Discurso durante a 59ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Críticas ao alto custo de vida e à perda do poder de compra do trabalhador brasileiro, com defesa do debate sobre o fim da escala 6x1 e da melhoria das condições de vida da população.

Contestação ao Projeto de Lei nº 4822/2025, aprovado na Câmara dos Deputados, que amplia para até 15 anos o prazo para pagamento de dívidas partidárias, flexibiliza regras de prestação de contas e veda o bloqueio de recursos dos fundos partidário e eleitoral.

Autor
Cleitinho (REPUBLICANOS - REPUBLICANOS/MG)
Nome completo: Cleiton Gontijo de Azevedo
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Jornada de Trabalho, Remuneração:
  • Críticas ao alto custo de vida e à perda do poder de compra do trabalhador brasileiro, com defesa do debate sobre o fim da escala 6x1 e da melhoria das condições de vida da população.
Partidos Políticos:
  • Contestação ao Projeto de Lei nº 4822/2025, aprovado na Câmara dos Deputados, que amplia para até 15 anos o prazo para pagamento de dívidas partidárias, flexibiliza regras de prestação de contas e veda o bloqueio de recursos dos fundos partidário e eleitoral.
Publicação
Publicação no DSF de 21/05/2026 - Página 69
Assuntos
Política Social > Trabalho e Emprego > Jornada de Trabalho
Política Social > Trabalho e Emprego > Remuneração
Jurídico > Direito Eleitoral > Partidos Políticos
Matérias referenciadas
Indexação
  • PREOCUPAÇÃO, CUSTO DE VIDA, PODER AQUISITIVO, REMUNERAÇÃO, SALARIO, TRABALHADOR, COMPARAÇÃO, SUBSIDIO, PARLAMENTAR.
  • DEFESA, REDUÇÃO, ESCALA, JORNADA DE TRABALHO, EQUILIBRIO, EMPRESARIO.
  • CRITICA, APROVAÇÃO, CAMARA DOS DEPUTADOS, PROJETO DE LEI, ADIAMENTO, PAGAMENTO, DIVIDA, MULTA, PARTIDO POLITICO.

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG. Para discursar.) – Boa tarde, Sr. Presidente. Boa tarde aos Senadores, às Senadoras, à população que acompanha a gente pela TV Senado e aos servidores desta Casa.

    Eu queria mostrar para o povo brasileiro esta nota de R$50. Vocês estão vendo aqui? Dá um zoom aí. Esta nota de R$50, hoje, não compra isto aqui, gente, olhem: não compra uma pizza. Mas esta nota de R$50 aqui compra um dia do trabalhador. O que eu quero falar para vocês aqui é: eu queria muito que essa fala minha chegasse a todo povo brasileiro, para você que é de esquerda e para você que é de direita. Sabe por quê? Porque nenhum político tem moral para vir falar e criticar a questão de escala, que seja 5x2 ou 6x1 – nenhum político, nem eu tenho moral para vir falar isso. O que a gente mais deveria pautar aqui – todos os políticos, tantos os Senadores quanto os Deputados Federais – é a melhora na qualidade de vida do trabalhador. É melhorar o custo de vida do trabalhador, porque, hoje, o povo brasileiro, o trabalhador está custando a comer. Mas aqui as discussões são outras.

    Inclusive a discussão aqui ontem – ali do lado, ali, e vai vir para cá – é poder perdoar partido. Quinze anos para poder pagar uma dívida! E sabe qual é a dívida do partido? Primeiro, partido vive de quê? Partido vive de quê? O que ele agrega? O que um partido produz a não ser roubar? Vamos falar a verdade! E mandem me processar se eu estiver falando mentira, viu? Mandem me processar.

    Aí o partido não agrega nada, não acrescenta nada, não produz nada e recebe dinheiro público. Aí pega e desvia dinheiro público – compra jatinho, compra helicóptero –, aí entra e faz o quê? É penalizado. Aí agora tem 15 anos para poder pagar a multa – 15 anos!

    Meu amigo, fica sem pagar o seu IPVA, vê se não tomam seu carro; fica sem pagar a sua conta de luz, vê se não cortam a sua luz; fica sem pagar a sua conta de água, vê se não cortam a sua água; fica sem pagar a sua casa, lá, o seu IPTU, o que acontece com você? Mas aí, não, os bonitões podem roubar a torto e a direito aqui e ter um perdão agora de 15 anos.

    Eu espero que o Senado aqui barre essa porcaria de projeto – barre essa porcaria de projeto. Aí não pode discutir qualidade de vida do trabalhador, não; não pode, não. Por que não pode? Que moral nós temos aqui?

    Inclusive, semana que vem, Sr. Presidente, parece que é semipresencial de novo, né? Vamos ver este ano, porque aí não é nem 3x4, viu, gente? Aqui é terça, quarta e quinta; raramente tem Congresso Nacional na quinta, mas a maioria das vezes, você sabe como é que é aqui. Aí vêm políticos aí, ó – aqui ó, de esquerda e de direita –, falar que não pode discutir essa questão do fim da escala 6x1. Pois tem que discutir sim!

    Traz a compensação, coloca na balança aqui. Equilibra a balança, tanto para o empresário quanto para o trabalhador; coloca a compensação para o empresário. Corta da carne – quem tem que cortar da carne é aqui, ó, é o Congresso Nacional; é o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Não é o trabalhador e o empresário que têm que cortar da própria carne; quem tem que cortar da própria carne aqui somos nós. Aí vem com essa ladainha de falar que não pode? Quem não pode o quê, sô? Deve fazer isso, sim, até porque quem é o patrão é o trabalhador; quem é fonte de riqueza é o empresário e o trabalhador – aqui é fonte de despesa.

    Aqui novamente, semana que vem, semipresencial. Aí, né, eu... todos os políticos, inclusive eu, não temos moral para falar nada, é zero! Novamente, gente, aqui, ó: uma pizza vazia, viu? Porque o trabalhador hoje não consegue comprar nem uma pizza. Aqui, ó, está aqui, ó, viu?

    Não consegue comprar nem uma pizza com R$50, mas com R$50 paga o dia do trabalhador. E sabe quanto a gente tem por dia aqui? Se você for fazer a média de 3x4, quase R$4 mil por dia – quase R$4 mil por dia; R$40 e tantos mil por mês, fora os privilégios.

    Inclusive, eu posso chegar essa semana agora, em que está tendo a Marcha de Prefeitos... – todo o respeito aqui a todos os Prefeitos; daqui a pouco vai tirar minha fala aqui, vai editar e vai falar que eu estou criticando o Prefeito – está aqui, né? Muitos políticos aqui em Brasília, no Congresso Nacional. Eu posso chamá-los para ir para uma pizzaria maravilhosa, pagar a pizza para todo mundo e ser indenizado. E quem é que vai pagar? Quem vai pagar? O povo! Quem vai pagar é o povo! O povo, que não consegue comprar mais pizza!

    Mas tem um político que quer apontar o dedo na cara do povo. Quem tem que apontar o dedo na cara aqui é o povo, na cara do político. Está tudo errado! E, se eu tiver errado aqui, algum político que quiser me questionar, fique à vontade. Eu quero vir para o debate. Se eu estou falando mentira aqui, se eu estou errado, se eu não posso pegar agora os políticos todos que estiverem aqui e levar para o restaurante mais caro de Brasília aqui, mandar descer pizza – e desce pizza, e desce pizza – e ser indenizado. E quem é que vai pagar? Quem vai pagar é o povo.

    Então, fica aqui a minha revolta.

    Eu espero que essa porcaria de projeto seja barrada aqui no Senado.

    Muito obrigado.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 21/05/2026 - Página 69