Discurso durante a 55ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal

Manifestação, na esteira da Semana Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, sobre a importância da salvaguarda infantojuvenil.

Defesa do Projeto de Lei nº 1010/2025, de autoria de S. Exa., que estabelece normas gerais de caráter nacional para educação midiática e digital no enfrentamento às redes de desinformação, produção e disseminação de conteúdos falsos e aos discursos de ódio. Defesa da atuação de escolas, famílias e responsáveis na identificação de sinais de violência e uso inadequado da internet.

Autor
Teresa Leitão (PT - Partido dos Trabalhadores/PE)
Nome completo: Maria Teresa Leitão de Melo
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Crianças e Adolescentes:
  • Manifestação, na esteira da Semana Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, sobre a importância da salvaguarda infantojuvenil.
Ciência, Tecnologia e Informática, Educação Básica:
  • Defesa do Projeto de Lei nº 1010/2025, de autoria de S. Exa., que estabelece normas gerais de caráter nacional para educação midiática e digital no enfrentamento às redes de desinformação, produção e disseminação de conteúdos falsos e aos discursos de ódio. Defesa da atuação de escolas, famílias e responsáveis na identificação de sinais de violência e uso inadequado da internet.
Publicação
Publicação no DSF de 19/05/2026 - Página 37
Assuntos
Política Social > Proteção Social > Crianças e Adolescentes
Economia e Desenvolvimento > Ciência, Tecnologia e Informática
Política Social > Educação > Educação Básica
Matérias referenciadas
Indexação
  • COMENTARIO, CONSCIENTIZAÇÃO, COMBATE, ABUSO SEXUAL, EXPLORAÇÃO SEXUAL, CRIANÇA, ADOLESCENTE, ARGUMENTO, COMPROMISSO, SOCIEDADE, ESTADO, POLITICAS PUBLICAS, PREOCUPAÇÃO, TECNOLOGIA, DEFESA, CONTROLE, SEGURANÇA DIGITAL, RESPONSABILIDADE, PLATAFORMA, MIDIA SOCIAL.
  • DISCURSO, PROJETO DE LEI, ALTERAÇÃO, LEI FEDERAL, LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL, EDUCAÇÃO, COMUNICAÇÃO SOCIAL, TECNOLOGIA DIGITAL, ATIVIDADE, OBRIGATORIEDADE, ESTABELECIMENTO DE ENSINO, ENSINO FUNDAMENTAL, ENSINO MEDIO, ENSINO PUBLICO, INICIATIVA PRIVADA, CRIAÇÃO, NORMAS GERAIS, AMBITO NACIONAL, COMBATE, INFORMAÇÕES, NOTICIA FALSA, DISCURSO DE ODIO, FUNDAMENTAÇÃO, OBJETIVO, PROTEÇÃO, DIREITOS, DADOS PESSOAIS, AUSENCIA, DISCRIMINAÇÃO, LIBERDADE DE PENSAMENTO, PLURALIDADE, DIVERSIDADE, OPINIÃO, CONSCIENTIZAÇÃO, QUALIFICAÇÃO, CORRELAÇÃO, Política Nacional de Educação Digital (PNED).

    A SRA. TERESA LEITÃO (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - PE. Para discursar.) – Obrigada, Sr. Presidente.

    Cumprimento V. Exa., os demais Senadores e Senadoras, como também todos aqueles que acompanham esta sessão pelos canais de comunicação da Rede Senado.

    O dia de hoje é um dia muito marcante para nós, cidadãos, cidadãs, educadores, educadoras, porque ele se insere na Semana Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, cuja culminância, o dia matriz, o foco, é o dia 18 de maio. Então, não quero deixar de falar neste tema, que é um tema que exige de todos nós sensibilidade, muita responsabilidade, vigilância e compromisso permanentes.

    O tema do abuso e da exploração sexual de crianças e adolescentes, nesta semana que tem como ápice o dia 18 de maio, um marco da luta em defesa da infância e da adolescência no Brasil, precisa, infelizmente, ser lembrado todos os anos. Mais do que uma data de conscientização, trata-se de um chamado nacional para que o poder público e a sociedade brasileira enfrentem com firmeza e decisão política uma das mais graves violações de direitos humanos existentes.

    É impossível discutir este tema sem abordar um fenômeno cada vez mais preocupante: a vigilância, a violência e a exploração sexual de crianças e adolescentes no ambiente digital. Sabemos que as transformações tecnológicas ampliaram oportunidades de comunicação e acesso à informação, mas também abriram espaços para novas formas de violência. Em apenas um ano, no Brasil, uma a cada cinco crianças e adolescentes entre 12 e 17 anos, 19%, foi vítima de exploração e/ou ao abuso sexual facilitados pela tecnologia. Isso representa, Senador, cerca de 3 milhões de meninas e meninos vítimas de violência sexual online.

    Criminosos utilizam redes sociais, plataformas digitais, aplicativos de mensagens e jogos online para aliciar crianças e adolescentes, praticar extorsão, compartilhar conteúdos criminosos e promover exploração sexual. A internet passou a ser um dos principais ambientes de atuação de redes criminosas que lucram com a vulnerabilidade infantil. Violências são facilitadas por ferramentas digitais, como redes sociais, jogos online, plataformas de mensagens e muitas outras.

    Precisamos compreender que a violência digital produz consequências reais e devastadoras. Crianças e adolescentes submetidos a esse tipo de crime sofrem danos psicológicos profundos, desenvolvem medo, ansiedade, depressão e, em muitos casos, carregam traumas permanentes. Por isso, torna-se urgente fortalecer mecanismos de prevenção e proteção, notadamente no ambiente virtual.

    É necessário ampliar políticas de educação digital nas escolas, e faço referência ao meu PL 1.010, de 2025 – ainda aguardando distribuição –, e à Lei Maria da Penha digital, que sinalizam para os riscos presentes nas redes sociais e sobre a necessidade de maior conscientização e maior segurança no que toca estes ambientes.

    Pais, mães e responsáveis precisam ser auxiliados para estarem mais atentos aos sinais de isolamento, alienação, mudanças bruscas de comportamento, interação com grupos, fóruns e plataformas; com o uso excessivo e silencioso da internet; com os contatos suspeitos e a exposição inadequada nas plataformas digitais.

    As plataformas precisam, também, cooperar com as autoridades, observar as leis, aprimorar seus mecanismos de identificação de abusos, remover conteúdos ilegais com rapidez e investir efetivamente em proteção de usuários menores de idade, enfrentando as subculturas, as violências e a incitação à violência, sobretudo na deep e na dark web.

    Também é fundamental fortalecer as estruturas de investigação cibernética das forças de segurança pública, ampliar a cooperação internacional e atualizar permanentemente a legislação para acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas e as próprias ações desses criminosos abjetos, que atuam física ou virtualmente.

    Precisamos fortalecer uma cultura permanente de proteção, prevenção, denúncia e responsabilização. O enfrentamento dessa trágica realidade exige articulação do Estado brasileiro, uma ação articulada. Nos primeiros quatro meses de 2026, apenas o Disque 100 registrou mais de 32 mil denúncias de violações sexuais contra crianças e adolescentes, um aumento de quase 50% em relação ao mesmo período do ano anterior. Por isso, é importante reconhecer que o Governo do Presidente Lula recolocou a proteção dos direitos humanos e das políticas sociais como prioridade da agenda nacional.

    Nesse contexto, merece destaque a atuação da Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, que vem promovendo importantes iniciativas de prevenção e enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. Destacam-se as campanhas nacionais de conscientização, a articulação com estados e municípios, o fortalecimento das redes de proteção, o apoio aos conselhos tutelares e de direitos, a capacitação de profissionais da educação, saúde, assistência social e segurança pública, além do estímulo à denúncia e ao acolhimento humanizado das vítimas.

    O Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), também desenvolve ações estratégicas voltadas à prevenção e ao enfrentamento do abuso e da exploração no âmbito das políticas de educação e direitos humanos. Afinal, a escola deve ser espaço de proteção integral, promoção dos direitos humanos e fortalecimento da rede de garantia de direitos.

    Destaca-se a publicação do caderno temático "O papel da escola no enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes", disponibilizado eletronicamente na plataforma MEC RED, com orientações pedagógicas destinadas a subsidiar profissionais de educação na identificação, prevenção e encaminhamento de situações de violência sexual.

    Com as instituições federais da educação superior, tem sido promovida a oferta de cursos de formação continuada destinados a profissionais da educação básica. Somam-se a essas iniciativas os episódios do programa Escola na Real!, produzido pela UFG, com apoio da Secadi, que discutem situações concretas de prevenção à violência sexual contra crianças e adolescentes vivenciadas nas escolas.

    O combate ao abuso e à exploração sexual infantil não é responsabilidade apenas do Estado, é dever coletivo de toda a sociedade brasileira. Escolas, igrejas, famílias, meios de comunicação, organizações sociais e instituições públicas precisam atuar conjuntamente na construção de uma cultura de proteção à infância.

    Precisamos romper o silêncio que ainda cerca esse tema. Por isso, tenho que chamar a atenção sobre outro elemento: no Brasil, 34 mil crianças de 10 a 14 anos vivem em situação de violência sexual, a chamada união conjugal, e cerca de 11 mil meninas engravidam e dão à luz no período de um ano. É como diz a nossa campanha: criança não é mãe.

    Por isso, também precisa ser garantido o atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, com garantia de seus direitos pelo Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente. Nós acabamos com a relativização do estupro de crianças e demais vulneráveis, e pronto. É isso que tem que ser feito, não há nada a ser questionado. Não podemos colaborar para revitimizar ou admitir violência institucional contra uma criança que foi estuprada, que foi violentada.

    Vendo todas essas nuances, é importante reafirmar: muitas vítimas e famílias permanecem caladas por medo, por vergonha ou dependência emocional dos agressores. Muitas vezes, a violência acontece dentro de casa ou é praticada por pessoas próximas da convivência familiar. Por isso, Sr. Presidente, acolher, ouvir e acreditar na palavra da criança e da adolescente violentada é essencial. Denúncias podem salvar vidas; ações preventivas podem impedir tragédias; políticas públicas fortalecidas representam esperança para milhares de crianças e adolescentes.

    Senhoras e senhores – já me encaminhando para o final –, proteger nossas crianças e adolescentes é um compromisso com o presente e com o futuro do Brasil, já que nenhuma sociedade pode se considerar verdadeiramente democrática e civilizada enquanto permitir que meninas e meninos sejam vítimas de violência, exploração e abuso.

    Que esta Semana Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes fortaleça nosso compromisso com a dignidade humana, com a proteção integral da infância e com a construção de um país mais justo, seguro e humano para nossas crianças.

    Muito obrigada, Sr. Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 19/05/2026 - Página 37