Pronunciamento de Flávio Arns em 02/09/2026
Discurso durante a 120ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
- Autor
- Flávio Arns (PSB - Partido Socialista Brasileiro/PR)
- Nome completo: Flávio José Arns
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Aparteantes
- Fernando Dueire, Jorge Kajuru.
- Matérias referenciadas
O SR. FLÁVIO ARNS (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - PR. Para discursar.) – Sr. Presidente, em primeiro lugar, quero também saudá-lo, como já fiz por inúmeras vezes nesses anos em que convivemos aqui no Senado Federal, como um dos Senadores sem dúvida com o maior destaque aqui no Senado Federal, em todas as áreas, respeitado, educado, com experiência, do diálogo, do entendimento, da escuta.
Parabéns!
Faço isso, já fiz, como estou repetindo agora, por inúmeras vezes nas Comissões, no Plenário, mas esta, mais uma vez no Plenário. Parabéns pelo trabalho! Parabéns para o povo de Rondônia! Parabéns para o povo do Brasil que o elegeu aqui para o Congresso Nacional!
Eu quero procurar abordar duas situações. Uma delas é um voto de aplauso para o centenário da Arquidiocese de Curitiba, e peço que esse requerimento de voto de aplauso seja encaminhado posteriormente para a arquidiocese.
Ao longo de 100 anos, a arquidiocese consolidou sua presença pastoral, ampliou estruturas, organizou serviços e fortaleceu a ação evangelizadora em comunhão com a Igreja do Brasil.
Portanto, nesse sentido, Sr. Presidente, requeiro que seja enviada a cópia do presente voto. Os dados estão em anexo.
A Arquidiocese de Curitiba conta com clero formado por cerca de 460 padres, entre diocesanos e religiosos, que atuam em 146 paróquias e diversas frentes pastorais.
A missão de evangelização é conduzida pelo Arcebispo Metropolitano, grande amigo, Dom José Antônio Peruzzo, com apoio dos Bispos Auxiliares, também extraordinárias lideranças, Dom Reginei José Modolo e Dom Adenis Roberto de Oliveira, além da presença fraterna do Arcebispo Emérito Dom Pedro Fedalto, a quem no outro dia também nos dirigimos pelo centenário de nascimento.
Então, a arquidiocese tem 100 anos, e Dom Pedro Fedalto continua inspirando as pessoas em Curitiba.
A celebração do centenário é uma oportunidade de reconhecermos a caminhada de gerações de fiéis, clérigos, leigos que fazem parte dessa história e que contribuem para que a Arquidiocese de Curitiba seja referência no trabalho pastoral que tanto impacta a vida na comunidade.
Parabéns para todos que fazem parte dessa trajetória de serviço voltado ao bem comum! Que a Padroeira de Curitiba, Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, cujo dia é 8 de setembro – próxima terça-feira –, siga iluminando o caminho de todos nós!
Aliás, falando do bem comum, o Papa Francisco costumava dizer que a política é o melhor e maior instrumento para a construção do bem comum. Então, isso é muito interessante, e isso independe de ser católico, evangélico, protestante, adventista ou ateu. O bem comum é um desafio para toda a sociedade.
O segundo aspecto, Sr. Presidente, é algo que aflige boa parte da população do Brasil, que é a esclerose múltipla. O dia 30 de agosto, celebrado nesse último domingo, foi o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla. O dia foi instituído pela Lei nº 11.303, de 2006. Mais do que uma data no calendário, esse dia representa um chamado à informação, à solidariedade e, sobretudo, à garantia de direitos, que é o bem comum.
A esclerose múltipla é uma doença neurológica, crônica e autoimune que atinge principalmente adultos jovens – V. Exa. é médico também, não é? –, e, muitas vezes, no início ou no auge da vida profissional, quando estão construindo uma família, estudando e planejando o futuro. Seu impacto – da esclerose múltipla – não se limita à saúde. A doença pode afetar a autonomia, a renda, as relações familiares e a permanência no mercado de trabalho. Além disso, muitos de seus sintomas são invisíveis, como a fadiga intensa, a dor e as alterações cognitivas, o que ainda gera incompreensão, preconceito e desinformação. Conscientizar a sociedade em função do dia nacional, que se estende pelo ano todo, é tornar visível essa realidade; é contribuir para o diagnóstico oportuno e para o acesso ao tratamento, à reabilitação e ao acompanhamento integral.
Nesse contexto, quero reconhecer o trabalho da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem), que, há 42 anos, atua no acolhimento, na reabilitação e na defesa dos direitos das pessoas com esclerose múltipla, contribuindo também para aproximar os pacientes das políticas públicas. O trabalho da associação brasileira demonstra que cuidar vai além do tratamento: significa garantir informação, inclusão, proteção social, autonomia e dignidade.
Por essa razão, o Senado Federal precisa estar cada vez mais atento a essa pauta. Precisamos ouvir as pessoas que vivem com esclerose múltipla – ou com qualquer doença –, suas famílias, os profissionais de saúde e as organizações da sociedade civil. Também precisamos acompanhar a efetividade das políticas públicas e avançar na legislação relacionada à saúde, ao trabalho, à acessibilidade e à proteção social.
Tive a honra de relatar favoravelmente o Projeto de Lei nº 2.360, de 2024, de autoria do nosso colega, Senador Fernando Dueire, que prevê a possibilidade de saque do FGTS quando o trabalhador ou seu dependente for acometido por esclerose múltipla ou esclerose lateral amiotrófica (ELA), que é uma doença rara também. Essa proposta reconhece que o diagnóstico de uma doença crônica produz impactos que ultrapassam a dimensão clínica e atingem toda a organização familiar e financeira.
Que o dia 30 de agosto, que foi domingo, seja uma verdadeira oportunidade de mobilização nacional e que esta Casa, Senado Federal, permaneça sempre aberta ao diálogo com a Abem (Associação Brasileira de Esclerose Múltipla) e com todas as organizações que representam as pessoas com esclerose múltipla. Que possamos transformar conscientização em políticas públicas e direitos efetivamente garantidos!
Às pessoas que vivem com esclerose múltipla, às suas famílias e a todos que se dedicam a essa causa, deixo o meu respeito, o meu reconhecimento e o compromisso de sempre continuar trabalhando...
(Soa a campainha.)
O SR. FLÁVIO ARNS (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - PR) – ... em que trincheira nós estivermos, por uma sociedade mais informada, inclusiva e justa.
E quero destacar, inclusive, que ontem fizemos uma audiência pública muito interessante na Comissão de Ciência e Tecnologia, para a criação – uma proposta de criação – do centro de terapia celular regenerativa.
O Brasil tem capacidade, tem competência, tem profissionais, e nós temos que ser donos do nosso destino: pesquisarmos, produzirmos, conhecermos mais para que as famílias brasileiras – nesse sentido, as pessoas, as famílias, os profissionais – sejam beneficiadas.
Obrigado, Sr. Presidente.
Quero saudar de uma maneira especial o Fernando Dueire, que foi mencionado, mas que alegria...
(Soa a campainha.)
O SR. FLÁVIO ARNS (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - PR) – ... sempre vê-lo e escutá-lo!
O Sr. Fernando Dueire (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - PE. Para apartear.) – Peço licença, Sr. Presidente, a um aparte ao Senador Flávio Arns.
O Senador Flávio Arns é um humanista, é um homem que compreende a alma humana. Ele é um grande professor que nós temos aqui no Senado Federal.
E, tratando deste tema de esclerose múltipla, há 38 anos minha esposa é portadora dessa doença. É uma doença estigmatizante, é uma doença em que, muitas vezes, o portador pensa em desistir, mas são atos como o do Senador Flávio Arns que fazem com que aqueles que sofrem – os portadores de esclerose múltipla – tenham a esperança: a esperança de que o Estado brasileiro possa chegar junto...
(Soa a campainha.)
O Sr. Fernando Dueire (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - PE) – ... de que haja um acolhimento, porque, meu caro Governador, Senador Confúcio, quem tem esclerose múltipla, entre outras doenças, eu diria que tem duas: uma, a própria; a segunda, a emocional, porque a doença é pouco identificada por terceiros, mas as sensações são horríveis.
E o Senador aqui traz, num momento feliz a esta Casa, um assunto que precisa ser mais discutido, mais tratado. Senador Arns, o senhor me representa, representa a minha esposa e milhares de pessoas que são portadoras dessa terrível doença. Mas há esperança, Senador Flávio Arns...
(Interrupção do som.)
O Sr. Fernando Dueire (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - PE. Fora do microfone.) – ... há esperança de homens como o senhor, que...
(Soa a campainha.)
O Sr. Fernando Dueire (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - PE) – ... buscam o processo de convivência, já que é uma doença progressiva, neurológica e incurável.
Muito obrigado.
O SR. FLÁVIO ARNS (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - PR) – Agradeço a V. Exa. e quero dizer que V. Exa. me representa também. Obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Confúcio Moura. Bloco Parlamentar Democracia/MDB - RO) – Bem, eu solicito à Secretaria-Geral da Mesa que registre a moção de aplauso feita pelo Senador Flávio Arns à Arquidiocese de Curitiba pelos seus 100 anos – e compõem esses dados o anexo do seu pronunciamento feito hoje –, para remeter aos bispos daquela arquidiocese e também ao Arcebispo citado aqui pelos seus 100 anos.
Obrigado.
O Sr. Jorge Kajuru (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO. Para apartear.) – Presidente, um aparte, por fineza? Rápido. Muito obrigado.
Senador Flávio Arns, acrescentando às brilhantes palavras do nosso querido pernambucano...
(Interrupção do som.)
O Sr. Jorge Kajuru (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO. Fora do microfone.) – ... o Senador Fernando Dueire...
(Soa a campainha.)
O Sr. Jorge Kajuru (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO) – ... o senhor, no começo, fez elogios insofismáveis a este homem público chamado Confúcio Moura. Oriovisto, eu, Plínio e Styvenson aqui, estávamos comentando os Senadores que não querem mais a reeleição. E logo o senhor, Flávio Arns, e Confúcio Moura, como eu, também não querem. Só que eu nem chego próximo do que vocês representam.
Tem algo neste país que eu aprendi com o meu amigo com quem, semanalmente, jantava, o Prof. Darcy Ribeiro: "Educação é prioridade; o resto é perfumaria", uma frase brilhante dele, de que Confúcio se lembra e você também se lembra.
Então, a falta...
(Soa a campainha.)
O Sr. Jorge Kajuru (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO) – ... que vocês dois vão fazer aqui nessa pasta, nessa causa chamada educação... Eu creio ser impossível que ambos sejam substituídos por quaisquer nomes que venham para cá no novo Senado. Até porque, pelo que eu sei, o novo Senado talvez não se chamará mais pelo apelido "aeroporto", poderá ter o mesmo apelido da Câmara: "rodoviária". Ulysses Guimarães brincava, quando alguém chegava: "Presidente, mas a coisa está feia lá, hein?". E ele falava assim: "Espere o próximo".
Então vocês dois vão fazer muita falta e deixam esse legado da educação.
O SR. FLÁVIO ARNS (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - PR) – Nosso abraço, Líder, grande Líder Kajuru. Obrigado.
Obrigado, Sr. Presidente.