Pronunciamento de Cleitinho em 10/06/2026
Discurso durante a 77ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Defesa da aprovação no Senado Federal da PEC nº 221/2019, já aprovada na Câmara dos Deputados, que reduz a duração máxima semanal do trabalho e prevê dois dias de repouso semanal remunerado, sem redução salarial. Crítica aos privilégios, aos elevados gastos da estrutura estatal e à atuação da classe política, acompanhada de apelo por maior participação da população na fiscalização dos agentes públicos.
- Autor
- Cleitinho (REPUBLICANOS - REPUBLICANOS/MG)
- Nome completo: Cleiton Gontijo de Azevedo
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Jornada de Trabalho,
Remuneração:
- Defesa da aprovação no Senado Federal da PEC nº 221/2019, já aprovada na Câmara dos Deputados, que reduz a duração máxima semanal do trabalho e prevê dois dias de repouso semanal remunerado, sem redução salarial. Crítica aos privilégios, aos elevados gastos da estrutura estatal e à atuação da classe política, acompanhada de apelo por maior participação da população na fiscalização dos agentes públicos.
- Publicação
- Publicação no DSF de 11/06/2026 - Página 31
- Assuntos
- Política Social > Trabalho e Emprego > Jornada de Trabalho
- Política Social > Trabalho e Emprego > Remuneração
- Matérias referenciadas
- Indexação
-
- DEFESA, APROVAÇÃO, PROPOSTA DE EMENDA A CONSTITUIÇÃO (PEC), ALTERAÇÃO, CONSTITUIÇÃO FEDERAL, REDUÇÃO, JORNADA DE TRABALHO, AUMENTO, REPOUSO SEMANAL, EMPREGADO, PREFERENCIA, DIA, DOMINGO, PROIBIÇÃO, DESCONTO SALARIAL, CORTE, REMUNERAÇÃO, POSSIBILIDADE, COMPENSAÇÃO, HORARIO, REQUISITOS, ACORDO COLETIVO DE TRABALHO, PACTO, TRABALHADOR, EMPREGADOR, FLEXIBILIDADE, GARANTIA, REGIME DIFERENCIADO, APLICAÇÃO IMEDIATA, NORMAS, CONTRATO DE TRABALHO, VIGENCIA, PRESERVAÇÃO, IRREDUTIBILIDADE, SALARIO, PISO SALARIAL, FIXAÇÃO, PRAZO, FASE, IMPLEMENTAÇÃO, PODER PUBLICO, CONTRATO ADMINISTRATIVO, ADAPTAÇÃO, TERMO ADITIVO, EQUILIBRIO, EFEITOS FINANCEIROS, INCIDENCIA, LICITAÇÃO, CONCESSÃO, PARCERIA PUBLICO-PRIVADA (PPP).
O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG. Para discursar.) – Presidente, é um prazer meu também.
Uma coisa que graças a Deus eu sempre tenho na minha vida é humildade. Eu acho que às vezes isso falta muito para o político, porque o que acontece na vida pública hoje – e é natural? Muitas pessoas acham que o político é diferente de um trabalhador, de uma pessoa comum. O político é igual a qualquer outra pessoa. Qualquer político, qualquer ser humano da face da terra vai errar, vai ter equívoco, vai ter falha, vai ter acerto. Então, todas as vezes que eu achar que eu me equivoquei, que eu tive falha, eu não tenho problema nenhum de subir, neste Plenário, aqui e falar assim: "Gente, eu me equivoquei", "Gente, nessa aqui eu errei". Porque todos vão errar – todos. O único que não errou aqui foi Jesus Cristo, que morreu crucificado e fazendo só o bem.
Então, qualquer um que estiver na face da terra, que for político, que for rei, que for Presidente, que for Governador, que for Senador, vai errar, mas o problema é que o político é tão vaidoso, que ele não consegue chegar e dizer: "Olha, gente, eu errei!", "Nessa aqui eu me equivoquei!", e voltar atrás. Qual é o problema de voltar atrás? Qual é o problema? Vou dar um exemplo aqui da questão da PEC.
Kajuru, você é prova disto, porque, na maioria das vezes, você está aqui em Plenário: eu fui um dos primeiros Parlamentares – tanto de Deputados quanto de Senadores – a apoiar a questão do fim da escala 6x1. Tem uma PEC minha que tem quase dois anos que eu protocolei, com a sua assinatura aqui, para dar fim à escala 6x1 e ter a 5x2. Então, qual é a loucura da minha parte? Tem que ser um louco, um mau-caráter, para agora ser votado na Câmara, e eu ir contra.
O SR. PRESIDENTE (Jorge Kajuru. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO) – É evidente. Claro.
O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – Acontece que isso aqui é um Parlamento, e todas as PECs nesse tema eu assinei. A do Paulo Paim, que estava aqui também, eu assinei, porque isso precisa ser debatido. É importante! A gente tem que escutar todo mundo aqui. Agora, a PEC que eu vou votar e que eu vou defender é a que veio da Câmara. Então, gente, eu tenho uma PEC aqui no Senado, que é minha, que é idêntica a essa, e a minha é de dois anos atrás. Era mais fácil eles terem copiado a minha PEC e terem mandado para a Câmara do que qualquer outra coisa. Então, qual é o motivo de, agora, eu ser contra? Não existe! Tanto é que eu tive a humildade, semana passada, e falei assim: "Ó, retire a minha assinatura, porque eu não estou aqui para prejudicar, para atrapalhar". Inclusive, eu já falei com o Davi, mandei áudio para o Davi. Publicamente eu falei com ele: "Davi, dê prioridade, Presidente, à que veio da Câmara. Vamos votar a que veio da Câmara".
Então, o problema do político é a vaidade, é o ego. E eu tenho zero vaidade e ego. Todas as vezes que eu achar, gente, que deva eu vou voltar atrás: "Não, isso aqui eu falei e não foi legal", "Isso que eu fiz, esse projeto também, eu acho que o povo não quer...", porque, como você disse, quem pauta meu mandato não é partido, não é político; quem pauta meu mandato é a mão de Deus na consciência e o povo na rua. Então, todas as vezes que o povo falar comigo: "Cleitinho, faça isso", eu vou fazer. Todas as vezes que falar: "Cleitinho, não faça isso", eu não vou fazer. Não vai ser partido, não vai ser político, não vai ser ninguém, porque quem paga meu salário, quem me colocou aqui, com 4,5 milhões de votos, foi o povo mineiro. E hoje quem paga meu salário aqui é todo o povo brasileiro. Então, quem pauta as minhas pautas aqui, quem pauta o meu mandato é o povo. Quem manda é o povo.
Inclusive, eu queria falar aqui para toda a população brasileira. Esta fala minha deveria chegar a todo o povo brasileiro, porque eu não consigo entender um político querer convencer um trabalhador, um político que ganha 40 paus por mês, que trabalha aqui três vezes na semana... E eu vou falar que não são três vezes na semana, não; porque hoje é quarta-feira e não vai ter Plenário aqui amanhã, quinta-feira. A verdade é que a gente está trabalhando aqui em 2x5. E eu queria entender o que faz um político que trabalha em 2x5, que ganha R$40 mil – fora os privilégios, fora o plano de saúde vitalício, o carro oficial, e não sei o quê, auxílio alimentação para isso e para aquilo, auxílio moradia –, querer convencer um trabalhador CLT, que trabalha 6x1, que ganha R$1,6 mil, que pega ônibus lotado, que a culpa é dele, que ele não pode ter mais uma folga. Que loucura é essa?!
Deixe-me mostrar para o povo brasileiro. Que vocês repassem esta fala minha para todo o Brasil, para que o Brasil conheça de quem é a culpa, porque a culpa não é do empresário, nem do trabalhador, que é fonte de riqueza. A culpa de verdade é da classe política, a fonte de despesa. Vamos lá, gente: um Presidente, um Vice-Presidente, 81 Senadores, 513 Deputados Federais, 27 Governadores, 27 Vice-Governadores, 1.059 Deputados Estaduais, 5.568 Prefeitos, 5.568 Vice-Prefeitos, 58 mil Vereadores... Aí, gente, sabe quanto dá isso? Mais de 70 mil políticos. Isso aqui enche uma final de Copa do Mundo, agora, para vocês aqui. Não sei... Há quase meio milhão de assessores e, na maioria das vezes, gente – não estou aqui para julgar, não –, vocês já sabem como é... Sabe quanto custa isso para o país? Não é o trabalhador que trabalha na escala 6x1, que pega ônibus lotado... A culpa não é dele, não. Pelo contrário, ele trabalha para manter este custo aqui, ó, olha isto aqui: R$248 mil por minuto, R$15 milhões por hora, R$357 milhões por dia, R$10 bilhões por mês, R$130 bilhões por ano.
Então, está vendo onde é o problema? O problema não é o trabalhador e muito menos o empresário. O problema está aqui. E, muitas das vezes, gente – eu não estou aqui generalizando –, eles te roubam.
E lembro que tem, este ano, "a festa da democracia": R$5 bilhões para torrar, para poder fazer campanha às suas custas.
Aí, sabe o que você tem que fazer com esse político? Na hora em que ele bater na sua porta e vier falar de saúde, segurança e educação e pedir seu voto, você vai falar com ele assim: "Agora você vai me convencer. Vamos fazer o seguinte? Eu quero que você saia de ser político, de ganhar R$40 mil por mês, de fazer uma escala 5x2 e de ter essa quantidade de privilégios e venha trabalhar na minha escala 6x1, pegar ônibus lotado e ganhar R$1,6 mil.". Eu quero ver quantos políticos vão continuar aqui nesta tribuna defendendo o povo. Eu quero ver quantos políticos serão candidatos se tiverem que trabalhar numa escala maldita de 6x1 e tiverem que ganhar R$1,6 mil e tiverem que pegar ônibus lotado. Duvido! Duvido! Eu quero ver! Quero ver!
Então, eu peço a você que está vendo essa fala minha aqui, independentemente de que lado você seja – de esquerda, de direita, ou se você não é nada –, que você repasse essa fala para todo o Brasil, para a gente mostrar qual é o problema do Brasil, porque o problema do Brasil não é um trabalhador que quer uma folga a mais. Não é. O problema do Brasil não é o empresário que está pedindo redução de imposto, desoneração da folha. Não é. O problema do país está aqui. A fonte de despesa está aqui, no Congresso Nacional.
E eu já vou repetir novamente – se quiser meter processo, mete processo –: ainda tem um monte de picareta ainda que rouba dinheiro público e desvia dinheiro público. Se eu estiver mentindo aqui, gente, eu abro o microfone aqui para o debate. A verdade prevalece. Eu abro o meu microfone aqui para o debate, para qualquer político, qualquer Senador que quiser debater comigo se o que eu estou falando é mentira. Que dia que um trabalhador ou um empresário é fonte de despesa? Pelo contrário: rala para pagar imposto para poder manter isso aqui. E, como eu falei para vocês...
Ah, que fique claro aqui – viu, gente? – que não é só também – viu, Presidente? – o Poder Legislativo, não: tem o Poder Executivo e tem o Poder Judiciário. Inclusive, o Poder Judiciário tem R$12 bilhões para gastar. Inclusive, o Poder Judiciário gosta de abrir licitação aí para carros, como teve a do TST, que abriu aí quase R$10 milhões para comprar carro de R$350 mil. Eu faço uma pergunta: o trabalhador CLT tem direito a carro oficial de R$350 mil? Tem um Poder Judiciário também – desembargadores, juízes, vossas excelências – que gosta de abrir licitação para comprar iPhones. Olha aqui, gente: o iPhone. (Pausa.)
Nossa Senhora, desculpa! É porque eu estou nervoso.
Olha aqui o iPhone, gente. Será que eles não têm, ganhando R$40 mil, com um monte de privilégio, como conseguir comprar iPhone, não? Mas eles têm direito de abrir licitação. Aí eu pergunto para você, trabalhador 6x1, CLT: como é que você compra seu iPhone? Você não trabalha e, com o seu salário, vai lá e divide até em dez vezes? Por que as vossas excelências não podem comprar do seu próprio bolso, com o seu salário que já é 40 paus? Têm que ainda ter esse privilégio?
É assim que funciona. É assim que funciona o sistema do Brasil. E é isso que a gente precisa mudar. É assim que a gente muda o país: na hora em que a gente entender que a gente está aqui é para servir, não é para ser servido – a gente está aqui para servir. É assim que a gente vira o jogo. E digo a todos vocês: na hora em que vocês entenderem que vocês são o patrão, que esses que estão aqui são empregados de vocês e que vocês é que ditam a ordem, que vocês é que mandam.
É igual a essa bandeira que está aqui: ordem e progresso. A hora em que... Você pode ter certeza de que, se tem ordem, vai ter progresso. Não existe um país que vai ter progresso sem ordem, não. E quem dita a ordem são vocês. Quem manda são vocês. E a gente está aqui para obedecer.
Vocês saem de casa para poder ir votar e, na hora em que chegam lá, no domingo, têm que acordar cedo, são obrigados a votar senão são multados ainda, têm que ir lá votar. Antes, Kajuru...
(Soa a campainha.)
O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – ... tem que pagar. Eu vi uma frase sua uma vez, que você colocou nas suas redes sociais, mostrando que o cara, além de votar em você, ele te paga para que você possa ainda fazer campanha. E depois que ele ganha a eleição, vai lá e te rouba também.
Então, assim, pelo amor de Deus, população brasileira! População brasileira, é o seguinte: isso aqui, gente, na hora em que eu falei... Até fiz uma fala minha esses dias atrás, numa entrevista, que tem hora que isso aqui enche o saco, porque a verdade é a seguinte: são poucos os que estão preocupados em mudar a vida da população – são poucos. A verdade é a que está aqui, ó: quando é algum projeto em benefício da classe política, se vota rapidinho; aqui ninguém discute, ninguém fala nada, vota relâmpago. Se precisar, vota no sábado, no domingo, né? Agora, quando é para o povo, aí tem discussão, tem que discutir mais, sabe? Não se pode votar.
Então, gente, acorda! Tanto você que é de esquerda... Seja o que você quiser, Deus deu o livre-arbítrio. Se você quer ser de esquerda, você seja; se você quer ser de direita, você seja de direita; se você não quer ser nada, não seja. Mas unam-se!
(Soa a campainha.)
O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – Entendam uma coisa: vocês são o patrão, vocês que mandam, e nós estamos aqui para obedecer a vocês.
Então, eu quero finalizar aqui dizendo bem claro para vocês: fonte de despesa é a classe política aqui; fonte de riqueza é o empresário, o trabalhador. A gente deve obrigação e deve honra ao trabalhador e ao empresário. Então, que se vote, o mais rápido possível, o fim da escala 6x1, se dê dignidade e se faça a escala 5x2.
Muito obrigado, Sr. Presidente.