Discurso durante a 97ª Sessão de Premiações e Condecorações, no Senado Federal

Sessão de premiações e condecorações destinada à outorga da Comenda de Incentivo à Caridade Chico Xavier. Homanagem à Fraternidade Católica Toca de Assis, ressaltando seu trabalho junto à população em situação de rua, e enaltece o papel dos voluntários, da caridade e do legado de Padre João Maria na promoção da dignidade humana e da inclusão social.

Autor
Zenaide Maia (PSD - Partido Social Democrático/RN)
Nome completo: Zenaide Maia Calado Pereira dos Santos
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Assistência Social, Homenagem, Religião:
  • Sessão de premiações e condecorações destinada à outorga da Comenda de Incentivo à Caridade Chico Xavier. Homanagem à Fraternidade Católica Toca de Assis, ressaltando seu trabalho junto à população em situação de rua, e enaltece o papel dos voluntários, da caridade e do legado de Padre João Maria na promoção da dignidade humana e da inclusão social.
Publicação
Publicação no DSF de 08/07/2026 - Página 24
Assuntos
Política Social > Proteção Social > Assistência Social
Honorífico > Homenagem
Outros > Religião
Matérias referenciadas
Indexação
  • SESSÃO DE PREMIAÇÕES E CONDECORAÇÕES, Comenda de Incentivo à Caridade Chico Xavier, HOMENAGEM, SOCIEDADE, FILANTROPIA, IGREJA CATOLICA, ATUAÇÃO, PESSOAS, VULNERABILIDADE, ELOGIO, VOLUNTARIO, LEGADO, SACERDOTE, JOÃO MARIA CAVALCANTI DE BRITO, PROMOÇÃO, DIGNIDADE, INCLUSÃO SOCIAL.

    A SRA. ZENAIDE MAIA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - RN. Para discursar.) – Bom dia a todos e a todas aqui presentes.

    Quero cumprimentar o Sr. Presidente da sessão, o Senador Eduardo Girão; minha colega Senadora Damares Alves; e todos os senhores e senhoras que estão aqui.

    Sr. Presidente, Sras. e Srs. Senadores, agraciados, agraciadas, representantes das instituições homenageadas, senhoras e senhores presentes e todos que nos acompanham pelos canais de comunicação do Senado Federal, subo hoje aqui, com o maior orgulho, a esta tribuna para falar de algo que transcende a política, as ideologias e até mesmo as diferenças que muitas vezes nos separam. Venho falar da caridade, dessa força transformadora que nasce do amor ao próximo e que nos lembra diariamente da nossa humanidade comum.

    Hoje o Senado Federal realiza mais uma entrega da Comenda de Incentivo à Caridade Chico Xavier, e eu não poderia deixar de registrar a importância desta homenagem, em tempos em que tantas vezes o individualismo parece falar mais alto, reconhecer pessoas e instituições que dedicam suas vidas ao cuidado com os outros é reafirmar valores que precisam continuar vivos em nossa sociedade.

    A caridade é um dos maiores atos de amor que existem, é a capacidade de enxergar a dor do outro e não permanecer indiferente, é compreender que ninguém vence sozinho e que uma sociedade verdadeiramente justa é aquela que cuida dos seus mais vulneráveis. Costumo dizer, gente, que um país não pode ser medido apenas pelo tamanho de sua economia ou pelas suas obras. Um país também se mede pela forma como trata quem mais precisa, pela forma como acolhe os que sofrem, os que passam fome, os que perderam a esperança e os que muitas vezes se tornaram invisíveis aos olhos da sociedade.

    É por isto que homenagens como esta são tão importantes, Girão, Damares e todos que estão nos assistindo: pela forma como acolhe os que sofrem, os que passam fome, os que perderam a esperança e os que muitas vezes se tornaram, como eu falei aqui, invisíveis. E, nesta edição da Comenda de Incentivo à Caridade Chico Xavier, o nosso mandato teve a honra de indicar a Fraternidade Católica Toca de Assis, em Natal, RN. Trata-se de uma instituição que há 32 anos realiza um trabalho admirável junto à população em situação de rua. Um trabalho que leva cuidado, acolhimento e a oportunidade de recomeçar para pessoas que enfrentam algumas das situações mais difíceis da vida.

    Fundada na espiritualidade franciscana da humildade, da simplicidade e do serviço, a Fraternidade Católica Toca de Assis desenvolve ações sociais e espirituais que transformam vidas. Entre elas estão a distribuição de alimentos, água e roupas, oferta de banho, higiene pessoal, corte de cabelo, atendimento médico, odontológico e psicológico, apoio jurídico e emissão de documentos, além do acolhimento e da escuta de pessoas em situação de rua. São gestos concretos que devolvem autoestima, esperança e a oportunidade de recomeçar a quem muitas vezes já não acredita mais em dias melhores.

    A indicação é um reconhecimento a uma missão construída diariamente por missionários, voluntários e benfeitores que escolheram dedicar suas vidas ao serviço dos mais vulneráveis – um trabalho, gente, que materializa na prática o verdadeiro sentido da caridade.

    Como autora da indicação da fraternidade católica Toca de Assis para esta edição da Comenda de Incentivo à Caridade Chico Xavier , considero que esta Casa presta uma justa homenagem a uma instituição que faz da solidariedade, do acolhimento e do cuidado com o próximo a sua missão de vida.

    A homenagem que hoje prestamos não pertence apenas à instituição, mas alcança cada missionário, cada voluntário, cada benfeitor e cada pessoa que dedica seu tempo a servir àqueles que mais precisam; alcança também os irmãos e as irmãs em situação de rua que, apesar de tantas dificuldades, ensinam-nos diariamente sobre o que é resistência, esperança, fé e capacidade de recomeçar.

    Para a Toca de Assis, a caridade não é apenas um gesto de solidariedade, é uma expressão profunda de fé – e a gente sabe que quem tem fé, tem esperança –; é servir, reconhecendo a presença de Deus em cada irmão acolhido, especialmente nos mais vulneráveis; é viver diariamente o ensinamento de Cristo de que tudo aquilo que fazemos aos mais pequeninos, fazemos ao próprio Senhor.

    Nesse contexto, permitam-me recordar uma grande referência da fé e da caridade do povo potiguar, o servo de Deus, Padre João Maria. Conhecido como o Anjo da Caridade de Natal, Padre João Maria dedicou sua vida aos pobres, aos enfermos e aos esquecidos. Seu legado permanece vivo na memória e no coração do povo do Rio Grande do Norte. Em uma época de tantas dificuldades, ele escolheu estar ao lado daqueles que mais necessitavam de cuidado, consolo e acolhimento. A sua causa de beatificação é motivo de esperança para a Igreja Católica. Desejamos que seu testemunho de santidade, humildade e amor aos necessitados seja, cada vez mais, conhecido de todo o Brasil, inspirando as novas gerações a compreenderem que a caridade não é apenas uma virtude cristã, mas uma poderosa expressão do amor de Deus e do compromisso com aqueles que mais precisam de cuidado e acolhimento.

    Quando olhamos para exemplos como o de Padre João Maria, da fraternidade católica Toca de Assis e de tantas pessoas homenageadas por esta comenda ao longo dos anos, percebemos que a transformação social acontece todos os dias por meio de gestos concretos de amor ao próximo.

    Eu acredito profundamente que a fé verdadeira se manifesta nas atitudes. Isso vale para qualquer crença. Fé que não se traduz em amor ao próximo corre o risco de ficar apenas em palavras. A caridade, ao contrário, transforma vidas, ajuda a reconstruir histórias e renova as esperanças.

    Que esta comenda seja também um reconhecimento à cultura do encontro, do cuidado e da fraternidade; que ela nos lembre da importância de construir pontes em vez de muros, de cultivar a solidariedade em vez de a indiferença, e de enxergar no outro um irmão e uma irmã.

    Costumo dizer que fé, Damares e todos que estão nos assistindo, é insistir, persistir e nunca desistir, e continuar acreditando que podemos, sim, construir um país mais humano, mais justo e mais solidário.

    Quem pratica a caridade faz exatamente isto, todos os dias: não espera um mundo melhor acontecer, ajuda a construí-lo. Ninguém faz nada sozinho. E quando a gente estenda a mão para quem mais precisa, toda a sociedade fica mais forte.

    Que o exemplo de Chico Xavier, do servo de Deus Padre João Maria, da fraternidade católica Toca de Assis, e de tantas pessoas que dedicam a sua vida, como a Casa da Vovó Dedé e as Obras Sociais do Centro Espírita O Consolador aqui nos inspirem, inspirem esta Casa, inspirem os nossos gestores públicos e inspirem toda a sociedade brasileira, porque cuidar das pessoas nunca será um gesto pequeno, é uma das maiores demonstrações de humanidade e de amor ao próximo que podemos oferecer.

    Muito obrigada.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 08/07/2026 - Página 24