Discurso proferido da Presidência durante a 169ª Sessão Especial, no Senado Federal

Em fase de revisão e indexação
Autor
Astronauta Marcos Pontes (PL - Partido Liberal/SP)
Nome completo: Marcos Cesar Pontes
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso proferido da Presidência

    O SR. PRESIDENTE (Astronauta Marcos Pontes. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SP. Para discursar - Presidente.) – Boa tarde! Boa tarde a todos. Boa tarde a quem nos acompanha também nas galerias. Boa tarde a todos que nos acompanham também pela rede Senado, TV Senado.

    Eu queria começar agradecendo a presença de cada um. Quero agradecer a consideração e dizer que hoje é um dia extremamente especial para a ciência do Brasil.

    É com elevada honra que abrimos esta sessão especial para celebrar um capítulo essencial da construção do Brasil moderno: o nascimento da biofísica como área estratégica e o legado de dois nomes que marcaram nossa história científica, Carlos Chagas e Carlos Chagas Filho.

    Hoje prestamos homenagem não apenas ao talento individual, mas ao projeto de país que esses dois cientistas ajudaram a erguer, um Brasil que compreende que ciência não é gasto, nem luxo, nem detalhe; é investimento, soberania e desenvolvimento nacional.

    Vivemos em um país cujo futuro depende da capacidade de transformar conhecimento em políticas públicas, inovação e progresso social. A ciência abre caminhos para autonomia sanitária, para tecnologias estratégicas e para respostas efetivas aos desafios do século XXI. É ela que protege vidas, que impulsiona a economia e que reafirma a esperança de um país mais justo e preparado.

    A trajetória dos nossos cientistas, muitas vezes silenciosa, é feita de coragem, persistência e compromisso com o bem comum. É a história de mulheres e homens que escolheram permanecer no Brasil para construir aqui centros de excelência, formar gerações e servir ao povo brasileiro.

    Quando falamos em pioneirismo, falamos também de instituições. A biofísica não surgiu por acaso. Ela nasceu do esforço coordenado que reuniu o Instituto Oswaldo Cruz, a antiga Universidade do Brasil, a Sociedade Brasileira de Biofísica, a Academia Brasileira de Ciências, a Academia Nacional de Medicina, a ABL e tantas outras casas centrais da nossa vida intelectual. Foi nesse ambiente que germinou a convicção de que o Brasil poderia produzir ciência de ponta e exportá-la para o mundo.

    A disciplina da Biofísica, ao unir física, biologia e tecnologia, mostrou que o conhecimento brasileiro tem capacidade de dialogar com as fronteiras mais avançadas da ciência contemporânea. Ela floresceu porque houve visão, estrutura e, sobretudo, vontade de construir uma ciência nacional forte.

    Nesse cenário, o papel de Carlos Chagas é incontornável: seu trabalho no Instituto Oswaldo Cruz transformou a pesquisa em política pública e colocou o Brasil no mapa mundial das grandes descobertas biomédicas. Sua obra nos lembra que a ciência é, antes de tudo, serviço à vida.

    É impossível falar do pai sem mencionar o filho. Carlos Chagas Filho, ao fundar o Instituto de Biofísica, hoje com 80 anos, estruturou um modelo de ciência experimental inovador e permanente. Como professor e liderança científica, formou gerações. Como articulador internacional, levou o nome do Brasil a instâncias de prestígio e diálogo global, entre elas, a Pontifícia Academia das Ciências, do Vaticano.

    Esta homenagem, porém, vai além dos dois nomes extraordinários, ela representa o reconhecimento de que todos os cientistas que enfrentam adversidades criam soluções e transformam a escassez em engenhosidade. São pessoas que mostram, todos os dias, que ciência é condição de liberdade e instrumento de soberania.

    Ao celebrarmos a biofísica e o legado institucional que ela inspirou, reafirmamos a necessidade de fortalecer as bases que sustentam o conhecimento: universidades robustas, investimento público, estabilidade de longo prazo e políticas de Estado, e não de governo. Nenhum país se torna forte sem ciência forte. Nenhum país decide seu próprio destino sem domínio do conhecimento.

    Senhoras e senhores, que esta sessão especial seja mais do que uma cerimônia, que seja um compromisso renovado com a ciência brasileira, com os jovens que desejam transformar o mundo, com a soberania intelectual e sanitária do Brasil e com a certeza de que o verdadeiro desenvolvimento nasce da inteligência coletiva do nosso povo.

    E, para que esse legado não permaneça apenas na memória, mas que se transforme em política de Estado, apresentamos – e esta Casa discute – dois projetos de lei que consagram o papel da ciência na história da República: o PL 3.967, de 2024, que propõe inscrever Carlos Chagas no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, reconhecendo formalmente sua contribuição única para a medicina e para o Brasil, e o Projeto de Lei 138, de 2024, que institui o Dia Nacional do Biofísico, em 12 de setembro, data do nascimento de Carlos Chagas Filho, celebrando uma área que permanece essencial para a saúde, a inovação e o futuro do Brasil.

    São iniciativas que reafirmam a convicção de que a ciência brasileira merece reconhecimento, estabilidade e projeção. A Carlos Chagas e Carlos Chagas Filho, e a todos que abriram caminhos para a biofísica e para a ciência nacional, expressamos nossa profunda gratidão. Que o legado deles continue a inspirar políticas públicas, instituições, professores, estudantes e pesquisadores, e nos lembre de que a ciência é uma das formas mais nobres de servir o Brasil.

    Neste momento, eu peço a todos uma salva de palmas para a ciência brasileira.

    Muito obrigado. (Palmas.)

    Neste momento, iniciando a nossa sequência de oradores, eu concedo a palavra ao Sr. Kildare Rocha de Miranda, Diretor do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, por cinco minutos, para a sua fala.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 15/11/2025 - Página 7