Pronunciamento de Zenaide Maia em 08/07/2026
Discurso durante a 100ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Apelo à ampliação da doação voluntária de sangue, diante da redução dos estoques dos hemocentros, com destaque para a situação do Rio Grande do Norte. Manifestação contrária à PEC nº10/2022, que dispõe sobre as condições e os requisitos para a coleta e o processamento de plasma humano, com preocupação quanto à possível comercialização do sangue e à exploração de pessoas vulneráveis.
- Autor
- Zenaide Maia (PSD - Partido Social Democrático/RN)
- Nome completo: Zenaide Maia Calado Pereira dos Santos
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
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Saúde:
- Apelo à ampliação da doação voluntária de sangue, diante da redução dos estoques dos hemocentros, com destaque para a situação do Rio Grande do Norte. Manifestação contrária à PEC nº10/2022, que dispõe sobre as condições e os requisitos para a coleta e o processamento de plasma humano, com preocupação quanto à possível comercialização do sangue e à exploração de pessoas vulneráveis.
- Publicação
- Publicação no DSF de 09/07/2026 - Página 55
- Assunto
- Política Social > Saúde
- Matérias referenciadas
- Indexação
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- SOLICITAÇÃO, DOAÇÃO DE SANGUE, CARATER VOLUNTARIO, GARANTIA, ATENDIMENTO, HOSPITAL, COMENTARIO, ESTOQUE, BANCO DE SANGUE, ENFASE, FERIAS, SITUAÇÃO, ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE (RN), COMPROMETIMENTO, SAUDE PUBLICA, OPOSIÇÃO, APROVAÇÃO, PROPOSTA DE EMENDA A CONSTITUIÇÃO (PEC), ALTERAÇÃO, CONSTITUIÇÃO FEDERAL, REQUISITOS, COLETA, PROCESSAMENTO, COMPONENTE, SANGUE HUMANO, DESENVOLVIMENTO, TECNOLOGIA, PRODUÇÃO, MEDICAMENTOS, PROVIMENTO, SISTEMA UNICO DE SAUDE (SUS), DEFESA, EMPRESA BRASILEIRA DE HEMODERIVADOS E BIOTECNOLOGIA (HEMOBRAS).
A SRA. ZENAIDE MAIA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - RN. Para discursar.) – Sr. Presidente Paulo Paim, esse grande Senador, gente... Eu costumo dizer sobre Paulo Paim que qualquer estado brasileiro teria o maior orgulho de tê-lo como Senador.
O SR. PRESIDENTE (Paulo Paim. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS) – Obrigado, Senadora. A senhora é muito generosa.
A SRA. ZENAIDE MAIA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - RN) – Faz um trabalho excelente em defesa da vida, em defesa do lado humano.
Quero parabenizá-lo e estou sabendo que o senhor está querendo se despedir da gente.
Sr. Presidente, Sras. Senadoras, Srs. Senadores e todos os brasileiros e brasileiras que nos acompanham pelos canais oficiais do Senado Federal, TV Senado, Rádio Senado, Agência Senado e redes sociais. (Pausa.)
Tomo a palavra para tratar de um tema que é ao mesmo tempo urgente e sagrado: a doação de sangue. O Junho Vermelho, gente, já passou no calendário, mas o alerta permanece, e permanece porque a necessidade de sangue não tem data marcada. Ela existe todos os dias em cada cirurgia, em cada emergência, em cada tratamento oncológico, em cada leito de hospital deste país. Uma única doação pode beneficiar até quatro pessoas – quatro vidas são alcançadas por um único gesto de solidariedade. Esse é o poder da generosidade do povo brasileiro.
Mas a verdade é que estamos atravessando um período especialmente delicado. As férias escolares, as viagens e a redução do número de doadores costumam provocar queda nos estoques dos hemocentros. Ao mesmo tempo, cresce a demanda por transfusões em razão de acidentes de trânsito, das emergências hospitalares e dos tratamentos que não podem esperar.
Quando falta sangue, não estamos falando apenas de números, estamos falando de cirurgias eletivas que precisam ser adiadas, de procedimentos que são remarcados, de hospitais obrigados a administrar estoques cada vez menores, para garantir o atendimento aos casos mais graves. Estamos falando de pacientes com câncer, de pessoas com doenças hematológicas, de vítimas de acidentes, de tantas outras vidas que dependem, gente, diariamente da solidariedade de quem doa.
No meu estado, o Rio Grande do Norte, o Hemonorte tem sucessivos apelos à população para reforçar as doações. Neste ano, os estoques chegaram a níveis críticos em diferentes momentos, especialmente entre os tipos O+ e O-, que são os mais comuns, e o O- é um doador universal, é o que mais é utilizado nas urgências e emergências.
A própria direção do hemocentro alertou que a escassez pode comprometer cirurgias, atendimentos de urgência e tratamentos contínuos em toda a rede de saúde. Em fevereiro, o próprio hemocentro informou que trabalhava com cerca de 538 bolsas de sangue, quando o ideal seria manter entre 800 e mil bolsas para atender adequadamente à demanda do estado. Por isso, este não é um chamado que vale apenas para um mês do ano – para um mês só, como julho –, é um compromisso permanente com a vida.
Sr. Presidente, Paulo Paim, meu colega Cleitinho, que está aqui presente também, há uma outra razão pela qual este tema me toca de forma especial, porque, enquanto defendemos a doação voluntária de sangue, precisamos ser coerentes e barrar qualquer tentativa de transformar esse mesmo sangue em mercadoria. Falo da PEC 10, de 2022, a chamada PEC do plasma – o plasma é a parte líquida do sangue.
Estive presente neste Plenário e nas Comissões do Senado para alertar. Essa proposta altera o art. 199 da Constituição Federal, modificando as condições para coleta e processamento do plasma humano e abrindo caminho para comercialização de parte do corpo humano.
Precisamos ser honestos sobre o que significa na prática: quando se abre a possibilidade de pagar pelo plasma, a parte líquida do sangue, quem vai vender? Quem precisa do dinheiro, quem está em situação de vulnerabilidade. E quem vai lucrar? Grandes grupos econômicos, que transformarão esse plasma em medicamentos, sem qualquer garantia de retorno ao nosso Sistema Único de Saúde.
Não vamos permitir que o nosso sangue vire commodity.
Eu visitei pessoalmente a Hemobrás em Goiana, Pernambuco, vi de perto os investimentos realizados, a estrutura construída e o avanço na capacidade produtiva nacional. Quando algo público não avançou por falta de investimento, a solução não é entregar à iniciativa privada, a solução é investir, e o Brasil está investindo. Por isso, continuo convencida de que a PEC do plasma é desnecessária, representa um retrocesso e vai levar muita gente à morte.
Sras. e Srs. Senadores, quero encerrar com aquilo que verdadeiramente me move. A doação de sangue não é transação, não é negócio, não é mercado, é um ato de fé e de solidariedade da humanidade. É alguém que acorda cedo, vai ao hemocentro mais próximo e diz: "Eu não sei quem vai receber essa doação, mas quero que essa pessoa tenha uma chance de viver". Essa é a grandeza da doação voluntária, gratuita e solidária.
E eu quero falar diretamente com quem nos acompanha agora: se você está saudável, procure o hemocentro da sua cidade. Doe sangue. Convide um amigo, um familiar, um colega de trabalho. O processo é rápido, seguro e pode significar a diferença entre a vida e a morte de alguém. O sangue não se fabrica, não existe substituto. Nenhuma tecnologia é capaz de produzir aquilo que só pode vir da solidariedade humana. A solidariedade não se compra, não se privatiza, não se transforma em mercadoria. Ela nasce em cada brasileiro, em cada brasileira que escolhe olhar para o lado e perguntar: o que eu posso fazer para que o outro viva? Doe sangue, compartilhe essa mensagem. Ajude a fortalecer nossos hemocentros, porque o que sustenta esse sistema não é o mercado, é o coração do povo brasileiro.
Muito obrigada, Sr. Presidente.
(Soa a campainha.)