Pronunciamento de Nelsinho Trad em 08/06/2026
Discurso proferido da Presidência durante a 74ª Sessão Especial, no Senado Federal
Encerramento de Sessão Especial destinada a celebrar o Dia Mundial dos Oceanos. Registro de que se a economia oceânica (conjunto de atividades que dependem diretamente dos mares) fosse um país, ela ocuparia o posto de quinta maior potência econômica global. Alerta de que essa relevância econômica não encontra correspondência nas políticas de preservação, resultando em um quadro de asfixia ecológica provocado pelo descarte inadequado de resíduos sólidos.
- Autor
- Nelsinho Trad (PSD - Partido Social Democrático/MS)
- Nome completo: Nelson Trad Filho
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso proferido da Presidência
- Resumo por assunto
-
Data Comemorativa,
Desenvolvimento Sustentável,
Economia e Desenvolvimento,
Meio Ambiente,
Poluição:
- Encerramento de Sessão Especial destinada a celebrar o Dia Mundial dos Oceanos. Registro de que se a economia oceânica (conjunto de atividades que dependem diretamente dos mares) fosse um país, ela ocuparia o posto de quinta maior potência econômica global. Alerta de que essa relevância econômica não encontra correspondência nas políticas de preservação, resultando em um quadro de asfixia ecológica provocado pelo descarte inadequado de resíduos sólidos.
- Publicação
- Publicação no DSF de 09/06/2026 - Página 43
- Assuntos
- Honorífico > Data Comemorativa
- Meio Ambiente > Desenvolvimento Sustentável
- Economia e Desenvolvimento
- Meio Ambiente
- Meio Ambiente > Poluição
- Matérias referenciadas
- Indexação
-
- ENCERRAMENTO, SESSÃO ESPECIAL, CELEBRAÇÃO, DIA INTERNACIONAL, OCEANO, MES, JUNHO, DESTAQUE, POLUIÇÃO, MATERIAL PLASTICO, IMPORTANCIA, MAR, ECONOMIA, NECESSIDADE, PRESERVAÇÃO, DESENVOLVIMENTO SUSTENTAVEL, SUSTENTABILIDADE, QUANTIDADE.
O SR. PRESIDENTE (Nelsinho Trad. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - MS. Para discursar - Presidente.) – Foi muito bom ter ouvido o Sr. Carlos Alberto Pinto dos Santos, Pescador Artesanal, e com ele ter aprendido.
O oceano cobre mais de 70% da superfície do planeta. Ele é a fonte principal de proteína para mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo, produz pelo menos metade do oxigênio que respiramos e abriga a maior parte da biodiversidade da Terra. É essa verdadeira fonte de vida que celebramos hoje, nesta sessão especial em homenagem ao Dia Mundial dos Oceanos.
A data foi oficialmente instituída pelas Nações Unidas em 2008, mas surgiu durante a Eco 92, no Rio de Janeiro. Desde então, tornou-se um importante momento de reflexão sobre o papel dos oceanos no equilíbrio do planeta. É uma oportunidade importante para considerarmos que o progresso econômico não pode existir sem o equilíbrio ambiental. Se fosse um país, a economia oceânica seria a quinta maior do mundo.
Chamamos de economia oceânica o conjunto de atividades que dependem diretamente dos mares, seja pelo uso de seus recursos, seja pela sua proximidade.
Os números impressionam. Em apenas 25 anos, entre 1995 e 2020, essas atividades dobraram de valor, passando de US$1,3 trilhão para US$2,6 trilhões. Mais de 100 milhões de empregos dependem diretamente dos oceanos. Cerca de 80% do comércio internacional são transportados por via marítima. E aproximadamente 3 bilhões de pessoas dependem dos oceanos para alimentação. Esses dados, levantados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), demonstram a dimensão estratégica dos oceanos para a economia global.
Essa relevância, contudo, não se traduz em cuidado. Todos os anos, cerca de 25 milhões de toneladas de lixo são despejados nos mares. Desse total, 14 milhões de toneladas são plásticos, e aproximadamente 80% desse volume têm origem em atividades realizadas em terra firme, resultado direto, infelizmente, da ação humana. Esse cenário é preocupante e tende a se agravar. Desde a década de 80, a quantidade de lixo nos oceanos aumentou mais de dez vezes. Estimativas indicam que, sem mudanças significativas, o volume de plástico despejado nos oceanos pode crescer mais de duas vezes e meia até 2040.
Senhoras e senhores, a inação diante desse cenário nos aproxima de consequências graves. O aumento da poluição compromete a biodiversidade marinha, contamina cadeias alimentares e afeta diretamente setores econômicos estratégicos, como a pesca, o turismo e o transporte marítimo; além disso, agrava os efeitos das mudanças climáticas, compromete a subsistência de milhões de famílias e impõe custos crescentes à economia global. Não podemos ignorar esses riscos.
Que o Dia Mundial dos Oceanos seja mais do que uma data simbólica, que seja um convite à ação, à responsabilidade e ao compromisso com o futuro.
Para terminar, eu gostaria de fazer um relato e agradecer aqui sempre o estímulo dado pela Lara, que está lá no fundo. Ela pega no meu pé... (Palmas.)
... ela vai atrás de mim, ela me estimula a defender essa causa.
Eu venho de um estado, o Mato Grosso do Sul, que não tem mar, que tem o Pantanal. Uma vez, eu era Prefeito de Campo Grande, e a gente foi atrás de um empréstimo internacional. A minha equipe que organizava o empréstimo falou para mim assim: "Não vai dar certo. Nós só temos 1% de chance de conseguir, porque lá é muito criterioso. Eles analisam o perfil da obra que você quer fazer com o perfil econômico. Nós já cruzamos de tudo que é lado, não vai conseguir". Eu falei: "1% para mim é 100%, eu vou correr atrás. Se eu conseguir, eu posso pedir o projeto que eu quiser?". A equipe toda – com o arquiteto, com o engenheiro – falou: "Pode". Pois corri atrás, e conseguimos o empréstimo. Aí eu os reuni e falei: "Vocês lembram, um ano atrás, quando vocês falaram que, se eu conseguisse o empréstimo, vocês iam desenvolver o projeto que eu quisesse?". Eles falaram: "Lembramos". E eu: "Pois tratem de trazer o mar para Campo Grande". (Risos.)
Muito obrigado.
E boa tarde. (Palmas.)
Cumprida a finalidade desta sessão do Senado Federal, agradeço às personalidades que nos honraram com a sua participação e declaro encerrada a presente sessão.
Viva os oceanos!