipe que está chegando e uma equipe que está saindo, até se for do mesmo Governo, como eu desejo e aguardo e tenho consciência de que será.

    Veja o ponto 1, Senador: defendem a desregulamentação de plataformas digitais, permitindo que conteúdos criminosos e violência online sigam – todo o debate que nós acabamos de fazer aqui com a proposta do Deputado Osmar Terra; propõem reduzir os vínculos com o Mercosul e buscar um acordo bilateral com os Estados Unidos, inspirado no modelo argentino. Como é que está a Argentina hoje, minha gente? Quais são os índices de desemprego da Argentina? Quais são os índices de insatisfação, de adoecimento mental? Quais são os índices de inflação da Argentina? Que modelo é esse? É o modelo azul? Aqui, estamos num tapete azul, porque assim estão nos chamando; é o modelo azul contra o modelo vermelho? O que é isso? É você trazer a ideologia pura e nua para um debate que vai muito mais além disso, e, como Chefe de Estado, ele precisa ter essa conotação. Então, a gente está vendo que é ao "laranja" que ele será, ou seria, submetido.

    A integração regional favorece a nós, e ela vem avançando. Ela vem avançando. A gente não pode retroceder nela.

    Assinalam também para prejuízos setores específicos, com tarifas que desconsideram assimetrias comerciais e subsídios americanos, podendo afetar nossos empregos, podendo afetar nossa produção, podendo afetar as exportações brasileiras.

(Soa a campainha.)

    A SRA. TERESA LEITÃO (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - PE) – Por exemplo, lá no Nordeste, Senadora Zenaide, lá no meu Pernambuco, acaba e ataca toda a cadeia sucroalcooleira: 70% das exportações de açúcar com tarifa zero. Qual é o interesse disso? É nos prejudicar! Qual é a consequência disso? É nos prejudicar.

    Concluindo, já me encaminhando para a conclusão, Sr. Presidente, no campo do meio ambiente, eles vão para fora para reforçar críticas internacionais à pecuária brasileira, omitindo indicadores ambientais do Governo passado – que era para passar a boiada, etc. e tal –, e silenciam sobre o aumento do desmatamento na gestão anterior e a redução do desmatamento no nosso Governo: 37% menos desmatamento na Amazônia.

(Soa a campainha.)

    A SRA. TERESA LEITÃO (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - PE) – Todo mundo vê a crise climática. Todo mundo vê que chove quando não devia, que faz frio onde não fazia, que tem ondas de calor onde nunca houve.

    Em relação a patentes, nós defendemos a entrada de genéricos e biossimilares, com impactos sobre o acesso a medicamentos e a custos do SUS. Eles jogam tudo isso fora para poder priorizar a empresa farmacêutica norte-americana. É como se o Brasil voltasse a ser colônia, agora não de Portugal, mas dos Estados Unidos.

    Sobre nossa autoridade: nós não apoiamos a interferência estrangeira em assuntos do Brasil. Nós defendemos uma relação civilizatória...

(Soa a campainha.)

    A SRA. TERESA LEITÃO (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - PE) – ... uma relação em que caiba a cada país as suas sanções e o seu modo de governar. Sanções unilaterais são intrusas e não cabem neste momento.

    Sr. Presidente, eu digo isso agora para não parecer que nós estamos atuando de maneira eleitoral, mas a ONU fez uma pergunta – para você estar lá nesse local, você tem que se inscrever antes, quem vai falar tem que se inscrever antes – ao Senador Flávio Bolsonaro: "Como é que o senhor pretende tratar essas questões no contexto do Brasil?". Ele respondeu: "Eu sou um agente político".

    "Eu sou um agente político" – então, está ali tomando uma posição...

(Soa a campainha.)

    A SRA. TERESA LEITÃO (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - PE) – ... de acordo com aquilo que ele está querendo e pensando, e, infelizmente, ao expô-la, prejudicou o Brasil. Atacou o Presidente Lula, atacou inclusive a nós, indiretamente, que fazemos e atuamos em direção de projetos, de propostas que votamos e temos aprovado – nós e a Câmara de Deputados –, e a gente se pergunta: para quê? Para levar para fora e buscar apoio dos Estados Unidos, pelo que ele disse – não sou eu que estou dizendo –, para um projeto eleitoral na disputa presidencial.

    Senhores, senhoras, isso não prejudica o Presidente Lula; isso prejudica o Brasil. É uma intervenção que a gente não pode permitir que aconteça. Eu desejo que o restante das...

(Soa a campainha.)

    O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS) – Senadora, mais um minuto para concluir, por favor.

    A SRA. TERESA LEITÃO (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - PE) – Para concluir mesmo, eu desejo que o restante das discussões que vão ocorrer ainda, de fato, possam recompor uma relação que, a muito custo, foi construída, porque um Presidente que obriga a FIFA a desfazer um cartão vermelho dado a um jogador de futebol não quer jogar no sério, não quer jogar nas quatro linhas de um campo de futebol e também não quer jogar com respeito à Constituição brasileira e às leis internacionais.

    Por isso, Sr. Presidente, estamos atentos e atentas e não vamos permitir que isso ocorra no nosso país.

    Muito obrigada.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 08/07/2026 - Página 68