Discurso durante a 18ª Sessão Deliberativa Extraordinária, no Senado Federal

Críticas à política de taxação de produtos importados implementada pelo Presidente dos EUA, Donald Trump. Destaque para a reação do Congresso Nacional com aprovação do Projeto de Lei nº 2088/2023, que permite a reciprocidade tarifária.

Autor
Paulo Paim (PT - Partido dos Trabalhadores/RS)
Nome completo: Paulo Renato Paim
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Comércio, Mudanças Climáticas, Poder Legislativo, Poluição, Relações Internacionais:
  • Críticas à política de taxação de produtos importados implementada pelo Presidente dos EUA, Donald Trump. Destaque para a reação do Congresso Nacional com aprovação do Projeto de Lei nº 2088/2023, que permite a reciprocidade tarifária.
Publicação
Publicação no DSF de 04/04/2025 - Página 11
Assuntos
Economia e Desenvolvimento > Indústria, Comércio e Serviços > Comércio
Meio Ambiente > Mudanças Climáticas
Organização do Estado > Poder Legislativo
Meio Ambiente > Poluição
Soberania, Defesa Nacional e Ordem Pública > Relações Internacionais
Matérias referenciadas
Indexação
  • CRITICA, POLITICA, TRIBUTAÇÃO, PRODUTO IMPORTADO, IMPLEMENTAÇÃO, PRESIDENTE, PAIS ESTRANGEIRO, ESTADOS UNIDOS DA AMERICA (EUA), DONALD TRUMP, DESTAQUE, ATUAÇÃO, CONGRESSO NACIONAL, APROVAÇÃO, PROJETO DE LEI, AUTORIZAÇÃO, RECIPROCIDADE, TARIFA ADUANEIRA.
  • DISCURSO, PROJETO DE LEI, ALTERAÇÃO, LEI FEDERAL, POLITICA NACIONAL, MUDANÇA CLIMATICA, IMPORTAÇÃO, BENS, PRODUTO, DISPONIBILIDADE, COMERCIO, AMBITO NACIONAL, REQUISITOS, PAIS ESTRANGEIRO, CRITERIOS, EMISSÃO, GAS, EFEITO ESTUFA, EQUIPARAÇÃO, SITUAÇÃO, BRASIL.

    O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS. Para discursar.) – Sr. Presidente Davi Alcolumbre, Senadores, Senadoras, o mundo todo fala do tema que eu falarei hoje. Tenho certeza de que outros Senadores também e Deputados estão falando. É a minha preocupação com a decisão do Presidente norte-americano, Donald Trump, de impor uma tarifa de 10% sobre as importações brasileiras.

    Essa medida, sem dúvida, terá um impacto significativo sobre o nosso setor exportador, podendo resultar em cortes de empregos, redução de renda e aumento da inflação. E, como sempre, os mais pobres são os que serão afetados.

    O cenário é grave e exige de nós cautela, diálogo e muita diplomacia. Precisamos agir com responsabilidade para minimizar os danos à nossa economia e ao povo brasileiro.

    É importante ressaltar que os Estados Unidos possuem um dos maiores superávits comerciais com o Brasil. Nosso país tem sido um parceiro estratégico, mantendo uma relação comercial que deveria se pautar pelo equilíbrio e pela colaboração, e não por medidas protecionistas que penalizam nossa produção e os nossos trabalhadores.

    O Congresso Nacional, reconhecendo a gravidade da situação, Senadora Teresa, agiu com rapidez e unidade. Em um raro momento da história, houve consenso: Governo e oposição se uniram e aprovaram, por unanimidade, uma legislação de reciprocidade para proteger nosso setor produtivo. Essa resposta firme demonstra que não aceitaremos passivamente imposições que prejudiquem nossa economia e o bem-estar do nosso povo.

    A política de Trump é marcada pela construção de muros e divergências. Em vez de promover a cooperação entre os povos, ele insiste em medidas que aprofundam as desigualdades e tensionam as relações internacionais.

    Além do Brasil, outros países também foram taxados em 10%. Reino Unido, 10%; Singapura, Austrália, Nova Zelândia, 10.; Turquia, Colômbia, Argentina, El Salvador, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, também 10%. Enquanto isso, outras nações, inclusive algumas consideradas aliadas de Trump, foram alvo de tarifas ainda mais severas: União Europeia, 20%; China, 54%; Vietnã, 46%; Tailândia, 36%; Japão, 24%; Camboja, 49%; África do Sul, 30%; Taiwan, 32%. Ao todo são 185 países atingidos.

    Como vemos, é um cenário preocupante. O mundo já enfrenta guerras, conflitos armados e crises ambientais sem precedentes. Agora, mais essa barreira ao comércio e ao desenvolvimento.

    Em um momento em que deveríamos buscar a união entre os povos, entre os países, para enfrentar desafios globais, o que se impõe é um tarifaço que prejudica até mesmo nações pequenas e vulneráveis, como uma ilha que é um país no Pacífico, com apenas 20 mil habitantes. Essa decisão enfraquece os esforços de cooperação global e prejudica a proteção do planeta – estamos olhando aqui, inclusive, o meio ambiente. Além disso, não podemos ignorar que essa política reflete uma completa falta de sensibilidade social.

    Trump encerrou a Usaid, a principal agência humanitária dos Estados Unidos, deixando sem assistência milhões de pessoas ao redor do mundo. Hospitais de campanha para refugiados foram desmontados; fornecimento de medicamentos foi cortado; as regiões devastadas por desastres climáticos – só para lembrar o mais recente, Tailândia e Mianmar – perderam o apoio essencial. Essa postura revela uma falta de empatia alarmante com os países mais pobres e com populações atingidas por catástrofes.

    Diante desse cenário, Sr. Presidente, faço um apelo para que, mais do que nunca, todos nós mantenhamos uma posição firme para que o Brasil continue, com clareza, fazendo o bom debate, o bom diálogo, defendendo os interesses do povo brasileiro.

    Precisamos fortalecer nossas relações com outros parceiros comerciais, diversificar mercados e adotar medidas que protejam nossos trabalhadores, nossos empreendedores, nossa economia. O protecionismo não pode ser a resposta para o desafio do século XXI. O mundo precisa de mais diálogo, mais cooperação, mais solidariedade, mais defensores do meio ambiente, mais defensores de políticas de combate à fome e mais defensores de todas as políticas humanitárias.

    Era isso, Presidente.

    Agradeço a V. Exa.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 04/04/2025 - Página 11