Discurso durante a 25ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Apoio ao debate público responsável sobre a insuficiência do salário mínimo e sobre o fim da escala 6x1, com destaque para o valor diário do salário mínimo e o alto custo de vida, com comparação com os rendimentos da classe política e de membros do Poder Judiciário. Críticas aos supersalários e aos benefícios, com defesa do corte de privilégios nos três Poderes e valorização de trabalhadores e empresários.

Defesa da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) n° 47, de 2024, que "Altera o Art. 7º que define os direitos dos trabalhadores e o Art. 37 da Constituição Federal para definir que o teto remuneratório incide sobre as remunerações, subsídios, proventos, pensões, outras espécies remuneratórias e verbas de natureza indenizatória".

Autor
Cleitinho (REPUBLICANOS - REPUBLICANOS/MG)
Nome completo: Cleiton Gontijo de Azevedo
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Agentes Públicos, Jornada de Trabalho, Remuneração:
  • Apoio ao debate público responsável sobre a insuficiência do salário mínimo e sobre o fim da escala 6x1, com destaque para o valor diário do salário mínimo e o alto custo de vida, com comparação com os rendimentos da classe política e de membros do Poder Judiciário. Críticas aos supersalários e aos benefícios, com defesa do corte de privilégios nos três Poderes e valorização de trabalhadores e empresários.
Empregados Públicos, Remuneração, Servidores Públicos:
  • Defesa da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) n° 47, de 2024, que "Altera o Art. 7º que define os direitos dos trabalhadores e o Art. 37 da Constituição Federal para definir que o teto remuneratório incide sobre as remunerações, subsídios, proventos, pensões, outras espécies remuneratórias e verbas de natureza indenizatória".
Publicação
Publicação no DSF de 01/04/2026 - Página 53
Assuntos
Administração Pública > Agentes Públicos
Política Social > Trabalho e Emprego > Jornada de Trabalho
Política Social > Trabalho e Emprego > Remuneração
Administração Pública > Agentes Públicos > Empregados Públicos
Administração Pública > Agentes Públicos > Servidores Públicos
Matérias referenciadas
Indexação
  • INSUFICIENCIA, SALARIO MINIMO, DEFESA, REDUÇÃO, JORNADA DE TRABALHO, ESCALA, CRITICA, REMUNERAÇÃO, JUDICIARIO, MAGISTRADO.
  • DEFESA, PROPOSTA DE EMENDA A CONSTITUIÇÃO (PEC), ALTERAÇÃO, CONSTITUIÇÃO FEDERAL, DEFINIÇÃO, TETO REMUNERATORIO, INCIDENCIA, REMUNERAÇÃO, SUBSIDIOS, PROVENTOS, PENSÕES, AUXILIO, BENEFICIO, NATUREZA INDENIZATORIA, INDENIZAÇÃO TRABALHISTA, OCUPANTE, CARGO PUBLICO, FUNÇÃO PUBLICA, EMPREGO PUBLICO, ADMINISTRAÇÃO DIRETA, AUTARQUIA, FUNDAÇÃO, UNIÃO FEDERAL, ESTADOS, DISTRITO FEDERAL (DF), MUNICIPIOS, MANDATO ELETIVO, AGENTE POLITICO.

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG. Para discursar.) – Sr. Presidente, uma boa tarde.

    Boa tarde a todos os Senadores presentes, à população que acompanha a gente pela TV Senado e a todos os servidores da Casa.

    Eu quero chamar a atenção de todo o povo brasileiro. Vocês estão vendo essa nota de R$50 aqui? Isso aqui deveria ser debatido para toda a população brasileira. Todos os políticos do Brasil deveriam estar debatendo isso aqui: R$50, hoje, é o dia do trabalhador, o que ele recebe trabalhando oito horas por dia; R$50. É isso aqui que ele recebe. Isso aqui não dá para comprar nem uma pizza hoje; não dá. Então, só mostra que o salário mínimo é pouco. E o custo de vida do trabalhador, hoje, também está altíssimo. Então, não dá para fazer nada, porque, hoje, o trabalhador recebe R$1,6 mil, e o dia dele de trabalho – oito horas por dia – é R$50.

    Eu queria fazer uma comparação aqui, Sr. Presidente, entre o trabalhador CLT – como eu mostrei para vocês –, que ganha R$50 trabalhando oito horas por dia, e mostrar a classe política. Claro, a gente trabalha terça, quarta e quinta. Eu fiz esse levantamento trabalhando terça, quarta e quinta aqui; o político, trabalhando três dias por semana, com um salário de R$46 mil bruto. Sabe quanto que daria, Sr. Presidente? Daria o valor de – trabalhando oito horas por dia – R$3.863; R$3.863 quando um trabalhador que faz uma escala 6x1 recebe R$50, trabalhando oito horas por dia. E aí, a classe política recebe R$3.863 para trabalhar três vezes por semana. E aí, aqui a gente não pode debater a questão da escala 6x1, não.

    Por que a gente não pode debater a escala 6x1? Isso aqui deveria ser a pauta mais importante do Brasil. Enquanto a gente fica brigando de esquerda e direita, o trabalhador está recebendo R$50 para trabalhar oito horas por dia, com o que ele não consegue nem comprar uma pizza hoje. E a gente não pode debater isso aqui? É claro que a gente pode debater! Isso aqui deveria ser a pauta mais importante do Brasil.

    Não está tendo mão de obra por quê? Porque não é interessante para um trabalhador receber R$1,6 mil com o custo de vida lá em cima, e ter que trabalhar de segunda a sábado. Enquanto nós, vossas excelências aqui, junto com Judiciário... O trabalho vocês já viram como é que é: hoje é terça, quarta, e lá se vai se quinta-feira se trabalha aqui... A verdade é essa, e tem que ser escancarada para todo povo brasileiro.

    Então, a gente precisa debater isso aqui com responsabilidade. O Governo tem que abrir mão também, desonerando a folha, reduzindo o imposto para o empresário. A balança tem que ser equilibrada, porque fonte de riqueza são o empresário e o trabalhador. Fonte de despesa está aqui para todo mundo ver; todo mundo ver! Três Poderes: Executivo, Judiciário e Legislativo – aqui é a fonte de despesa; e, muitas vezes, infelizmente, além de dar despesa, ainda rouba. Não estou generalizando, que fique claro aqui. Mas é só ver aí nos jornais como é que está a situação. Toda hora tem político envolvido com corrupção.

    Então, por que a gente não pode debater? Por que a gente não pode fazer uma escala 5x2? Por que a gente não pode debater isso aqui? Qual é o problema de se fazer isso? Eu quero só entender. Eu espero, literalmente mesmo, que o Governo Lula, que está falando que vai debater... Eu já falei aqui, eu sou de direita. Eu sou oposição ao Lula. Eu não sou aliado do Lula, mas eu sou aliado do povo. E eu não sou oposição ao Brasil. Parem de ficar falando na teoria e tragam para a prática. Ou é só porque é um ano eleitoral? Eu quero ver trazer, colocar aqui para debater. Vamos debater, a direita junto, com responsabilidade, mostrando que tem jeito de fazer, porque, na época, não podia: "Ah, não pode ter décimo terceiro, não, porque vai quebrar o país". Está aí, não quebrou o país. "Ah, não pode ter isso também, porque vai quebrar o país".

    Agora a história é que, se acabar com a escala 6x1, vai quebrar o país. Não, o país já está quebrado, e quem quebrou o país não foi o trabalhador, não; quem quebrou o país foram os políticos. Parem de ficar mentindo para o povo! O país está quebrado – além de quebrado, é roubado – e quem fez isso não foi o empresário ou o trabalhador, não; quem fez isso foi a classe política. Se o país está ladeira abaixo, nunca é culpa do trabalhador, que paga imposto rigorosamente em dia.

    Eu queria mostrar para vocês aqui também – viu, Sr. Presidente? – por que eu bato nessa tecla e eu defendo sempre o trabalhador e o empresário, que são fontes de riqueza – e nós somos fonte de despesa. Olha se tem cabimento o que esse juiz falou. Preste atenção aqui, Sr. Presidente. Olha que juiz desaforado! Olha isso aqui, vamos ver isso aí.

(Procede-se à reprodução de áudio)

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – Ele teve coragem de humilhar um sorveteiro, falando que a remuneração dele está igual a de um sorveteiro. É o sorveteiro que paga seu salário, juiz. Se você não está satisfeito, peça para sair.

    Agora, gente, ele está reclamando – para vocês terem noção – porque o Flávio Dino tomou a decisão de acabar com esses penduricalhos, que são uma afronta à população brasileira. O trabalhador que pega um ônibus lotado, que ganha R$1,6 mil, que tem que fazer essa escala 6x1, ele tem direito a penduricalho? Ele tem direito a auxílio-moradia, juiz? Ele tem direito a auxílio-paletó, auxílio-alimentação, auxílio... Para tudo quanto é coisa, tem auxílio! Auxílio-saúde, juiz? Pelo contrário, é ele, trabalhando – o sorveteiro –, que tem que pagar imposto para poder manter a mordomia de vocês. Se você fez concurso e não está satisfeito, peça para sair! Vá para a CLT! Vá trabalhar numa escala 6x1, ganhar R$1,6 mil, pegar ônibus lotado, juiz, Excelência! Tem que acabar, sim! Onde já se viu isso? E lembrando: o juiz ganha mais de R$40 mil, bruto; ele não ganha R$1,6 mil, não.

    Então, já passou da hora de a gente, sim, acabar com isso tudo, dar um fim nos supersalários. Essa discussão tem que ser aqui, também. É com isso aqui que a gente vai mudar o país. É igualar! É igualar! Chega do patrão – que é o povo – ser o empregado. Você é empregado do povo, Excelência! Eu sou empregado do povo! O povo acorda cedo e trabalha para pagar seu salário, Excelência. E se você não está satisfeito... E tudo o que você disse aqui, você não fez mais que a sua obrigação, que você é muito bem pago e remunerado para isso.

    Então, se V. Exa. não está satisfeito e não quer que acabe com seus penduricalhos, ou você vai para o CLT, ou vai para a iniciativa privada. Vai receber até R$300 mil, R$ 400 mil, R$500 mil. Agora, o que não pode é um trabalhador brasileiro receber R$1,6 mil, enquanto tem S. Exas. do Poder Judiciário recebendo até R$1 milhão com penduricalhos.

    É como estou falando para vocês, gente, que fique claro aqui: tem muita mordomia. A turma tem direito a tudo.

    Eu faço uma pergunta para você, trabalhador: você tem direito? Você tem que pagar o plano de saúde particular, porque você não tem direito ao auxílio-saúde, mas tanto o Judiciário quanto aqui, no Legislativo, nós temos direito também ao auxílio-saúde.

    Você tem direito a carro blindado? Não, mas essa turma tem direito a carro blindado. Você tem direito a alugar um carro para você? Não, mas essa turma tem direito a alugar um carro também.

    Você tem direito de ter um dinheiro de auxílio-moradia? Não, mas essa turma também tem direito a auxílio-moradia, e muitas vezes já mora no mesmo local, já tem um apartamento, e às vezes ainda tem a coragem de pegar o auxílio-moradia. É assim que funciona.

    Você tem direito também ao auxílio-alimentação? Eu te garanto que quando você sai para trabalhar, ou você tem que parar em algum lugar, você paga. E tem que pagar o seu café, pagar o seu almoço. É você que paga, não é? "Ah, não, mas eles têm direito também ao auxílio-alimentação". E aí? "Não pode acabar com o penduricalho, não, é um absurdo! É o fim do mundo acabar com o penduricalho".

    Eu não votei no Dino, eu não sou apoiador dele, mas essa decisão do Flávio Dino foi correta, a de acabar com esses penduricalhos, porque eu tenho uma PEC aqui para dar um fim nos supersalários. Inclusive, eu estou vendo que a PGR está sendo contra, querendo voltar com os penduricalhos, e eu espero, de verdade, que ela não faça isso, que acabe de uma vez por todas com esses penduricalhos. E eu queria muito que essas pessoas...

(Soa a campainha.)

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – Porque eu sei o que é a realidade do povo brasileiro. Eu sei o que é um trabalhador acordar cedo, ter que trabalhar, não ter segurança nenhuma. Muitas vezes, pega uma doença, tem que ir para uma UPA, não é bem-atendido lá; quando precisa de uma cirurgia, fica até um mês esperando, acaba até morrendo na fila do hospital esperando por ela. E essa turma que tem direito a tudo e mais um pouco está achando ruim de acabar! Tem que cortar da própria carne. Vocês são os primeiros a dar um bom exemplo, os três Poderes aqui: o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, nós que temos que cortar da própria carne. Chega! A população não vai cortar mais da própria carne. Acabou! Quem tem que fazer isso somos nós!

    E como eu disse, Presidente, quem é fonte de despesa é o Judiciário, o Executivo e o Legislativo. Fonte de riqueza é o quê? O empresário e o trabalhador. Então, está na hora de a gente cortar da própria carne e dar um bom exemplo para a gente valorizar, sim...

(Soa a campainha.)

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – ... quem é fonte de riqueza, tanto o trabalhador quanto o empresário.

    Muito obrigado, Sr. Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 01/04/2026 - Página 53