Pronunciamento de Rogério Carvalho em 15/07/2026
Discussão durante a 107ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Discussão sobre o Projeto de Lei Complementar (PLP) n° 18, de 2021, que "Altera a Lei Complementar nº 141, de 13 de janeiro de 2012, para permitir que o serviço de atendimento pré-hospitalar dos corpos de bombeiros militares dos Estados e do Distrito Federal perceba emendas parlamentares destinadas às ações e serviços públicos de saúde." Distinção entre a atuação do Corpo de Bombeiros (voltada ao resgate e suporte inicial em situações de trauma físico) e o escopo multiprofissional e abrangente do SAMU, que cobre urgências clínicas, psiquiátricas, pediátricas, infartos e AVCs.
- Autor
- Rogério Carvalho (PT - Partido dos Trabalhadores/SE)
- Nome completo: Rogério Carvalho Santos
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discussão
- Resumo por assunto
-
Orçamento Público,
Saúde Pública:
- Discussão sobre o Projeto de Lei Complementar (PLP) n° 18, de 2021, que "Altera a Lei Complementar nº 141, de 13 de janeiro de 2012, para permitir que o serviço de atendimento pré-hospitalar dos corpos de bombeiros militares dos Estados e do Distrito Federal perceba emendas parlamentares destinadas às ações e serviços públicos de saúde." Distinção entre a atuação do Corpo de Bombeiros (voltada ao resgate e suporte inicial em situações de trauma físico) e o escopo multiprofissional e abrangente do SAMU, que cobre urgências clínicas, psiquiátricas, pediátricas, infartos e AVCs.
- Publicação
- Publicação no DSF de 16/07/2026 - Página 57
- Assuntos
- Orçamento Público
- Política Social > Saúde > Saúde Pública
- Matérias referenciadas
- Indexação
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- DISCUSSÃO, PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR (PLP), ALTERAÇÃO, LEI COMPLEMENTAR, REQUISITOS, POSSIBILIDADE, CORPO DE BOMBEIROS, BOMBEIRO MILITAR, ESTADOS, DISTRITO FEDERAL (DF), RECEBIMENTO, EMENDA PARLAMENTAR, DESTINAÇÃO, RECURSOS FINANCEIROS, SERVIÇO DE SAUDE, CUSTEIO, ATENDIMENTO, VITIMA, NECESSIDADE, ENCAMINHAMENTO, HOSPITAL, CRITERIOS, PROIBIÇÃO, PAGAMENTO, SALARIO, REMUNERAÇÃO, PESSOAL.
- DISCRIMINAÇÃO, ATUAÇÃO, COMPETENCIA, CRIAÇÃO, CORPO DE BOMBEIROS, RESGATE, SALVAMENTO, SERVIÇO DE ATENDIMENTO MOVEL DE URGENCIA (SAMU), GRUPO, URGENCIA, SAUDE PUBLICA, SEGURANÇA PUBLICA.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - SE. Para discutir.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Senadores e Senadoras, o Samu foi implantado no Brasil ainda na década de 80, pelos Anjos do Asfalto, que cuidavam das vítimas de acidente na Régis Bittencourt. E não eram bombeiros, eram médicos voluntários que prestavam esse serviço. A cidade de Campinas, no final da década de 80, trouxe o modelo francês de ambulância equipada com respirador, com suporte avançado de vida, mas introduziu o médico e levou o Samu para além do trauma.
Então, aqui tem algumas confusões. O corpo de bombeiros atende pessoas quando ocorre um acidente, faz a liberação de pessoas; até pode fazer o primeiro socorro, até chegar a equipe médica, quando se trata de trauma. Agora, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência atende a pediatria, atende a clínica médica, atende a psiquiatria, atende aqueles que têm infarto, atende aqueles que têm AVC, atende a toda a população brasileira.
E eu quero dizer, Senador Nelsinho Trad, que eu fui secretário na segunda cidade do Brasil, junto com Recife, a implantar o Samu; eu fui secretário de estado e implantei o primeiro Samu estadual, em Sergipe, com cobertura total do território. Eu quero dizer que a mortalidade no meu estado caiu 10% nas primeiras 48 horas do incidente, e na urgência, ou seja, as pessoas que chegavam mal-atendidas, mal-conduzidas, morriam antes de terem o primeiro atendimento. Então, foram criadas no Brasil uma rede de atendimento pré-hospitalar móvel e uma rede pré-hospitalar fixa. É uma política, e nós estamos dando o primeiro passo.
Aliás, nos últimos quatro anos que antecederam o Presidente Lula, nos últimos três anos de Temer, só se fez, neste país, destruir políticas públicas efetivas. É uma insanidade o que nós estamos propondo aqui hoje: destruir uma das políticas públicas mais eficazes da história da saúde pública brasileira.
Eu não consigo compreender como a gente tem talento para desmontar o que funciona. Desmontar sabe para quê? Para fazer uma disputa político-ideológica em véspera de eleição. É baixo, é equivocado, é pobre esse debate. É de indignar, porque eu, com os meus mais de 30 anos de saúde pública e de medicina – fui secretário municipal, secretário estadual, presidente de sindicato, tudo nessa vida na área da saúde eu já fiz, fui professor universitário –, não posso vir aqui e achar que isso é normal; não, é iniciar um processo de desmonte da saúde pública brasileira por aquela que é uma das políticas mais vigorosas da saúde pública brasileira.
Olhe, o Samu... O atendimento pré-hospitalar móvel e fixo que nós introduzimos no Brasil, com os pronto-atendimentos e o Samu, junto com a política de imunização, junto com a política de aleitamento materno, antitabagismo, agora com todas as políticas, com o Programa Saúde da Família, agora o Mais Especialistas e o Mais Médicos... Esses programas mudaram a cara da saúde pública brasileira.
E mais: foi o financiamento. E aqui eu quero fazer justiça à luta, primeiro, do Jatene, para colocar dinheiro na saúde e garantir que o dinheiro ficaria lá; depois, do José Serra; depois, do Jatene de novo; depois, do Eduardo Jorge e de todos nós que lutamos na saúde pública para ter financiamento definido. Sabe por quê? Porque o financiamento da saúde ia para o saneamento, o financiamento da saúde ia para pagar a comida de preso, porque diziam que era saúde pública.
Agora, a gente começa a voltar ao passado e dizer que atendimento do corpo de bombeiros é atendimento de saúde. Não é, não se caracteriza. Faz atendimento a vítimas, mas não é atendimento de saúde. E os governos do estado, por uma opção ideológica, querem militarizar tudo. Não é militarizando que a gente vai mudar e que vai melhorar a saúde pública.
Por isso é que a emenda da Senadora Teresa Leitão, da nossa Líder, coloca as coisas no devido lugar: vamos ajudar o corpo de bombeiros, mas não pode ser pelo caminho da saúde. É um equívoco! É destruir aquilo que o povo brasileiro mais ama! O povo brasileiro passou a ter um aliado na rua, o Samu. É destrutivo! É um retrocesso! É pobre! Isso não faz o Brasil melhorar, isso não vai fazer o Brasil ter mais saúde. É um engano, é mais uma proposta para enganar a população e o povo brasileiro. É um engano; é desmonte de política pública; é desmonte da saúde pública; é recolocar o que nós tiramos, ao longo de 38 anos, do que é gasto com saúde de volta.
Sabe por quê? Porque esse é o dinheiro que faz distribuição de riqueza; porque esse é o dinheiro que vai para atender, para fazer cirurgia; é o dinheiro que vai para o tratamento de câncer. Nós estamos aprovando aqui o tratamento de câncer com anticorpos. Caro, o SUS vai ter que dar. Está certo, nós aprovamos aqui. Nós aprovamos aqui uma lei que garante o mapeamento genético para avaliar o risco de câncer de mama. Nós aprovamos aqui uma série de políticas que garantem assistência melhor à população. Essas fazem sentido, e isso tem um custo.
Agora, retirar dinheiro da saúde para fazer uma disputa ideológica pura e simples é inaceitável, é voltar ao passado. E eu não me disponho, eu não me disponho a baixar a cabeça para essa situação – nem em ano eleitoral! –, porque eu estou negando toda a minha história de vida. E eu não vou abrir mão da minha história de vida e da história de vida de milhares de trabalhadores da saúde pública brasileira que dedicaram a sua vida para que a gente estivesse no patamar em que a gente está hoje.
Portanto, Presidente, eu quero dizer que, se nós não tivermos um acordo para votar a emenda da Senadora Teresa Leitão, eu vou votar contra tirar dinheiro da saúde pública brasileira da sua finalidade, porque isso é desvio de recurso da saúde para outra finalidade.
Muito obrigado, Presidente.