Pronunciamento de Rogério Carvalho em 01/07/2026
Discurso durante a 92ª Sessão de Debates Temáticos, no Senado Federal
Sessão de Debates Temáticos destinada a discutir os impactos sociais, econômicos e produtivos da Proposta de Emenda à Constituição nº 221/2019, que trata da redução da jornada de trabalho e do fim da chamada escala 6x1 no Brasil. Crítica à baixa priorização dos investimentos em tecnologia e ao modelo de mão de obra barata no país.
- Autor
- Rogério Carvalho (PT - Partido dos Trabalhadores/SE)
- Nome completo: Rogério Carvalho Santos
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Jornada de Trabalho,
Remuneração:
- Sessão de Debates Temáticos destinada a discutir os impactos sociais, econômicos e produtivos da Proposta de Emenda à Constituição nº 221/2019, que trata da redução da jornada de trabalho e do fim da chamada escala 6x1 no Brasil. Crítica à baixa priorização dos investimentos em tecnologia e ao modelo de mão de obra barata no país.
- Publicação
- Publicação no DSF de 02/07/2026 - Página 50
- Assuntos
- Política Social > Trabalho e Emprego > Jornada de Trabalho
- Política Social > Trabalho e Emprego > Remuneração
- Matérias referenciadas
- Indexação
-
- REALIZAÇÃO, SESSÃO DE DEBATES TEMATICOS, OBJETIVO, DEBATE, IMPACTO SOCIAL, IMPACTO FINANCEIRO, EFEITO, PRODUÇÃO, ECONOMIA, CORRELAÇÃO, PROPOSTA DE EMENDA A CONSTITUIÇÃO (PEC), REDUÇÃO, JORNADA DE TRABALHO, ALTERAÇÃO, RELAÇÃO DE EMPREGO, ESCALA, TRABALHADOR.
- PROPOSTA DE EMENDA A CONSTITUIÇÃO (PEC), ALTERAÇÃO, CONSTITUIÇÃO FEDERAL, REDUÇÃO, JORNADA DE TRABALHO, AUMENTO, REPOUSO SEMANAL, EMPREGADO, PREFERENCIA, DIA, DOMINGO, PROIBIÇÃO, DESCONTO SALARIAL, CORTE, REMUNERAÇÃO, POSSIBILIDADE, COMPENSAÇÃO, HORARIO, REQUISITOS, ACORDO COLETIVO DE TRABALHO, PACTO, TRABALHADOR, EMPREGADOR, FLEXIBILIDADE, GARANTIA, REGIME DIFERENCIADO, APLICAÇÃO IMEDIATA, NORMAS, CONTRATO DE TRABALHO, VIGENCIA, PRESERVAÇÃO, IRREDUTIBILIDADE, SALARIO, PISO SALARIAL, FIXAÇÃO, PRAZO, FASE, IMPLEMENTAÇÃO, PODER PUBLICO, CONTRATO ADMINISTRATIVO, ADAPTAÇÃO, TERMO ADITIVO, EQUILIBRIO, EFEITOS FINANCEIROS, INCIDENCIA, LICITAÇÃO, CONCESSÃO, PARCERIA PUBLICO-PRIVADA (PPP).
- CRITICA, AUSENCIA, PRIORIDADE, INVESTIMENTO, TECNOLOGIA, INOVAÇÃO, MODELO ECONOMICO, MÃO DE OBRA, REMUNERAÇÃO, PRECARIZAÇÃO, DESENVOLVIMENTO ECONOMICO, MERCADO DE TRABALHO.
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - SE. Para discursar.) – Boa tarde a todos e a todas.
Quero cumprimentar os autores do requerimento, o Presidente da mesa, o Senador Laércio, o Senador Paulo Paim, todos os convidados.
Em primeiro lugar, eu acho que nós precisamos ser mais ousados. O Brasil é um país que tem uma mão de obra muito barata, e esse é um dos motivos pelo qual a automação, o investimento no aumento da produtividade é relegado a segundo plano.
Se analisarmos o planejamento de investimento das empresas, todas as empresas, nós vamos ver que essa questão é uma questão que não tem uma prioridade central. Então, essa é uma primeira questão. O que está trazendo uma demanda por incorporação de tecnologia para aumentar a produtividade é, na verdade, o aumento da demanda, a demanda por mais produtos, a demanda porque o mercado está aquecido e a demanda por mão de obra, mas não por uma preocupação central de investimento na questão da automação, com exceção daquelas que seguem um roteiro internacional por serem empresas de capital transnacional e que as suas matrizes... Ou mesmo empresas brasileiras que estão no mercado global e que trabalham com essa perspectiva.
Então, é importante que a gente comece dizendo que nós não podemos – não podemos – transferir este atraso de falta de investimento para aqueles que são os trabalhadores e as trabalhadoras. A falta de investimento não pode penalizar quem já é penalizado. Nós não podemos negar as mudanças que ocorreram no Brasil ao longo do século XX e XXI; urbanização grande, pessoas que passam três horas no trânsito para se deslocar para o trabalho nos grandes centros... E a insensibilidade porque nós não queremos aumentar o custo e não queremos sair da zona de conforto para dar aos trabalhadores, principalmente às mulheres trabalhadoras, uma condição um pouco melhor de vida.
Eu acho que a gente precisa fazer uma reflexão. Eu pergunto: qual o custo médio ou qual é a base de custo da mão de obra para a maioria dos setores? Com exceção do setor de serviço, que é mão de obra intensiva, isso vai ter um impacto maior, mas na indústria, em outras áreas, que valham 25%, 30%; o que vai representar 10% de redução da jornada de trabalho? Efetivamente – efetivamente –, quase nada.
Essa história de criar o pânico que vai aumentar o preço do lixo, transporte... Pelo amor de Deus! Chega de passar a conta para o trabalhador e para a trabalhadora. Ou nós não estamos no mundo que a gente vive, o mundo da inteligência artificial, o mundo em que ninguém vai terminar na profissão que exerce ou que exerceu nos últimos cinco anos? A transformação e a demanda por requalificação são permanentes! Ninguém vai exercer a mesma atividade profissional por mais de cinco anos e, no futuro, por mais de dois anos, porque tudo está em constante transição.
Como é que as pessoas vão se qualificar? Depois, nós vamos reclamar que não temos mão de obra. Depois, nós vamos dizer que é o Bolsa Família que é responsável por não ter mão de obra, mesmo sabendo que o Bolsa Família forneceu 4,5 milhões de pessoas para o mercado de trabalho formal. Mesmo sabendo disso... (Palmas.)
Eu não entendo! Vai faltar mão de obra por falta de qualificação, porque as pessoas não têm tempo para se dedicar a nada a não ser cuidar da própria condição de trabalhador. A maioria daqueles que trabalham no segundo e no primeiro escalão não trabalham mais do que 40 horas. Esse trabalho, essas 44 horas estão reservadas para os que ganham menos, para os que têm mais tempo de deslocamento e menos tempo de vida, portanto. Pelo amor de Deus, é muita insensibilidade e muito comodismo! É uma zona de conforto... Pelo amor de Deus!
Eu fui gestor por oito anos! Fui Secretário Municipal de Saúde, Secretário Estadual de Saúde. Sou filho de um pequeno industrial, sou filho também de um pequeno produtor rural. A vida não é assim, não é essa catástrofe. Quatro horas... Na prática são quatro horas de trabalho por semana. O mundo não vai se acabar por isso, agora a nossa zona de conforto precisa mudar, precisa se movimentar.
E vou lhe dizer mais, é uma mudança significativa para a vida de 120 milhões de brasileiros e brasileiras, 38 milhões de brasileiros que ganham próximo do salário mínimo e que dão 44 horas de trabalho semanais. E vejam, com o décimo terceiro foi assim, com a redução do 48 para 44, esse clima foi criado, e hoje todo mundo espera o décimo terceiro.
(Soa a campainha.)
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - SE) – De 48 para 44 o mundo não acabou, aumentou o emprego, aumentou a demanda. Ou a gente vive contando, fazendo conta de padaria? Empresário que faz conta de padaria não merece sobreviver, no mundo de hoje tem que ousar, tem que deixar de ser conservador a este ponto e levar a conta somente para os mais fracos, porque é mais fácil oprimir e manter a opressão sobre os mais fracos.
Portanto, eu acho que a gente pode fazer um grande acordo e a gente dar um passo para a modernidade, um passo para que todos possam repensar o seu lugar como empresário, como trabalhador. E, para concluir, ao longo dos últimos anos, o setor patronal ficou muito bem, obrigado, com dinheiro do Sistema S, mas o setor, os...
(Soa a campainha.)
O SR. ROGÉRIO CARVALHO (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - SE) – ... sindicatos dos trabalhadores foram quebrados pela cepa. Hoje não é possível concluir, não é possível aos sindicatos mediarem acordos individuais como querem, por isso precisa ter regra na lei. Essa capacidade de paridade de armas para discutir e construir acordos bons para todos os lados foi quebrada, porque em um determinado momento a balança de força para o setor empresarial foi muito maior.
Então, eu faço aqui uma conclamação: vamos apostar na modernidade e em mais vida, mais dignidade aos nossos trabalhadores e principalmente às mulheres trabalhadoras do Brasil.
Muito obrigado. (Palmas.)