Pronunciamento de Magno Malta em 08/05/2025
Discurso durante a 35ª Sessão Deliberativa Extraordinária, no Senado Federal
Indignação com a suposta fraude contra beneficiários do INSS e defesa de CPMI para investigar os fatos. Posicionamento contrário à aprovação no Senado Federal do Projeto de Lei Complementar no. 77/2023, aprovado na Câmara dos Deputados, que aumenta o número de deputados federais em razão do crescimento populacional. Repúdio à declaração recente do Governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, sobre os eleitores do ex-Presidente da República Jair Bolsonaro e cobrança aos ministros do STF por providências sobre o caso.
- Autor
- Magno Malta (PL - Partido Liberal/ES)
- Nome completo: Magno Pereira Malta
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Atuação do Congresso Nacional,
Atuação do Judiciário,
Crime Contra a Administração Pública, Improbidade Administrativa e Crime de Responsabilidade,
Previdência Social,
Transparência e Governança Públicas { Modernização Administrativa , Desburocratização }:
- Indignação com a suposta fraude contra beneficiários do INSS e defesa de CPMI para investigar os fatos. Posicionamento contrário à aprovação no Senado Federal do Projeto de Lei Complementar no. 77/2023, aprovado na Câmara dos Deputados, que aumenta o número de deputados federais em razão do crescimento populacional. Repúdio à declaração recente do Governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, sobre os eleitores do ex-Presidente da República Jair Bolsonaro e cobrança aos ministros do STF por providências sobre o caso.
- Publicação
- Publicação no DSF de 09/05/2025 - Página 26
- Assuntos
- Outros > Atuação do Estado > Atuação do Congresso Nacional
- Outros > Atuação do Estado > Atuação do Judiciário
- Outros > Crime Contra a Administração Pública, Improbidade Administrativa e Crime de Responsabilidade
- Política Social > Previdência Social
- Administração Pública > Transparência e Governança Públicas { Modernização Administrativa , Desburocratização }
- Matérias referenciadas
- Indexação
-
- DEFESA, CRIAÇÃO, COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUERITO (CPMI), INVESTIGAÇÃO, DESVIO, RECURSOS, FRAUDE, BENEFICIO PREVIDENCIARIO, APOSENTADO, PENSIONISTA.
- CRITICA, PROJETO DE LEI DA CAMARA (PLC), AUMENTO, QUANTIDADE, DEPUTADO FEDERAL, PROPORCIONALIDADE, POPULAÇÃO.
- CRITICA, DECLARAÇÃO, GOVERNADOR, ESTADO DA BAHIA (BA), REFERENCIA, ELEITOR, JAIR BOLSONARO, EX-PRESIDENTE DA REPUBLICA.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - ES. Para discursar.) – Senador Veneziano, agora eu vou me autoapartear. Como está V. Exa.? Como está o meu amigo?
Nós estamos vivendo dias muito difíceis no Brasil. Difíceis porque houve um momento em que a máscara estava tão bem colocada que parecia que jamais ia desabar, mas, como o mal não perdura o tempo inteiro, o mal tem sempre um limite – veja, Calígula caiu; veja o Nero, caiu; o faraó caiu; o Império Romano desabou; chega uma hora em que Idi Amin Dada foi destituído e morto; chega uma hora em que a ditadura, em que a mentira, a máscara vai ter que desabar. E ela vem desabando no Brasil de uma forma acelerada que eu não esperava, um assunto em cima do outro, a cada cinco minutos, um em cima do outro, valendo a máxima do que disse o Alckmin: "Eles querem voltar à cena do crime".
Ele só falou essa frase naquela época, ele estava muito chateado, porque ele não estava fazendo parte também. Então, ele estava revoltado, porque ele estava no banco, não estava jogando e tal. Mas agora ele está na cena do crime também.
Esta semana, Sr. Presidente, eu me reuni, na segunda-feira, com a Associação de Aposentados do meu estado. Tem grupos maiores, mas, muito rapidamente, eles se mobilizaram para estar comigo.
É duro, Sr. Presidente. Eu tenho uma tia amputada, aliás, eu tenho muitos parentes assim, porque é uma família que tem, no próprio DNA... Acho que sou um dos únicos que não tenho; é uma família de diabéticos. Então, tenho primos cegos e tias amputadas, tias que morreram amputadas e cegas. Minha mãe também tinha, não morreu de diabetes. Mas tudo isso vai ajudando a destruir o corpo por dentro, e tal, de quem não cuida. E essa tia minha vinha me dizendo, já há alguns meses, ligava para mim: "Meu filho, me ajude, estou precisando, porque a minha aposentadoria era tanto e eles estão descontando tanto, eu não sei por quê'. Aí no outro mês ela ligava: "Descontaram... Tem um negócio aqui que eu não estou entendendo o que é, estão descontando". Ligava para mim de novo: "Meu filho, olha isso para mim. Eles estão descontando e, daqui a pouco, vou ficar sem nada. Estou ganhando tanto, me aposentei com tanto".
E eu não sabia, o Brasil não sabia dessa ignomínia, desse assalto, desse comportamento infame de quem tem vida nababesca, vivendo nababescamente em cima da miséria de quem não tem aposentadoria nem para comprar remédio. No caso dessa minha tia, a aposentadoria dela não dá nem para comprar remédio mais. E ela me liga todo mês. Eu falei com ela agora de manhã.
Os aposentados do meu estado, todos eles desesperados, angustiados, mostrando... E são siglas no holerite deles, e normalmente são pessoas que não prestam atenção, não olham... Não é que são analfabetos; os analfabetos são piores. E pior, Sr. Presidente, o maior número de pessoas atingidas são pessoas aposentadas pelo Funrural. São pessoas do campo, são pessoas que ganharam a aposentadoria, porque um fazendeiro qualquer teve a coragem de assinar o tempo de trabalho que ali eles tiveram. Essas pessoas estão sendo assaltadas. O senhor Lupi – Lupi e a sua trupe – precisa ser preso.
Essa CPMI tem que sair, porque é uma CPMI de causa, não é uma CPMI contra o PT, não é uma CPMI contra o PDT, é uma CPI contra ladrões, contra ratos do dinheiro público, rato de esgoto, gente sem sentimento, tarados por dinheiro – e fazem qualquer negócio.
O senhor imagina... Um indivíduo desse – a nossa cabeça nem alcança, nem a minha, nem de V. Exa., nem se a gente quisesse – está em paz, dentro de uma piscina, sabendo que saíram R$700 da aposentadoria de alguém que está amputado e que tem uma aposentadoria de R$1.700. A mente minha não alcança, nem a de V. Exa., nem de qualquer pessoa que tenha o senso, tenha sentimento, tenha responsabilidade.
Então nós, Senador Veneziano, precisamos ir a fundo. Essa não pode ser uma CPMI de bate-boca do meu partido, do seu partido; essa é uma CPMI para o Brasil. Como vai se devolver o dinheiro dessa gente? Onde está o dinheiro, se parte desse dinheiro está dividido com laranjas pelo Brasil afora, pelo mundo afora?
Senador Veneziano, eles estavam buscando os velhinhos – não velhinhos, pessoas de 60 anos, com pouco menos –, trazendo-os da Venezuela. Trazem os velhinhos de lá, fazem uma documentação falsa – os senhores que estão me ouvindo –, e os colocam no INSS, para que eles possam levar os parcos recursos dos aposentados do Brasil. O que é uma aposentadoria para os mais jovens? É uma vida trabalhada, jovens. É um suor derramado, é algo descontado no salário do seu pai, da sua mãe, no seu que começou a trabalhar e acumular esse salário, ou seja, essas taxas, para que, ao chegar o seu tempo, você tenha o suficiente para receber mensalmente aquilo que você acumulou, mas aquilo que foi acumulado está sendo roubado já há tantos anos por tantos pilantras.
E eles não escolhem aquele Ministério da Previdência porque é o mais fraco ou é o mais ou menos; eles escolhem aquele já em diversos mandatos. No mandato de Dilma, o Lupi, debochando numa Comissão, jogava beijo para Dilma: "Eu te amo, Presidente Dilma. Eu só saio do ministério se for morto". É claro! De uma teta do tamanho dessa em que ele estava, ele só queria sair morto. Agora, o cara fala: "Não, eu sabia". V. Exa. viu a entrevista dele no O Globo? "Eu sabia de alguma coisa, uma aqui, outra ali; a gente não sabia do todo." Mas, quando aparece um furúnculo no seu braço, com marca de um tumorzinho, você não fala: "Ah, largo isso pra lá, isso não vai dar em nada". Ou, se debaixo do seu braço – no Nordeste, a gente chama de furúnculo, né? – nasce um furúnculo, você fala: "Ah, deixa isso pra lá". Aí, nasce o segundo: "Deixa pra lá". Aí, depois, quando você quer olhar, virou um câncer. Ele disse: "Não, do tumorzinho eu sabia, um tumorzinho aqui, outro ali". Vai olhar o tumorzinho, porque ele pode ser sinal de um câncer no seu corpo, e ele sabia já do câncer. Agora, desculpa de amarelo é comer barro. Ele vem com um discurso e com uma desculpa dessas como se a sociedade brasileira fosse formada de otários.
Diferentemente do Senador Cleitinho, eu entendo que quem desembarcou do Governo, desembarcou com vergonha, com vergonha, embora eu acho que quem comeu a carne é preciso ficar para roer o osso na hora do osso.
Eu contei o caso aqui do cidadão Senador, lá do Estado de Pernambuco, que foi ministro por seis anos. No impeachment, ele saiu, veio para cá, foi para a Comissão do impeachment e ainda votou contra a Dilma. Ora, eu votei contra...
(Soa a campainha.)
O SR. MAGNO MALTA (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - ES) – ... e lutei para tirar a Dilma. Eu estava aqui, mas olhava para aquele homem e tinha uma vergonha tão grande. Cara, você fica seis anos no mesmo lugar, tirando proveito no mesmo lugar e, depois, vai lá e vira as costas?
Sr. Presidente, eu teria mil assuntos para falar hoje aqui. Sei que dez minutos é muito pouco, mas hoje pelo menos eu me desabafo com esse assunto tão doído, tão sofrido, esse assalto desgraçado.
E quero dizer, encerrando a minha fala, que o que foi votado na Câmara ontem... No Nordeste, também, a gente costuma dizer que o que é combinado não é caro. O que eles combinaram para assumir a Câmara – e foi combinado para assumir aqui também – é preciso que se cumpra. Mas essa novata de aumentar número de Deputados é do caramba! Essa nós temos que barrar aqui no Senado! Nós temos que barrar aqui no Senado uma ignomínia como essa, um desrespeito desse nível ao povo brasileiro, que vê os seus parcos salários, o dinheiro indo embora, a economia destruída... Ninguém pode tomar café, ninguém pode comer carne, pé de frango custando R$13 o quilo! É um país absolutamente jogado na miséria! Nós, Senadores, temos que reagir a esse tipo de covardia!
Encerro o meu discurso me dirigindo, agora rápido para encerrar, ao Governador da Bahia, que disse que Jair Bolsonaro e todos aqueles que votaram em Bolsonaro têm que ser jogados numa pá carregadeira dentro da vala. Isso é um termo usado por vagabundo, Sr. Presidente. Isso é termo usado por malandro, por matador. Isso é termo usado por assassino. Mas esse cara é um despirocado: ele dando entrevista sobre qualquer assunto, você não entende nada, parece que ele nem mora na Bahia, ele não sabe nada. Onde o Brasil vive a maior violência? Na Bahia, onde a polícia não é respeitada. Eu tenho parentes lá, mas não é só pelos meus parentes, é por todos os brasileiros que não votam no PT, que votam em Jair Bolsonaro – e têm que morrer? Imagine se eu tivesse dito isso, se o Bolsonaro tivesse dito isso, o Tarcísio dito isso, o Zema tivesse dito isso... O mundo já tinha caído.
Agora a minha pergunta ao Supremo e vou encerrar: senhores "supremáveis", deuses do Olimpo, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, o Sr. Barroso, vocês vão dar quantas horas, quantos dias para o Jerônimo se explicar sobre este discurso, sobre a matança do Brasil? "Jogar na vala todos aqueles..." Eu sei que vocês gostam disso, porque o Barroso já disse que nós somos manés. Para jogar os manés na vala, vão dar 48 horas?
Ei, ô Gilmar Mendes! Barroso! Eu quero saber quanto tempo vocês vão dar. Três dias, Cármen Lúcia? Quatro dias para que o Ministro da Defesa explique a FAB ir buscar rapidamente um assaltante do dinheiro público? Olhe que eles usaram os dados e a investigação da Lava Jato, e se diz que a Lava Jato acabou. E foram buscar a mulher. Sabe por que foram, Senador Veneziano? Porque ela é um arquivo vivo. Eles foram buscar o arquivo vivo, até porque todo mundo já foi perdoado aqui no Brasil. Os bandidos estão aí operando, mas ela é um arquivo vivo. Um se suicidou, o marido dela está preso, e ela está vivendo no Brasil vida de rainha, salva pelo Brasil, pelo Governo do PT. Vergonha!
Que Deus abençoe o nosso dia!