Pronunciamento de Teresa Leitão em 03/09/2026
Pela ordem no Senado Federal
- Autor
- Teresa Leitão (PT - Partido dos Trabalhadores/PE)
- Nome completo: Maria Teresa Leitão de Melo
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Pela ordem
- Matérias referenciadas
A SRA. TERESA LEITÃO (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - PE. Pela ordem.) – Muito obrigada, Presidente.
Falar depois do Senador Paim sobre um tema semelhante ao que ele vai falar – minha fala é um pouco mais extensa... – em relação aos temas, é difícil, e eu estava dizendo ali ao Senador Camilo: todos os discursos que o Senador Paim está fazendo este ano, desde que ele decidiu que não mais vai ser candidato à reeleição, têm sempre esse tom, Paim, de saudade para você, para o senhor, mas de muita saudade para a gente.
O que vai ficar aqui marcado, na sua vida longa neste Senado, eu acho que vai ser coroado, sim, porque a PEC do fim da jornada 6x1 será votada com a sua digital. Eu tenho certeza de que o Presidente Davi vai fazer isso.
Mas eu quero, Senador Davi, nessa questão de ordem, repercutir... Eu fiz até uma postagem, no meu Instagram, sobre o que eu vou dizer agora, mas eu queria pontuar, como questão de ordem, e aproveitar para citar mais algumas coisas.
A partir de um depoimento da Senadora Damares, V. Exa. fez um depoimento sobre o que foram esses três dias de esforço concentrado, desse segundo esforço concentrado, porque as pessoas, Senadora Damares, realmente ficam nos monitorando.
Eu acho que é importante este controle social sobre as nossas ações. É claro, pois nós estamos aqui com uma representação que nos foi dada pelo voto. É necessário que sejamos, sim, fiscalizados, monitorados e que também prestemos conta daquilo que a gente faz. O que a gente não pode é ficar refém de avaliações superficiais, muitas vezes perseguidoras e, às vezes, até incautas em relação ao que aqui se faz.
Por isso, Senador Davi, que eu fiz questão ontem de postar no Instagram o seguinte texto, que vou ler e vou colocar mais alguns elementos. Faço isso na minha condição de Líder do Governo, porque começo agradecendo aos 75 Senadores, mas, com a licença da Senadora Tereza Cristina e da Senadora Damares, preciso destacar a bancada a qual eu lidero, sem nenhum demérito para a participação de todos vocês neste esforço concentrado. Então, eu começo agradecendo a presença de todos os Senadores e Senadoras da base do Governo. Agradeço o empenho, a mobilização e o compromisso com as pautas prioritárias do Governo do Presidente Lula.
Destaco e parabenizo, de maneira especial, os Relatores e a Relatora que tiveram um papel fundamental na construção desses avanços que vamos concluir na votação hoje, com a medida provisória: a Senadora Leila Barros, na MP que acaba com a taxa das blusinhas; o Senador Eduardo Braga, na Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos; o Senador Rogério Carvalho, na PEC da Segurança Pública, que votamos o texto principal ontem na CCJ e voltaremos com dois destaques que existem ainda para apreciação; o Senador Omar Aziz, na PEC do fim da escala 6x1; o Senador Cid Gomes, no Redata; e ressalto ainda a condução do Senador Otto Alencar nos trabalhos da Comissão de Constituição e Justiça.
Foram dias de muito diálogo e articulação, foram dias de muitas reuniões para construir consensos em torno de matérias importantes para o desenvolvimento do país e de forte interesse das famílias brasileiras. Continuamos a postos até a conclusão de cada um dos processos legislativos.
E aí me dirijo, Senador Davi, especialmente a V. Exa.
Desde que eu assumi a Liderança do Governo, o Presidente Lula nos deu a tarefa de destravar. Ele disse isto no seu Twitter, no dia que me convidou: "Tem que destravar essas três pautas", que terminaram sendo cinco.
Isso dependia, evidentemente, de uma concordância do Presidente do Senado. E eu fui a ele com esse desafio. Até a história de Trancoso eu lhe contei, a mesma que contei para o Presidente Lula. E conseguimos construir uma relação em que eu agradeço a confiança de V. Exa., e foi baseada nessa confiança que eu lhe disse – e disse, sobejamente, muitas vezes, à imprensa, Senadoras –: "O tempo-calendário não nos permitirá votar a PEC 6x1 no esforço concentrado [não disse?], porque ela tem que ser publicada, ela tem que ser lida, temos que seguir cinco sessões". O que é que nos permitiria? O tempo político. O tempo político poderia fazer com que a gente aprovasse aquele requerimento de indicação – porque tinha que ser nesses termos – na CCJ, trazido ao Plenário e submetido, evidentemente, ao poder discricionário do Presidente de acatar ou não.
Tempo político, senhoras e senhores, não se define por decreto; tempo político está contextualizado no que está acontecendo no mundo, no que está acontecendo no Brasil e no que está acontecendo aqui no Senado. Eu compreendi plenamente que perdi a batalha para o tempo-calendário. O tempo político não teve força suficiente, por conta da conjuntura e por ter que ouvir as duas bancadas, a Bancada do Governo e a Bancada da Oposição – é isso o que compete a um Presidente de um Poder, do maior Poder Legislativo que a gente tem no Brasil.
Então, assim como disse o Senador Paim, vamos nos curvar ao tempo-calendário. Que ele seja seguido – e eu sei que o Senador o seguirá, o Presidente desta Casa, para que a gente tenha a aprovação do fim da jornada 6x1 dentro desse tempo. O tempo político foi dado, foi muito bem aproveitado – muito bem aproveitado. Foram 24 Senadores que se inscreveram ontem para falar na CCJ, foram mais de três horas de reunião; foram suficientes para a gente ter segurança no que vai votar, do ponto de vista concreto, mas no Parlamento não existe isso. O que existe no Parlamento é o falar, é o pesar, é o ouvir.
E eu acho que o que a gente construiu, Senador Davi, neste esforço concentrado, nos dá, sim, condições de dizer o que fizemos com essas cinco medidas que o Presidente Lula apresentou para o país, negociou com V. Exa. e com o Presidente da Câmara como medidas fundamentais. E quero dizer, Senadora Tereza Cristina, que os diálogos que tivemos com V. Exa., com a Senadora Damares, com outros Líderes da Oposição, nos dão também a confiança de que nós teremos fôlego suficiente para cuidar das duas PECs que ainda têm estágios de tramitação.
Resolvemos o projeto do Redata – vamos concluir hoje, com a votação do PLP 74 –; resolvemos o projeto das terras-raras e minerais críticos – os dois dialogam entre si, são projetos estratégicos demais para o desenvolvimento do país, resolvemos dentro do prazo. A Senadora Leila disse que não vai mais usar blusinha, só vai usar casaquinho, de tanto que aperrearam a pobre com a medida provisória do fim das taxas das blusinhas.
Ainda resolvemos as duas PECs na Comissão de Constituição e Justiça.
Então eu quero parabenizar a todos nós, Senador, a todos nós. Fico muito feliz, porque o desafio é muito grande.
E se a gente tivesse botado a PEC para votar ontem, a gente teria votos suficientes, eu tenho certeza. Por isso que eu digo que o tempo político nos regeu até o seu limite. Então, agora vamos, com esse conteúdo político, que construímos durante todo esse esforço concentrado, que, de fato, foi concentrado, vamos, com todo esse esforço, ao tempo-calendário. Que o tempo-calendário nos espere, porque nós vimos com tudo para concluir as duas PECs, para ver o que não foi possível fazer, porque esta instância, o Senado da República... Eu tenho um irmão que diz assim a mim, Senadores: "Olhe para o Brasil e veja que, do Brasil inteiro, só tem 81 pessoas sentadas na cadeira do Senado, e você é uma delas. Tenha muito juízo, minha irmã, porque você é uma dessas 81 pessoas que está representando o Brasil nesse Senado".
Então parabéns, parabéns ao Senador Davi, parabéns, de maneira muito especial, pela confiança que, neste momento de tanto desafio, a Bancada do Governo me creditou, ao Senador Camilo, Líder da Bancada do PT. E vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos. Que elas sejam as melhores, as melhores para o Brasil, as melhores para a democracia, as melhores para o povo brasileiro.
Muito obrigada.