Discurso durante a 175ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Críticas à decisão do STF que decretou a prisão preventiva do ex-Presidente Jair Bolsonaro, com defesa do Projeto de Lei nº 5064/2023, que concede anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.

Manifestação contrária à indicação do Sr. Jorge Messias à Suprema Corte.

Denúncia de supostas irregularidades na compra do Banco Master pelo BRB.

Crítica à gestão da saúde pública no Distrito Federal, apontando a falta de integração de sistemas, a carência de profissionais nas pontas e a lentidão no atendimento oncológico.

Defesa dos agentes comunitários de saúde e apelo à valorização dos serviços públicos no Distrito Federal.

Autor
Izalci Lucas (PL - Partido Liberal/DF)
Nome completo: Izalci Lucas Ferreira
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Atuação do Judiciário, Direito Penal e Penitenciário:
  • Críticas à decisão do STF que decretou a prisão preventiva do ex-Presidente Jair Bolsonaro, com defesa do Projeto de Lei nº 5064/2023, que concede anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.
Governo Federal, Poder Judiciário:
  • Manifestação contrária à indicação do Sr. Jorge Messias à Suprema Corte.
Fiscalização e Controle da Atividade Econômica, Sistema Financeiro Nacional:
  • Denúncia de supostas irregularidades na compra do Banco Master pelo BRB.
Saúde Pública:
  • Crítica à gestão da saúde pública no Distrito Federal, apontando a falta de integração de sistemas, a carência de profissionais nas pontas e a lentidão no atendimento oncológico.
Combate a Epidemias e Pandemias, Regimes Próprios de Previdência Social, Serviços Públicos:
  • Defesa dos agentes comunitários de saúde e apelo à valorização dos serviços públicos no Distrito Federal.
Publicação
Publicação no DSF de 26/11/2025 - Página 28
Assuntos
Outros > Atuação do Estado > Atuação do Judiciário
Jurídico > Direito Penal e Penitenciário
Outros > Atuação do Estado > Governo Federal
Organização do Estado > Poder Judiciário
Economia e Desenvolvimento > Fiscalização e Controle da Atividade Econômica
Economia e Desenvolvimento > Sistema Financeiro Nacional
Política Social > Saúde > Saúde Pública
Política Social > Saúde > Combate a Epidemias e Pandemias
Política Social > Previdência Social > Regimes Próprios de Previdência Social
Administração Pública > Serviços Públicos
Matérias referenciadas
Indexação
  • CRITICA, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), PRISÃO, EX-PRESIDENTE DA REPUBLICA, JAIR BOLSONARO, CONDENAÇÃO CRIMINAL, PERSEGUIÇÃO, NATUREZA POLITICA.
  • DEFESA, APROVAÇÃO, PROJETO DE LEI, CRIAÇÃO, LEI FEDERAL, CONCESSÃO, ANISTIA, ACUSADO, CONDENADO, CRIME, CODIGO PENAL, TENTATIVA, ABOLIÇÃO, ESTADO DEMOCRATICO, GOVERNO, MANIFESTAÇÃO, PRAÇA DOS TRES PODERES, DANOS, PATRIMONIO PUBLICO.
  • CRITICA, INDICAÇÃO, ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO, JORGE RODRIGO ARAUJO MESSIAS, CARGO, MINISTRO, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), DENUNCIA, OMISSÃO, FRAUDE, DESVIO, INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS), APOSENTADORIA, PENSÃO.
  • DENUNCIA, IRREGULARIDADE, BANCO DE BRASILIA (BRB), AQUISIÇÃO, BANCO PRIVADO.
  • CRITICA, SAUDE PUBLICA, DISTRITO FEDERAL (DF), DEMORA, ATENDIMENTO, TRATAMENTO MEDICO.
  • DENUNCIA, CRISE, EDUCAÇÃO, DISTRITO FEDERAL (DF), ALFABETIZAÇÃO.

    O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF. Para discursar.) – Sr. Presidente, Srs. Senadores, Sras. Senadoras, nossos queridos agentes comunitários de saúde que nos prestigiam aqui com as suas presenças... Daqui a pouquinho nós vamos votar essa matéria superimportante, porque a gente precisa realmente reconhecer o trabalho de vocês.

    Presidente, nos últimos dias o Brasil presenciou mais uma atitude arbitrária no Supremo Tribunal Federal. Não bastava o Presidente Bolsonaro estar em prisão domiciliar há mais de cem dias, sem acesso às redes sociais, sem poder dar entrevista, sem poder se comunicar com o Brasil. O Ministro Alexandre de Moraes não estava satisfeito: usou um vídeo do Senador Flávio Bolsonaro chamando a população para uma vigília, um ato religioso e também pacífico, como justificativa para uma prisão preventiva. O Ministro disse, em sua decisão, que a organização criminosa – sim, ele teve a coragem de falar isso – estava querendo reunir pessoas para uma possível obstrução ou ajuda na fuga do Presidente Bolsonaro.

    Olhem, pode até parecer que o Ministro estava preocupado com algo, mas a realidade é que ele emitiu o mandado de prisão no dia 22 – é muita coincidência. Não podemos normalizar o uso do Judiciário como uma ferramenta política, tudo isso para que o Presidente Bolsonaro não possa participar das eleições do ano que vem. Esse projeto de vingança e medo tem um único motivo: eles sabem que, se o Presidente Bolsonaro participar das eleições de 2026, ele vai ganhar essa eleição. Esse é o verdadeiro motivo.

    Agora chegou o momento para que o Congresso faça o seu trabalho e coloque a anistia em pauta. Agora é hora de votarmos a anistia ampla e irrestrita na Câmara e, chegando aqui, ao Senado, que a gente vote com urgência. Esta é uma pauta de extrema importância para o Brasil: principalmente manter o Estado democrático de direito, lembrando que a anistia é para tirar todas as decisões arbitrárias que foram tomadas pela narrativa que foi criada pelo possível golpe de Estado.

    Existem várias pessoas que estão presas de forma injusta, pessoas que ficaram longe da família e só estavam com a sua banquinha, tentando ganhar o seu dinheiro honesto. A anistia também vai devolver a possibilidade de o Presidente Bolsonaro, em 2026, ser candidato. E todos nós sabemos que, sem Bolsonaro nas eleições de 2026, aí é, sim, golpe.

    Um outro assunto muito importante, Presidente, é a indicação do Presidente Lula, a do Messias. Isso mesmo. O Presidente está achando que o Senado vai aprovar a indicação do nome dele para o Supremo Tribunal Federal. O Messias é o mesmo "Bessias", conhecido como mensageiro do PT, o mesmo Messias que não investigou as principais associações que roubaram bilhões dos aposentados, as mesmas instituições que têm como Vice-Presidente o irmão do Lula e, na outra, o irmão do Vice-Presidente da Câmara, Carlos Veras, do PT, que é exatamente a Contag e o Sindnapi, o mesmo Messias que se diz evangélico e a favor do aborto.

    Nós, aqui do Senado, vamos lutar para que o Messias não seja aprovado para ser Ministro do Supremo Tribunal Federal. Chega de Ministros que não são apartidários, que não usam a Justiça da forma como deveriam; chega de Ministros que se declaram amigos do PT. Chega! Vamos dar a resposta necessária para a população.

    E, por último, e não menos importante, é a operação do Banco Master pelo BRB. Eu estou andando aqui pelas ruas do DF e o que mais escutei, nesses últimos dias, foi sobre essa operação. A população do DF não aceita que alguém destrua algo que é patrimônio nosso. Roubaram bilhões, não se fala mais em milhões, agora só em bilhões.

    Assim que eu soube da operação, solicitei ao Banco Central e à Polícia Federal informações, principalmente porque lá atrás, em conjunto com a Senadora Damares, com a Senadora Leila, nós fomos ao Banco Central para saber se essa compra estava sendo feita de forma correta. Na época, nos apresentaram documentos e afirmaram que seria um bom negócio para o BRB, aqui no Distrito Federal. Agora que fizeram o acordo, foi bom negócio para quem? Com certeza não foi para a população. Com todos os acontecimentos, fica claro que eles fizeram um negócio totalmente irregular e pensando no que era bom para eles, não para a população. Nós vamos agir para que ninguém acabe com algo que é das pessoas que moram aqui no Distrito Federal. Podem contar comigo. Juntos vamos cobrar dos responsáveis por todo esse esquema. Essa é a minha primeira fala, Presidente.

    Aproveitando que ainda tenho alguns minutos e a presença dos agentes comunitários de saúde, eu quero aqui falar da importância da saúde, do Sistema Único de Saúde, e que 80% dos problemas na área de saúde se resolvem com a atenção primária. E vocês, agentes, têm um papel fundamental. É lamentável que no Brasil não se valorizem realmente os profissionais da saúde, não se valorizem os profissionais da educação e também da segurança. Então, é inadmissível o tratamento que se dá aos agentes. Aqui em Brasília, na maioria dos grupos de agentes está faltando agentes. Num grupo que era para ter seis só tem dois e ainda com a prancheta e o lápis na mão, no século XXI, na era tecnológica. Então, eu vejo os agentes caminhando aqui... Outro dia eu fui a Planaltina e vi a pessoa com uma prancheta, preenchendo o questionário. Aí vai para a gaveta, porque ninguém digita isso, até porque nos computadores da saúde não há integração nenhuma, não tem sistema nenhum, não há gestão nenhuma. E essa saúde do DF não funciona, as pessoas estão morrendo exatamente por falta de valorização dos profissionais.

    Nós temos aqui o maior número de médicos por habitante. Não é admitido a gente ter falta de médicos nos hospitais, nas UPAs, nas UBSs. É inadmissível não termos os técnicos de enfermagem, os agentes. Então, o que falta na saúde no Brasil, e em Brasília em especial, é gestão. É uma roubalheira constante.

    Eu fiz o relatório da CPI da covid aqui do DF: milhões e milhões foram roubados, um dinheiro da saúde que deveria estar investido realmente na infraestrutura, que não tem.

    Há milhões, que nós temos hoje, de emendas que não são executadas. A bancada colocou R$120 milhões para construir o hospital do câncer. Já tem seis, sete anos; prorrogamos, prorrogamos e não sai esse hospital.

    Aqui, Senador Cleitinho, como é que funciona a saúde do DF? Vou dar um exemplo na área de oncologia, do câncer. Eu tive um irmão que teve câncer em abril, morreu em novembro. É uma doença cruel.

    Aqui, a pessoa vai procurar um médico e mandam para o clínico geral. São seis meses, quando consegue uma consulta com o clínico geral. Aí, o clínico geral diz assim: “Olha, você vai ter que fazer um exame”, são mais seis meses para conseguir esse exame. Depois do exame, o médico diz assim: “Você vai ter que procurar agora um especialista, um oncologista”, mais seis meses. Depois, o oncologista vai dizer: “Olha, tem que fazer radioterapia e quimioterapia”. Aí, é um ano, dois anos. Nessa altura, já morreu, não tem mais remédio.

(Soa a campainha.)

    O SR. IZALCI LUCAS (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF) – Então, é inadmissível você ter recurso, colocar recurso na construção do hospital do câncer, que é uma demanda grande aqui no Distrito Federal, e não construir, não colocar estrutura realmente para atender essa população, que merece realmente e precisa do atendimento médico, da saúde.

    Não vou nem falar em educação, porque educação mata a geração toda, e é o que está acontecendo no Brasil e em Brasília. Os jovens hoje – dando um minutinho para concluir, Presidente –, os jovens hoje aqui saem do ensino médio: 70% sem saber matemática, 60% sem saber português. As crianças não são alfabetizadas na idade certa. Então, é um caos.

    Brasília era para ser um modelo para o Brasil. Nós temos recurso para isso, mas falta governo para realmente botar essas coisas para funcionar.

    Obrigado, Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 26/11/2025 - Página 28