Discurso durante a 68ª Sessão Especial, no Senado Federal

Sessão Especial destinada a celebrar o Dia Nacional do Líder Comunitário. Manifestação de apoio ao Projeto de Lei nº 427/2026, de autoria do Senador Izalci Lucas, que institui o Fundo Nacional de Apoio ao Terceiro Setor (Funats) para garantir repasses financeiros fixos e fomento à governança administrativa das instituições sociais.

Autor
TITO PEREIRA SANTANA
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Homenagem, Movimento Social:
  • Sessão Especial destinada a celebrar o Dia Nacional do Líder Comunitário. Manifestação de apoio ao Projeto de Lei nº 427/2026, de autoria do Senador Izalci Lucas, que institui o Fundo Nacional de Apoio ao Terceiro Setor (Funats) para garantir repasses financeiros fixos e fomento à governança administrativa das instituições sociais.
Publicação
Publicação no DSF de 30/05/2026 - Página 21
Assuntos
Honorífico > Homenagem
Outros > Movimento Social
Matérias referenciadas
Indexação
  • REALIZAÇÃO, SESSÃO ESPECIAL, CELEBRAÇÃO, Dia Nacional do Líder Comunitário, MES, MAIO.
  • MANIFESTAÇÃO, APOIO, PROJETO DE LEI, SENADOR, IZALCI LUCAS, CRIAÇÃO, FUNDO NACIONAL, TERCEIRO SETOR, REPASSE, FINANCIAMENTO, ORÇAMENTO, FOMENTO.

    O SR. TITO PEREIRA SANTANA (Para discursar.) – É aqui mesmo? (Pausa.)

    Boa tarde a todos e todas. É um prazer inenarrável estar aqui, Senador; muito grato. Conte comigo, em todos os momentos, para fazer do Dia do Líder Comunitário, na verdade, um feriado nacional, porque a gente precisa descansar um pouquinho, né? O líder comunitário não tem folga, é uma profissão meio complicada. Você não tem folga, você está todo dia trabalhando, lutando pela sua comunidade.

    Queria cumprimentar também o Wellington, meu amigo – estamos juntos; Rogério, um dos primeiros apoiadores do bate-papo, nós levamos para o Morro da Cruz – então, aos demais, eu estou aqui entusiasmado para trabalharmos juntos também; a Analc, porque a Analc... Eu não sei se você sabe, o Nathan participou do bate-papo, já. Então, do Bate Papo 3º Setor eu vou ter oportunidade de falar... Meu tempo é breve aqui, mas antes de iniciar de fato, queria agradecer-lhe, Senador, por tudo que tem feito, pelo convite que me fez; e eu espero honrá-lo com tudo que a gente tem construído juntos pelo terceiro setor, porque, antes de sermos líderes comunitários, nós somos terceiro setor.

    E, para iniciar, eu queria dizer o seguinte: existem dois grandes dias na vida de uma pessoa, de qualquer ser humano, o dia em que ela nasce e o dia em que ela descobre por que ela nasceu. E, quando eu descobri o motivo pelo qual eu nasci, nesse dia, eu não entendia que eu era líder comunitário, eu não entendia que eu era empreendedor social; mas hoje, eu tenho a certeza de que eu sou, e não só sou, como carrego uma multidão que não sabe disso. E a gente precisa educar esses jovens, porque eles também podem – e devem – se tornar líderes comunitários.

    Mas a minha missão, sobretudo, é simplificar o terceiro setor; é explicar para as pessoas aquilo tudo que é difícil demais de entender, às vezes até "burrocrático" que a gente chama. A maior virtude do líder comunitário – e a maioria das pessoas não sabe disso, até quem é líder comunitário – é a esperança. A gente trabalha sobre esperança, porque a gana que nós temos de vencer, mesmo diante de várias sucessivas derrotas, é extraordinária! Isso é uma essência humana que não é terceirizável; a gente tem uma gana de continuar batalhando. E eu coloquei até uma frase aqui, do Nelson Mandela, que diz o seguinte: "Se você falar com uma pessoa em uma linguagem que ela compreende, isso entra na cabeça dela. Se você falar com ela em sua própria linguagem, você atinge o coração". E é isso que o líder comunitário faz. É por isso que eu não consigo falar da comunidade de vocês, é por isso que nenhum de nós conseguimos falar pela comunidade de vocês. Só quem consegue fazer isso são vocês.

    E eu também sou líder comunitário, eu carrego uma liderança de uma comunidade que é a comunidade do terceiro setor. Hoje, nós temos alguns princípios, que são para democratizar o acesso a informações – e por isso existe o Bate Papo 3º Setor –, porque C.S. Lewis disse o seguinte: "A tarefa do educador moderno não é derrubar florestas, mas irrigar desertos". E a gente trabalha onde as pessoas não querem trabalhar. Quem quer trabalhar no terceiro setor? Quando você conhece, você se apaixona, você nasce no terceiro setor, você é fruto de projeto social. O projeto social nasce de uma dor da comunidade, e se não for o líder comunitário para dar voz, para dar imagem a isso, como a gente descobriria as dificuldades que o Brasil tem? Impossível a gente atingir o Brasil inteiro, com o território tão continental que nós temos. E é por isso que o líder comunitário é muito importante.

    Nós temos hoje, no Bate Papo 3º Setor, mais de 5,4 mil projetos sociais em 21 estados do Brasil. E hoje o que a gente faz, e estamos em circuito agora no Distrito Federal, então, convido todos... Não vou me alongar nesse ponto, mas convido todos a se inscreverem. Vocês líderes comunitários têm voz dentro do Bate Papo 3º Setor para falarem sobre o projeto de vocês, para serem reconhecidos pelo projeto de vocês de forma continuada. No Instagram, pelo @batepapo3setor, vocês podem acompanhar um pouco mais.

    Mas o que a gente descobriu no Bate Papo 3º Setor, democratizando, Senador, toda a informação, é que não adianta só educar, porque a conta não espera. Educar uma pessoa depois de muitos anos trabalhando na comunidade é um desafio enorme, porque a conta dela não espera, a fome não espera, o desemprego não espera, a saúde não espera. E por que um líder comunitário tem que passar anos estudando para aprender a fazer o que ele já faz de melhor e melhor que todo mundo?

    E é por isso... (Palmas.)

     É por isso que o Bate Papo 3º Setor tem essas premissas, porque é difícil para caramba você aceitar ser infeliz sem saber até quando. E é isso que o líder comunitário faz. E é por isso que ele deve ser homenageado todo dia e esse dia ser um feriado, porque, no final das contas, a gente vence isso tudo. E é batalha atrás de batalha, atrás de batalha e derrota, mas ainda assim a gente vence, porque vê o sorriso da nossa comunidade. É isso que é ser líder comunitário.

    E, quando o Senador me fez um convite – e eu sou muito grato, acima de tudo, a Deus, por termos nos encontrado, assim como todos os outros aqui, os que já nos conhecem e toda nossa comunidade –, ele disse: "Precisamos mudar o terceiro setor do Brasil, e isso começa dentro de casa, na comunidade, no DF e no Brasil, no Centro-Oeste e no Brasil".

    E quando a gente decidiu... Por que caminho a gente vai? O que falta para o terceiro setor? Já tem um dia do líder comunitário, vocês já têm algumas isenções fiscais, vocês têm algumas leis, ou outras, que contribuem de alguma forma, mas isso não ajudou muito. O que a gente precisa fazer? A gente precisa... E aí o que o mundo corporativo diz para a gente é de governança. Mas quem é que sabe o que é governança?

    É difícil demais governar. E você fazer isso sozinho? O líder comunitário com o seu projeto social é uma "euquipe", é ele por ele mesmo. É ele pela comunidade e ninguém vai ajudá-lo, de forma "burrocrática".

    Então, nós decidimos... E está em tramitação – convido todos vocês a conhecerem – o PL 427, de 2026, porque o futuro, Senador, pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos. E, imaginem vocês, sonhem... Para você ter um recurso fixo mensal para administrar a sua instituição, um recurso fixo mensal para contratar a pessoa de que você precisa para secretariar, para marketing, para administração, para o jurídico, para o contábil... Sonhem em ter uma receita sem precisar justificar aquilo que já é injustificável, porque você é líder comunitário e você representa uma comunidade inteira!

    Esse é o Fundo Nacional de Apoio ao Terceiro Setor, protocolado – está em tramitação – pelo Senador Izalci Lucas. E o Fundo Nacional do Terceiro Setor, o Funats, o PL 427, de 2026, de autoria desse Senador, traz o que o Walt Disney disse um dia: "Um dia [eu] aprendi que sonhos existem para tornarem-se realidade. E, desde [então], já não durmo para descansar. Simplesmente durmo para sonhar", porque esse sonho está no rumo de ser concretizado, Senador.

    Então, muito obrigado. Muito obrigado mesmo por acreditar nessa comunidade, porque vocês líderes comunitários... A gente olha a palavra liderança e tem uma baita responsabilidade, mas a gente não entende o conceito, porque é comunidade.

    E, para finalizar, queria dizer para vocês o que o Tim Maia disse uma vez e reforçou uma vez: As pessoas esquecem o que vocês dizem, elas esquecem o que você fala, mas elas jamais vão esquecer... Elas esquecem até o que você fez, mas elas jamais vão esquecer como vocês as fizeram se sentirem.

    Então, por favor, continuem com os seus projetos, continuem criando mais oportunidades. Continuem criando os projetos, voltem para a Ceilândia, voltem para o Recanto, voltem para Sobradinho, voltem para Planaltina, voltem para o Riacho, voltem para o Gama, voltem para Itapoã, para a Estrutural, para Santa Maria, voltem para o Paranoá, voltem para todas as regiões administrativas do DF. (Palmas.)

    Convoquem os jovens para participar disso, para ajudar vocês. Voltem a qualquer uma dessas regiões e façam o melhor projeto social possível da vida de vocês.

    Continuem os seus projetos, continuem na sua missão e façam projetos de esporte, de cultura, de diversidade, de meio ambiente, de acessibilidade, de assistência social e de empreendedorismo para mulheres, para crianças e para idosos.

    Contem comigo; contem com este Senador nessa jornada, sem esquecer o quê? Que o diamante é apenas um carvão que persistiu? Eu sou o que sou pelo que nós somos. E agora, vocês, comunidade: quem nós somos?

(Manifestação da plateia.)

    O SR. TITO PEREIRA SANTANA – Valeu!


Este texto não substitui o publicado no DSF de 30/05/2026 - Página 21