Pela Liderança durante a 27ª Sessão Conjunta, no Congresso Nacional

Críticas ao Congresso Nacional pelo esvaziamento do Plenário. Denúncia de inversão de prioridades na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Considerações sobre gastos supostamente excessivos fdo Governo Federal, bem como sobre a crise dos Correios. Questionamento sobre emendas parlamentares.

Críticas à atuação do STF.

Autor
Eduardo Girão (NOVO - Partido Novo/CE)
Nome completo: Luis Eduardo Grangeiro Girão
Casa
Congresso Nacional
Tipo
Pela Liderança
Resumo por assunto
Administração Pública Indireta, Diretrizes Orçamentárias, Finanças Públicas, Governo Federal:
  • Críticas ao Congresso Nacional pelo esvaziamento do Plenário. Denúncia de inversão de prioridades na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Considerações sobre gastos supostamente excessivos fdo Governo Federal, bem como sobre a crise dos Correios. Questionamento sobre emendas parlamentares.
Atuação do Judiciário:
  • Críticas à atuação do STF.
Publicação
Publicação no DCN de 11/12/2025 - Página 46
Assuntos
Administração Pública > Organização Administrativa > Administração Pública Indireta
Orçamento Público > Diretrizes Orçamentárias
Economia e Desenvolvimento > Finanças Públicas
Outros > Atuação do Estado > Governo Federal
Outros > Atuação do Estado > Atuação do Judiciário
Matérias referenciadas
Indexação
  • CRITICA, SITUAÇÃO, PLENARIO, SESSÃO CONJUNTA, CONGRESSO NACIONAL, VOTAÇÃO, PROJETO DE LEI DO CONGRESSO NACIONAL (PLN), LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTARIAS (LDO), REPUDIO, POSSIBILIDADE, CONTINGENCIAMENTO, SAUDE, EDUCAÇÃO, AUSENCIA, ALTERAÇÃO, Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), FUNDO PARTIDARIO, COMENTARIO, INFLAÇÃO, AUMENTO, DESPESA PUBLICA, GASTOS PUBLICOS, PUBLICIDADE, GOVERNO FEDERAL, EXPOSIÇÃO, ENDIVIDAMENTO, EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELEGRAFOS (ECT).
  • DEFESA, SEPARAÇÃO, PODERES CONSTITUCIONAIS, CRITICA, DECISÃO JUDICIAL, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), USURPAÇÃO, COMPETENCIA LEGISLATIVA, CONGRESSO NACIONAL, COMENTARIO, EXTINÇÃO, DECISÃO MONOCRATICA.

     O SR. EDUARDO GIRÃO (NOVO - CE. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Muito obrigado, Presidente Davi Alcolumbre.

     Colegas Deputados e Senadores, confesso que fico muito triste, Deputada Adriana Ventura, de ver, em uma votação tão importante do Congresso Nacional, o plenário nesta condição. Eu acho que há mais assessores aqui do que Deputados. A sua fala, Deputada Adriana, e a fala do Deputado Cabo Gilberto tocam profundamente a alma de quem tem o mínimo de bom senso, porque é a verdade. Martin Luther King, um dos maiores humanistas e pacifistas — em tempo de sombra, a gente tem que olhar para essas pessoas que foram luz para a humanidade —, dizia que aquilo que o incomodava não era o grito dos violentos, dos corruptos, mas o silêncio dos bons. E eu acredito na capacidade de reflexão de cada um que está aqui, do ser humano que está aqui representando o povo das cidades do Estado em que nasceu e, no Senado, representando a Federação.

     Como é que se pode entender, e eu faço um apelo ao Deputado Gervásio Maia, que a gente pode contingenciar verba da saúde, da educação, mas não pode de fundo eleitoral? Isso não entra na cabeça do cidadão de bem.

     Eu já declarei meu voto contrário à LDO, mas gostaria de votar a favor. Eu mudo meu voto, se houver mudanças, alterações aos 47 minutos do segundo tempo, como, por exemplo, o destaque do Partido Novo que foi feito com relação ao fundo partidário. Também é inconcebível, diante da nossa realidade.

     Eu sei que os Parlamentares, todos nós andamos pelo interior, conversamos com pessoas que são contra o Governo, a favor do Governo, de esquerda, de direita, não importa. A gente conversa com o cidadão e a gente vê o sofrimento dessas pessoas para pagarem a conta no dia a dia, para levarem o pão para casa, para comprarem o remédio. E você vê um aumento de 15% — a inflação, que era o que estava previsto no arcabouço, e mais 2,5% de correção. Não tem como!

     O destaque do Partido Novo, que eu faço um apelo para que o Relator, o Deputado Gervásio Maia, acolha, é o mínimo de gesto que a gente precisa fazer para poder olhar no olho de cada cidadão daqui para frente.

     Então, se não for possível essa mudança, que nós tenhamos a maioria. Vai ser simbólico, vai ser uma votação simbólica, mas que a maioria dos Deputados, seja presencial ou virtualmente, se manifeste contra esse absurdo.

     Outra coisa também me deixa extremamente preocupado, e eu vou na linha do Deputado Cabo Gilberto, quando ele fala do Governo Lula. Sim, V.Exa. está certo. O Governo Lula gastou quase 1 bilhão de reais — 876 milhões de reais — este ano, no ano pré-eleitoral, com propaganda e publicidade. Como é que pode um negócio desse, quando os Correios e Telégrafos, os Correios do Brasil, que davam lucro pouco tempo atrás, no Governo anterior, estão tentando captar 20 bilhões de reais, senão quebram e vão à falência? Vão ser demitidos 10 mil funcionários, e gastam-se 4 milhões de reais com shows. O que eu vou falar lá em casa? Não é possível votar quando se percebe a inversão de prioridades clássicas. A gente sabe que o grande problema do Brasil hoje é a inversão de valores e, aqui, a inversão de prioridades, Sr. Presidente. Eu quero encerrar falando das emendas parlamentares. Eu apresentei uma PEC para acabar com isto, mas não consegui reunir o número de assinaturas necessárias. Esse é um desvio de função nossa, de Congressista. Nós estamos aqui e foi pensada a República para fazermos leis, legislarmos e fiscalizarmos o Executivo e não sermos distribuidores de dinheiro, porque isso é uma perpetuação, e não é bom para a democracia. Agora, em relação às emendas parlamentares, que são investimentos, quer-se liberar para pagar pessoal? Perde-se completamente a lógica daqueles que fizeram essa jabuticaba, essa inversão, essa invenção de emenda parlamentar para pagar pessoal. Presidente, eu voto contra a LDO, mas vou esperar. Eu faço um apelo, se for possível, para o Deputado Gervásio Maia, que eu sei que se debruçou, estudou muito a matéria, discutiu, deliberou, mas eu quero acreditar que, na última hora, a gente poderá fazer algumas mudanças em prol da sociedade. O Congresso Nacional é questionado, cada vez mais, pelo povo brasileiro.

     Ontem, foi o dia do golpe da democracia. Esse foi um golpe de verdade, vindo do STF, mas o Presidente Davi Alcolumbre foi firme. Eu quero dizer que me encheu de esperança que a gente possa voltar a ser respeitado, e que cada um esteja no seu quadrado. Espero que o STF, como guardião da Constituição, volte a ser o guardião da Constituição, e que o Congresso Nacional faça as leis. Não é um magistrado que dá uma canetada e anula a decisão de 513 Deputados Federais eleitos. Toda autoridade vem de Deus. Eu respeito todos, independente de partido. Oitenta e um Senadores anulam um Ministro que não teve voto de ninguém.

     Espero que o Senado e a Câmara, trabalhando juntos pelo Brasil, possam deliberar matérias como a PEC antidrogas, que nós votamos para barrar o ativismo judicial do STF, mas que está parada há mais de 2 anos; o fim das decisões monocráticas; o fim do foro privilegiado, que é a blindagem vergonhosa, famigerada, a trava do mecanismo da corrupção, da impunidade.

     O Brasil quer virar essa página, sabem por quê? Para o País ficar no topo do mundo. É isto que o nosso País merece: estar no topo do mundo, porque nós temos um povo maravilhoso, trabalhador, empreendedor, criativo. O Brasil tem de tudo, um agronegócio fantástico. Lá no Nordeste, há as praias; no Sul, serras. Há Estados que têm tudo isso junto.

     Então, Sr. Presidente, eu gostaria dessas alterações que eu citei no voto, que nós colocamos aqui também, o que já está, inclusive, protocolado, falando exatamente sobre isso. Eu peço que isso seja avaliado pelo nosso Relator, para que S.Exa. possa fazer esse gesto. Ninguém é dono da verdade aqui. Todos nós temos o nosso posicionamento, que tem que ser respeitado. Trata-se de um gesto para a população, que está acompanhando a política. Eu vejo isso. A coisa está cada vez mais transparente. O brasileiro voltou a gostar de política, e não de futebol. E olha que eu fui Presidente de um clube de futebol, o Fortaleza. Antes a população sabia a escalação da Seleção Brasileira de cor, hoje sabe a escalação do STF e acompanha o trabalho dos senhores, o nosso, sabe que estamos aqui para construir um trabalho digno, honrado, diariamente, com base no diálogo, que é o que está faltando neste País.

     Sr. Presidente, eu, que sou espírita, encerro com uma frase que Allan Kardec, codificador do Espiritismo, disse nos anos 1800, em O Livro dos Espíritos: “Por que o mal prepondera sobre o bem na Terra?” A resposta dos espíritos foi objetiva, clara, e fica aqui um convite para a reflexão de todos nós. Sabem por quê? “Porque os bons são tímidos, os maus são audaciosos, intrigantes.” Quando os bons quiserem, dominarão a terra. Sabem por quê? Porque nós somos maioria. Olha que eu reconheço inúmeras limitações e imperfeições, mas nós estamos aqui bem intencionados. Cada um tem aqui uma responsabilidade com o seu povo, que nos banca aqui, e não é só com o nosso salário apenas, mas com uma estrutura maravilhosa, os melhores assessores que existem neste País, tecnicamente, estão aqui no Congresso Nacional.

     O Congresso Nacional é respeitado lá fora. Eu já fui participar, nos Estados Unidos, na Europa, na América do Sul, de alguns parlamentos, e eu vi o respeito que há por nós. Nós temos os nossos filhos e netos, que vão depois pesquisar a nossa história — o que nós falamos, o que fizemos, como agimos, como votamos. O Brasil está despertado.

     Ontem, houve uma manifestação, uma comoção magistral do brasileiro sobre a decisão do Ministro Gilmar Mendes, praticamente unânime e contrária. Havia gente de direita, gente de esquerda, gente que nem gosta de política, apavorada, participando, entendendo, perguntando.

     Eu agradeço ao Presidente a sua benevolência, e já encerro. Chico Xavier dizia que, embora ninguém possa voltar atrás para fazer um novo começo, todos nós podemos, a partir de agora, começar a fazer um novo fim.

     Relator, espero que Deus o ilumine em sua reflexão, para que faça essas correções, e que possamos votar com louvor a Lei de Diretrizes Orçamentárias do Brasil. Vamos corrigir os equívocos, apontados sobretudo pela nossa Líder, a Deputada Adriana Ventura, de São Paulo.

     Muito obrigado, Sr. Presidente.

     Deus nos abençoe!


Este texto não substitui o publicado no DCN de 11/12/2025 - Página 46