Autor
Marcelo Crivella (PRB - REPUBLICANOS/RJ)
Data
20/06/2011
Casa
Senado Federal 
Tipo
Para discursar 

                          SENADO FEDERAL SF -

            SECRETARIA-GERAL DA MESA

            SUBSECRETARIA DE TAQUIGRAFIA 


            O SR. MARCELO CRIVELLA. (Bloco/PRB - RJ. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Wilson Santiago, Senador pelo bravo Estado da Paraíba e que nos honra muito com sua presença nesta manhã; gostaria de saudar também o Senador Mozarildo, um companheiro extraordinário de todas as lutas em favor da Bíblia e do Evangelho nesta Casa e é do não menos bravo Estado de Roraima; gostaria de saudar o Exmº Revmº Pastor Adail Carvalho Sandoval e, em nome do Sr. Pastor, quero saudar esta audiência tão ilustre, tão florida. Poucas vezes este Senado esteve composto de damas e cavalheiros tão ilustres. Muito obrigado por vocês terem vindo. Vocês engrandecem esta Casa, meus irmãos.

            Quero saudar o Presidente de Honra da Sociedade Bíblica do Brasil e Presidente da Academia Evangélica de Letras - obrigado, meu irmão - e uma das lideranças evangélicas mais ilustres, mais lúcidas, um dos exemplos de homens de Deus mais cultuados por todos aqueles que amam a obra evangélica, o Exmº Revmº Pastor Guilhermino Cunha. Deus abençoe muito o senhor, mineiro, mas, para alegria nossa, mercê de Deus, exerce o ministério no Rio de Janeiro, minha cidade, e é pastor de uma catedral que, no ano que vem, vai completar, Senador, 150 anos. Cento e cinquenta anos, uma marca extraordinária.

            Quero saudar também o Presidente da Igreja Presbiteriana Nacional, o Exmº Revmº Pastor Obedes Ferreira da Cunha Júnior. Muito obrigado por ter vindo. Quero agradecer também a presença e saudar o Diretor Executivo da Sociedade Bíblica do Brasil, o Exmº Revmº Dr. Rudi Zimmer. Parabéns por fazer da nossa Sociedade Bíblica do Brasil a maior sociedade Bíblica do mundo e nos dar essa honra. Isso é uma grandeza para o Brasil. Os brasileiros, talvez, só na eternidade poderão dimensionar a graça que é ser a nação em que se imprimem mais Bíblias no mundo de ser o povo que imprimiu a centésima milionésima Bíblia. Isso é um marco. A Nação inteira, de pé, deveria aplaudir o senhor e seus companheiros ilustres por uma obra grandiosa como essa. Parabéns! (Palmas.)

            Parabéns! Sobretudo o aplauso de todas as Igrejas Evangélicas, todas elas, sem exceção, e Católicas também.

            O Secretário de Comunicação e Ação Social da Sociedade Bíblica do Brasil, o Exmº Revmº Dr. Erní Walter Seibert; o 2º Vice-Presidente da Ordem dos Pastores Batistas do Distrito Federal, também nosso irmão, Pastor Gilson Batista de Souza. Quero agradecer a presença do Gerente-Geral da Gráfica da Sociedade Bíblica do Brasil, Sr. Celio Emerique. Parabéns, Sr. Célio! Que Deus lhe dê muitos anos de vida, muita inteligência, criatividade para o senhor conduzir essa gráfica extraordinária. Deus o abençoe! Eu quero saudar os pastores parlamentares. Quero saudar também, de maneira muito carinhosa e especial, um irmão meu lá do Rio de Janeiro, que foi sequestrado e esteve no cativeiro, numa agonia tremenda, numa agonia apostólica. Por instantes na vida dele, foi um Apóstolo Paulo, num submundo, numa subvida, numa privação, num medo, num pavor tremendo, mas ele orava. E ali Deus ouviu a oração de Jonas, não na baleia, mas no ventre do grande peixe. Não posso ficar fazendo essas colocações populares, porque a televisão está nos filmando. Isso vai ao Brasil inteiro. Por isso falei grande peixe.

            Eu queria saudar, com o aplauso de nós todos - talvez seja o mais idoso, portanto, aquele que devemos olhar com o maior respeito; devemos olhar todos com respeito, carinho, admiração e apreço, mas ele ainda mais, pela sua idade, pela sua liderança, pela luta que já passou, pela redenção, pelo livramento que Deus lhe deu e que nos enche de esperança, pois Deus ouve a oração de um justo na sua aflição -, o meu irmão, o Excelentíssimo Reverendíssimo Pastor Isaías de Souza Maciel, nosso irmão querido. (Palmas.) Deus abençoe o senhor! Muito obrigado por estar aqui conosco.

            Quero saudar também os meus irmãos queridos. Estamos falando de Bíblia e, falou nisso, temos que falar dos Gideões, que aqui vieram, incansáveis semeadores da palavra no mundo inteiro, meus irmãos. Quero saudar o Marcos Antônio Tonini, Presidente Estadual dos Gideões Internacionais da Seção Estadual de São Paulo Norte; o Luiz Carlos Lucas Arauújo, Vice-Presidente Estadual; a Juliane Pereira da Silva Araujo, Presidente Estadual das Auxiliares; José Júlio dos Reis, Vice-Presidente Nacional dos Gideões Internacionais; Mateus Silva Araujo, o filho Lucas, que está ali de terno, e Juliane Carleti, sua esposa. Estão saudados aqui, com o maior apreço, com o maior carinho por nós todos do Senado Federal, que hoje está jubiloso por fazer uma sessão solene.

            Meus irmãos, o Senado Federal é essa imensa forja; é um alto forno. Por aqui passa um dilúvio de ódios e paixões de todo tipo de interesses. Mas também é aqui que se retemperam as essências mais puras da nossa nacionalidade, da nossa brasilidade, da nossa história do ontem, de hoje e a formação do nosso futuro, de tal maneira que esta Casa se engrandece prestando homenagem aos senhores, à Sociedade Bíblica do Brasil.

            Como disse na justificação desse requerimento, trata-se de singelo reconhecimento do Senado da República a essa instituição sem fins lucrativos, que há mais de 60 anos dedica-se, com diligência sacerdotal, à promoção e difusão, em vários idiomas e países, da Bíblia e de sua mensagem como instrumento de transformação espiritual, de fortalecimento dos valores éticos e morais e de incentivo ao desenvolvimento humano nos aspectos espiritual, educacional, cultural e social.

            Nós não temos palavras para dimensionar o valor disso que estamos celebrando hoje. Não, não há, em todos os setores da vida nacional. Já se diz que o Brasil, hoje, ainda tem dez milhões de analfabetos exatamente por fatores históricos como a escravidão, que afastou, durante 350 anos, uma grande parcela da nossa população da estrutura familiar e da educação, uma das páginas mais oprobriosas da nossa história. Graças a Deus, fomos redimidos por homens que estavam nesta Casa: Patrocínio, Princesa Isabel, Joaquim Nabuco.

            Se há mais tempo tivéssemos a impressão da Bíblia nesta Pátria, certamente nem tínhamos mais analfabetos, porque outro fator consagrado e sistematizado nos estudos políticos...

            Isto aqui não é um evangélico apaixonado. São estudos: a nossa antropologia, os aspectos religiosos de uma igreja oficial, de um padroado que não priorizava a distribuição da Bíblia e a leitura da Bíblia pelos brasileiros.

            Eu digo isso porque, aos sete anos de idade, fui levado a uma igreja metodista e recebi uma Bíblia, que é o livro que mais amei na vida. Os seus heróis foram modelo. Eram eles que eu imitava. Toda a esperança das suas promessas, seus mandamentos vincaram a índole, a vocação da minha alma e de todos nós, a maioria dos que estão aqui. O livro que mais lemos e amamos é a Bíblia. Isso faz com que as pessoas queiram aprender palavras novas para compreender o sentido exato daquilo que leem.

            O Ministério da Educação, sem sombra de dúvida, deveria dar um apoio decisivo, porque nada mais incentiva o idoso, o analfabeto a fugir das trevas da sua ignorância do que, por amor à fé e a Deus, querer conhecer e enfrentar os obstáculos para se educar. Sem sombra de dúvida, esse é instrumento mais forte que temos ou, então, vamos ter que conviver para sempre. Olha que fizemos vários programas no Governo Lula e agora estamos fazendo novos, no Governo da Dilma, mas ainda convivemos com essa tristeza, essa vergonha, esse desalento de termos milhões de brasileiros analfabetos totais, porque, de analfabetos funcionais, ainda passa. Esse número ainda é maior.

            Então, a Sociedade Bíblica do Brasil tem um alcance extraordinário. O amor à Bíblia, a leitura da Bíblia, a compreensão, que nas igrejas evangélicas, bem disse o Reverendo Guilhermino Cunha, é um sacerdócio pessoal, particular. É o homem em contato com Deus, tomando posse das promessas e tendo a sua fé alimentada diariamente pela leitura da palavra de Deus e não por ouvir, durante séculos, uma missa, muitas vezes, rezada em Latim. Graças a Deus isso mudou, mas deixou marcas.

            De fato, Sr. Presidente, o mundo de hoje carece, e muito, do fortalecimento de valores éticos e morais, e nada melhor para isso do que difusão do Livro Sagrado de todos os cristãos, independente da igreja a que pertençam: a Bíblia Sagrada.

            Permito-me neste momento, Srªs e Srs. Senadores, fazer uma pequena regressão no tempo para falar um pouco sobre a Sociedade Bíblica do Brasil e sua história, para que tenhamos a dimensão do significado dessas 100 milhões de Bíblias impressas.

            Até 1948, o trabalho de disponibilização da Bíblia no Brasil era liderado pela Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira e pela Sociedade Bíblica Americana. Naquele ano, os líderes das igrejas cristãs se reuniram no Rio de Janeiro e concluíram que a obra bíblica em nosso País precisava ser conduzida por brasileiros. Nós temos que aplaudir esses heróis, esses bandeirantes da fé.

            Concluíram também que essa obra deveria ser realizada em parceria com todas as igrejas, de forma coordenada, por meio de uma organização que servisse a todas as denominações cristãs. Nascia, assim, a Sociedade Bíblica do Brasil.

            O trabalho começou pequeno. A falta de recursos era aguda, amarga, mas, mesmo assim, foi possível distribuir 80 mil Bíblias já no final do primeiro ano de trabalho. Colosso! A partir daí, esse número foi só aumentando, até chegar a essa marca espetacular de 100 milhões de Bíblias de hoje.

            Nos últimos dois anos, a Sociedade Bíblica do Brasil distribuiu cerca de 6 milhões de Bíblias por ano, mas esse número ainda é insuficiente. Se quisermos que cada brasileiro, cada brasileira, ao completar 15 anos de idade, tenha a sua própria Bíblia, será preciso distribuir, anualmente, perto de 12 milhões de exemplares; ou seja, o dobro do que é feito hoje. O desafio é grande.

            Os números atuais só puderam ser alcançados graças à instalação no Brasil de uma gráfica especializada em impressão de Bíblias, que agora completa 16 anos de existência. Eu já estive lá, tive a honra de visitá-la, em Tamboré, São Paulo. Um primor, uma beleza! Os irmãos cuidam daquilo de maneira devotada. É um orgulho para nós, brasileiros, visitar as instalações industriais da Sociedade Bíblica do Brasil, no coração de uma área industrial de São Paulo. Eles atendem não apenas ao mercado brasileiro, mas também a 105 países de todos os continentes. A Gráfica da Bíblia, inaugurada em 1995, permitiu o pronto atendimento da crescente demanda pelas escrituras sagradas. Em 1995, Reverendo Guilhermino Cunha, o Brasil patinando nessa década, chamada década perdida, crescíamos a 2, 3%, no chamado voo de galinha, o País entrando ou vivendo uma grande depressão, o estado mínimo, e surge uma gráfica dessas, espetacular!

            A Gráfica de Bíblia - muito bem - permitiu o pronto atendimento da crescente demanda pelas Escrituras Sagradas, propiciando maior variedade de tamanhos, modelos de encadernação e redução de custos. Até o início de suas atividades, a Bíblia com menor preço de venda, distribuída pela Sociedade Bíblica do Brasil, custava US$6,50. Hoje, custa apenas US$1,20.

            Eu até pedi à Márcia para conferir isso. Disse: Ô Márcia, US$1,20? A mais popular é. Claro que todos nós gostamos de ter uma Bíblia bonita, encadernada, folheada, com relevos, com informações. Essas são mais caras. Mas a Bíblia mais popular custa US$1,20, R$2,00. Isso tem de ser aplaudido, meu Deus! (Palmas.)

            Tem de ser aplaudido! (Palmas.)

            Além disso, até 1995 havia uma sistemática falta de Bíblias no Brasil, em quantidade e opções, justamente porque não contávamos com gráficas e encadernadoras especializadas. Os números são impressionantes, Sr. Presidente, Senador da Paraíba.

            Hoje, a Gráfica da Bíblia trabalha seis dias por semana, produzindo cerca de 700 mil exemplares por mês ou 28 mil por dia, o equivalente a 20 Bíblias por minuto ou a uma Bíblia a cada três segundos.

            Um, dois, três, mais uma Bíblia da Sociedade. Portanto, se esta sessão especial durar apenas uma hora, haverá, ao término dela, mais 1.200 novas Bíblias no Brasil.

            Mas, como já disse minutos atrás, esse número ainda é insuficiente, se quisermos que cada brasileiro, aos 15 anos de idade, tenha a sua própria Bíblia.

            As pessoas não conhecem a Bíblia. Aqui, no Congresso, muitas vezes achamos que Senadores ou políticos são evoluídos ou estão à frente do seu tempo, quando tratam de questões do meio ambiente. Ah, isso para nós não é novidade: a primeira coisa, no Paraíso, que lemos foi que Deus mandou Adão cuidar do jardim. Pronto, todos nós já temos a consciência do meio ambiente, porque somos homens da Bíblia.

            Estamos discutindo, ai meu Deus do céu, e o Supremo numa decisão de ativismo judiciário... Não se deve criticar um outro Poder. Aliás, o Supremo é o areópago do nosso arcabouço jurídico, e nós devemos prestigiá-lo. Isso é dever de todo democrata. Mas tenho o dever também de defender esta Casa. São os Senadores e Deputados que receberam voto para fazerem leis. 

            Os juízes devem aplicar as leis. Ultimamente eles estão extrapolando e estão tomando decisões que acabam incluindo no arcabouço jurídico brasileiro dispositivos para os quais nós no Congresso ainda não encontramos uma fórmula. E não encontramos por quê? Porque aqui nós sofremos a pressão de todos e só decidimos quando há acordo ou pelo menos uma maioria importante. Sem isso, ninguém ousa propor, relatar, votar, emendar. Primeiro, a nossa existência aqui depende de voto, e isso é uma conclusão óbvia, e o óbvio é estarmos em sintonia com aqueles que nos mandaram para cá. Não viemos para cá para sermos servidos, mas para servir; e, se não servimos, não ficaremos aqui.

            De tal maneira que, nas primeiras páginas da Bíblia, nós falamos de uma família, um homem, uma mulher e seus filhos. Passaram-se séculos, tantas civilizações, e não se encontrou uma fórmula mais harmônica. É uma pena que seis homens, num universo de 200 milhões, homens e mulheres, possam decidir por nós todos, quando imaginam que uma família pode ser constituída de dois homens e duas mulheres. É uma pena!

            Aliás, queixei-me com a Ministra Ellen Gracie, que me disse: “Senador, somos o terceiro turno, e as decisões caem lá”. Mas, Ministra, há 10 mil casos na fila: vocês pautam, põem na pauta, relatam e põem para votação o que querem. “O senhor está reclamando? Vamos decidir o aborto.” Isso é uma afronta, Ministra, a outro Poder. Não vamos construir o Brasil dos nossos sonhos dessa maneira. O Congresso é que deve fazer as leis, e, aqui, no Congresso, desde Rui Barbosa e daquele Cristo, daquela cruz que está ali, a Bíblia tem um papel muito importante. Nós podemos emendar a Constituição, mas não podemos emendar a Bíblia, nem devemos. Ela tem sido a base deste País, da nossa história.

            Ninguém acreditava no mundo que uma civilização mestiça nos trópicos poderia construir uma Nação que fosse a sétima economia do mundo. Fizemos. E não o fizemos, afastando-nos da Bíblia. Pelo contrário, nós o fizemos com sociedades bíblicas e crescemos no momento em que essas Bíblias entraram nos lares, em que o movimento evangélico cresceu no País.

            Digo isso aqui, até extravasando as minhas emoções, para ressaltar o trabalho de quem faz Bíblia e a importância que essas Bíblias têm, por exemplo, em sua primeira página, em nos lembrar de cuidar do meio ambiente, do jardim, em escala planetária, e também da família. Portanto, quem lê a Bíblia, quem a conhece pode exercer com dignidade a função política e certamente servirá aos seus irmãos em que parte esteja do mundo.

            Vivemos momentos muito turbulentos, de violência, de insensibilidade, de desamor para com nosso semelhante e para com o próprio planeta Terra. Aliás, hoje me permito falar. Vocês hoje vão ter de ter uma certa, eu diria, indulgência, compreensão e tolerância com este Senador do Rio, mas não estou aqui falando apenas de um assunto político. Estou falando de algo que toca minha alma.

            O que mais nos avilta neste País? O que mais fere a nossa dignidade, senão vermos as nossas crianças morando em barracos, nas favelas, a desigualdade que existe neste nosso Brasil? Temos uma dívida pública, hoje, de R$1 trilhão. Vamos colocar em números redondos: de R$2 trilhões. Mas sete mil pessoas, sete mil brasileiros detêm 80% dos títulos da dívida pública - 1,6 trilhão, nas mãos de sete mil brasileiros. Essa é uma concentração brutal de poder e renda, que se reflete no poder político, no poder cultural e no poder da terra. Nossas mazelas são frutos disso. Há uma parcela imensa de brasileiros que não têm acesso à educação, à saúde, à habitação, porque o País cresceu naquele regime da sesmaria, aquela coisa antiga de coronéis, de pessoas que se perpetuam no poder e que afastam uma ou outra parcela, que acaba, meu Deus do céu, vivendo em condições subumanas.

            O Rio de Janeiro é assim. Temos de reconhecer. São duas cidades. Não é uma. São duas irmãs siamesas e monstruosas: de um lado, uma classe muito rica, que, às vezes conspícua, mostra-se nas suas festas, em colunas sociais, em mansões espetaculares, cercada de seguranças privados, em um oceano de barbárie. São ilhas pequenas em um oceano de barbárie, porque, a uma distância constrangedora, há uma imensa parcela da nossa população morando em favelas, há séculos; crianças vivendo no meio de ratos e baratas. Por que essa desigualdade? Porque não lemos a Bíblia. Porque Moisés, no Deuteronômio, já nos ensinava a pagar o dízimo para dividir nossos recursos; porque Moisés já nos ensinava também que, quando fôssemos segar as espigas no campo, as que caíssem nos chão pertenciam à terra, aos pássaros e aos pobres - não era digno se abaixar para pegar -; e nos ensinava a perdoar as dívidas: de sete em sete anos, descansava-se a terra, e, de 49 em 49, acabava-se a servidão, acabavam-se as dívidas. E, quando o povo pede um rei, que era exatamente o símbolo maior das concentrações, qual é a resposta a Samuel: mas por que rei? O rei vai pegar os seus filhos mais fortes e formosos e colocar no exército para lutar pelas suas conquistas; suas filhas mais bonitas vão para o harém, e, de tudo que vocês plantarem, o rei vai comer o melhor. Qual é a razão de se ter rei?

            Pois bem, a Bíblia nos dá uma lição. Bem disse aqui o Santiago, ele falou no começo: “Não, mas Deus sempre respeitou o livre arbítrio, e o povo quis.” Agora, a história dos reis hebreus é melancólica, de tristeza; o próprio rei Davi, o maior deles, sofreu muito na sua vida privada, pelo número de esposas que teve, pelos problemas com os filhos. Quem dera, meu Deus, nós pudéssemos aprender da Bíblia a construir o Brasil dos nossos sonhos - não seria desigual como é esse. Se todos os brasileiros dessem o dízimo, dividissem as suas posses e pensassem no seu próximo, como Cristo nos ensinou...

            De tal maneira que essa nossa sessão solene hoje é muito importante. Não podemos viver longe da Bíblia e dos seus ensinamentos, se queremos ser uma Nação digna, honrada, próspera e, acima de tudo, a serviço da humanidade.

            Nessas circunstâncias, creio que somente a Palavra do Senhor Jesus será capaz de criar o Brasil dos nossos sonhos, de confortar o coração dos brasileiros, de trazer o verdadeiro amor de Deus até nós, para assim podermos construir um mundo melhor.

            É por isso que a impressão de 100 milhões de Bíblias foi celebrada, no último dia 10, em grande estilo - eu estive lá -, no Ginásio Poliesportivo José Corrêa, em Barueri, São Paulo, evento que estava repleto de autoridades públicas, de diversas lideranças religiosas e de cristãos de todas as partes, que ali foram confraternizar-se. E foi feito um grande louvor a Deus pela semeadura da sua Palavra.

            Destaco também que, na semana de 6 a 10 de junho, foi realizada a terceira edição da Feira dos Editores das Sociedades Bíblicas Unidas - UBS Publishers' Fair. Esse encontro aconteceu no Centro de Eventos de Barueri, onde está localizado o Museu da Bíblia, e reuniu representantes das 147 Sociedades Bíblicas de todo o mundo. Cada uma delas teve a oportunidade de apresentar suas mais recentes publicações e programas, compartilhando novas ideias e produtos para a difusão da Palavra de Deus.

            Durante o evento, um dos assuntos mais discutidos foi a questão dos novos formatos e meios em que a população demandará às Escrituras Sagradas na área digital: iPhone, iPad, leitores de e-book, por exemplo. Essa é uma necessidade que também precisará ser atendida pela Sociedade Bíblica do Brasil!

            Sr. Presidente, senhoras e senhores presentes, antes de concluir meu pronunciamento, gostaria ainda de prestar uma homenagem à Sociedade Bíblica do Brasil pelo magnífico trabalho social.

            Estou recebendo aqui o comunicado de que o ex-Senador pelo Distrito Federal Lindberg Aziz Cury está presente. Seja saudado, por favor, por todos nós, Senador! (Palmas.)

            Deus o abençoe! Muito obrigado por V. Exª estar conosco, Senador Lindberg Aziz Cury. Não falei antes porque eu não sabia. Desculpa. Só me entregaram agora.

            Atualmente, a SBB mantém diversos programas sociais que contam com a colaboração de inúmeros parceiros e voluntários. Graças a essa grande rede solidária, a entidade tem conseguido disseminar os valores contidos nas Escrituras Sagradas e promover mais qualidade de vida entre os brasileiros. São ações que têm um público específico, presidiários e suas famílias; jovens; idosos; deficientes; enfermos e pessoas em situação de emergência. Com toda a certeza, o acesso à palavra do Senhor tem feito a diferença na vida dessas pessoas!

            Destaco, ainda, o trabalho cultural realizado pela Sociedade Bíblica do Brasil, por meio de obras como o Centro Cultural da Bíblia, localizado no meu Rio de Janeiro - espaço planejado com o objetivo de enfatizar a importância do Livro Sagrado na formação da cultura e da civilização ocidental. Situado no Edifício da Bíblia, antiga rede da SBB, ostenta em sua fachada o painel “Réquiem para a Floresta”, do artista plástico Gervásio Teixeira e conta com nove andares dedicados a atividades artísticas, culturais e educacionais relacionadas às Escrituras Sagradas, no coração do Rio de Janeiro.

            Concluo, portanto, Sr. Presidente, meu pronunciamento saudando a Sociedade Bíblica do Brasil com o maior orgulho, orgulho puro, orgulho santo, por esse maravilhoso e profícuo trabalho que vem realizando em prol da difusão da Palavra do Senhor Jesus. Em especial, saúdo o Sr. Adail Carvalho Sandoval, seu Presidente, e o Sr. Rudi Zimmer, atual Diretor-Executivo daquela Entidade. Não poderia deixar, de cumprimentar, também, o Sr. Luiz Antônio Giraldi, Diretor-Executivo da Sociedade Bíblica do Brasil entre 1984 e 2005, principal idealizador da Gráfica da Bíblia e talvez o maior responsável por estarmos comemorando essa marca histórica de 100 milhões de Bíblias impressas no Brasil, mercê de Deus para orgulho nosso e dos brasileiros.

            Sr. Presidente, vou concluir, mas, antes, quero aqui me permitir fazer uma pequena reflexão que é muito mais do que ufanismo. Eu fico pensando, quando passo os meus olhos pela história pós-Cristo, sobre os anos em que os cristãos foram presos, sobre a época medieval, sobre a formação dos Estados na Ásia, na Europa, quando o Novo Mundo ainda estava coberto aos olhos humanos, quando a Igreja se desvirtuou, se degenerou, se avelhantou e veio a reforma. A partir daí surgiu uma brisa nova, um alento, uma esperança de se cumprir a última palavra que Cristo nos deixou antes de subir aos céus, quando ele disse: “Este Evangelho será pregado até os confins da Terra e, então, virá o fim”. Essas foram as últimas palavras para um grupo de pessoas que estavam aflitas, angustiadas, porque viram o seu sofrimento, se dispersaram, que tiveram episódios particulares com Cristo ressuscitado, mas que, de repente, o viram subindo, não como um foguete, um avião, mas como um balão de São João, devagar, e perderam o olhar no espaço, quando os anjos vieram e perguntaram: “Por que vocês olham para cima? Assim como ele subiu ele voltará”.

            Essa missão de levar o Evangelho até os confins da Terra não foi cumprida até hoje. Nós temos barreiras. Nós conversávamos sobre isso. A Índia é uma barreira. Nós não podemos dizer que o Evangelho chegou à Índia, porque fui pastor lá, em 1993, 1994, e abri uma igreja, ainda a única. Não conseguimos evoluir, há dificuldades burocráticas no governo, e não se pode dizer que a Bíblia chegou à Índia se não tivermos televisões, rádios, satélites e uma estrutura que nos permita dizer, com tranquilidade, que alcançamos 1 bilhão e 300 milhões. Nem a China, cujo trabalho ainda é muito incipiente diante do volume do desafio, da grandeza da nossa missão. Nem nos países árabes, que agora estão sofrendo revoluções políticas que, eu acho, vão nos facilitar. Agora, podemos dizer que a Inglaterra prestou um grande papel nos séculos XVIII e XIX.

            Havia ali uma igreja que orava. É notável a gente ver que uma ilha inexpressiva, sem ouro, sem prata, sem campos para plantar fizesse a sua hegemonia. Vocês já repararam nisso? A hegemonia dos países, o poder? Eu poderia dizer que é um trinômio: armas, dinheiro, ideias. Pois bem, os ingleses, do nada, descobriram que tinham minério de ferro e carvão próximos, metalurgia do aço e máquina a vapor, uma invenção deles. E, com a metalurgia do aço fizeram o couraçado. Enquanto o mundo navegava em caravelas de madeira sopradas pelo vento, eles tinham couraçados de aço movidos a carvão, que era o vetor de energia da época. Com as armas engoliram China e Índia e fizeram o dinheiro, porque levaram todo o ouro e toda prata.

            Reverendo Guilhermino Cunha, por um processo mercantilista, altamente deficitário às potências européias, todo ouro da sua Minas Gerais, toda prata do Potosi, a muita prata do Potosi, a pouca prata da Celesi, o cobre da Alemanha foram para os cofres fortes da China e da Índia vendendo o quê? Porcelana, seda, vendendo maçã, vendendo abacaxi, vendendo cana-de-açúcar, vendendo especiarias, vendendo perfumaria. Isso tudo os ingleses engolem e levam para a Inglaterra. Se há arma, se há dinheiro: as ideias; John Adams, a política liberal, econômica liberal: não vale estado, vale mercado, vamos abrir nossos portos, vamos comercializar, desde que a moeda, o padrão monetário internacional seja a libra esterlina. E uma ilha inexpressiva faz a sua hegemonia no século XVIII, século XIX. Mas havia uma igreja de joelhos, havia um povo com sede de almas, havia bíblias para serem distribuídas.

            Há uma Era Vitoriana, há talvez um excesso, um fanatismo - essa coisa é pendular. Igrejas fanáticas levam seu povo na geração seguinte ao mundanismo, porque perdem o equilíbrio. Os fanáticos ingleses da Era Vitoriana nos legaram uma geração hoje muito afastada da bíblia, muito afastada do Evangelho, uma sociedade que luta muito para manter suas igrejas abertas. Muitas igrejas anglicanas já foram vendidas: metodistas de todas as denominações históricas hoje são bingos. Uma igreja que foi para os Estados Unidos.

            É impressionante a gente ver como essa igreja americana, que orava, que se despertava, que era missionária fez com que o eixo do poder saísse da ilha!

            Porque é uma guerra. E os americanos só entram na guerra depois que assinam acordos com os britânicos para que as bases militares fossem bases americanas.

            A arma, Reverendo Isaias de Souza Maciel já não era mais o couraçado, era a bomba atômica. Os americanos a tinham.

            O ouro e a prata saíram da Inglaterra e foram para Fort Knox, e o padrão monetário internacional não era mais a libra esterlina, passou a ser do dólar, objeto de desejo do mundo. Um pequeno papel pintado de verde, capaz de chegar a qualquer nação do mundo e adquirir produtos, terras, indústrias, empresas. E se forma a hegemonia do século XX, uma igreja orando, uma igreja atuando, enviando missionários, criando universidades, escolas. Essa igreja e esse país enriquecem.

            Agora, os franceses estiveram no Rio de Janeiro de 1955 a 1965 e não foram capazes de criar a França Antártica aqui, porque os bancos anglo-saxões ainda carregam a sua vulnerabilidade de imaginarem que a raça branca é a raça fundamental e que é importante a doutrina de meio e raça.

            Essa coisa não pode estar sendo provada mais errada do que hoje nos nossos dias. Os franceses passaram dez anos no Rio de Janeiro e não permitiam que os seus homens, seus soldados tivessem qualquer contato com as índias. E as índias receberam os portugueses e foram nossas mães com uma generosidade feminina extraordinária e nos deram os primeiros heróis: portugueses e índios deram os Curumins; tiveram contato com a bíblia e nos deram os Bandeirantes; os Garcias, os Raposos, os Fernão Dias, os Bartolomeus Buenos, que a golpes de tenacidade e bravura romperam nossas matas, subiram e desceram mais de mil montanhas; entraram nos sertões do Reverendo Guilhermino Cunha, encontraram o Lobo Guará, subiram o Planalto Central, atravessaram o Pantanal e balizaram uma das maiores geografias do mundo: essa Terra Brasil, essa raça de bravos. Mas numa mistura que os franceses não tinham. Para eles qualquer ser humano de pele escura, de olho escuro, era pecaminoso. Desde o renascimento, as pinturas européias, todos os anjos eram representados de cabelinho louro e de olho azul. Até Cristo era lourinho.

            É claro que a riqueza da época era a cana-de-açúcar. E, para plantar a cana, colher a cana, levar para engenho, fazer isso o tempo todo, o dia inteiro, só os negros. E vieram 350 anos de escravidão. O Brasil começa sua riqueza: é a cana-de-açúcar, é a cana-de-açúcar, é o negro. O Brasil chega à época dos nossos avós, e a riqueza era o café, e o café era o negro. Nós devemos muito a esses cidadãos que vieram do outro lado do Atlântico.

            Agora, a mulher negra, na sua idiossincrasia, não abria mão de uma coisa. Suportou a senzala, suportou o desprezo, foi subalternizada, desprezada, até ridicularizada - só Di Cavalcanti começou a ver a beleza que havia naquelas mulheres -, mas ela queria ter filhos. E não importava se fosse branco, negro ou índio; o importante era o filho. O pai era irrelevante, até porque não podia contar com ele. O maior escritor brasileiro, Joaquim Maria Machado de Assis, Cadeira nº 1 da Academia Brasileira de Letras, é prova disso.

            E neste panelão racial, onde há 500 anos se retempera a alma brasileira, nós não somos negros, não somos brancos, não somos amarelos, nem vermelhos. Nós somos tudo isso e muito mais!

            De tal maneira que Robineau se enganou quando blasfemou para D. Pedro II dizendo que o homem não veio do macaco, mas que está indo para o macaco, porque está misturando suas raças. Nada mais estúpido, nada mais contrário àquilo que o Espírito Santo fazia, para conferir a este povo brasileiro as características próprias a serem empregadas, como os pregadores da Batalha Final. Somos nós, os brasileiros, que vamos romper as últimas fronteiras do mundo ao Evangelho, levar e cravar a Bíblia e o nome de Jesus antes da sua volta triunfal! Por isso, essa Sociedade Bíblica hoje é a maior do Brasil!

            Tivemos um Presidente da República que não tinha vergonha de ser como nós, de pensar como nós, de agir como nós. Ele não era um americanófilo. Desculpem - tenho o maior apreço pelos meus irmãos americanos -, mas nós somos brasileiros, e somos, sim, essa mistura do índio, do negro, do branco e de outros que vieram nos construir. E eu quero dizer aos senhores que, para ter esse sangue que nós temos, custou muito sacrifício, como a obra de Cristo na cruz custou o sacrifício do próprio Filho de Deus.

            Nós somos o que somos por muito sacrifício: pelos brancos, que viviam com o coração estraçalhado de saudade de suas terras - e muitos foram desterrados; pelos índios, porque um missionário dava um “atchim” e matava 20 índios; e pelos negros, que derramaram, nas senzalas, sangue, suor e lágrimas por 350 anos.

            Foi sacrifício, como tudo o que Deus fez na Bíblia, para sermos hoje o Brasil que somos. E este Brasil, com essas igrejas que crescem tanto, com esses pastores que perderam o medo de ter avião, helicóptero, de montar rádio e televisão. Não temos mais os pastores complexados com uma auto-imagem: o pastor tinha que ser pobrezinho, tinha de impressionar os outros, precisava ser aplaudido como se fosse um andarilho, um pobrezinho de sapato furado - essas coisas que vêm da idolatria. Isso não existe mais, graças a Deus. O que existe é o amor a uma causa, o amor a um reino, o desejo de cumprir a missão de Cristo que, há dois mil anos, ninguém foi capaz de cumprir.

            Essa visão nós temos que ter, porque formamos esse povo jovem, um povo humilde nas conquistas, mas perseverante nas perseguições; um povo capaz de amar com a alma brasileira, de abrigar e abrir suas igrejas diariamente, de passar noites pregando o Evangelho nas rádios e nas televisões, de visitar, invadir todos os asilos, orfanatos, presídios. Enfim, um povo extraordinário, com olhar fito no futuro para rasgar, nesses horizontes, a perspectiva iluminada e gloriosa do nosso destino de Igreja de Jesus Cristo na Batalha Final dos últimos dias.

            Não podemos contar com outros povos: nem europeus, nem americanos-do-norte.

            Até porque fui pastor na África, na época do apartheid! Quando cheguei à África do Sul, brancos e negros não se falavam. A praia era de brancos, dez quilômetros vazia; praia de indianos, dez quilômetros; praia de negros. Bairros para brancos, bairros para negros; escolas para brancos, escolas para negros. Não se falavam! Não se falavam.

            Fui chamado de louco porque fui a um corretor e disse que precisava de um local para abrir uma igreja. E ele me perguntou em que local eu estava pensando. Ao que respondi: “Em frente à estação de trem”. Ele, então, me disse: “Estação de trem! Nunca fui lá”. Ele era branco, tinha uns 30 e poucos anos. A estação ficava a uma distância que ia daqui ao final da Esplanada, e ele nunca tinha ido lá porque era lugar de negros.

            Eu fui, quebrei barreiras, batalhei e venci. Por quê? Porque em um ano já fazíamos reuniões - eu e os outros pastores brasileiros - em estádios com milhares de pessoas.

            O FNB Stadium, em 1994, onde foi aberta a Copa de 2010, tinha 50 mil pessoas. Eu era o único branco, talvez, e as arquibancadas todas com os zulus, xhosas, tswanas, shanganes. Aqueles negros viam em mim alguma negritude, havia uma afinidade, havia alguma coisa diferente da gênese que nos unia e que eles não podiam nem explicar, mas que quebrava realmente barreiras - na maneira de falar, de olhar, de sentir, de cantar, de pregar, de estar ao lado das pessoas. Isso porque Deus nos fez assim, Deus nos criou assim: nós somos essa raça globalizada, nós entendemos e sentimos como eles, de certa forma.

            É bem verdade que não somos africanos. Somos brasileiros. Até porque eu me lembro que as mulheres africanas, quando chegaram as brasileiras, ficaram encantadas com o cabelo delas, o cabelo lisinho das nossas mulheres de pele escura, das afrodescendentes. E elas me diziam: “Pastor, quando o senhor for ao Brasil, traga-nos os produtos que elas usam”. E eu fui descobrir, Pastor Reverendo Guilhermino Cunha, em 1993, 1994, o tal do henê.

            Eu nem sabia que existia. Já ouviu falar? É um produto que se aplica ao cabelo das pessoas africanas para que fique bonito. Chama-se henê. E eu levei henê Pelúcia, Primícia, Maru, Estrela. Achei que ia fazer um sucesso danado na África e até pensei que vamos ter de abrir uma fábrica aqui, porque não vou poder ficar trazendo esses produtos o tempo todo.

            Só que, meu irmãos, foi um Pão de Açúcar de frustração, uma Baía de Guanabara de desengano. Por quê? Ah, porque no cabelinho das africanas o henê não funcionou. As escurinhas brasileiras não eram africanas; eram brasileiras.

            Como diz esse estudo da Folha de S.Paulo, o negro no Brasil tem 40% a 45% de genes africanos, mas tem 40% a 45% de genes europeus, e o resto são genes índios. Assim como nós! O branco brasileiro tem 40% a 45% de genes europeus, mas tem 40% de genes africanos, porque somos assim. Nossos avós, bisavós, antepassados... em algum ramo da nossa família, houve essa mistura, e feita pelo Espírito Santo.

            Olhem as nossas igrejas, todas - Universal, Mundial, Igreja da Graça, Presbiteriana, Metodista -, nunca cresceram tanto. Nossas universidades, nossos pastores estão aí, e a nossa gráfica com 100 milhões de Bíblias.

            E o Brasil começa a crescer. E o Brasil descobre o pré-sal. E o Brasil é o único país que não tem problema de energia, porque tiramos energia de nossa biomassa, que é praticamente infinita. Nossos rios são caudalosos. Temos hidroeletricidade. Mas, se precisarmos recorrer à energia nuclear, nós temos a terceira jazida de urânio. Hoje o Brasil tem US$350 bilhões em reserva em bancos internacionais, muito mais do que tem a Inglaterra, muito mais do que tem França, muito mais do que tem até a Alemanha.

            Uma Nação de mestiços no trópico. Ah! Mas diziam que nós não seríamos capazes. Os anglo-saxões diziam: “Nos trópicos, eles se sentam debaixo de um cajueiro. O caju cai em sua boca, e eles não vão trabalhar nunca”.

            Qual o exemplo de um anglo-saxão que, nos trópicos, tenha feito uma civilização como a nossa?

            Lá é diferente. Deus abençoa. Os rios são calmos. Não desabam as suas encostas. Lá, as pessoas trabalham no ar-condicionado fora de casa. Aqui não. Aqui, nossos antepassados trabalharam o tempo todo com o suor pingando nos olhos. Nossas matas e nosso clima são infestados de pragas, de micróbios, de fungos comendo o dedo dos nossos pés, o branco dos olhos, os vasos linfáticos, a virilha, as axilas. Aqui nós sofremos todas as febres tropicais para sermos esta Nação de bravos e este povo brasileiro.

            E Deus estava nos preparando, pastores, meus irmãos, para uma obra redentora! É essa a Igreja brasileira, é essa a Sociedade Bíblica do Brasil. Num mundo de maremotos, num mundo de tremores, num mundo em que Israel já voltou à Palestina, e que o pecado já está em escala planetária na Internet , o que falta se cumprir para Cristo voltar? Ah, o Evangelho chegar a todas as nações da Terra. Quem tem capacidade para isso somos nós, os brasileiros.

            “É, o Crivella está aí num ufanismo evangélico, num fanatismo.” Não é isso, não. É de quem lê a Bíblia que eu amo tanto há 50 anos ou quase isso. Quem ouviu mestres, quem leu o livro de mestres, A Igreja dos meus Sonhos, e quem vê o exemplo do Reverendo Isaias de Sousa Maciel.

            Esse é o clamor dos nossos corações. Este é o nosso destino, é o nosso futuro.

            Hoje, ao prestar esta homenagem, com meus colegas Senadores e esta Casa, à Sociedade Bíblica do Brasil, extravaso aqui o mais profundo da minha alma, a minha fé mais genuína, aquilo que trago de mais sagrado - eu e minha família - em termos de visão do futuro, do papel do Brasil, de suas igrejas e do seu povo na construção do mundo e, sobretudo, da Igreja desse Senhor que amamos tanto.

            Que Deus abençoe a Sociedade Bíblica do Brasil! Que o Governo brasileiro e todos nós possamos estar de pé para aplaudir o trabalho de vocês.

            Muito obrigado. (Palmas.)


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