Discurso durante a 92ª Sessão de Debates Temáticos, no Senado Federal

Sessão de Debates Temáticos destinada a discutir os impactos sociais, econômicos e produtivos da Proposta de Emenda à Constituição nº 221/2019, que trata da redução da jornada de trabalho e do fim da chamada escala 6x1 no Brasil. Defesa de que qualquer impacto financeiro sobre os produtores e empresários deve ser compensado com cortes de despesas do Estado, redução de impostos e desoneração da folha.

Autor
Cleitinho (REPUBLICANOS - REPUBLICANOS/MG)
Nome completo: Cleiton Gontijo de Azevedo
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Jornada de Trabalho, Remuneração:
  • Sessão de Debates Temáticos destinada a discutir os impactos sociais, econômicos e produtivos da Proposta de Emenda à Constituição nº 221/2019, que trata da redução da jornada de trabalho e do fim da chamada escala 6x1 no Brasil. Defesa de que qualquer impacto financeiro sobre os produtores e empresários deve ser compensado com cortes de despesas do Estado, redução de impostos e desoneração da folha.
Publicação
Publicação no DSF de 02/07/2026 - Página 85
Assuntos
Política Social > Trabalho e Emprego > Jornada de Trabalho
Política Social > Trabalho e Emprego > Remuneração
Matérias referenciadas
Indexação
  • REALIZAÇÃO, SESSÃO DE DEBATES TEMATICOS, OBJETIVO, DEBATE, IMPACTO SOCIAL, IMPACTO FINANCEIRO, EFEITO, PRODUÇÃO, ECONOMIA, CORRELAÇÃO, PROPOSTA DE EMENDA A CONSTITUIÇÃO (PEC), REDUÇÃO, JORNADA DE TRABALHO, ALTERAÇÃO, RELAÇÃO DE EMPREGO, ESCALA, TRABALHADOR.
  • PROPOSTA DE EMENDA A CONSTITUIÇÃO (PEC), ALTERAÇÃO, CONSTITUIÇÃO FEDERAL, REDUÇÃO, JORNADA DE TRABALHO, AUMENTO, REPOUSO SEMANAL, EMPREGADO, PREFERENCIA, DIA, DOMINGO, PROIBIÇÃO, DESCONTO SALARIAL, CORTE, REMUNERAÇÃO, POSSIBILIDADE, COMPENSAÇÃO, HORARIO, REQUISITOS, ACORDO COLETIVO DE TRABALHO, PACTO, TRABALHADOR, EMPREGADOR, FLEXIBILIDADE, GARANTIA, REGIME DIFERENCIADO, APLICAÇÃO IMEDIATA, NORMAS, CONTRATO DE TRABALHO, VIGENCIA, PRESERVAÇÃO, IRREDUTIBILIDADE, SALARIO, PISO SALARIAL, FIXAÇÃO, PRAZO, FASE, IMPLEMENTAÇÃO, PODER PUBLICO, CONTRATO ADMINISTRATIVO, ADAPTAÇÃO, TERMO ADITIVO, EQUILIBRIO, EFEITOS FINANCEIROS, INCIDENCIA, LICITAÇÃO, CONCESSÃO, PARCERIA PUBLICO-PRIVADA (PPP).
  • DEFESA, COMPENSAÇÃO, PRODUTOR RURAL, EMPRESARIO, CORTE, REDUÇÃO, DESPESA PUBLICA, FOLHA DE PAGAMENTO, DESENVOLVIMENTO ECONOMICO, POLITICA FISCAL.

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG. Para discursar.) – Sr. Presidente, vou começar a minha fala aqui.

    Quando eu entrei aqui no Senado, eu já vinha defendendo o fim da escala 6x1 – falo isso quase todos os dias –, e uma das coisas que mais me chamam a atenção hoje é que o dia de trabalho do trabalhador, hoje, é R$54.

    Hoje ele não consegue cortar um cabelo com R$54; hoje ele não consegue pegar um Uber para ir e voltar para o trabalho; hoje ele não consegue comprar uma pizza simples nem um quilo de carne. Se ele chamar a família dele para poder almoçar hoje, um almoço simples com a família, ele não vai conseguir.

    E eu sempre falei uma coisa aqui que é extremamente importante: fonte de riqueza é o empreendedor e o trabalhador; a fonte de despesa está aqui nos três Poderes, que são o Legislativo, o Judiciário e o Executivo.

    Então, essa ladainha de ficar falando que, se votar o fim da escala 6x1, vai quebrar o país... Não vai quebrar o país. O que quebra o país é, como eu ouvi agora numa discussão no STF, que os ministros estão defendendo que juízes podem ter o tal do auxílio-creche no valor de R$1,3 mil.

    Você, trabalhador, enquanto você recebe R$1,6 mil de trabalho para trabalhar na escala 6x1, um juiz vai receber um penduricalho agora, um auxílio-creche, de R$1,3 mil! E quem paga, de verdade, isso? Quem paga de verdade é o trabalhador que está fazendo essa escala.

    Então, quando eu vejo, aqui no Senado, que a gente tem direito a plano vitalício, plano de saúde vitalício, isso é um murro na cara do povo.

    Então, não são o trabalhador, o empreendedor, o empresário que estão quebrando o país, não, gente. O mercado se autorregula! Eu escutei falarem, eu não era nem nascido, eu acho, na época: "Ah, se votarem a questão de o trabalhador ter férias, vai quebrar o país". Não quebrou o país.

    Falou-se a questão do décimo terceiro também, que ter décimo terceiro ia quebrar o país. Não quebrou o país.

    Então, não vai ser o fim da escala 6x1 que vai quebrar o país – nunca vai ser. O que quebra o país aqui é a roubalheira, é uma eleição, agora, em que vai se gastar R$5 bilhões de fundo eleitoral. Quer dizer, é a festa da democracia: R$5 bilhões! É o que eu canso de falar para vocês.

    Eu estou vendo desembargadores indo para a Copa do Mundo para ter diária de R$40 mil, e quem paga essa conta é o empresário e o trabalhador. Então, eu acho que o empresário e o trabalhador deveriam se unir, acampar aqui e obrigar a gente a votar o fim da escala 6x1.

    E qual é a compensação? A compensação tem que sair daqui, dos três Poderes. A compensação tem que sair do Legislativo, do Judiciário e do Executivo. Somos nós que temos que cortar a própria carne. É aqui que se tem que reduzir imposto, desonerar a folha. E cabe a nós fazer isso. Agora, quantos políticos vão subir aqui e tocar nessa ferida? Quantos políticos vão subir aqui e falar a verdade? Porque a verdade é essa. Não é o trabalhador, e muito menos o empresário, que quebra o país, gente! O que quebra o país são as emendas parlamentares, que não vão para onde deveria ir, que vão para outros lugares; o que quebra o país é roubalheira; o que quebra o país é o mau uso do dinheiro público e o desperdício de dinheiro público.

    Eu vi agora, na Secretaria de Fazenda, se gastando 7 milhões com computador e com mesa, mas a maioria da turma está trabalhando em home office. Onde é que se gastam 7 milhões, com as pessoas trabalhando no home office, para comprar ainda mesa e computador? Vocês estão vendo 7 milhões no ralo? Então, não venham com essa historinha, com essa conversa fiada de que vai quebrar o país, porque não vai quebrar o país. A gente sabe muito bem o que quebra o país. E este país aqui nunca foi quebrado, Sr. Presidente. Este país aqui sempre foi roubado.

    Então, eu vou votar com muita honra. Assim que essa PEC vier para o Plenário aqui, eu vou votá-la e vou defendê-la com muito orgulho e com muita honra, porque eu sei o que é isso.

    E parem com essa ladainha de sair falando que "ah, a PEC é uma questão ideológica". Não é. É uma questão humana. Porque eu presenciei isso na pele, na minha vida com meu pai. O meu pai morreu trabalhando. Eu tive meu pai com 70 anos. Eu queria que ele visse meu jogo de futebol, e ele não ia ver porque tinha que trabalhar. Eu queria que ele visse minha banda tocar, e ele não ia porque tinha que trabalhar. E o meu pai ainda era 7x7; ele tinha que trabalhar dia de domingo também. Então, eu estou fazendo isso aqui não só por você que está vendo esta fala aqui, não só para os trabalhadores do Brasil, não; eu estou fazendo isto aqui em honra do meu pai, porque o meu sonho era um dia ver meu pai descansar. Infelizmente, eu fui ver meu pai descansar morto, com câncer.

    Então, o que eu espero é que nós políticos tomemos vergonha na cara. A gente tem que ter vergonha na cara, porque aqui, para aumentar imposto... Não demora 24 horas na hora que é para aumentar imposto aqui, para ferrar com o povo. A verdade é essa. Traga qualquer coisa aqui para aumentar... Eu, graças a Deus, tudo o que foi para aumentar imposto aqui eu votei contra. Então, na hora em que o empresário vier falar qualquer coisa aqui, comigo, vocês podem ter certeza: eu aqui defendo o empresário e o trabalhador, porque eu sempre coloquei no meu coração, na minha cabeça que empresário e trabalhador é fonte de riqueza, é o patrão. Eu sou empregado de vocês e tenho obrigação de trabalhar para vocês. Então, empresários e trabalhadores, se unam, se juntem e venham aqui cobrar dos políticos!

    Que moral um político tem – vamos falar a verdade aqui –, eu ou qualquer outro político, de vir falar contra o fim da escala 6x1? Vamos lembrar que, semana passada, aqui o Plenário não trabalhou, não teve. Hoje está tendo esta sessão aqui, não vai ter votação. Amanhã não tem. Todo mundo sabe como a gente trabalha aqui. Aqui a gente trabalha 3x4, e nem... Vou falar a verdade, de dois anos para cá, nem 3x4 está. Na verdade, está 5x2, porque aqui dia de quinta-feira não tem nada. Eu posso ir embora e voltar só segunda e terça-feira, e pronto. A verdade é essa. Então, político nenhum, Sr. Presidente, com todo o respeito aqui a V. Exas. todos, político nem Judiciário, ninguém tem moral nenhuma para vir falar que não pode votar o fim da escala 6x1. Quem tem moral para falar é o trabalhador e o empreendedor. Agora, político nenhum tem moral para falar sobre isso, porque todo mundo sabe como a gente trabalha aqui – todo mundo sabe – e ganhando ainda R$40 mil. Então, como pode um político querer determinar uma escala para o trabalhador se a gente faz uma escala 3x4? Que moral a gente tem? Vamos trabalhar na 6x1! Vamos começar a vir aqui para o Senado, aqui para o Plenário, votar assunto a favor do povo dia de sábado de manhã, igual eu trabalhava.

    Eu tinha que trabalhar sábado até 3h da tarde, 4h da tarde. Chegava em casa, já estava morto; acordava no outro dia, já era domingo; e segunda eu tinha que trabalhar de novo. E não reclamo nunca. Pelo contrário, o que me fez virar homem de verdade mesmo e entender a vida foi o trabalho. Trabalho é dignidade. Mas que a gente precisa debater isso com responsabilidade e o mais rápido possível precisa, porque a verdade é essa.

    Eu escutei falar sobre a questão da demanda, que o déficit hoje da mão de obra está grande, e é por isso. Como é que um trabalhador, que ganha R$1,6 mil e faz uma escala maldita de 6x1, tem interesse em trabalhar? A verdade é essa. Que fique claro aqui que não é culpa do empreendedor, não, ou do empresário, a culpa é do Governo, do Estado, dos políticos, porque a maioria dessa parcela que deveria ir para o trabalhador volta para o Governo. A verdade é essa.

    Então, este tema é o tema mais importante do Brasil hoje: vai continuar não tendo mão de obra, vai continuar da mesma forma enquanto a gente não votar o fim da escala 6x1. E que fique claro aqui antes de falarem: "É porque é campanha, o Cleitinho é um pré-candidato a Governador e está querendo jogar para a galera". Não, não, não. Olhe aqui, pegue a minha PEC. Tem a do Paim, mas tem a minha PEC aqui, que inclusive o Paim assinou. E não foi agora que eu a fiz, não – viu, gente? Já tem anos que eu fiz essa PEC aqui, que foi protocolada. Pesquise, o que eu falo eu pratico.

    Eu fiz uma PEC aqui de 5x2 que tem a compensação. O que é isso? Que pode desonerar a folha, que pode ter redução de imposto. Para que cada empresário ou empresa que aderir à escala 5x2 possa ter compensação. Então, eu fiz isso com muita responsabilidade, com muito equilíbrio.

    Eu não estou falando aqui porque agora é ano eleitoral, porque estamos perto de disputar uma eleição, não. Eu estou fazendo isso porque desde quando eu entrei aqui, desde 2023, que eu virei Senador, eu venho lutando, batalhando, falando e me posicionando sobre o fim da escala 6x1.

    Então, que nós, Senadores, tomemos vergonha na cara e possamos votar o mais rápido possível.

    Muito obrigado, Sr. Presidente.

(Manifestação da plateia.) (Palmas.)


Este texto não substitui o publicado no DSF de 02/07/2026 - Página 85