Discurso durante a Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Defesa da aprovação da PEC nº 148/2015, da qual S. Exa. é o primeiro signatário, que propõe a redução gradual da jornada de trabalho semanal de 44 para 36 horas, sem redução salarial, com apoio de dados do Sebrae.

Satisfação pela aprovação, na CAE, do Projeto de Lei nº 76/2020, que estabelece e regulamenta as profissões de Cuidador de Pessoa Idosa, Cuidador Infantil, Cuidador de Pessoa com Deficiência e Cuidador de Pessoa com Doença Rara.

Autor
Paulo Paim (PT - Partido dos Trabalhadores/RS)
Nome completo: Paulo Renato Paim
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Jornada de Trabalho:
  • Defesa da aprovação da PEC nº 148/2015, da qual S. Exa. é o primeiro signatário, que propõe a redução gradual da jornada de trabalho semanal de 44 para 36 horas, sem redução salarial, com apoio de dados do Sebrae.
Regulamentação Profissional:
  • Satisfação pela aprovação, na CAE, do Projeto de Lei nº 76/2020, que estabelece e regulamenta as profissões de Cuidador de Pessoa Idosa, Cuidador Infantil, Cuidador de Pessoa com Deficiência e Cuidador de Pessoa com Doença Rara.
Publicação
Publicação no DSF de 04/03/2026 - Página 11
Assuntos
Política Social > Trabalho e Emprego > Jornada de Trabalho
Política Social > Trabalho e Emprego > Regulamentação Profissional
Matérias referenciadas
Indexação
  • DEFESA, APROVAÇÃO, PROPOSTA DE EMENDA A CONSTITUIÇÃO (PEC), ALTERAÇÃO, CONSTITUIÇÃO FEDERAL, TRABALHO, EMPREGO, DIREITOS SOCIAIS, TRABALHADOR, REDUÇÃO, DURAÇÃO, JORNADA DE TRABALHO, HORARIO DE TRABALHO.
  • COMENTARIO, APOIO, PRESIDENTE, SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO AS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS (SEBRAE), REDUÇÃO, JORNADA DE TRABALHO, PESQUISA, MICROEMPRESA.
  • COMEMORAÇÃO, APROVAÇÃO, Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), PROJETO DE LEI, CRIAÇÃO, LEI FEDERAL, REGULAMENTAÇÃO, ATIVIDADE ECONOMICA, EXERCICIO PROFISSIONAL, CUIDADOR DE IDOSO, ASSISTENCIA, CRIANÇA, PESSOA COM DEFICIENCIA, DOENÇA RARA.

    O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS. Para discursar.) – Presidente Chico Rodrigues, Senador Izalci, Senador Girão, meu querido e sempre presente Kajuru, eu vou insistir com um tema de que venho falando já há algumas décadas, na verdade.

    Volto à tribuna para reafirmar a minha convicção, que carrego há muito tempo, da necessidade do fim da escala 6x1 e da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução salarial. Trata-se de uma medida de justiça, modernização no campo do trabalho e, ao mesmo tempo, fortalecimento da economia brasileira.

    Recentemente, o Presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) – repito, às micro e pequenas empresas –, Sr. Décio Lima, em entrevista à revista IstoÉ Dinheiro, afirmou algo que merece reflexão. Disse ele: "Quanto mais abelha, mais mel". Uma metáfora simples, mas poderosa: quanto mais trabalhadores valorizados, descansados e motivados, maior será a produtividade, maior será o consumo, maior será o crescimento econômico. Empreendedores também querem qualidade de vida. Levantamento do Sebrae mostra que a maioria dos empreendedores avalia que o fim da escala 6x1 será positivo e que não haverá impacto negativo no negócio.

    Décio Lima avalia, falando pelo Sebrae, como Presidente, que a redução da jornada representa a eliminação de um atraso histórico, e eu concordo. Não estamos falando de retrocesso; estamos falando de modernização, estamos falando de dignidade humana. O Brasil não pode continuar sustentando um modelo que esgota o trabalhador e compromete sua saúde física, mental e familiar.

    Volto, mais uma vez, a falar do Presidente do Sebrae. Diz ele:

Vejo como um passo necessário de modernização. A escala 6x1 é um modelo arcaico [segundo ele, com quem eu concordo], herdado do sistema fordiano de mais de 100 anos atrás, da fábrica da construção de cadeias produtivas e que induziu naquele momento a economia no mundo. Então, um processo produtivo com aquela visão antiga [hoje] é inimaginável dentro de um contexto de uma economia moderna.

Além disso, é o que o Brasil precisa para estabelecer um processo de inclusão e de valorização daqueles que constroem efetivamente a riqueza do nosso país, pulverizado em toda a complexidade [...] [da economia; enfim,] são os trabalhadores, e [as trabalhadoras,] que hoje estão no grande universo que são as micro e pequenas empresas.

    Fecho aspas das palavras do Presidente do Sebrae, Décio Lima, que defende, como Presidente, as micro e pequenas empresas.

    O próprio Sebrae realizou um levantamento chamado nona edição da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, que mostra que a ampla maioria dos empreendedores avalia que o fim da escala 6x1 será positivo e não trará impacto negativo aos negócios. É verdade que 32% apontaram que existem dúvidas quanto ao impacto, ou seja, praticamente 70% são a favor e 32% ficaram em dúvida, especialmente setores como beleza, academia, logística, agronegócio, economia criativa. Esses dados precisam ser considerados com seriedade e muito diálogo, mas também é verdade que a maioria não vê prejuízo estrutural.

    E mais: o Sebrae afirma estar preparado para auxiliar as micro e pequenas empresas nesse processo de adaptação, ou seja, não se trata de abandonar ninguém, o empreendedor, à própria sorte, não. Trata-se de construir juntos uma transição responsável, planejada.

    Décio Lima, Presidente do Sebrae, também alertou que não devemos olhar essa mudança apenas por um custo de 1% momentâneo na planilha. Abro aspas: "Se o trabalhador atua sob um regime que beira o conceito escravocrata, a produtividade sofre [...] [com as pessoas que não vão trabalhar] com entusiasmo e paixão. [...] [Não pode ser] mera obrigação cruel [como uma disputa] entre capital e trabalho, o resultado é [muito] superior [a isso]. Por fim [...] [o fim da] escala 6x1 trará esse fôlego novo para as cadeias produtivas". Por isso, esperamos que este ano mude para 5x2.

    Sempre que o Brasil busca se modernizar, surgem resistências conservadoras que enxergam apenas como se fosse um impacto imediato, e não os ganhos estruturais. Foi assim com a jornada de oito horas, foi assim com as 44 horas, foi assim com o décimo terceiro salário, foi assim com o salário mínimo, foi assim com as férias remuneradas. A história demonstrou que ampliar direitos fortalece o mercado interno e dinamiza a economia.

    Não tenho dúvidas de que o fim da escala 6x1 e caminharmos para a jornada de 40 horas semanais vão representar um avanço civilizatório: mais tempo para a família, mais tempo para a qualificação profissional, mais tempo para o descanso, mais tempo para o convívio social, mais saúde, mais dignidade. O trabalhador com dignidade produz mais, consome mais, move a economia.

    Portanto, essa não é uma pauta contra o empreendedor. Pelo contrário, é uma pauta favorável ao crescimento; é uma pauta favorável ao Brasil; a favor de um modelo de desenvolvimento que combina justiça social com dinamismo econômico. O fim da escala 6x1 é a redução da jornada de trabalho sem redução de salário. É uma necessidade histórica. É hora de o Brasil dar esse passo com diálogo, com responsabilidade, com muita coragem.

    Por fim, Presidente, quero falar de V. Exa., Senador Chico Rodrigues.

    Hoje pela manhã, a Comissão de Assuntos Econômicos aprovou a regulamentação da profissão de Cuidador de Pessoas, e é um grande avanço para essa categoria, que cresce dia a dia. Quero aqui cumprimentar o Senador Chico Rodrigues, autor da proposta PL 76, de 2020, que trata dos cuidadores de idosos – aqui eu deixo bem claro –, trata das crianças, pessoas com deficiência ou com doença rara. O texto foi analisado em conjunto com outras proposições: o PL 5.178, de 2020, de nossa autoria, e o PL 5.300, de 2023, do Senador Carlos Viana.

    E eu sou, Presidente... Por isto aqui a homenagem a V. Exa: o mais antigo tem que encabeçar, e o seu projeto é o mais antigo. Veio antes que o meu...

(Soa a campainha.)

    O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS) – ... veio antes que o do Senador Viana, e é natural que a Relatora, de forma sábia, tenha seguido essa orientação, que nós sempre damos para os projetos na Casa. De forma sábia e coerente, a Líder Senadora Augusta Brito, Relatora do projeto, reconheceu que o seu projeto encabeça essa discussão e os outros contribuíram com sugestões ao texto final, que ela estabeleceu e que já vinha no seu projeto, para a profissão, como, por exemplo, ser maior de 18 anos, ter concluído o ensino fundamental e curso de qualificação profissional, e não possuir antecedentes criminais; além de permitir que os cuidadores sejam contratados como empregados celetistas e como empregados domésticos, se for o caso, com carga horária máxima de oito horas diárias ou semanas em que o regime seja de 12 horas seguidas – porque tem muitos que trabalham 12 horas por 36. E também é permitida...

(Interrupção do som.)

    O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS. Fora do microfone.) – ... a contratação de cuidadores como microempreendedores.

(Soa a campainha.)

    O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS) – Aí termino, Sr. Presidente.

    A demanda por contratação de cuidadores cresce muito dia a dia, impulsionada pelo aumento de pessoas com doenças crônicas. E aí, vamos em frente, avançando sempre na busca da longevidade da população.

    Era isso, Presidente.

    Parabéns a V. Exa., pela aprovação do projeto hoje pela manhã.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 04/03/2026 - Página 11