Pronunciamento de Leany Lemos em 07/10/2026
Discussão durante a 129ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Discussão sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) n° 221, de 2019, Fim da escala 6x1, que "Altera o art. 7º da Constituição Federal para reduzir a duração máxima semanal do trabalho e prever 2 (dois) dias de repouso semanal remunerado, sem qualquer redução salarial; e dá outras providências." Defesa da aprovação da PEC, com a análise de dados de pesquisas e considerações à respeito da jornada dupla ou tripla da mulher, da correlação entre jornada e produtividade e comparação com a jornada e produtividade de outros países.
- Autor
- Leany Lemos (PSB - Partido Socialista Brasileiro/DF)
- Nome completo: Leany Barreiro de Sousa Lemos
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discussão
- Resumo por assunto
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Jornada de Trabalho,
Remuneração:
- Discussão sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) n° 221, de 2019, Fim da escala 6x1, que "Altera o art. 7º da Constituição Federal para reduzir a duração máxima semanal do trabalho e prever 2 (dois) dias de repouso semanal remunerado, sem qualquer redução salarial; e dá outras providências." Defesa da aprovação da PEC, com a análise de dados de pesquisas e considerações à respeito da jornada dupla ou tripla da mulher, da correlação entre jornada e produtividade e comparação com a jornada e produtividade de outros países.
- Publicação
- Publicação no DSF de 08/10/2026 - Página 27
- Assuntos
- Política Social > Trabalho e Emprego > Jornada de Trabalho
- Política Social > Trabalho e Emprego > Remuneração
- Matérias referenciadas
- Indexação
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- DISCUSSÃO, PROPOSTA DE EMENDA A CONSTITUIÇÃO (PEC), ALTERAÇÃO, CONSTITUIÇÃO FEDERAL, REDUÇÃO, JORNADA DE TRABALHO, AUMENTO, REPOUSO SEMANAL, EMPREGADO, PREFERENCIA, DIA, DOMINGO, PROIBIÇÃO, DESCONTO SALARIAL, CORTE, REMUNERAÇÃO, POSSIBILIDADE, COMPENSAÇÃO, HORARIO, REQUISITOS, ACORDO COLETIVO DE TRABALHO, PACTO, TRABALHADOR, EMPREGADOR, FLEXIBILIDADE, GARANTIA, REGIME DIFERENCIADO, APLICAÇÃO IMEDIATA, NORMAS, CONTRATO DE TRABALHO, VIGENCIA, PRESERVAÇÃO, IRREDUTIBILIDADE, SALARIO, PISO SALARIAL, FIXAÇÃO, PRAZO, FASE, IMPLEMENTAÇÃO, PODER PUBLICO, CONTRATO ADMINISTRATIVO, ADAPTAÇÃO, TERMO ADITIVO, EQUILIBRIO, EFEITOS FINANCEIROS, INCIDENCIA, LICITAÇÃO, CONCESSÃO, PARCERIA PUBLICO-PRIVADA (PPP), DEFESA, APROVAÇÃO, ANALISE, DADOS, PESQUISA, DECLARAÇÃO, MULHER, CORRELAÇÃO, PRODUTIVIDADE, COMPARAÇÃO, PAIS.
A SRA. LEANY LEMOS (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - DF. Para discutir.) – Boa tarde, Presidente. Fico feliz que o senhor já esteja falando o nome direitinho, graças ao nosso Secretário-Geral.
Bom, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Senadores, ontem foi meu primeiro dia aqui neste Senado. Tomei posse, foi um dia muito emocionante, como eu disse, e hoje eu já fico feliz de poder aqui fazer um pronunciamento.
Eu tenho um sistema de accountability doméstico e meus filhos já falaram que eu tenho que votar a favor da jornada 6x1, embora nenhum trabalhe na jornada 6x1, porque quem tem nível superior, quem tem alta renda, não trabalha 6x1. É claro que tem médico que trabalha 80 horas por semana – isso é uma escolha, e isso não está proibido dentro dessas condições. A gente tem, na construção civil, quando os empreendimentos estão a todo vapor, também esse tipo de atuação.
Eu gostaria de chamar aqui alguns dados, e eu vou me repetir, Presidente, porque eu ontem ouvi aqui o Senador Paim, a Senadora Teresa, o Senador Renan Filho, todos defendendo a proposta, e as suas vantagens são conhecidas.
O que eu gostaria de lembrar é o padrão ideal da Organização Internacional do Trabalho, que, desde 1935, fala em 40 horas como a carga ideal a ser alcançada por todos os países. E, hoje, 50% dos países já adotam essa carga horária de 40 horas semanais. Há quase um século, nós estamos discutindo algo sobre o que há muitas evidências de que é a melhor forma de se produzir, de se promover o trabalho em todas as nações.
É uma discussão que envolve qualidade de vida, envolve a dignidade, o direito ao tempo, envolve o cuidado da família, envolve questões de gênero, mas, mais importante, é uma medida que afeta aqueles trabalhadores que acordam cedo, que enfrentam transporte público, que trabalham seis dias seguidos... Os mais afetados são aqueles que têm menor escolaridade, maior vulnerabilidade, analfabetos e pessoas com ensino fundamental incompleto – 91% das pessoas trabalham mais do que 40 horas semanais nessas condições.
Existe a questão de gênero, que eu vou relembrar aqui – a Senadora Teresa ontem defendeu fortemente a questão das mulheres –: 57% dos que serão beneficiados com esse projeto são mulheres, que enfrentam a dupla e a tripla jornada. Isso significa não só mais tempo para os filhos como para a própria saúde e para estudar. Eu acho que é muito importante a gente relembrar que, além das 44 horas de trabalho semanais, essas mulheres também enfrentam 15 horas – isso é a média de estudos conhecidos – de trabalho doméstico. A gente está falando de 60 horas de trabalho, sendo que 25% delas não são remuneradas. Então, é um tema fundamental para que a gente possa evitar temas, que têm sido discutidos cada vez mais, relacionados à saúde mental das mulheres, que enfrentam muitas vezes um burnout, um excesso de carga por conta das suas obrigações no mercado de trabalho e domesticamente.
Outro tema em que eu gostaria de talvez me repetir aqui, Senador Paim, é sobre a correlação entre produtividade e tempo de trabalho. O que a gente sabe é que o número de horas simplesmente não corresponde a um aumento de produtividade, ou seja, não há correlação positiva infinita. Você pode aumentar a carga de trabalho e não necessariamente vai ter um aumento de produtividade, até porque um aumento excessivo de carga de trabalho pode gerar o efeito oposto, pode ter um efeito de redução de produtividade. Então, muito cuidado com isso.
Eu tive uma reunião hoje mais cedo com dois consultores, e a gente estava olhando os dados da Rais, a gente olhou os dados do IBGE, a gente olhou os dados de diversos países. E, de fato, existe um ponto ótimo. O Brasil é um país que tem uma produtividade média e que tem um tempo de trabalho médio, mas países que muitas vezes aumentaram a sua carga de trabalho tiveram uma queda na produtividade. O que a gente espera aqui é que haja o efeito inverso: que essa redução possa vir a trazer um aumento de produtividade, que é algo que é muito importante para o nosso país.
A gente precisa superar essa ideia de produtividade medida por hora de trabalho, até porque estamos num momento em que há a automação e o efeito da inteligência artificial no mercado de trabalho. A gente não está falando daqueles de menor renda, mas muitos trabalhos em áreas administrativas e em gestão serão fortemente afetados também. E esse é um tema já da contemporaneidade. Nós estamos vendo isso acontecer em diversos países do mundo, com grandes empresas dispensando um número grande de empregados por causa do aumento de automatização e de uso de inteligência artificial, especialmente em cargos de gestão.
O Ipea recentemente – não tão recentemente assim – tem um ótimo estudo que fala sobre o aumento médio ou o efeito dessa política nas folhas das empresas e chega à conclusão de que há, sim, um aumento de 7,84% no custo do celetista, porém o efeito no custo total operacional das empresas é de somente 1%. E por que isso? Porque empresas eficientes têm uma folha relativamente controlada – ou muito controlada nas maiores empresas. Então, o efeito sobre a folha não é um efeito sobre o custo total dessa empresa. E esses achados do estudo do Ipea são os mesmos achados de um estudo feito por uma universidade de Santa Catarina com uma universidade do Rio de Janeiro em que o efeito é de 0,9% da folha, ou seja, é algo que o mercado, as empresas poderão se ajustar às diferentes atividades econômicas, aos diferentes setores, a depender da forma como irão encontrar aí um equilíbrio nos seus resultados.
Por último, eu queria falar sobre as tendências mundiais – eu comecei falando sobre a OIT e sobre como isso vem sendo discutido desde 1935. Hoje, nos últimos dez anos pelo menos, a gente tem visto reformas sendo realizadas, inclusive aqui em países vizinhos e países que têm uma alta produtividade, como é o caso do Chile, com uma produtividade pelo menos mais alta do que a do Brasil. Então, nós tivemos, em 24, uma reforma no Chile que trouxe de 45 para 40 horas; na Colômbia, recentemente também, de 48 para 42 horas; no México, de 48 para 40 horas; na França, já há duas décadas, uma queda para 35 horas; e, no Reino Unido, algumas empresas, algumas dezenas de empresas já iniciaram um processo-piloto de redução de dias de trabalho, de cinco para quatro dias trabalhados. O que a gente vê é um movimento internacional de países que estão buscando melhores condições para os seus trabalhadores, uma qualidade de vida melhor, um equilíbrio maior, porque a gente sabe que há um limite também dentro daquilo que as pessoas podem disponibilizar da sua carga horária semanal para o trabalho, buscando esse equilíbrio, portanto, entre a vida familiar e a vida no mundo do trabalho.
Era isso, Presidente, que eu gostaria de dizer.
Quero deixar aqui esse meu recado do apoio à redução, ao fim da escala 6x1 e do apoio aqui às negociações para que a gente vote o mais rapidamente possível.
Obrigada.