Pronunciamento de ROSINHA DA ADEFAL em 21/09/2026
Discurso durante a 126ª Sessão Especial, no Senado Federal
Sessão Especial destinada a celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Considerações acerca da audiência pública da prova das pessoas com síndrome de Down no esporte paraolímpico e da audiência, na CDH, sobre a questão da empregabilidade no modelo de parceria social. Defesa do esporte para pessoas com deficiência, pela inclusão, pela reabilitação, pela qualidade de vida e pela autoestima.
- Autor
- ROSINHA DA ADEFAL
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Data Comemorativa,
Desporto e Lazer,
Direitos Humanos e Minorias,
Pessoas com Deficiência:
- Sessão Especial destinada a celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Considerações acerca da audiência pública da prova das pessoas com síndrome de Down no esporte paraolímpico e da audiência, na CDH, sobre a questão da empregabilidade no modelo de parceria social. Defesa do esporte para pessoas com deficiência, pela inclusão, pela reabilitação, pela qualidade de vida e pela autoestima.
- Publicação
- Publicação no DSF de 22/09/2026 - Página 27
- Assuntos
- Honorífico > Data Comemorativa
- Política Social > Desporto e Lazer
- Política Social > Proteção Social > Direitos Humanos e Minorias
- Política Social > Proteção Social > Pessoas com Deficiência
- Matérias referenciadas
- Indexação
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- DISCURSO, REQUERIMENTO, REALIZAÇÃO, SESSÃO ESPECIAL, CELEBRAÇÃO, Dia Nacional de Luta da Pessoa Portadora de Deficiência, MES, SETEMBRO, DECLARAÇÃO, AUDIENCIA PUBLICA, PESSOAS, SINDROME DE DOWN, ESPORTE, COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS (CDH), EMPREGO, PARCERIA, SOCIEDADE, DEFESA, INCLUSÃO, REABILITAÇÃO, QUALIDADE DE VIDA, FELICIDADE.
A SRA. ROSINHA DA ADEFAL (Para discursar.) – Bom dia a todos.
Primeiro, quero agradecer a oportunidade. Normalmente, nessas audiências, a gente quer estar aqui no Plenário, vem aqui para receber muito, mas nem tem sempre a oportunidade de falar. Então, agradeço esta possibilidade, esta oportunidade que vocês estão me dando.
Bom, quero parabenizá-la, Damares, porque você, desde sempre, antes de imaginar ser Parlamentar e de ter passado pelo ministério, já era um ativista da causa da pessoa com deficiência. Lembro-me de que, nos primeiros dias do mandato, passando ali pela esteira rolante, você me abordou falando das meninas, dos meninos indígenas que sofriam por conta da deficiência e da cultura indígena que também nos exclui. E aí foi a nossa primeira batalha. Damares não foi minha assessora formal, mas me assessorou em muitas pautas durante o mandato – muitas pautas, nos dois mandatos. E agora a gente inverteu a posição: você no Parlamento, e, sempre, quase toda semana, a sua assessoria tem me buscado para que eu possa também auxiliá-la. E fico feliz de poder continuar contribuindo, porque os bastidores são tão importantes quanto estar aí na linha de frente, pois a gente tem a possibilidade de levar, de induzir até os Parlamentares nas questões em que a população, às vezes, não consegue fazer chegar até os Parlamentares, e a gente consegue. Então, isso me deixa feliz.
E eu me coloco aqui à disposição. Não estou no Parlamento, estou no Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos, a gente trabalha com a formação de atletas, mas tenho feito exatamente esse papel de relações institucionais e me coloco à disposição das instituições e das pessoas com deficiência, uma vez que eu tenho essa entrada, que eu tenho esse acesso para poder contribuir em qualquer situação em que a gente precisar.
É um prazer reencontrar com tantos militantes de tão longas datas. A Dra. Izabel, para mim, é um pouco minha mãe também, porque me deu conselhos de vida pessoal, me orientou na militância, me inspirou... Na pessoa dela, eu agradeço a todos que, de certa forma, contribuíram e me coloco aqui à disposição.
Você tem duas audiências aprovadas... Eu vou lembrar aqui, pois Cleu e eu conversamos, sexta-feira à noite, sobre a questão da prova das pessoas com síndrome de Down no esporte paraolímpico, que ainda não tem uma classe específica... Não tem de cima para baixo, não é um problema que o Brasil criou, a que se colocou contra, a que se opôs, mas eu acho que a gente pode modificar isso. Então, a gente está aí aguardando ansiosa o dia dessa audiência. Temos outra audiência também que você conseguiu agendar lá na Comissão de Direitos Humanos sobre a questão da empregabilidade naquele modelo de parceria social, que não é... Claro, defender a Lei de Cotas a gente vai... Espero que não precise morrer defendendo, espero que, de fato, ela seja efetivada. A gente, pela empregabilidade, não vai se cansar nunca de lutar, mas a gente traz outra pauta que é através das parcerias sociais com as instituições prestando serviços aos órgãos públicos e abrindo caminho para aquelas pessoas que ainda não conseguem, da forma como está a Lei de Cotas, se encaixar, que são as pessoas com deficiências intelectuais mais limitantes, as pessoas surdas... Normalmente, empregador põe muito mais empecilhos, muito mais obstáculos, muito mais requisitos... Às vezes, tem até que ter doutorado para ocupar um cargo de caixa! Eu estou fazendo até uma brincadeira, mas é porque, realmente, é tanto requisito para a gente conseguir um emprego que a gente precisa ser doutor para um cargo mais elementar. Estamos aguardando aí, estamos à disposição.
Só para finalizar, fico feliz, nesta mesa tão diversa, de ter o Ministério das Mulheres, porque, de fato, ao longo da construção da política em defesa dos direitos da mulher, a gente sempre ficou muito lá, lá no fundão, lá, e agora a gente está nos últimos... Eu falo isso, assim, de carteirinha, porque, desde que estive trabalhando com você no Ministério das Mulheres e dos Direitos Humanos, no primeiro mandato, no primeiro ano do mandato Bolsonaro, eu levantei essa bandeira. Foi justamente naquele período que a gente conseguiu a sanção da lei, que, infelizmente, ainda não está, na prática, efetivada, porque está garantido na lei, mas os sistemas das polícias – pelo menos até onde eu busquei saber, bem pouco tempo –, nem todos estavam ajustados para fazer esse registro de que a mulher que sofreu a deficiência é deficiente ou se teve a deficiência agravada em razão da violência que sofreu, exatamente com essa perspectiva de que a gente precisa de dados para construir políticas de qualquer situação, principalmente das mulheres com deficiência.
Por fim, gente, toda essa trajetória que vocês mencionaram, os mais queridos, os que me conhecem mais de perto, que eu pude ter na vida, eu tive primeiro graças à minha mãe, graças à minha família, graças a Deus, antes de tudo, mas também por conta do esporte. Foi o esporte que me fez me entender como pessoa com deficiência, me entender como cidadã de direitos, e eu tenho o prazer agora de voltar a trabalhar nessa área, a atuar nessa área. Tenho me dedicado bastante e deixo aqui este incentivo: o esporte de verdade é a melhor forma de inclusão, porque ele passa pela reabilitação, passa pela inclusão para o trabalho, porque vem após carreira e passa pela questão da qualidade de vida. E a autoestima, aquela coisa de você se sentir capaz, de se sentir vencedor, é tudo de bom. Então, quem puder estimule qualquer atividade esportiva, seja ela lúdica ou competitiva. Realmente é um passo bem grande para a inclusão, que diminui um bocado de passos que a gente precisar se for por outro caminho.
Então, essa é a minha mensagem. Mais uma vez, agradeço por este momento, que é dia nacional de luta. A gente não pode cansar de lutar, e que esse dia seja de renovar as energias, de juntar as forças, os que se entendem e os que se desentendem, porque a gente tem uma bandeira só, que é a luta pelos direitos, a garantia dos direitos da pessoa com deficiência.
Muito obrigada.