Discurso durante a 100ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Registro da inclusão do nome do piloto Ayrton Senna no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, com destaque para o seu exemplo de patriotismo e determinação.

Críticas à postura do Presidente Lula em cerimônia oficial no Palácio do Planalto, considerada incompatível com a liturgia do cargo.

Defesa da educação, da união nacional e da escolha consciente de representantes políticos.

Autor
Astronauta Marcos Pontes (PL - Partido Liberal/SP)
Nome completo: Marcos Cesar Pontes
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Homenagem:
  • Registro da inclusão do nome do piloto Ayrton Senna no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, com destaque para o seu exemplo de patriotismo e determinação.
Governo Federal:
  • Críticas à postura do Presidente Lula em cerimônia oficial no Palácio do Planalto, considerada incompatível com a liturgia do cargo.
Educação, Eleições e Partidos Políticos:
  • Defesa da educação, da união nacional e da escolha consciente de representantes políticos.
Publicação
Publicação no DSF de 09/07/2026 - Página 60
Assuntos
Honorífico > Homenagem
Outros > Atuação do Estado > Governo Federal
Política Social > Educação
Outros > Eleições e Partidos Políticos
Matérias referenciadas
Indexação
  • DISCURSO, CELEBRAÇÃO, SANÇÃO PRESIDENCIAL, PROJETO DE LEI, CRIAÇÃO, LEI FEDERAL, HOMENAGEM, CIDADÃO, INSCRIÇÃO, NOME, PERSONAGEM ILUSTRE, AYRTON SENNA DA SILVA, ATLETA PROFISSIONAL, LIVRO DE HEROIS E HEROINAS DA PATRIA, COMENTARIO, PATRIOTISMO, DETERMINAÇÃO, INCENTIVO, JOVEM.
  • CRITICA, CONDUTA, PRESIDENTE DA REPUBLICA, LUIZ INACIO LULA DA SILVA, EVENTO, PALACIO DO PLANALTO, INCOMPATIBILIDADE, CARGO PUBLICO.
  • REGISTRO, EDUCAÇÃO, POPULAÇÃO, QUALIDADE, REPRESENTAÇÃO POLITICA, CIDADANIA, CONTROLE, REPRESENTANTE, CLASSE POLITICA.

    O SR. ASTRONAUTA MARCOS PONTES (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SP. Para discursar.) – Sr. Presidente, senhoras e senhores que me acompanham na tribuna, aqueles que também estão aqui presentes e aqueles que acompanham pelas redes sociais do Senado.

    Na semana passada, eu tive a satisfação de ter um dos meus projetos de lei sancionado, que foi exatamente com relação à introdução do nome do Ayrton Senna no Livro dos Heróis da Pátria.

    Eu fiquei extremamente feliz, não só pelo que ele representava como atleta, mas também, principalmente, pelo que ele representava como exemplo para as pessoas deste país, exemplo de patriotismo, de determinação, de luta por aquilo que acredita e por fazer as coisas funcionarem apesar das dificuldades. Eu acho que muita gente assistia àquelas corridas e ficava, de certa forma, motivada a encarar as dificuldades da vida, principalmente os jovens; quando eu penso nisso, eu penso nos jovens.

    Na minha carreira, eu tive a satisfação de sair de uma situação muito ruim, vamos dizer assim, financeiramente – a minha família não tinha nenhum tipo de posse, nada disso –, e, através da educação, chegar até aqui, chegar ao espaço, ser Embaixador da ONU para o Desenvolvimento Industrial, Ministro de Estado.

    Eu tive uma carreira muito proveitosa para o país, e me dá muito orgulho quando eu vejo um jovem chegar até mim e dizer: "Olha, eu copiei a sua carreira". Isso é muito bacana, ver que você serviu de exemplo para um jovem que possivelmente vai mudar a vida da sua família, porque você não muda a vida só de uma pessoa. Isso é muito importante, essa sequência de exemplos.

    Eu tive como um ídolo, lá na minha cidade de Bauru, Ozires Silva, fundador da Embraer, Coronel da Força Aérea Brasileira, piloto da Força Aérea Brasileira, ex-iteano também, estudou no ITA, engenheiro do ITA. Então eu copiei a carreira dele.

    Eu acho que isso é uma das coisas que a gente precisa fazer, ter exemplos bons.

    Mas hoje eu venho aqui com uma preocupação muito grande, uma indignação muito grande. De certa forma, posso dizer assim, é uma vergonha. O que acontece? O Brasil inteiro assistiu, na última sexta-feira, no Palácio do Planalto, que é a casa mais solene da República, o endereço que carrega o nome e a honra de mais de 200 milhões de brasileiros, ali é o que representa o nosso país, o Presidente da República – e quem me conhece sabe que eu não gosto de criticar ninguém, mas é importante criticar o ato, porque o ato representa alguma coisa que vai interferir, vamos dizer assim, ou influenciar, como exemplo, a atitude de muitas outras pessoas –, no meio de um pleno discurso oficial, diante de câmeras, diante do povo, diante do mundo todo, porque aquilo ali é transmitido para o mundo inteiro, e um jeito de falar, vamos dizer assim... E não é só o jeito de falar. Isso não é autenticidade, isso não é linguagem do povo, vamos dizer assim; é uma degradação da mais alta função pública do nosso país quando o Presidente da República mostra o dedo do meio. Isso não é uma atitude de um Presidente, isso não é algo que possa ser feito por uma autoridade.

    De novo, eu não gosto de criticar uma pessoa, CPF, mas é importante que a gente ressalte que o que um Presidente faz representa o nosso país. Nós, como brasileiros, somos representados por isso. O Palácio do Planalto não é palanque de comício, não é mesa de bar – e mesmo na mesa de bar, esse tipo de atitude não é adequada. Ali é o coração institucional do Brasil. Quem senta naquela cadeira não fala apenas por si, fala em nome de uma nação inteira. Cada palavra, cada gesto do Presidente entra nas nossas casas, passa diante das nossas crianças, corre o mundo em segundos. O que correu o mundo dessa vez foi um gesto obsceno, acompanhado do mesmo discurso e de palavras de baixo calão, indignas para um cargo dessa categoria.

    Eu pergunto, comparando com o que eu iniciei, falando do Ayrton Senna: que tipo de exemplo é esse? O que a gente vai dizer para um menino, para uma menina que aprendem na escola que respeito e educação são valores fundamentais? Aliás, seria muito bom se a gente tivesse respeito e educação em tudo, principalmente quando a gente vê as redes sociais. Seria muito interessante que as pessoas começassem a pensar nisso de uma forma melhor, mas, para isso, precisa de exemplos bons, o que não foi o que a gente viu. Eles são valores fundamentais, o respeito e a educação.

    Aí, quando o Presidente da República, no próprio Palácio que simboliza o poder que emana do povo... Vamos lembrar o primeiro artigo da Constituição, parágrafo único, "Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes [nós aqui] [...] ou diretamente [...]". Como é que ele se comporta dessa maneira? Como é que a gente vai cobrar civilidade dos nossos jovens quando nem a primeira pessoa, vamos dizer assim, do país dá esse tipo de exemplo, de respeito e educação?

    Dirão os aliados do Governo que o gesto não era para o povo, ele era contra as elites. Aliás, isso é outra coisa, isso é uma força de expressão, isso é outra coisa. A gente tem que parar, neste país, de ficar um contra o outro. Isso não funciona. Não é assim que a gente vai conseguir construir um país. Enquanto a gente continuar a ficar apontando o dedo um para o outro...

    Aliás, apontar o dedo um para o outro é característica de quem é fracassado, é característica de quem não tem capacidade de fazer as coisas por si. E aí aparecem os críticos de plantão, aqueles que são covardes, incompetentes, que não conseguem nem ter a coragem de fazer o que é necessário, muito menos a competência para fazer. Então, é muito mais fácil apontar o dedo, é muito mais fácil criticar simplesmente, sem fazer o que deveriam fazer.

    É isso que a gente tem visto aqui no nosso país também, é a frequente tentativa de divisão da população: é nós contra eles, é funcionários contra empresários, contra empregadores, pessoas que são gays contra héteros e assim por diante. Nós somos brasileiros, nós precisamos ter um país só, sob uma bandeira só, em que a gente consiga lutar juntos.

    Se quiserem algum inimigo, o inimigo está fora do país; não está aqui, o inimigo está para fora. O inimigo é a pobreza, o inimigo são as dificuldades que a gente tem que vencer aqui, não a outra pessoa. Não importa qual seja a ideologia, não importa quais sejam as escolhas dessa pessoa, o importante é lutar pelo nosso país juntos. É a única maneira pela qual a gente vai conseguir colocar este país na posição que ele precisa, na posição que ele merece e precisa ter.

    Nada, absolutamente nada justifica um Presidente da República fazer um gesto obsceno em uma cerimônia oficial no Palácio do Planalto. A liturgia do cargo não é enfeite, ela é respeito ao povo que o elegeu e ao país que ele representa. O povo brasileiro não merece isso, o povo brasileiro não merece ter essa atitude de um Presidente.

    O trabalhador que acorda de madrugada, pega duas conduções – aliás, trabalhar é uma coisa muito importante para que a gente possa ter dignidade neste país –; aquela mãe que se desdobra para criar os filhos com dignidade; o professor que ganha pouco e entrega muito; o jovem que estuda de madrugada porque acredita que o estudo pode mudar a sua vida... Isso eu posso falar de cadeira, porque quantas vezes eu fiz isso? Quantas vezes eu tive que decolar também, de madrugada, para defender o país, como piloto de combate? Quantos pilotos não fazem isso todo dia? Pouca gente presta atenção nisso.

(Soa a campainha.)

    O SR. ASTRONAUTA MARCOS PONTES (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SP) – Esse povo merece grandeza, esse povo merece um Presidente que esteja à altura da sua dignidade.

    Mas esse tipo de atitude não pode terminar em crítica simplesmente, precisa se transformar em compromisso, e a resposta definitiva para melhorar tudo isso se chama educação. Eu já falei muitas vezes aqui e continuo batendo na mesma tecla: é a educação, desde o início. Educação não só de retórica, educação para valer, pragmática.

    A gente precisa trabalhar, trabalhar duro para melhorar a educação geral do nosso povo, porque um povo educado não se contenta com pouco, um povo educado exige respeito, um povo educado escolhe bem, escolhe melhor, cobra, não aceita ser tratado com deboche. Quando tivermos uma nação verdadeiramente educada, nenhum Presidente, nenhum partido, nenhum político, em nenhum tempo, nem sequer...

(Soa a campainha.)

    O SR. ASTRONAUTA MARCOS PONTES (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SP) – ... pensará em fazer algo parecido, porque é importante que a gente traga esse respeito a todos nós.

    É importante que o nosso país não fique à mercê daqueles que destroem os nossos jovens, que destroem o nosso futuro. Aqueles que oferecem não só gestos obscenos, mas também exemplos ruins, não cabem mais aqui dentro. Você pode até dizer que eu sou muito idealista, eu sou mesmo: acredito que a gente tenha um Brasil melhor. Mas, para ter este Brasil melhor, a gente precisa escolher bem os políticos, políticos capazes, competentes, com formação, políticos com respeito, com educação, políticos que saibam o seu lugar e que façam as coisas pensando no país, e não pensando no próprio umbigo ou na próxima eleição.

(Soa a campainha.)

    O SR. ASTRONAUTA MARCOS PONTES (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SP) – Isso é importante e é o que a gente precisa ver nessa próxima eleição.

    Então, para todo mundo que está assistindo aí de fora: pense bem em quem você vai votar, faça um estudo independente da opinião das outras pessoas, independente de ideologia, faça um estudo sério sobre a pessoa, correto, válido, justo. Com isso, a gente vai mudar a situação deste país.

    Obrigado, Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 09/07/2026 - Página 60