Discurso durante a 65ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Defesa do fim da escala 6x1 e de melhores condições para os trabalhadores. Críticas aos privilégios da classe política, à polarização ideológica e ao distanciamento das autoridades políticas em relação às demandas da população.

Autor
Cleitinho (REPUBLICANOS - REPUBLICANOS/MG)
Nome completo: Cleiton Gontijo de Azevedo
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Atividade Política, Jornada de Trabalho, Remuneração:
  • Defesa do fim da escala 6x1 e de melhores condições para os trabalhadores. Críticas aos privilégios da classe política, à polarização ideológica e ao distanciamento das autoridades políticas em relação às demandas da população.
Publicação
Publicação no DSF de 28/05/2026 - Página 55
Assuntos
Outros > Atividade Política
Política Social > Trabalho e Emprego > Jornada de Trabalho
Política Social > Trabalho e Emprego > Remuneração
Matérias referenciadas
Indexação
  • DISCURSO, DEFESA, APROVAÇÃO, PROPOSTA DE EMENDA A CONSTITUIÇÃO (PEC), ALTERAÇÃO, CONSTITUIÇÃO FEDERAL, REDUÇÃO, JORNADA DE TRABALHO, AUMENTO, REPOUSO SEMANAL, EMPREGADO, PREFERENCIA, DIA, DOMINGO, PROIBIÇÃO, DESCONTO SALARIAL, CORTE, REMUNERAÇÃO, POSSIBILIDADE, COMPENSAÇÃO, HORARIO, REQUISITOS, ACORDO COLETIVO DE TRABALHO, PACTO, TRABALHADOR, EMPREGADOR, FLEXIBILIDADE, GARANTIA, REGIME DIFERENCIADO, APLICAÇÃO IMEDIATA, NORMAS, CONTRATO DE TRABALHO, VIGENCIA, PRESERVAÇÃO, IRREDUTIBILIDADE, SALARIO, PISO SALARIAL, FIXAÇÃO, PRAZO, FASE, IMPLEMENTAÇÃO, PODER PUBLICO, CONTRATO ADMINISTRATIVO, ADAPTAÇÃO, TERMO ADITIVO, EQUILIBRIO, EFEITOS FINANCEIROS, INCIDENCIA, LICITAÇÃO, CONCESSÃO, PARCERIA PUBLICO-PRIVADA (PPP), CRITICA, PRIVILEGIO, CLASSE POLITICA, RESTRIÇÃO, BENEFICIO, AGENTE PUBLICO, REPUDIO, POLARIZAÇÃO POLITICA, APOIO, INTERESSE, POPULAÇÃO.

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG. Para discursar.) – Sr. Presidente, eu queria aqui entrar nessa pauta da questão do fim da escala 6x1 e inclusive pedir que V. Exa. possa tramitar o mais rápido possível, para que a gente possa votar.

    Quanto a essa questão que o nosso Senador – e eu tenho muito respeito por ele – acabou de dizer que é um benefício estúpido, têm vários benefícios estúpidos aqui que a classe política e o Poder Judiciário têm.

    Então, se for para acabar com algum benefício do povo, tem que acabar com o nosso benefício primeiro. A gente, aqui, tem plano de saúde vitalício; aqui, a gente tem direito a carro oficial; aqui, a gente tem direito a gasolina. O povo não tem. Então, eu vou sempre lutar pelo povo.

    Inclusive, nós temos um benefício hoje de estar trabalhando home-office, enquanto o trabalhador CLT está trabalhando na escala 6x1, pagando imposto para manter esta Casa aqui. Inclusive, o próprio Senador Girão está implorando para ver se a gente consegue vir aqui na sexta-feira para poder abrir a sessão. Então, eu sempre vou ficar do lado do povo.

    Inclusive, eu queria mostrar para toda a população brasileira aqui, ó. Isso aqui é 1kg de carne que está aqui. E não é picanha não, viu, gente? Tem 1kg de carne exato aqui, passou um pouquinho. Sabe quanto que deu? Deu R$70. Hoje, o dia do trabalhador – o que o trabalhador trabalha –, ele recebe R$55; ele não compra nem 1kg de carne. Nem 1kg de carne, ele compra. Ele tem que trabalhar nessa maldita escala 6x1, o poder de compra dele acabou, o custo de vida dele está lá em cima e ele tem que trabalhar igual a um condenado.

    Inclusive, durante esses quase quatro anos que eu estou aqui, a gente falou só de aumentar imposto, só para ferrar com o povo. Na hora que vem um benefício para o povo, não pode. E aí começa, tanto quem é de esquerda quanto quem é de direita, a brigar. Eu não consigo entender o que passa na cabeça do político, pode ser de esquerda ou de direita. Essa pauta da questão da escala não é uma pauta ideológica, gente. Vai lá na rua, vai no shopping, vai no supermercado e pergunta ao trabalhador se ele é de esquerda ou de direita. Ele está se lixando para isso! Ele quer ter um pouco de dignidade, e eu tenho propriedade para falar disso, porque a vida inteira eu trabalhei nessa maldita escala – até mais, 7x7! Eu estou fazendo isso aqui, lutando, não é só por mim, não. É pelo meu pai, que não teve sossego, porque eu vi meu pai morrendo de câncer, sem poder ter sossego, porque teve que trabalhar para sustentar a gente. É questão de empatia!

    E aí, a esta Casa aqui, a revisora, cabe a nós ter responsabilidade e equilibrar. Não é chegar e falar que não tem jeito, não. O mercado se autorregula! Parem com esse negócio. Teve pandemia, fechou tudo e o mercado se regulou. E que desespero é esse, que loucura que é essa? Aí ficam a esquerda e a direita agora brigando, em vez de defender o povo. Chega dessa ladainha, gente! Pelo amor de Deus! "Ah, Cleitinho...". A coisa que eu tento aqui é ser menos hipócrita e menos demagogo – que às vezes eu sou, mas eu tento ser menos. Porque, se não fosse o Lula o Presidente – se fosse o Bolsonaro e estivesse mandando qualquer benefício para o povo aqui –, quem é do lado do Bolsonaro, como eu, estaria batendo palmas. "Manda, Bolsonaro! Manda!".

    Inclusive, há quatro anos, quando aumentou o auxílio – o Bolsa Família que virou o Auxílio Brasil – e foi para R$600, eu não era Senador, não, mas estava lá batendo palmas. "Parabéns, Bolsonaro, você defende o povo!" Quem era do Bolsonaro estava defendendo. Agora, porque é do Lula, não pode... Que se exploda, cara! Chega disso! Eu não sou aliado do Lula, mas sou aliado do povo. Eu não quero saber se é o Lula, não. Se fosse o Ciro, se fosse o Bolsonaro, se fosse o Flávio Bolsonaro, se estivesse mandando algo que é a favor do povo, eu iria defender. Que se dane quem seja o Presidente da República! É por isso que este país não anda, porque está preocupado mesmo é com o poder. "Ah, é eleitoreiro, Cleitinho. É eleitoreiro...". O que for a favor do povo, eu vou votar favorável. O que mais a gente tem aqui – a classe política, o Poder Judiciário – é benefício. Estamos trabalhando nessa semana de home-office, que fique claro aqui.

    Então, o que for para o povo, eu vou defender para o povo. E tem jeito de fazer, basta querer. Agora, ficam lá na Câmara brigando, a esquerda e a direita, e não querem resolver. Se unam, meus amigos! Tomem vergonha na cara, o nosso salário está em dia. Tomem vergonha na cara e parem de brigar. Pelo menos, em uma vez que é a favor do povo, vocês não conseguem se unir? Porque chega na campanha agora, vai bater na casa do povo e vai falar assim: "Ó, eu estou lá para te defender. Eu estou lá para falar de saúde, segurança e educação. Eu vou defender o povo." Na hora em que é para defender o povo, fica brigando! Como assim? Eu não consigo entender isso, não, uai! Você vai lá pedir voto para o povo, fala que vai defender o povo e, na hora que é para defender o povo, está defendendo ideologia?

    A maior ideologia que a gente tem que ter se chama povo, a maior ideologia nossa é a população brasileira, e eu coloco sempre o povo brasileiro acima de qualquer coisa, acima de Governo Lula, acima de qualquer tipo de governo.

    E eu não estou aqui para exterminar a esquerda, não; eu estou aqui para exterminar a fome, eu estou aqui para exterminar a corrupção, porque se eu sou democrata – como todo mundo fala que é democrata aqui –, eu não tenho que exterminar quem pensa diferente de mim, não; eu tenho é que trabalhar e mostrar para eles que a forma que eu faço política é a forma mais justa. Esse radicalismo, essa forma de fazer política está acabando com o país! Posso discutir ideia? Sim, discute. Você não quer ser aliado do Lula? Não seja, mas para de ficar contra o povo, gente, pelo amor de Deus!

(Soa a campainha.)

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – Eu falo novamente, Presidente: se fosse o Bolsonaro aqui sendo Presidente e mandando benefício, como era para reduzir a gasolina quatro anos atrás e nossa turma estava batendo palma, estaria todo mundo batendo palma. Agora, porque foi o Lula, "Não, não pode! É eleitoreiro!". Vamos parar de hipocrisia e demagogia! Uma coisa que eu vou tentar ser menos aqui é hipócrita e demagogo.

    Eu vi um candidato a Presidente da República dizendo que quer taxar os estudantes, que quem se formou em universidade federal pública, quando começar a trabalhar, vai ser taxado em 1%. Este ano tem eleição, viu, gente? Sabe quanto se vai gastar com político? Seis bilhões. Então, presidenciável, você tem que fazer um projeto de mandar taxar a nós aqui, porque o estudante, quando se forma, ele vai trabalhar, vai ser fonte de riqueza para manter isso aqui. E ele vai pagar imposto! Ele vai pagar muito imposto para manter isso aqui, enquanto – não estou generalizando – alguns políticos recebem fundo eleitoral, recebem financiamento público, e depois vão roubar o povo, como está aí para todo mundo ver. E aí, como é que faz?

    Então a lógica, senhor presidenciável, é que quem tem que ser taxado de verdade é quem for usar fundo eleitoral e fundo partidário agora. Agora, quem for usar, na hora que ganhar a eleição, vamos taxar 10%? Não vamos taxar o estudante, não, porque ele ainda é futuro, ele é fonte de riqueza; aqui, meus amigos, é fonte de despesa. Todo mundo sabe disso.

    Eu não aguento essa ladainha, é sempre com o intuito de querer ferrar com o povo, é sempre com o intuito de querer prejudicar o povo! Pelo amor de Deus, gente, coloca o povo em primeiro lugar. Você não fala na sua campanha que vai defender o povo? Agora, se o Presidente que ganhou não foi o seu Presidente, aceite, tem eleição agora e o tire, é simples, a democracia é assim.

    Espero que nós, Senadores, tenhamos responsabilidade para, na hora que esse projeto chegar da Câmara, a gente possa se unir, os 81 Senadores, independentemente de lado, de esquerda, de direita, de partido – eu quero que todos os partidos se explodam, inclusive o meu –, e defendamos o maior partido, que é o povo.

    Muito obrigado, Sr. Presidente.

    Vou levar a carne, viu, Sr. Presidente?

(Soa a campainha.)

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – E não é picanha, não, viu, Presidente?


Este texto não substitui o publicado no DSF de 28/05/2026 - Página 55