Pronunciamento de Jayme Campos em 14/04/2026
Pela Liderança durante a 35ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Preocupação com o quadro de endividamento rural no país e de limitação no acesso ao crédito e ao seguro agrícola. Apelo à apreciação do Projeto de Lei nº 5122/2023, que prevê a renegociação das dívidas rurais e oferece instrumentos para reequilibrar a situação financeira dos produtores.
- Autor
- Jayme Campos (UNIÃO - União Brasil/MT)
- Nome completo: Jayme Veríssimo de Campos
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Pela Liderança
- Resumo por assunto
-
Agropecuária e Abastecimento { Agricultura , Pecuária , Aquicultura , Pesca },
Fundos Públicos,
Linha de Crédito:
- Preocupação com o quadro de endividamento rural no país e de limitação no acesso ao crédito e ao seguro agrícola. Apelo à apreciação do Projeto de Lei nº 5122/2023, que prevê a renegociação das dívidas rurais e oferece instrumentos para reequilibrar a situação financeira dos produtores.
- Publicação
- Publicação no DSF de 15/04/2026 - Página 45
- Assuntos
- Economia e Desenvolvimento > Agropecuária e Abastecimento { Agricultura , Pecuária , Aquicultura , Pesca }
- Economia e Desenvolvimento > Finanças Públicas > Fundos Públicos
- Economia e Desenvolvimento > Linha de Crédito
- Matérias referenciadas
- Indexação
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- PREOCUPAÇÃO, INSOLVENCIA, INADIMPLENCIA, RECUPERAÇÃO JUDICIAL, AGRONEGOCIO, PRODUTOR RURAL, PREJUIZO, SEGURANÇA ALIMENTAR, NECESSIDADE, ACESSO, CREDITO AGRICOLA.
- DEFESA, PROJETO DE LEI, CRIAÇÃO, LEI FEDERAL, AUTORIZAÇÃO, UTILIZAÇÃO, RECEITA CORRENTE, SUPERAVIT, FUNDO SOCIAL, FONTE, RECURSOS FINANCEIROS, LINHA DE CREDITO, FINANCIAMENTO, QUITAÇÃO, DEBITOS, ATIVIDADE RURAL, PREJUIZO, EVENTO, CLIMA.
O SR. JAYME CAMPOS (Bloco Parlamentar Democracia/UNIÃO - MT. Pela Liderança.) – Obrigado, Presidente.
Sr. Presidente, querido amigo Senador Davi Alcolumbre, Sras. e Srs. Senadores, confesso que não vão ser nem três minutos. No máximo, dois minutos e meio – não é, Senadora Damares? Tudo bem? Deus a abençoe, a paz do Senhor!
Sr. Presidente, ocupo esta tribuna para tratar de um tema que exige urgência, responsabilidade, ação concreta deste Parlamento: o grave quadro de endividamento rural e a crescente limitação ao crédito que ameaça a produção brasileira.
O setor agropecuário é a espinha dorsal da economia nacional, sustenta nossa balança comercial, gera milhões de empregos e garante segurança alimentar ao país e ao mundo. Estados como o meu, o meu querido Mato Grosso, são prova viva da força produtiva do campo brasileiro.
Mas, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Senadores, a realidade atual é muito preocupante. Hoje, o agro é proporcionalmente o setor com o maior número de companhias em processo de recuperação judicial do país. De acordo com os dados do Monitor RGF, entre 2024 e 2025, houve um aumento de 70% das empresas do agro em recuperação judicial. Estamos diante de um cenário marcado por juros elevados, variação cambial, oscilações nos preços das commodities e, para piorar, a guerra no Irã, que pressiona o preço dos combustíveis, com o frete e fertilizantes muito mais caros. Além disso, temos a insuficiência no seguro agrícola, a restrição ao crédito rural, que impõe ao produtor um ambiente de riscos iminentes, porque vê o custo do dinheiro subir de forma expressiva.
Sras. e Srs. Senadores, é preciso dizer com precisão: o produtor rural não quer subsídio eterno. Ele quer condições mínimas de previsibilidade, quer instrumentos adequados de seguro rural, quer acesso ao crédito com taxas compatíveis com a realidade do setor, quer políticas públicas que reconheçam que produzir alimento não é apenas uma atividade econômica, é uma atividade estratégica.
Não é mais possível que o produtor rural sofra sozinho com a ausência de mecanismos eficientes de proteção. Cada safra comprometida representa – é bom que se esclareça – impacto na renda, no emprego e no desenvolvimento regional. Cada empresa rural que entra em recuperação judicial representa postos de trabalhos ameaçados e municípios inteiros afetados. Estamos falando de dificuldades diárias que atrasam o desenvolvimento do Brasil.
O conflito no Oriente Médio é um fator que vai onerar ainda mais os nossos produtores. Por isso, Sr. Presidente, esta Casa precisa agir rapidamente. Quero aqui cobrar, com urgência, a apreciação do PL 5.122, de 2023, de autoria do Deputado Domingos Neto, que prevê a renegociação das dívidas rurais e oferece instrumentos para reequilibrar a situação financeira dos nossos produtores.
O projeto encontra-se em tramitação na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e precisa ser pautado com muita urgência. Não podemos permitir que uma matéria dessa relevância permaneça parada, ou seja, paralisada, enquanto o setor produtivo enfrenta dificuldades crescentes.
Renegociar dívidas não é premiar inadimplência, é preservar a capacidade produtiva do país, é evitar uma crise econômica ou sistêmica no setor que mais contribui para a estabilidade econômica nacional.
O agro precisa ser protegido, precisa ser valorizado, precisa ser tratado como um setor estratégico do nosso país. Se queremos crescimento sustentável, estabilidade macroeconômica e a geração de emprego, precisamos assegurar que o produtor tenha condições reais de continuar produzindo.
Esta é uma pauta suprapartidária, é uma pauta do Brasil, é uma pauta do desenvolvimento. Que possamos, com muita responsabilidade fiscal e sensibilidade econômica, construir soluções concretas e imediatas.
O campo brasileiro não pode mais esperar, até porque as consequências serão muito graves. O que se desenha, lamentavelmente, para este ano 2026, talvez 2027, é a crise do campo, na medida em que falta ainda uma visão moderna, sobretudo de homens públicos que sejam estadistas, pensando no bem comum de que hoje o campo indiscutivelmente é o maior gerador de empregos, contribui sobremaneira com a nossa balança comercial e, lamentavelmente, dá margem de políticas públicas que possam não beneficiar esse segmento, mas, sobretudo, dar o devido valor que merece.
Por isso, Sr. Presidente, eu quero aqui, uma vez mais, reafirmar o meu compromisso com esta pauta. Particularmente, eu que venho do meu querido Mato Grosso, que hoje é o maior produtor de soja do país, que tem o maior rebanho bovino, que é o maior produtor de algodão, que é o maior produtor de milho e outras atividades da cadeia produtiva, e, infelizmente, está sendo muito penalizado, até porque nós temos algumas dificuldades, tendo em vista a questão da logística, sobretudo de áreas distantes dos grandes postos e, sobretudo, grandes centros consumidores. Nós temos muita dificuldade e, mesmo assim, nós estamos produzindo de forma sustentável, sobretudo, com muita eficiência, permitindo ainda que nós sejamos competitivos não só no mercado nacional, mas, sobretudo, no mercado internacional.
Portanto, eu faço esse alerta aqui. Peço, com muita vênia e respeito, ao Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, meu caro e estimado amigo particular, Senador Renan Calheiros, que coloquemos esse projeto com muita urgência para que seja votado. Assim, nós damos a garantia e a certeza de que nós teremos dias felizes, sobretudo no estado que tem dado muita alegria a todo o povo brasileiro, mas, sobretudo, contribuindo com este país de dimensão continental. Precisamos realmente ter políticas públicas decentes e respeitáveis com nossa população, particularmente com o nosso povo brasileiro que produz, que é o nosso agronegócio.
Muito obrigado, Sr. Presidente.