Discurso durante a 91ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Agradecimento pela homenagem recebida da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, com balanço da trajetória parlamentar de S. Exa. e reafirmação do compromisso com a justiça social, a democracia e os direitos dos trabalhadores. Defesa da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e do fim da escala 6x1, sem redução salarial.

Autor
Paulo Paim (PT - Partido dos Trabalhadores/RS)
Nome completo: Paulo Renato Paim
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Fomento ao Trabalho, Homenagem, Jornada de Trabalho, Proteção Social, Saúde e Segurança do Trabalho:
  • Agradecimento pela homenagem recebida da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, com balanço da trajetória parlamentar de S. Exa. e reafirmação do compromisso com a justiça social, a democracia e os direitos dos trabalhadores. Defesa da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e do fim da escala 6x1, sem redução salarial.
Publicação
Publicação no DSF de 01/07/2026 - Página 42
Assuntos
Política Social > Trabalho e Emprego > Fomento ao Trabalho
Honorífico > Homenagem
Política Social > Trabalho e Emprego > Jornada de Trabalho
Política Social > Proteção Social
Política Social > Trabalho e Emprego > Saúde e Segurança do Trabalho
Matérias referenciadas
Indexação
  • AGRADECIMENTO, HOMENAGEM, ASSEMBLEIA LEGISLATIVA, ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL (RS), BALANÇO, PARLAMENTAR, COMPROMISSO, JUSTIÇA SOCIAL, DEMOCRACIA, DIREITO, TRABALHADOR.
  • DEFESA, REDUÇÃO, TRABALHO, JORNADA DE TRABALHO, SEMANA, CARGA HORARIA, ESCALA, MANUTENÇÃO, SALARIO, DIREITO, TRABALHADOR.

    O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS. Para discursar.) – Presidente Humberto Costa, Senadores, Senadoras, o Plenário hoje não está lotado, porque o que está lotado é só o jogo da Copa do Mundo, tanto, Sr. Presidente, que a fala que eu vou fazer hoje... Eu iria receber uma medalha da 56ª Legislatura da Assembleia do Rio Grande do Sul, no fim desses meus 40 anos de mandato, e não houve o evento – suspendemos o evento –, porque o assunto era Brasil. Estamos chegando e ganhamos o jogo, felizmente. Então, eu farei o pronunciamento aqui, com o maior carinho, à Assembleia do Rio Grande do Sul.

    Sr. Presidente, faço hoje, com muito carinho, o pronunciamento que faria ontem, 29 de junho, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. O evento foi transferido – agora só depois do período eleitoral – em virtude do jogo do Brasil. Valeu a pena: assisti ao jogo e ganhamos.

    Senhoras e senhores, recebo essa medalha da 56ª Legislatura da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul com profunda emoção e enorme gratidão.

    Agradeço ao Deputado Estadual Adão Pretto Filho e a todos os Parlamentares pela indicação do meu nome para receber uma das mais importantes distinções concedidas pelo Parlamento gaúcho.

    Confesso que estou muito agradecido e com muita gratidão. Essa homenagem não pertence apenas a mim; ela é compartilhada com todos aqueles – homens e mulheres, crianças, adolescentes, pessoas idosas, deficientes, enfim – que caminharam ao nosso lado, Sr. Presidente: o movimento sindical, a juventude, o povo quilombola, o povo indígena, pessoas com deficiência, mulheres, LGBTQI+, indígenas, lutadores pelos direitos humanos, todos que acreditam que a política pode ser um grande instrumento de transformação social.

    Iniciei no movimento estudantil, no meio da década de 60, em Caxias do Sul, no Ginásio Noturno para Trabalhadores Getúlio Vargas. Fui Presidente do grêmio. Depois desse período na área estudantil, em plena ditadura, fui retirado da Presidência do grêmio e fui para o Ginásio Estadual Santa Catarina. Saí do grêmio do Ginásio Noturno para Trabalhadores, mas continuei fazendo política estudantil no Ginásio Estadual Santa Catarina – na parte, claro, do noturno, porque eu trabalhava de dia. Daí para frente, entrei no movimento sindical. Fui para Canoas, lutando pelos direitos trabalhistas e sociais, democracia, salário decente, emprego decente.

    Lembro que Alceu Collares, quando eu cheguei a esta Casa, num gesto muito bonito – ele que foi Governador do estado depois –, passou-me a bandeira do salário mínimo.

    Com o tempo, veio a Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988 e mais três reeleições para Deputado Federal. Na verdade, incluindo a Assembleia Nacional Constituinte, foram quatro mandatos de Deputado Federal e três de Senador.

    São 40 anos ininterruptos aqui no Congresso Nacional, uma trajetória construída com diálogo, compromisso e fidelidade às causas do povo brasileiro. E vejam que, às vésperas de completarmos essas quatro décadas de promulgação da Constituição e dos meus mandatos, poderemos, enfim, aprovar o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução de salário – bandeira essa abraçada e sonhada pela classe trabalhadora.

    Na Constituinte, nós reduzimos quatro horas; e, agora, nosso objetivo é reduzir quatro horas também, sem redução do salário. Diziam que seria o caos; nada disso aconteceu. O desemprego na época era de 12%, hoje está em torno de 4,5%.

    Sr. Presidente, não serei mais candidato ao Senado, mas não saio da política, porque a política está em mim. Ela faz parte da nossa história, da minha alma e da minha forma de enxergar o mundo. Continuarei militando pelas causas em que sempre acreditei: a justiça social, a igualdade de oportunidades, a luta antirracista, a democracia, a paz e as políticas humanitárias.

    Lembro uma passagem inesquecível de que participei junto do Vice-Presidente da República José Alencar, já falecido, quando, em um encontro em Porto Alegre, na Fiergs, eu o acompanhava, e ele disse versos de Quando Eu Me Chamar Saudade, de Nelson Cavaquinho. Aí disse: "Me dê as flores em vida, o carinho, a mão amiga, para aliviar meus ais".

    Recebo esta medalha como se ela fosse flores em vida. Ela tem um significado especial, porque vem do povo gaúcho, por meio de seus representantes legítimos.

    Dia desses, alguém me perguntou se, se eu olhasse para trás, eu faria tudo novamente. Respondi sem hesitar: "Faria tudo outra vez, com os mesmos sonhos, as mesmas convicções, a mesma paixão pelas causas do povo brasileiro".

    Como diz a canção My Way, eternizada na voz de Frank Sinatra e tantas vezes lembrada por diferentes gerações, eu fiz do meu jeito. Sim, procurei fazer do meu jeito, com simplicidade, coerência, respeito às diferenças e amor ao próximo.

    Se deixo algum legado, espero que seja este: a certeza de que vale a pena dedicar a vida à construção de uma sociedade mais humana, mais justa e mais solidária.

    Muito obrigado ao Parlamento gaúcho, ao Deputado Adão Pretto, filho do falecido Adão Pretto, que foi meu colega na Câmara de Deputados, aos amigos e a todos que compartilharam esta longa caminhada. Recebo essa medalha com o coração cheio de gratidão e dizendo muito, muito obrigado.

    Senador Humberto, aproveitando esses cinco minutos que tenho, eu não poderia deixar de falar de um tema específico. No dia de hoje, desde o início da manhã, trabalhadores e trabalhadoras de todo o país estão mobilizados em uma grande jornada, jornada nacional convocada pelas centrais sindicais, pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e pelo Movimento Vida Além do Trabalho. É uma mobilização em defesa de uma causa justa, humana e necessária: o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salário.

    É uma luta pela dignidade humana, pela saúde, por melhores condições de trabalho e saúde física e mental, pela convivência familiar, pelo direito ao descanso, ao lazer, ao estudo e à qualidade de vida.

    Algumas cidades fizeram movimento já pela manhã e continuarão, outras, à tarde: Maceió, Alagoas; Salvador, Bahia; Belo Horizonte, Minas Gerais; João Pessoa, Paraíba; Curitiba, Paraná; Rio de Janeiro, Rio de Janeiro; Natal, Rio Grande do Norte; Florianópolis, Santa Catarina; Chapecó, Santa Catarina; São Paulo, São Paulo. Em São Bernardo do Campo, o Sindicato dos Metalúrgicos fez mobilizações nas portas de fábrica, isso porque lá já tem 40 horas – já tem 40 horas. Em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, a concentração foi em frente à rodoviária, seguida de caminhada até o Palácio Piratini.

    Em Brasília, o ato está marcado para hoje, às 17h, na Praça Lúcio Costa, em frente ao Conjunto Nacional. A expectativa é reunir sindicalistas, Parlamentares, trabalhadores de todas as áreas, da área pública e da área privada, representantes do Movimento VAT, para reforçar a mobilização no sentido de que o Senado vote o mais rápido possível...

(Soa a campainha.)

    O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS) – ... essa proposta, que é do povo brasileiro.

    Os organizadores também intensificaram uma campanha virtual, junto às redes sociais, para que a votação da PEC que veio da Câmara seja aprovada.

    Senhoras e senhores, o mundo do trabalho mudou, a tecnologia avançou, a produtividade cresceu, mas os trabalhadores continuam pagando uma conta pesada, muitas vezes sacrificando a saúde, o convívio com os filhos, com os netos, pais e seus companheiros de vida. A redução da jornada de trabalho representa mais qualidade de vida, melhores condições de saúde, aumento da produtividade, geração de emprego e renda, família e participação na comunidade.

    Termino, Sr. Presidente, dizendo: uma pesquisa recente do Instituto Pesquisas de Opinião (IPO), lá no Rio Grande do Sul, demonstra aquilo que já percebemos nas ruas...

(Interrupção do som.)

    O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS. Fora do microfone.) – ... de todo o país: sete em cada dez gaúchos...

(Soa a campainha.)

    O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS) – ... sete em cada dez gaúchos apoiam o fim da escala 6x1, são 71,5% da população favorável à mudança, percentual muito próximo... eu diria até um pouco maior que em outros países. Em Porto Alegre, o apoio chegou a 80,6%. Na região de Pelotas, 77,8%. Na região metropolitana, 74,1%.

    Segundo a cientista social e política Elis Radmann, Diretora do instituto, os dados revelam um amplo apoio da população brasileira à redução da jornada e ao fim da escala 6x1 sem prejuízo no salário, especialmente por representar uma pauta ligada à qualidade de vida, ao descanso, à valorização do trabalho e do trabalhador. O apoio ainda é muito maior entre mulheres e jovens, justamente aqueles que mais sentem...

(Interrupção do som.)

    O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS. Fora do microfone.) – ... o impacto das novas relações no mundo do trabalho e...

(Soa a campainha.)

    O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS) – ... buscam o maior equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal.

    Esses números mostram que essa não é uma bandeira de um partido, de um sindicato, de uma central ou de um movimento social: é uma bandeira de todo o povo brasileiro. É uma bandeira que vem da sociedade, dos mais simples, da classe média e daqueles que têm um poder de compra maior, mas que são solidários a esse movimento.

    A Câmara dos Deputados já deu um passo importante ao aprovar a proposta. Agora, chegou a vez do Senado. Tenho convicção de que este Parlamento saberá ouvir a voz das ruas, a voz dos trabalhadores, das trabalhadoras e o sentimento da maioria da população deste país. Tenho certeza de que mais de 80%, se somarmos tudo, são favoráveis ao fim da jornada 6x1, que caminha para 5x2.

    Pronto, Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 01/07/2026 - Página 42