Pela ordem durante a 69ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Pela ordem sobre promulgação da Lei nº 15152/2025, que "Institui o Dia de Celebração da Amizade Brasil-Israel." Defesa do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, contra acusações de antissemitismo. Defesa do povo judeu e da paz.

Autor
Jaques Wagner (PT - Partido dos Trabalhadores/BA)
Nome completo: Jaques Wagner
Casa
Senado Federal
Tipo
Pela ordem
Resumo por assunto
Data Comemorativa, Governo Federal, Relações Internacionais:
  • Pela ordem sobre promulgação da Lei nº 15152/2025, que "Institui o Dia de Celebração da Amizade Brasil-Israel." Defesa do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, contra acusações de antissemitismo. Defesa do povo judeu e da paz.
Publicação
Publicação no DSF de 26/06/2025 - Página 29
Assuntos
Honorífico > Data Comemorativa
Outros > Atuação do Estado > Governo Federal
Soberania, Defesa Nacional e Ordem Pública > Relações Internacionais
Matérias referenciadas
Indexação
  • PROMULGAÇÃO, LEI FEDERAL, DIA NACIONAL, CELEBRAÇÃO, AMIZADE, BRASIL, PAIS ESTRANGEIRO, ISRAEL, CONTESTAÇÃO, CRITICA, PRESIDENTE DA REPUBLICA, LUIZ INACIO LULA DA SILVA, ANTISSEMITISMO, PARTICIPAÇÃO, EVENTO, POVO JUDEU, COMENTARIO, CONDENAÇÃO, ATAQUE, HAMAS.

    O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA. Pela ordem.) – Primeiro, cumprimento V. Exa. e todos os colegas Senadoras e Senadores, ou aqui, presenciais, ou participando por via virtual.

    Em primeiro lugar, Sr. Presidente, quero parabenizá-lo por ter promulgado essa lei. Confesso que não tenho aqui a informação para saber se efetivamente o Presidente não quis sancionar ou quis deixar que esta Casa sancionasse.

    É que eu ouço aqui algumas coisas e realmente não consigo ficar calado. Algumas delas, inverdades.

    V. Exas. sabem de quem é o projeto de lei que acaba de ser promulgado? O projeto é da ex-Presidente Dilma Rousseff.

(Intervenção fora do microfone.)

    O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – Não! Ela vetou...

    Por isso que eu digo: se a gente quiser aproveitar cada fato para fazer sua luta política, tudo bem. Eu não estou aqui para fazer luta política. Sou judeu, com muito orgulho; perdi familiares na Segunda Guerra Mundial; e meus pais se conheceram, fugidos da Polônia, no Rio de Janeiro, no Brasil. Então, estou muito à vontade para falar disso, porque o meu avô era auxiliar de rabino na sinagoga do Rio de Janeiro. E fui criado ali dentro. Fiz bar mitzvá, fiz tudo. Comi a comida kosher e por aí vai. Então, estou muito à vontade.

    Eu conheço o Presidente Lula há 47 anos. E, na cabeça do Presidente, não passa nenhum tipo de preconceito.

    Então, perdoem-me a franqueza, mas alguém querer imputar ao Presidente Lula por ter feito a opção... Até porque é legal: quando o Presidente não sanciona, o Congresso sanciona.

    Então, não há nenhuma aversão do Presidente ao Estado de Israel; ao contrário: ele lá já esteve várias vezes.

    Quando da reinauguração da primeira sinagoga do Brasil no Recife, ele fez questão de estar lá, como já esteve em vários dias celebrando as vítimas do holocausto.

    Então, eu acho ruim quando a gente pega um processo desse...

    Eu acho que amizade a gente tem que ter com todos os povos e com todos os estados. Evidentemente, neste momento, em função de uma guerra lá, talvez não fosse o melhor momento, mas eu concordo, porque nós não estamos celebrando amizade com o Primeiro-Ministro de Israel, que, dentro do país, também é contestado pelas suas ações – e eu não quero entrar aqui nesse detalhe –, porque o Primeiro-Ministro Netanyahu não tem o apoio incondicional da população israelense; ao contrário: há um questionamento grande sobre essa linha de conduta que ele vem adotando.

    Então, primeiro, eu quero esclarecer que o projeto é de Dilma Rousseff. Depois de ela ter realmente vetado, na mesma hora ela publicou outro, com uma data nova.

    Então, vamos falar a verdade completa, porque, senão, a gente fica usando esta tribuna para tentar inocular nos outros alguma coisa que não é verdade.

    Eu vou repetir: o Presidente – e eu o acompanhei várias vezes – ia a Israel e ia também visitar os países árabes, porque nós – eu, judeu; e ele, não – defendemos que toda guerra entra na irracionalidade.

    E o Presidente Lula tampouco fez, queridos Senadores, loas ao Irã. É bom, porque talvez todos não conheçam isto: quando ele foi procurar Ahmadinejad, ele o fez a pedido – não citarei os nomes – de dois presidentes de nações extremamente importantes no planeta, que, depois da reação, disseram: "Não, o único que tem condição de conversar é você".

    E ele não foi lá para saudar. Ele foi lá para propor, conforme tinha discutido com dois outros presidentes, a questão da paz.

    A mim não me parece que nenhuma guerra nos interesse a nenhum de nós; nós queremos a guerra longe.

    Então, o que o Presidente Lula condena... Perdoem-me, mas todas as atrocidades feitas pelo terrorismo do Hamas foram repudiadas pelo Presidente Lula. Foram repudiadas. Ele imediatamente declarou seu repúdio àquele ato, porque ele não adota nenhum tipo de relacionamento com terrorista, como eu também não adoto.

    Agora, o Estado constituído de Israel legitimamente se defendeu, mas, na minha opinião, como judeu, acho que a resposta passou do ponto, com a morte de crianças, de pessoas que eram médicos, etc., etc.

    Nenhuma guerra nos fará bem. A última grande guerra, em que 6 milhões de judeus morreram e não sei quantos milhões de russos...

(Soa a campainha.)

    O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – ... que estavam também na frente de batalha, não me parece que ela trouxe...

    E nós estamos vivendo um momento extremamente perigoso na civilização do planeta. Em vários países, deflagrado conflito interno. Vários países.

    Portanto, nós estamos trilhando um caminho... E aí eu não falo isso em defesa de A, B ou C; eu faço isso em defesa do bom senso, porque o caminho que nós estamos trilhando vai chegar aonde? Eu não sei. É bomba para cá, é bomba para lá, e, seguramente, morrem pessoas inocentes.

    Então, deixem-me deixar claro: o Presidente Lula, em hipótese nenhuma, é um antissemita. V. Exa. falou, e eu tenho que falar, porque talvez V. Exa. não conheça, tão de perto quanto eu, o Presidente Lula.

    A postura dele é de defesa da paz: condenou a Rússia, quando invadiu a Ucrânia, e depois fez a proposta para que se sentasse a uma mesa de negociação, que é a melhor forma de resolver problemas.

(Soa a campainha.)

    O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – Então, eu quero parabenizar V. Exa., porque alguns aqui confundem. A proclamação do dia da amizade entre Brasil e Israel não é entre o Presidente Lula e o Netanyahu, é entre dois povos, e a fundação do Estado de Israel foi feita por um brasileiro, um diplomata brasileiro que dirigia aquela sessão histórica de 1948, em que, depois do massacre contra os judeus, a comunidade internacional entendeu que era a hora de demarcar.

    Eu vou continuar defendendo os judeus e defendendo a paz no Oriente Médio, porque, na minha opinião, só um grupo se interessa pelas guerras: os vendedores de armas. Esses desovam seus estoques a cada briga que tem, a cada guerra que tem, para produzir mais; e, depois, alguém receberá a encomenda de reconstruir o país destruído.

(Soa a campainha.)

    O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – Ou alguém aqui não sabe que Saddam Hussein depois foi hostilizado, mas, no primeiro momento, era o contrário?

    Várias vezes, a incursão estrangeira em alguns países foi para derrubar um regime. E depois, em vez de vir um regime melhor, veio um regime pior.

    Então, só para esclarecer: o Presidente Lula não sancionou, e eu me orgulho aqui, Presidente Davi, de estar ao seu lado, sancionando, como judeu, sem nenhum problema.

    Agora, nós, que defendemos o Estado de Israel, deveríamos e poderemos pedir – já conversei isso com o Senador Carlos Viana –, porque também não é simples para um Presidente da República, quando o Chefe de nação de outro Estado proclama que ele é uma persona non grata em Israel... O que, para mim, é um absurdo, porque ele nunca fez nada contra o Estado de Israel. Ao contrário: sempre defendeu a existência do Estado de Israel.

    E vou repetir: eu acho tão bizarro dizer que ele é antissemita, porque o Secretário de Imprensa do primeiro Governo do Presidente Lula chama-se André Singer, judeu; a pessoa que o acompanha e anota todas as suas coisas, há muito tempo, chama-se Clara Ant, judia; e o Líder...

    O SR. MAGNO MALTA (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - ES. Fora do microfone.) – De esquerda...

    O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – Não, mas esquerda não é pecado, Senador. Ser de esquerda não é pecado, nem ser de direita, mas não me diga que é pecado ser de esquerda.

    E eu sou Líder do Governo, judeu.

    Então, eu estou muito à vontade para dizer que, naquela cabeça daquele ser humano, não habita nenhum tipo de preconceito e muito menos de antissemitismo.

    Agora, nós estamos numa situação excepcional, porque tem uma guerra deflagrada lá, com a entrada, agora, também dos Estados Unidos.

    Eu acho ótimo que se destrua qualquer artefato atômico, para que aí ele não venha cair, seja em que país for, para destruir pessoas e nações.

    De qualquer forma, eu quero esclarecer isso, para que a gente reponha o conjunto da verdade.

    Não adianta tentar botar a pecha...

(Soa a campainha.)

    O SR. JAQUES WAGNER (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - BA) – ... porque, assim como tem judeus conservadores, tem judeus para a democracia, que trabalham para, exatamente, tentar erradicar essa guerra que lá está.

    Então, agradeço a oportunidade e parabenizo V. Exa., mas faço questão de deixar clara a posição do Presidente Lula.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 26/06/2025 - Página 29