Pronunciamento de FERNANDA DELGADO DE JESUS em 11/08/2026
Exposição de convidado durante a 110ª Sessão de Debates Temáticos, no Senado Federal
Sessão de debates temáticos destinada a discutir as políticas públicas que dizem respeito às energias renováveis no âmbito do Brasil e da América Latina e a discutir a liderança brasileira no setor diante do contexto global. Exposição do potencial e dos benefícios do hidrogênio verde como parte do processo de transição energética no Brasil, com destaque para a necessidade de políticas públicas que apoiem o setor e de redução dos subsídios aos combustíveis fósseis.
- Autor
- FERNANDA DELGADO DE JESUS
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Exposição de convidado
- Resumo por assunto
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Desenvolvimento Sustentável,
Energia:
- Sessão de debates temáticos destinada a discutir as políticas públicas que dizem respeito às energias renováveis no âmbito do Brasil e da América Latina e a discutir a liderança brasileira no setor diante do contexto global. Exposição do potencial e dos benefícios do hidrogênio verde como parte do processo de transição energética no Brasil, com destaque para a necessidade de políticas públicas que apoiem o setor e de redução dos subsídios aos combustíveis fósseis.
- Publicação
- Publicação no DSF de 12/08/2026 - Página 31
- Assuntos
- Meio Ambiente > Desenvolvimento Sustentável
- Infraestrutura > Minas e Energia > Energia
- Matérias referenciadas
- Indexação
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- SESSÃO DE DEBATES TEMATICOS, DISCUSSÃO, POLITICAS PUBLICAS, ENERGIA RENOVAVEL, AMBITO, BRASIL, AMERICA LATINA, LIDERANÇA, CONTEXTO, AVALIAÇÃO, COMPARAÇÃO, EXPERIENCIA, ASSUNTOS INTERNACIONAIS, MARCO REGULATORIO, VANTAGENS, TECNOLOGIA, RECURSOS CLIMATICOS, SUSTENTABILIDADE.
- EXPOSIÇÃO, IMPORTANCIA, HIDROGENIO, TRANSIÇÃO ENERGETICA, NECESSIDADE, REDUÇÃO, SUBSIDIO, COMBUSTIVEL FOSSIL.
A SRA. FERNANDA DELGADO DE JESUS (Para exposição de convidado.) – Obrigada, Sr. Senador.
Bom dia a todos.
Eu não sei como vocês não estão emocionados de estarem na tribuna do Senado Federal. Eu estou, Senador! E com isso eu agradeço enormemente.
Eu sou Fernanda Delgado, CEO da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável da Presidência da República. É uma satisfação enorme compartilhar esta mesa.
Agradeço à Natalia o convite.
Reconheço aqui o Conselho da Abihv na posição do Lieven Cooreman, Presidente da Atlas Agro, que vai poder falar de fertilizantes.
É muito bom não ser a primeira a falar, porque muitas coisas já foram endereçadas. O Thiago trouxe endereçamentos muito importantes. Rodrigo Sauaia fez uma menção muito gentil ao hidrogênio verde. A Elbia, o Secretário Daniel...
A verdade é que a gente tem uma missão como Associação do Hidrogênio Verde, Senador, que é desenvolver esses negócios. A Abihv é uma associação muito jovem. Nós nascemos há três anos e congregamos várias empresas que fazem parte do setor de hidrogênio verde, desde produtores a consumidores, passando por toda a linha de fornecedores – inclusive, reconheço aqui o Presidente da Hitachi no Brasil, Glauco, também associado à Abihv. Espaços como este e ser ouvida por pessoas como vocês são extremamente importantes para trazer a sociedade para o debate e endereçar questões que já foram colocadas pela Elbia de forma muito contundente e inteligente sobre a mitigação de gases de efeito estufa e a garantia da sobrevivência das próximas gerações.
De uma forma muito rápida, o hidrogênio já existe há muito tempo. O hidrogênio está aqui, Senador, desde que o mundo é mundo, está na margarina que a gente comeu de manhã, está no sorvete que a gente vai tomar depois do almoço, mas a proposta que nós trazemos é fazê-lo de uma forma verde, de uma forma sustentável, de uma forma que reduza as emissões de gases de efeito estufa – e eu expando essa consideração não só para o hidrogênio verde, mas para a amônia, para o metanol, para os fertilizantes verdes.
A beleza do hidrogênio verde é poder compor um portfólio de soluções que já está colocado. O Thiago, da EPE, trouxe muito bem: o Brasil tem uma expertise muito grande em alinhar política industrial com política de sustentabilidade. Nós fizemos isso 50 anos atrás com o Proálcool e hoje 30% de todo litro de gasolina tem 30% de etanol, o que é uma beleza: que país do mundo tem mais de 30% do seu combustível, distribuído todos os dias, Deputado Aleluia, advindo de biomassa? O Brasil tem, com o etanol e com os biocombustíveis. Então, aliar política industrial à política de sustentabilidade é um lugar muito comum aqui para esta Casa.
Eu vou falar o que todo mundo já ouviu, em verso e prosa. O Brasil reúne condições mercadológicas fundamentais para a produção de hidrogênio verde: temos o sol, temos as hidrelétricas, temos energia eólica, como a Elbia já colocou, e temos uma posição geopolítica extremamente favorável – isso é um asset que a gente não pode esquecer. O Brasil hoje não precisa do Estreito de Ormuz, Senador, para passar a sua energia eólica, a sua energia solar, a sua energia hidrelétrica, o seu hidrogênio de baixo carbono, a amônia ou o metanol ou os fertilizantes... A gente teve três navios parados, até o mês passado, no Estreito de Ormuz e tivemos a iminência de uma crise de desabastecimento de fertilizantes, veja o senhor, mas tenho certeza de que o Lieven vai endereçar a questão dos fertilizantes de uma forma muito mais inteligente que eu.
A indústria do hidrogênio verde aproveita também a oportunidade para trazer para baixo o conteúdo de carbono de processos produtivos. Então, mais que matriz energética e matriz elétrica, a gente está falando da economia do século XXI, que é uma economia verde, que é trazer o Brasil para a contemporaneidade, para a vanguarda da indústria que a gente vai ter nos próximos anos. A Europa tem dado todos esses sinais, ainda que não na velocidade que a gente esperava. A gente esperava que estivesse um pouquinho mais veloz, mas tenho certeza de que eles vão chegar lá.
Então, o Brasil congrega hoje esses fundamentos mercadológicos, e muitos países gostariam de estar na nossa posição e não estão, mas nem por isso se diminui a nossa obrigação de trazer para baixo o conteúdo de carbono de processos produtivos, como o aço, cimento, fertilizantes, a indústria química, a indústria siderúrgica, e tudo isso a gente pode fazer – essa é a oportunidade que se avizinha para o país, e muito disso já foi colocado pelos que me antecederam.
Eu queria mencionar três projetos que fazem parte do portfólio da Abihv, Senador, para mostrar que já é uma realidade. A White Martins inaugurou uma fábrica no mês passado, no interior de São Paulo, para produzir hidrogênio verde para a indústria de vidros. Ela produz 800 toneladas de hidrogênio verde e já fornece para a indústria de vidros de São Paulo – vejam os senhores. E qual é a graça de usar hidrogênio verde nesse processo produtivo? Exportação para países que exigem um passaporte de redução de carbono, como o Cbam na Europa, por exemplo.
A Neoenergia tem um projeto, aqui em Brasília, com ônibus à célula combustível. Tenho certeza de que o projeto mais emblemático que a gente tem hoje – o Lieven vai poder apresentar – é um projeto de fertilizantes verdes no interior de Minas Gerais. A beleza desse projeto é trazer a indústria de fertilizantes de volta para o Brasil. Ela foi embora pelos preços altos do gás natural, mas a gente tem certeza de que consegue, em poucos anos, a competitividade do hidrogênio de baixo carbono e trazer para o Brasil, de volta, a indústria de fertilizantes verdes e já trazê-la limpa, sem emissões de gases de efeito estufa.
A transição energética, a mitigação de gases de efeito estufa, as medidas relacionadas ao combate das mudanças do clima, clamam pela redução dos subsídios aos incentivos dos combustíveis fósseis. Esse é um dos pontos mais importantes que endereçamos na carta feita com a Global Renewables Alliance e todos os demais companheiros dessa jornada. Então, é imperativo que esse assunto não seja mais um tabu e que seja tratado por todas essas casas.
É importante que a gente dê sinais de continuidade e competitividade para a indústria de hidrogênio. Parece-me que o decreto regulamentador das duas leis de hidrogênio verde sai amanhã, Rodrigo. Aguardo, ansiosamente. Já recebi o convite do Palácio do Planalto. Estou te olhando, Daniel. O Ministério de Minas e Energia também me confirmou. Então, eu tenho certeza de que, amanhã, a gente vai ter essa continuidade de política pública tão necessária para a continuidade dessa indústria. A gente precisa regulamentar as leis, precisa observar, proteger e reconsiderar o setor elétrico nacional para reequilibrar oferta e demanda. Isso apareceu na fala do Sauaia, isso apareceu na fala da EPE.
A gente precisa olhar para políticas industriais de longo prazo. Há muitas opções para o Nordeste, como já foi mencionado, para o Sudeste, para a indústria de baixo carbono, para substituir os combustíveis fósseis. A gente precisa proteger o consumidor, mas também incentivar a indústria. Eu tenho certeza de que a oitiva grande que houve deste Governo em relação à indústria de hidrogênio vai ser perseguida, vai resistir, e a gente vai chegar lá.
A ABIHV completa três anos este mês. Eu quero finalizar com uma menção, Senador. Tem aniversários que celebram o tempo e tem aniversários, como o da ABIHV, nesses três anos, que celebram o futuro.
Em nome da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde, eu agradeço a honraria de participar desta sessão.
Obrigada. (Palmas.)