Pronunciamento de Jorge Kajuru em 07/05/2025
Discurso durante a 34ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Manifestação contrária à mudança no Código Eleitoral que permite líderes religiosos de se manifestarem de forma político-partidária dentro de templos religiosos, com defesa do Estado laico, alerta para o risco de abuso do poder religioso e crítica à desigualdade de oportunidades entre candidatos.
Discurso sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) n° 37, de 2022, que "Modifica o art. 144 da Constituição Federal, a fim de incluir as guardas municipais e os agentes de trânsito entre os órgãos que compõem a segurança pública."
- Autor
- Jorge Kajuru (PSB - Partido Socialista Brasileiro/GO)
- Nome completo: Jorge Kajuru Reis da Costa Nasser
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
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Atividade Política,
Direito Eleitoral,
Religião:
- Manifestação contrária à mudança no Código Eleitoral que permite líderes religiosos de se manifestarem de forma político-partidária dentro de templos religiosos, com defesa do Estado laico, alerta para o risco de abuso do poder religioso e crítica à desigualdade de oportunidades entre candidatos.
-
Segurança Pública:
- Discurso sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) n° 37, de 2022, que "Modifica o art. 144 da Constituição Federal, a fim de incluir as guardas municipais e os agentes de trânsito entre os órgãos que compõem a segurança pública."
- Publicação
- Publicação no DSF de 08/05/2025 - Página 37
- Assuntos
- Outros > Atividade Política
- Jurídico > Direito Eleitoral
- Outros > Religião
- Soberania, Defesa Nacional e Ordem Pública > Defesa do Estado e das Instituições Democráticas > Segurança Pública
- Matérias referenciadas
- Indexação
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- CRITICA, REFORMA, CODIGO ELEITORAL, MANIFESTAÇÃO, NATUREZA POLITICA, POLITICA PARTIDARIA, TEMPLO, RELIGIÃO, COMENTARIO, PREJUIZO, IGUALDADE, CANDIDATO, POSSIBILIDADE, ABUSO DE PODER, RISCOS, DEMOCRACIA.
- DISCURSO, PROPOSTA DE EMENDA A CONSTITUIÇÃO (PEC), ALTERAÇÃO, CONSTITUIÇÃO FEDERAL, INCLUSÃO, GUARDA, MUNICIPIOS, AGENTE DE TRANSITO, AMBITO, ORGÃO, SEGURANÇA PUBLICA.
O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO. Para discursar.) – Chico Rodrigues, querido amigo, a voz respeitada da minha amada Roraima, brasileiras e brasileiros, minhas únicas vossas excelências, o meu assunto hoje é um vespeiro – não é fácil, Chico, ter a independência para tratar deste assunto, hoje, 7 de maio de 2025 –, senhoras e senhores, meus únicos patrões: um dos pontos da proposta da reforma do Código Eleitoral que está em debate nesta Casa.
Trata-se da mudança no sentido de permitir manifestações político-partidárias em templos religiosos. Todos que estão na galeria, por gentileza, entendem a gravidade disso: em templos religiosos.
No art. 476 do projeto em discussão, um de seus parágrafos, o terceiro, diz textualmente, abrem-se aspas: "Com o intuito de assegurar a liberdade de expressão, as manifestações proferidas em locais em que se desenvolvam atividades acadêmicas ou religiosas, tais como universidades e templos, não configuram propaganda político-eleitoral e não poderão ser objeto de limitação" – fecham-se aspas.
Entenderam aonde vou chegar? Daí a palavra "vespeiro". Quem tem essa coragem?
O primeiro reparo que eu faço é a colocação, no mesmo patamar, de espaços para ensino e de estabelecimentos religiosos – eu falo de todas as igrejas. Aqui não estou individualizando. Mas eu não considero nem um nem outro ambiente para a propaganda político-eleitoral.
Nos locais de ensino, pode-se até discutir política como atividade didática. Já o espaço religioso, por definição, é para orações, vigílias, retiros espirituais, e não para padre, pastor, seja quem for, pedir voto, levar candidato para fazer discurso numa missa...
Eu já fui convidado para fazer isso em Goiás. É evidente que eu não fui. Isso é um tapa na cara da sociedade brasileira.
Nós somos, desde a proclamação da República, um Estado laico – laico! Isso, para deixar claro que o Estado não privilegia nenhuma religião ou visão de mundo em detrimento de outras e para que nenhuma crença possa ser usada como atalho para se chegar ao poder.
Especialistas vêm advertindo que o princípio de laicidade inscrito na Constituição fica ameaçado com a permissão para que espaços religiosos, isentos de impostos – alguns bilionários não pagam impostos em igrejas –, sejam instrumentalizados em favor de candidatos a cargos eletivos – a gente sabe como é isso.
O curioso é que o controle a sindicatos, associações e organizações não governamentais não muda, permanecendo, como está hoje, com restrições.
Outro detalhe, pátria amada: o projeto do novo Código Eleitoral prevê multa para o abuso do poder econômico ou político, mas não o faz para o poder religioso. É quase uma licença para que padres, pastores, pais de santo e líderes espirituais em geral possam pressionar, indevidamente, de forma canalha, seus fiéis em favor de candidaturas.
Sem esquecer que permitir a transformação de púlpitos em palanques também fere a igualdade dos candidatos, pois nem todos terão o mesmo acesso às audiências religiosas.
É preciso, então, destacar que a legislação em vigor proíbe propaganda eleitoral em templos, considerando que são bens de uso comum do público, e tal fato não tem significado óbice ao processo eleitoral.
Para concluir, cito aqui o trecho de artigo publicado recentemente no jornal O Globo, de autoria de Fábio Miessi, Professor da Fundação Getúlio Vargas, e Raphael Corbi e Meliza Marinelli, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). Sobre o risco de se misturar religião e política no Código Eleitoral, eles afirmam – abrem-se aspas: "Mesmo em sociedades religiosas, a prudência institucional protege o processo eleitoral. No Brasil, ainda há tempo para refletir. Antes de eliminar limites, o Congresso precisa avaliar os custos para a competição democrática, para a laicidade do Estado e para a liberdade de consciência dos próprios fiéis" – fecham-se aspas.
Os estudiosos ainda alertam – abro aspas: "Misturar devoção e eleição pode custar caro para a democracia, para o Estado e também para a religião".
Eu concordo 100%.
Agradecidíssimo.
E a todos que estão na tribuna, em relação à PEC do trânsito, é evidente, óbvio, que eu e toda a minha Bancada do PSB votaremos a favor.
Agradecidíssimo, Presidente.